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COVID-19

Não haverá lockdown em Campo Grande, diz Marcos Trad

Medida é recomendada por especialistas quando há número expressivo de confirmações e internações

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O prefeito Marcos Trad (PSD) afirmou nesta terça-feira (14) que não haverá lockdown em Campo Grande.

Medida já tomada por outras prefeituras para evitar que a curva de contágio da Covid-19 continue em crescimento e que haja um colapso do sistema de saúde.

“Não haverá lockdown em Campo Grande, haverá sim, medidas restritivas, mas não o fechamento do comércio, não o fechamento do shopping, não o fechamento de bares e restaurantes, haverá sim restrições para que continuemos a controlar a pandemia e, sobretudo, termos leitos vazia”, declarou o prefeito.

Segundo ele, passado cinco dias da redução do toque de recolher das 23h para às 20h, a prefeitura pode dizer que a medida surtiu efeito. 

“Pegamos um sábado, um domingo e uma segunda-feira e pegamos também uma semana anterior (nos mesmos dias), quando o toque de recolher era às 23h. 

Entre os dias 1º a 3 de julho tivemos entrada no Pronto Socorro da Santa Casa, com trauma e violência, 84 pessoas, entre os dias 8 a 10 de julho, onde tivemos o toque de recolher às 20h, 41 pessoas, quase 50% a menos. Essas pessoas, uma boa parte delas, ocupou leitos de UTI, que estão disponíveis para a Covid-19”.

Outro ponto apontado pelo prefeito é que, conforme dados apresentados por ele, há quatro dias a ocupação de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) tem se mantido estável. 

“Hoje Campo Grande possui 241 leitos de UTI, estão ocupados 176, temos uma taxa de ocupação de 73% e vazios 27%. Estamos no Hospital Regional com uma lotação de 82%, na Santa Casa, 91%, no Hospital do Câncer 54% está sua capacidade de uso, no Hospital Universitário 96% ocupada, no Proncor 15% está ocupado, na Clínica Campo Grande 40% está ocupado e 60% está vazio. 

No El Kadri nenhum leito, usamos e esses leitos vazios somam hoje 27% para atender não apenas Campo Grande, mas 34 outros municípios que estão enviando seus pacientes para a nossa cidade”.

De acordo com dados do último boletim epidemiológico divulgado pela Secretaria de Estado de Saúde (SES), a Capital tem 4.836 casos confirmados do novo coronavírus e 43 mortes pela doença. 

Apenas nas últimas 24h foram acrescidas 196 confirmações na cidade.

Apesar do crescimento dos últimos dias, o prefeito lembra que Campo Grande tem quase 3 mil curados da doença e ainda é a capital com os menores percentuais de mortalidade pela doença e também de manifestação da Covid-19. 

Entretanto, o Estado está entre os nove do país que apresenta as maiores altas nos últimos dias.

Além das medidas, Trad também antecipou que haverá ampliação na próxima semana da oferta de vagas em UTIs. 

“Estamos hoje arrumando mais 10 leitos na Santa Casa, que devem ficar pronta na segunda ou terça feira da próxima semana. Porque não é apenas ter leitos, estamos contratando as equipes, médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem. 

Estamos também concluindo a construção de mais 18 leitos no Hospital Regional e mais 10 no Hospital Universitário. Vamos entregar mais 38, vai totalizar mais 279 leitos de UTI”.

ACIDENTE EM OBRA

Mortos em desabamento de supermercado trabalhavam sem registro em carteira

MPT constatou que vítimas também não passaram por integração para conhecer os riscos da obra

08/09/2026 17h00

Estrutura pré-moldada da nova unidade do Supermercado Mister Júnior desabou no dia 4 de setembro, no Aero Rancho

Estrutura pré-moldada da nova unidade do Supermercado Mister Júnior desabou no dia 4 de setembro, no Aero Rancho Paulo Ribas

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Os dois trabalhadores, identificados como Joel Oliveira da Silva, de 41 anos e Willian Douglas Souza Cabral, de 39 anos, que morreram após o desabamento da estrutura da nova unidade do Supermercado Mister Júnior, no Aero Rancho, em Campo Grande, trabalhavam sem registro em carteira e não haviam passado pelo processo de integração para conhecer os riscos existentes no ambiente de trabalho. 

As irregularidades foram constatadas pelo Ministério Público do Trabalho (MPT), que investiga as condições de trabalho na obra localizada na Avenida Rachel de Queiroz. O acidente ocorreu na última sexta-feira (4) e, além das duas mortes, deixou outros dois trabalhadores feridos. 

O procurador do Trabalho Paulo Douglas de Moraes afirmou que as causas do desabamento ainda dependem de perícias, mas que a falta de registro dos trabalhadores e a ausência do processo de integração já foram identificadas durante a apuração. 

“Já sabemos que os dois trabalhadores que foram vitimados não estavam registrados em carteira”, afirmou.

Segundo Moraes, o registro formal não teria impedido o acidente, mas garantiria aos familiares das vítimas a proteção prevista pelo sistema previdenciário. 

O MPT também constou que os trabalhadores não haviam passado pelo processo de integração antes de exercerem suas atividades no canteiro de obras. O procedimento é utilizado para que os funcionários tenham conhecimento das atividades que irão desempenhar e dos riscos existentes no ambiente de trabalho.

“Esses trabalhadores não foram submetidos à integração, ao processo de integração, ou seja, eles não tiveram a possibilidade, a oportunidade de conhecer os riscos aos quais eles estavam expostos nesse ambiente”, disse o procurador. 

Apesar das irregularidades já constatadas, Moraes ressaltou que ainda não é possível afirmar que elas tenham provocado diretamente as mortes. Conforme o procurador, a dinâmica do acidente continua sendo analisada e as conclusões dependerão dos trabalhos técnicos. 

Por outro lado, ele afirmou que os problemas trabalhistas identificados já são elementos que deverão ser considerados na apuração das responsabilidades.

As condições de segurança oferecidas aos trabalhadores também estão entre os pontos investigados pelo MPT.

No dia do acidente, a Polícia Civil informou que os funcionários utilizavam equipamentos de proteção individual (EPIs). Segundo Moraes, entretanto, a constatação de que os equipamentos estavam sendo utilizados não é suficiente para determinar se as medidas de segurança adotadas eram adequadas.

A equipe especializada deverá verificar se os equipamentos eram compatíveis com os riscos aos quais os funcionários estavam expostos e se estavam instalados e sendo utilizados de maneira adequada. 

O procurador destacou ainda que as normas regulamentadoras do Ministério do Trabalho estabelecem medidas destinadas a garantir condições seguras aos trabalhadores e que o desafio da investigação será identificar todas as eventuais falhas existentes.

Causas

As causas do desabamento ainda são investigadas. Uma das hipóteses consideradas é de que rajadas de vento tenham contribuído para comprometer a estrutura.

Moraes, porém, ressaltou que ainda não é possível apontar o vento como responsável pelo acidente e que qualquer conclusão dependerá do laudo pericial.

O procurador chamou atenção para o fato de que, no momento do desabamento, ainda não havia sequer a carga do telhado sobre a estrutura.

“Algo bastante surpreendente, porque ainda não havia sequer carga de telhado sobre essa estrutura, o que implica dizer que o vento não deveria ter provocado esse resultado”, afirmou.

A situação também levantou dúvidas sobre a qualidade do pré-moldado instalado na obra. O próprio procurador, contudo, frisou que somente a perícia poderá esclarecer se houve problema na estrutura. 

O acidente é apurado em três frentes: pela Polícia Civil, pelo Ministério Público do Trabalho e pela fiscalização do trabalho. Segundo Moraes, os elementos produzidos nessas investigações deverão convergir para que seja possível determinar as responsabilidades pelo ocorrido.

Na área civil trabalhista, o MPT poderá buscar indenizações para os familiares dos trabalhadores que morreram e, eventualmente, para os funcionários que sobreviveram, caso fique comprovado que também foram indevidamente expostos a riscos.

O MPT ainda não estabeleceu prazo para concluir o procedimento. O órgão aguarda o relatório da fiscalização e deverá analisar também o inquérito policial antes de decidir se serão necessárias outras provas, como novos depoimentos.

Acidente

O desabamento ocorreu no dia 4 de setembro, na construção de uma nova unidade do Supermercado Mister Júnior, na Avenida Rachel de Queiroz, no Bairro Aero Rancho.

Conforme apurado pelo Correio do Estado no dia do acidente, uma estrutura pré-moldada de concreto caiu em cadeia, em uma espécie de efeito dominó, e atingiu funcionários de uma empresa terceirizada que trabalhavam na obra.

O Corpo de Bombeiros foi acionado, mas dois homens já estavam mortos quando as equipes chegaram. Uma das vítimas foi identificada como Joel da Silva Oliveira, enquanto a identidade do segundo trabalhador não havia sido divulgada.

Outros dois homens ficaram feridos e foram encaminhados para a Santa Casa de Campo Grande. Um deles sofreu fratura no fêmur.

Na ocasião, o tenente Luiz Jacques, do Corpo de Bombeiros, informou que a primeira equipe de resgate encontrou a estrutura da obra no chão e quatro trabalhadores atingidos. Devido à possibilidade de novos desabamentos, a área foi isolada para os trabalhos das equipes de emergência e da perícia.

Uma equipe do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Mato Grosso do Sul (Crea-MS) também esteve no local. A Polícia Civil realizou perícia e instaurou investigação para determinar as circunstâncias que levaram à queda da estrutura.

Degradação Ambiental

Lixo, matagal e animais mortos preocupam às margens de córrego em Campo Grande

Problema se repete há mais de uma década no Anhanduí, onde moradores relatam descarte irregular, mau cheiro e risco de animais peçonhentos.

08/09/2026 16h46

Córrego Anhanduí volta a ser alvo de reclamações de moradores por acúmulo de lixo, vegetação alta e falta de manutenção em trechos de Campo Grande.

Córrego Anhanduí volta a ser alvo de reclamações de moradores por acúmulo de lixo, vegetação alta e falta de manutenção em trechos de Campo Grande. Foto: Divulgação.

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O acúmulo de lixo, o avanço da vegetação e relatos de descarte de animais mortos voltaram a chamar atenção às margens do Córrego Anhanduí, em Campo Grande. Moradores da região do Anhanduizinho reclamam das condições de alguns trechos e demonstram preocupação com mau cheiro, insetos e aparecimento de animais peçonhentos.

O cenário acrescenta mais um capítulo a um problema antigo. Há anos, o Correio do Estado acompanha reclamações relacionadas à sujeira, matagal, erosões e abandono em diferentes pontos do Anhanduí, principalmente ao longo da Avenida Ernesto Geisel.

Em março de 2025, por exemplo, a reportagem acompanhou uma operação de limpeza em aproximadamente 4,5 quilômetros das margens do córrego, entre o Shopping Norte Sul Plaza e a Avenida Ezequiel Ferreira Lima.

Na ocasião, a própria Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep) informou que havia realizado nove limpezas em cerca de 14 meses, atribuindo a necessidade de intervenções recorrentes ao descarte inadequado de resíduos pela população. 

O problema, porém, é ainda mais antigo. Em 2022, o Correio do Estado encontrou lixo e matagal às margens do Anhanduí e ouviu moradores que reclamavam da falta de manutenção.

Naquele período, uma limpeza chegou a ser realizada após denúncias, mas moradores voltaram a procurar a reportagem para afirmar que a situação persistia. 

Problema atravessa mais de uma década

Os registros remontam a pelo menos 2011. Naquele ano, reportagem do Correio do Estado já mostrava diferentes pontos de degradação ao longo da Avenida Ernesto Geisel, com resíduos acumulados, erosões avançando em direção à pista, estruturas de contenção danificadas e obras paralisadas. 

Desde então, a região passou por diferentes projetos e intervenções. Em 2024, a prefeitura chegou a estimar em R$ 150 milhões os recursos necessários para um conjunto mais amplo de obras de drenagem e revitalização do Anhanduí.

Na época, os transtornos relacionados à região já se arrastavam havia cerca de 13 anos, incluindo enchentes, erosões e pontos utilizados para descarte de lixo e entulho. 

As intervenções continuaram. Em agosto deste ano, o Correio do Estado mostrou que um contrato de R$ 22,1 milhões para obras no entorno do córrego havia ultrapassado 80% de execução.

O pacote contempla controle de inundações e processos erosivos, recuperação da Avenida Ernesto Geisel, ciclovia e reforço estrutural de ponte. 

Mesmo com as obras de infraestrutura em andamento, a imagem divulgada nesta terça-feira (8) mostra que problemas relacionados à conservação permanecem em determinados pontos. É possível observar vegetação alta e resíduos espalhados pela margem do curso d'água.

Nova cobrança por limpeza

As condições do córrego voltaram à pauta nesta terça-feira após reclamações encaminhadas ao vereador Delei Pinheiro (PP). Segundo as queixas relatadas pelo parlamentar, há pontos com lixo descartado irregularmente, vegetação alta e até animais mortos.

Diante das reclamações, o vereador solicitou à Prefeitura de Campo Grande serviços de poda, roçada e limpeza em toda a extensão do Anhanduí, especialmente nos trechos que passam pelos bairros da região do Anhanduizinho.

A preocupação dos moradores é de que a combinação de vegetação alta e resíduos favoreça a presença de insetos e animais peçonhentos, além de provocar mau cheiro nas proximidades das residências.

Delei afirmou que pretende acompanhar a solicitação e cobrar a realização dos serviços. Até o momento, porém, não há informação de que a prefeitura tenha definido uma nova operação de limpeza em razão do pedido.

Outro lado

A equipe de reportagem do Correio do Estado procurou a Prefeitura de Campo Grande para saber quando foi realizada a última limpeza no trecho, se existe cronograma para uma nova intervenção e quais medidas são adotadas para combater o descarte irregular de resíduos às margens do Anhanduí.

 

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