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INFRAESTRUTURA

A 50 dias do Natal, plano de liberação do centro ainda não está pronto

Com cronograma apertado e diversas insatisfações dos comerciantes, obras do Reviva serão entregues apenas em 2022

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A 50 dias do Natal, a Prefeitura de Campo Grande ainda não tem um plano de quando as obras do Reviva Centro serão paralisadas, conforme promessa da administração. 

As obras serão remanejadas para áreas mais distantes do miolo central, onde o volume de comércio é maior, ou seja, as intervenções não vão parar, mas serão feitas nas extremidades do microcentro. Entretanto, ainda não foi estabelecido como isso será feito.

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De acordo com a Unidade Gestora do Programa Reviva (UGP), o plano é concluir as obras que estão sendo feitas no centro até o fim de novembro, para que as interdições sejam paralisadas durante o período natalino para evitar transtornos no trânsito e também a queda de vendas dos comércios.  

O modo como isso será feito ainda está sendo estudado, mas a certeza é que as interdições, que estão por toda a cidade e travando o trânsito, especialmente nos horários de pico, vão dar uma acalmada durante as festas.  

A previsão é de que a UGP defina quais ruas passarão por obras no fim do ano até a semana que vem.  

OBRAS INACABADAS

Se, por um lado, isso é uma boa notícia para quem vai às compras e quem vai vender, por outro, se as obras não forem concluídas e ficarem apenas interditadas para evitar acidentes, ficará evidenciado ainda mais um problema comum, percebido por muitos comerciantes: frentes de obras paradas sem conclusão.  

Basta uma breve caminhada pelas ruas para ver diversas áreas com calçadas quebradas, trechos interditados e homens andando de um lado para o outro sem ocupação, além de muita desordem. Esse cenário vem tirando o sono dos comerciantes, que veem as vendas e sua rentabilidade caírem.  

O cenário descrito por todos é o seguinte: os trabalhadores quebram a calçada, por exemplo, e deixam o trabalho sem conclusão durante semanas ou até mesmo meses.  

Aline Souza, 23 anos, tem uma lanchonete na Rua 15 de Novembro com a Pedro Celestino, local que atualmente está interditado. Ela conta que suas vendas baixaram 70% após o começo das obras em frente ao seu comércio.  

“Fazia um tempo que eles não apareciam para trabalhar aqui, hoje eles vieram. Faz umas duas semanas que quebraram a calçada aqui da frente e não vieram arrumar de volta. A minha clientela caiu bastante porque a rua está fechada e, também, ninguém quer comer onde tem poeira”, conta.

A comerciante ainda se queixa da falta de limpeza da rua por parte dos operários, que almoçam e deixam isopores de marmitas e garrafas PET jogadas, restando a ela o serviço de juntar os resíduos para jogar fora.  

“Hoje não tem nada jogado porque mais cedo eu recolhi tudo. Depois que eles comeram, deixaram dentro da sacola também, mas não é assim todos os dias”, relata indignada.  

Do outro lado da rua, um comerciante, que preferiu não se identificar, alega que aos sábados não viu ninguém trabalhando no trecho. Embora a empresa responsável tenha dito que o trabalho não para, a reportagem não encontrou trabalhadores no feriado de Finados.  

“Eles ficam andando de um lado para o outro, meio sem saber o que fazer. Isso quando vêm, tem dias que eles nem aparecem. Tem um buraco que ficou um bom tempo aí, então veio um e fechou. Agora eles abriram de novo, porque falaram que não era para fechar. Só nisso, pensa o tanto de dinheiro que não vai”.  

Em outro ponto da cidade, na Marechal Rondon, nas obras que estão próximas ao trecho da Orla Morena e da antiga rodoviária, o cenário se repete: frentes de obras paralisadas, cercadinhos fechando trechos de calçadas que aguardam concretamento e homens olhando enquanto dois ou três trabalham.  

Ali os comerciantes também sentem o peso no bolso. Na esquina da Rua Joaquim Nabuco com a Marechal Rondon, uma calçada está inacabada faz dois meses: sem concreto, o único meio de passagem é um passadiço de madeira sem acessibilidade ou segurança.  

“Ninguém quer parar o carro aqui ou descer para entrar na loja: quando não é a poeira, é o barro que se forma quando chove”, disse Edson Alexandre, 48 anos, que tem comércio na esquina sem calçamento.

Em relação à frequência de trabalho, a reclamação do comerciante se repete.

“Eles vêm, quebram tudo e não terminam. Eu não entendo o planejamento deles, mas acho que o mais certo seria trabalhar em uma quadra de cada vez, sabe? Quebra tudo que tiver que quebrar, arruma e, depois, vai para outro canto”, analisa.  

O secretário municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos, Rudi Fiorese, explicou que, às vezes, a demora se dá pelo fato de a equipe encontrar interferências, como saídas de água ou caixas de esgoto que saem das casas e dos prédios da rua.  

Ele alega também que, no começo das obras, as empresas executoras tiveram problemas com a falta de paver, um tipo de tijolo que está sendo usado nas calçadas, mas agora esse problema já foi resolvido e as empreiteiras procuram não demorar tanto.  

O secretário também lembra que nas esquinas é preciso fazer as rampas de acessibilidade, mas isso pode sofrer interferências também.  

“Às vezes tem que fazer rampa e onde vai colocar tem poste de iluminação ou de semáforo, então, é preciso remanejar, o que acaba atrasando”.

Sobre ter diversas frentes de trabalho abertas ao mesmo tempo, Fiorese disse que essa é uma forma de trabalho comum, já que o serviço é feito em sequência: a equipe que quebra o calçamento não é a mesma que a refaz, assim como o meio-fio e o asfalto são feitos por equipes distintas. 

Dessa forma, se forem fazer o trabalho quadra a quadra, as equipes ficarão sem trabalho quando não for seu momento de atuar.  

A UGP afirmou que as obras em calçadas na Marechal Rondon estão dentro do cronograma planejado, porém, com as chuvas que caíram nas últimas semanas, aconteceram atrasos, uma vez que algumas bases de calçadas precisaram ser refeitas algumas vezes.  

Por sua vez, a empresa responsável pelo trecho disse que a referida calçada está sem concreto há dois meses porque a concessionária de água quebrou e não arrumou de volta.  

A Águas Guariroba disse que é a responsável apenas por refazer a troca dos ramais de água para a revitalização da rede e que a responsabilidade pela reposição da calçada é da prefeitura.  

SINALIZAÇÃO

A demora e as diversas interdições simultâneas têm deixado motoristas e pedestres estressados e confusos pelo Centro de Campo Grande. 

Durante essa semana, a reportagem do Correio do Estado observou que a quantidade de engarrafamentos e travamentos no trânsito aumentou de forma significativa. 

Além disso, é comum agentes da Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran) não estarem nos locais mais críticos para coordenar o fluxo de carros e motos.  

O caos também se dá por conta da falta de sinalização prévia sobre as ruas interditadas: o motorista sabe do fechamento quando já está muito perto do trecho em questão, atrapalhando a si e aos outros.  

De acordo com a UGP, a comunicação com a população está sendo feita por meio dos meios de comunicação, mensagens via WhatsApp para os impactados diretos, instalação de faixas de aviso de interdições no trânsito, reuniões públicas virtuais, apresentação dos projetos na Câmara Municipal e no Conselho Municipal de Desenvolvimento Urbano (CMDU), parceria com o Consórcio Guaicurus para distribuição de informações e criação de grupos de trabalho (GT) com segmentos específicos, como Educação Ambiental.

Além disso, estão sendo feitos: “produção de releases; instalação de faixas de aviso de interdição no trânsito; instalação do escritório local no centro da cidade para plantão de dúvidas; produção de vídeos informativos sobre os projetos, com divulgação nos canais diretos com os impactados; criação de um grupo socioambiental que faz a comunicação direta, porta a porta, sobre o andamento das interdições; e manutenção diária de notícias sobre o andamento das obras no site do Reviva”.

De acordo com a Agetran, os agentes de trânsito são necessários apenas nos pontos de lentidão. Nesses casos, o recomendado é ter paciência e respeitar o tempo do semáforo.  

“Muitas vezes, os agentes de trânsito têm outros pontos para atender fora das obras, em cantos mais críticos. Se o semáforo está funcionando, não tem por que ter agente no local”, afirma Carlos Gomes Guarini Leite da Silva, chefe da Divisão de Operação e Coordenação e Fiscalização de Trânsito da Agetran.

Em relação à sinalização, ele explica que cones e cavaletes que avisam sobre as interdições estão sendo roubados.

Prazo de entrega

A segunda etapa do Reviva Centro começou no dia 10 de abril, e as obras têm previsão para serem executadas em 15 meses, se o prazo se confirmar. 

A estimativa é de que a entrega seja no aniversário de Campo Grande de 2022. A revitalização do microcentro engloba 21 km de via. O trecho custará R$ 70 milhões, vindos de empréstimo com o Bancos Interamericano do Desenvolvimento.

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Transporte Rodoviário

Briga entre gigantes do transporte encarece passagens de Campo Grande a São Paulo

Após a saída da Guerino Seiscento, a Andorinha assumiu o principal trecho entre Campo Grande e São Paulo e as tarifas chegaram a subir quase 30%

13/07/2026 17h52

Disputa judicial e administrativa entre Andorinha e Guerino Seiscento mudou o cenário do transporte rodoviário entre Campo Grande e São Paulo

Disputa judicial e administrativa entre Andorinha e Guerino Seiscento mudou o cenário do transporte rodoviário entre Campo Grande e São Paulo Foto: Divulgação Montagem: Welyson Lucas/Correio do Estado

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O que começou como uma disputa administrativa entre duas tradicionais empresas do transporte rodoviário interestadual se transformou em um impasse que já afeta diretamente milhares de passageiros de Mato Grosso do Sul.

No centro da controvérsia estão a Empresa de Transportes Andorinha, de Presidente Prudente (SP), e a Guerino Seiscento, de Tupã (SP), protagonistas de um embate que envolve acusações de supostas irregularidades operacionais, decisões judiciais, medidas cautelares da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e reflexos na oferta de viagens entre Campo Grande e São Paulo.

A mais recente decisão da Diretoria Colegiada da ANTT manteve suspensas 23 autorizações da Guerino Seiscento para operação de linhas interestaduais.

Entre elas, estão justamente algumas das rotas mais utilizadas pelos sul-mato-grossenses, como Campo Grande-São Paulo, Campo Grande-Santos, Três Lagoas-São Paulo e Campo Grande-Brasília. A medida permanece válida até a conclusão do processo administrativo instaurado pela agência reguladora. 

Segundo a denúncia apresentada pela Andorinha à ANTT, a Guerino estaria utilizando autorizações de linhas interestaduais para realizar embarques e desembarques que, na prática, caracterizariam operações intermunicipais dentro do Estado de São Paulo.

A empresa denunciante sustenta que essa prática violaria as regras regulatórias e criaria uma concorrência considerada irregular.

A Guerino, por sua vez, nega qualquer irregularidade. Em comunicado oficial, afirma que sempre atuou de acordo com a legislação, critica a adoção da medida cautelar antes da conclusão do processo administrativo e argumenta que milhares de passageiros estão sendo prejudicados pela redução das opções de transporte.

A empresa também informou que continuará recorrendo nas esferas administrativa e judicial para restabelecer suas operações.

Reflexo imediato em Mato Grosso do Sul

Embora a disputa tenha origem em uma discussão regulatória envolvendo operações no Estado de São Paulo, os impactos chegam diretamente a Mato Grosso do Sul.

A ligação entre Campo Grande e a capital paulista é uma das mais importantes do Centro-Oeste, atendendo diariamente estudantes, pacientes que realizam tratamento médico, trabalhadores, empresários e famílias que utilizam o transporte rodoviário como principal meio de deslocamento.

Até a suspensão das autorizações, a concorrência entre as empresas contribuía para uma maior oferta de horários e promoções frequentes, especialmente em períodos de menor demanda.

Agora, passageiros relatam dificuldades para encontrar horários compatíveis e observam mudanças nos preços das passagens.

Concorrência que influencia o bolso

Além da discussão jurídica, o caso também reacende um debate econômico: o impacto da concorrência sobre o valor das tarifas.

Especialistas em regulação do transporte apontam que mercados com mais operadores costumam oferecer maior variedade de horários e promoções, enquanto a redução da concorrência pode diminuir as opções disponíveis ao consumidor.

Ainda assim, o preço das passagens depende de fatores como demanda, custos operacionais, combustível, sazonalidade e estratégia comercial de cada empresa. 

Comparativo de tarifas

A disputa entre as empresas também trouxe reflexos perceptíveis no custo das viagens entre Campo Grande e São Paulo. Antes da suspensão das autorizações da Guerino Seiscento, uma passagem semi-leito na rota custava, em média, R$ 342, enquanto a tarifa da categoria cama girava em torno de R$ 670.

Atualmente, com a operação concentrada na Andorinha, os valores encontrados pela reportagem para o mesmo trajeto são de R$ 430,44 na categoria semi-leito e R$ 858,32 na categoria cama.

Em ambos os casos, o tempo estimado de viagem é de aproximadamente 17 horas, podendo variar conforme o itinerário, as paradas e as condições da rodovia.

Em termos percentuais, a tarifa da categoria semi-leito registrou aumento de 25,9%, enquanto a passagem na categoria cama teve alta de 28,1% em relação aos valores praticados antes da suspensão das linhas da Guerino Seiscento.

Disputa judicial e administrativa entre Andorinha e Guerino Seiscento mudou o cenário do transporte rodoviário entre Campo Grande e São PauloLevantamento realizado pelo Correio do Estado evidencia o reajuste nas tarifas do trecho Campo Grande-São Paulo após a suspensão das linhas da Guerino Seiscento.

Obs.: Os valores foram consultados pela reportagem em 13 de julho de 2026 e referem-se ao trecho Campo Grande-São Paulo, podendo sofrer alterações conforme a data da viagem, a antecedência da compra e a disponibilidade de assentos.

Outra opção no trecho

Além da Andorinha, os passageiros que viajam de Três Lagoas a São Paulo também contam com outra alternativa. A Reunidas Paulista opera o trecho e oferece passagens a partir de R$ 285,99, valor inferior ao praticado pela Andorinha na categoria semi-leito.

A empresa, no entanto, possui horários e características operacionais próprias, o que faz com que a escolha dependa da disponibilidade de viagens e do perfil do passageiro.

Processo ainda não terminou

Apesar da repercussão, a própria ANTT ressalta que a suspensão possui natureza cautelar. Ou seja, ela busca preservar o sistema regulatório enquanto são analisadas as provas produzidas durante o processo administrativo.

Ao final da investigação, a agência poderá confirmar ou afastar os indícios apontados na denúncia e decidir pela manutenção, alteração ou revogação definitiva das autorizações. Até lá, a medida permanece em vigor.

Passageiros acompanham com preocupação

Quem depende da rota Campo GrandeSão Paulo vive um cenário de incerteza.

Além da redução das opções de embarque, passageiros relatam preocupação com possíveis aumentos de preços, necessidade de remarcações e dificuldades para encontrar horários compatíveis, principalmente em períodos de férias, feriados prolongados e datas de grande movimento.

Alexandre de Souza, de 33 anos, que utiliza com frequência a rota entre Campo Grande e São Paulo, afirma que a redução da concorrência prejudica diretamente os passageiros.

"São vários os problemas que a gente enfrenta como consumidor. Um deles é o monopólio de poucas empresas. Isso reduz as opções de horários, de ônibus e de preços. Sempre que uma empresa começa a se destacar oferecendo tarifas mais acessíveis e veículos mais modernos, acaba enfrentando dificuldades. No fim, ficamos dependentes das mesmas empresas, com serviços ruins, atendimento ruim, veículos antigos e preços altos."

Na avaliação de Alexandre, quanto maior a concorrência entre as empresas, maiores são as chances de o consumidor encontrar tarifas mais acessíveis, mais horários disponíveis e um serviço de melhor qualidade.

A empresária da beleza Luany Oliveira afirma que a redução das opções de viagens também tem impactado os passageiros que embarcam em Três Lagoas. Segundo ela, além da diminuição dos horários, o atendimento no terminal rodoviário tem gerado reclamações.

 "Está muito difícil comprar passagens em Três Lagoas. Os guichês frequentemente estão fechados, deixando os passageiros sem atendimento e sem informações. Quem precisa viajar diretamente para São Paulo hoje tem apenas a Reunidas como opção. Antes havia também a Guerino Seiscento, e isso diminuía a concentração do serviço. Além disso, quem precisa ir para Campo Grande conta praticamente apenas com os horários das 6h45 e das 23h30, que não atendem às necessidades de grande parte da população."

A empresária também critica a qualidade dos veículos utilizados em algumas viagens.

 "Em alguns casos, você compra a passagem acreditando que viajará por uma empresa, mas, na hora do embarque, o ônibus é da Andorinha. Na minha opinião, os veículos deixam a desejar em conforto e conservação. Quem depende do transporte rodoviário merece um serviço mais eficiente, com atendimento regular nos guichês e mais opções de horários. As empresas precisam rever essa situação e oferecer um atendimento digno aos passageiros, que pagam pela passagem e esperam um serviço de qualidade."

Entenda a disputa

  • A Andorinha denunciou à ANTT supostas irregularidades na operação de linhas interestaduais da Guerino Seiscento.
  • A ANTT instaurou processo administrativo e suspendeu cautelarmente 23 autorizações da empresa.
  • A Diretoria Colegiada manteve a suspensão enquanto o processo segue em análise.
  • A Guerino contesta a decisão, afirma que atua dentro da legalidade e busca reverter a medida na Justiça.
  • Entre as linhas afetadas estão importantes ligações envolvendo Mato Grosso do Sul, como Campo Grande-São Paulo, Campo Grande-Santos e Três Lagoas-São Paulo.

O que diz as empresas 

O Correio do Estado procurou a Guerino Seiscento e a Empresa de Transportes Andorinha para que ambas se manifestassem sobre a disputa envolvendo as autorizações de linhas interestaduais e os reflexos da decisão da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).

Até o fechamento desta edição, nenhuma das empresas havia encaminhado posicionamento oficial. O espaço permanece aberto para eventual manifestação, que poderá ser incorporada à reportagem assim que for enviada.

LUTO

Amigos e familiares se despedem de Alcides Bernal: "combateu o bom combate"

Ex-prefeito foi velado e enterrado no Cemitério Jardim das Palmeiras, em Campo Grande

13/07/2026 17h45

Enterro ocorreu por volta das 16h07min, no Cemitério Jardim das Palmeiras

Enterro ocorreu por volta das 16h07min, no Cemitério Jardim das Palmeiras GERSON OLIVEIRA

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Velório e sepultamento do ex-prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal, foi marcado por emoção, sentimentalismo e comoção.

A despedida ocorreu das 11h às 16h, no Cemitério Jardim das Palmeiras, localizado na avenida Tamandaré, número 6934, vila Nasser, em Campo Grande.

Enterro ocorreu por volta das 16h07min, no Cemitério Jardim das PalmeirasEx-prefeito de Campo Grande, Marquinhos Trad, era amigo de Bernal. Foto: Gerson Oliveira

Aproximadamente 120 pessoas compareceram ao velório, entre 13 horas e 16 horas, para se despedir do ex-prefeito. Amigos relembraram a trajetória pessoal, profissional e política de Bornal e lamentaram a sua passagem.

Ex-prefeito de Campo Grande, Marquinhos Trad, relembrou seus últimos momentos e conversas com Bernal, quando o visitou no Presídio Militar enquanto esteve preso.

“Vi e falei com ele questão de 40 dias atrás no presídio. Por três oportunidades eu estive com ele, visitando ele no presídio. Conversamos um longo tempo. Estava com dificuldade de respiração, estava com dor no peito. Ele combateu o bom combate, guardou a fé e hoje a gente se despede dele”, disse.

Enterro ocorreu por volta das 16h07min, no Cemitério Jardim das PalmeirasAdvogada, Jacqueline Hildebrand Romero, amiga de Bernal. Foto: Gerson Oliveira

Advogada, Jacqueline Hildebrand Romero, amiga de Bernal, prestou sua última homenagem e relembrou a época em que trabalharam juntos.

"Eu fui assessora dele quando ele foi vereador, os dois mandatos dele na Câmara, depois também o auxiliei na Assembleia. Quando ele criou a Secretaria da Mulher, eu fui a primeira secretária da Mulher de Campo Grande e auxiliamos ele na nossa gestão com a criação da Casa da Mulher Brasileira. Além da política, a gente tinha uma relação familiar, [ele era] muito bem-vindo na família do meu pai. Uma vez ou outra ele ia também até meu escritório conversar, a gente sempre teve esse diálogo Ele era uma pessoa extremamente educada, uma pessoa que gostava demais de ajudar o próximo. A gente conheceu o lado humano, o lado pessoal do Bernal, que era extremamente delicado, respeitador, uma pessoa de uma conduta rigorosa com as coisas que ele ia fazer, tanto no trato com as pessoas quanto na profissão", comentou.

Publicitária, Márcia Scherer, colega de trabalho de Bernal, lamentou a morte do ex-prefeito, com quem conviveu profissionalmente por seis anos.

Enterro ocorreu por volta das 16h07min, no Cemitério Jardim das PalmeirasPublicitária, Márcia Scherer, colega de trabalho de Bernal. Foto: Gerson Oliveira

“Eu fui assessora do Bernal por muito tempo, fiz a campanha dele em 2012, ajudei na campanha dele para a prefeitura, ele ganhou, fui com ele para a prefeitura, houve a cassação, saí junto com ele na cassação, aí quando ele voltou, voltei com ele, aí eu assumi a superintendência de comunicação na segunda fase, fizemos a reeleição, perdemos, aí saímos com ele e fiquei com ele até 2018. No total, foram mais de seis anos, assessorando diretamente. E aí depois a gente manteve, sempre manteve o contato, sempre manteve uma certa proximidade”, comentou.

Márcia ainda citou que Bernal procurou por justiça ao longo de sua vida, mas que não conseguiu alcançá-la.

“É um sentimento que mistura tristeza, que mistura um sentimento de injustiça, porque a despeito do que aconteceu agora, o Bernal sempre procurou a justiça pelo que aconteceu com o Campo Grande. Então eu falo que ele não teve a justiça para ele, mas a justiça foi implacável contra ele. Pra mim, o Bernal era um ser humano com seus acertos, com seus defeitos, com suas qualidades, com seus erros. Para quem esteve muito próximo dele, é tudo tão injusto, tudo tão triste. No fim das contas, aparentemente a justiça sobressaiu. No geral, ele buscou a justiça e não conseguiu. Que os adversários os respeite, porque esse respeito é necessário que esteja com ele”, finalizou.

Bernal faleceu na madrugada desta segunda-feira (13), no Hospital Santa Casa, em Campo Grande, em virtude de complicações cardíacas. A causa exata da morte não foi compartilhada e deve ser divulgada nos próximos dias.

Ele passou mal no Presídio Militar no domingo (12) e foi encaminhado para o hospital, onde passou por cateterismo, mas não resistiu e morreu. Ele faleceu na véspera de seu aniversário e completaria 61 anos amanhã, 14 de julho.

HOMICÍDIO

Ex-prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal (2013-2014), matou a tiros o fiscal tributário do governo do Estado, Roberto Carlos Mazzini, em 24 de março de 2026, na avenida Antônio Maria Coelho, bairro Jardim dos Estados, em Campo Grande.

Bernal disparou duas vezes contra Mazzini, no abdômen e costela, após se recusar a entregar seu imóvel, que havia sido leiloado.

O ex-prefeito flagrou, por meio de imagens de câmeras de segurança, o momento em que Mazzini entrou na casa, com auxílio de um chaveiro. Em seguida, foi até o local e matou o homem com um revólver calibre 38.
Após o crime, se entregou na Delegacia de Polícia Civil e permaneceu preso no Presídio Militar. Em 25 de março, teve sua prisão em flagrante convertida em prisão preventiva.

A disputa pelo imóvel começou em 2023, o imóvel foi ofertado por R$ 3,7 milhões, mas ninguém se interessou. Depois, o valor caiu para R$ 2,4 milhões e o fiscal tributário acabou comprando a mansão.

Mesmo após ter sido arrematado por Roberto Mazzini, Bernal se recusava a entregar a casa, levando a imbróglios judiciais.

PRISÃO

Bernal foi preso em 24 de março e, um dia depois, em 25 de março, teve sua prisão em flagrante convertida em prisão preventiva. Com isso, se tornou réu pela morte do fiscal tributário Roberto Mazzini. Bernal é cardíaco e, há cerca de um mês, o ex-prefeito tem sofrido complicações cardíacas.

Com isso, a defesa de Bernal solicitou diversas vezes prisão domiciliar alegando risco de morte súbita, mas, o juíz Aluízio Pereira dos Santos, da 1 Vara do Tribunal do Júri, negou o pedido na sexta-feira (10).

No pedido, a defesa esclareceu que Bernal tinha várias comorbidades, como hipertensão arterial sistêmica, diabetes mellitus e três infartos agudos do miocárdio prévios.

O pedido ainda sustentava que Bernal foi submetido à intervenção com implante de quatro stents coronarianos, sendo novamente submetido a um cateterismo cardíaco no dia 1º de julho, quando foi diagnosticado uma doença coronariana multiarterial severa.

A defesa anexou laudos, onde o médico cardiologista atestava a necessidade de repouso relativo e acompanhamento médico por, no mínimo, 30 dias. Além disso, acrescentou que o Presídio Militar Estadual não tem estrutura médica para o monitoramento que o caso de Bernal exigia.

CARDÍACO

Bernal tinha várias comorbidades, como hipertensão arterial sistêmica, diabetes mellitus e três infartos agudos do miocárdio prévios. Já passou por vários cateterismos e implantou quatro stents coronarianos recentemente. Em 1 de julho de 2026, foi diagnosticado com doença coronariana multiarterial severa.

LUTO OFICIAL

Prefeitura Municipal de Campo Grande (PMCG) decretou luto oficial de três dias em virtude do falecimento do ex-prefeito da Capital, Alcides Jesus Peralta Bernal.

Com isso, a bandeira do município deve ser hasteada a meio mastro, que representa o símbolo de luto.

O decreto foi publicado na tarde desta segunda-feira (13) no Diário Oficial de Campo Grande (Diogrande).

Enterro ocorreu por volta das 16h07min, no Cemitério Jardim das Palmeiras

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