No mês em que deve acontecer o “beijo” entre Brasil e Paraguai, a ponte Bioceânica que está prestes a conectar ambas as extremidades recebeu recentemente uma visita e fiscalização por parte da Receita Federal.
Comitiva liderada pelo Secretário Especial da Receita Federal do Brasil, Robinson Sakiyama Barreirinhas, esse grupo participou primeiro de um evento na Capital do Mato Grosso do Sul que tratava justamente do corredor bioceânico, antes de irem rumo a Porto Murtinho, município distante aproximadamente 439 quilômetros de Campo Grande.
In loco, a Receita Federal pôde acompanhar de perto o andamento das obras da Ponte Bioceânica que, como bem acompanha o Correio do Estado, já tem data definida para unir Brasil e Paraguai com o “beijo” das aduanas.
Nesse sentido, houve visita ao local que deverá abrigar o chamado o Centro Integrado de Controle de Fronteira (CICF), espaço que deverá reunir os órgãos responsáveis pelos controles aduaneiro, migratório, sanitário e de segurança pública na fronteira entre Brasil e Paraguai. Estiveram presentes:
- Diretora de Operações da Polícia Rodoviária Federal, Nádia Zilotti Alencar;
- Diretor Nacional de Inteligência da Polícia Rodoviária Federal, Daniel Brasil;
- Superintendente Regional da Polícia Federal em Mato Grosso do Sul, delegado Carlos Henrique Cotta D’Angelo;
- Coordenadora de Foros Econômicos do Ministério da Fazenda, Priscilla Belle Oliveira Pinto;
- Representante do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Leonardo Lahud.]
Conforme a Receita, essa visita reafirma o compromisso com o acompanhamento da implantação da infraestrutura necessária ao funcionamento do Corredor Bioceânico, especialmente da Ponte Bioceânica, bem como do acesso viário e do futuro Centro Integrado de Controle de Fronteira.
“A agenda também fortaleceu a integração institucional entre a Receita Federal, a Polícia Rodoviária Federal, a Polícia Federal, o Ministério da Fazenda e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), evidenciando a importância da atuação coordenada entre os diversos órgãos e instituições envolvidos para viabilizar uma operação segura, eficiente e integrada da nova ligação internacional entre Brasil e Paraguai, contribuindo para o fortalecimento do comércio exterior e do desenvolvimento regional”, complementa o órgão em nota.
Relembre
Construção iniciada ainda em 2022, sob responsabilidade do Consórcio Pybra, formado pelas empresas Tecnoedil, Paulitec e Cidades Ltda, sob coordenação do engenheiro civil paraguaio Renê Gómez, a entrega da Ponte Bioceânica já foi prorrogada algumas vezes e, mais recentemente, estava prometida para o último dia de maio.
Importante frisar que, para entrar em operação, essa nova ligação internacional depende da conclusão dessas obras complementares, fundamentais para o pleno funcionamento do Corredor Bioceânico.
Até o começo de junho, por exemplo, ainda restavam aproximadamente 20 metros da Bioceânica para unir Brasil e Paraguai para além da "Ponte da Amizade", conectando agora a cidade paraguaia de Carmelo Peralta ao município sul-mato-grossense de Porto Murtinho.
Vale lembrar que a Rota Bioceânica será um corredor rodoviário com extensão de 2.396 quilômetros que liga os dois maiores oceanos do planeta, Atlântico ao Pacífico, pelos portos de Antofagasta e Iquique, no Chile, passando por Paraguai e Argentina.
A ponte em si é considerada uma peça central dessa rota. Oficialmente batizada pelo presidente da República do Paraguai como "Ponte Internacional Bioceânica", a passarela contará com 1,3 quilômetro de extensão e 21 metros de largura, estando a 35 metros acima da calha do rio, contando com um trecho estaiado de 632 metros, sustentado por torres de 130 metros de altura.
O investimento, de US$100 milhões, é totalmente financiado pela Itaipu Binacional, do lado paraguaio.
No Brasil, também estão em andamento as obras da alça de acesso. Orçada em aproximadamente R$574 milhões, a alça compreende um trecho de 13,1 quilômetros de rodovia para interligar a BR-267 à ponte sobre o rio em Porto Murtinho.
Apesar de a ponte sobre o Rio Paraguai ter expectativa de ser entregue no primeiro semestre de 2026, as alças de acesso à rodovia só devem ser concluídas e liberadas para o público até 2028.

