Cidades

CORUMBÁ (MS)

Prefeitura repudia fala de deputado sobre pesca esportiva no Pantanal

Deputado federal Dagoberto Nogueira (PSDB) criticou pescadores em "caravanas" que chegam de outros estados

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Prefeitura Municipal de Corumbá manifestou repúdio às falas do deputado federal Dagoberto Nogueira (PSDB) sobre a pesca esportiva no Pantanal.

De acordo com a prefeitura, a declaração do deputado ignora a importância e o potencial da pesca esportiva, que estimula o turismo sustentável, gera renda, aquece o comércio, gera empregos, agita bares e restaurantes e gira a economia.

O deputado afirmou que os pescadores de São Paulo, Minas Gerais e outras regiões nada trazem para o Estado, deixam lixo e ainda provocam fogo.

“O grande problema que nós temos são os pescadores que chegam naqueles ônibus enormes, fazem comida ali mesmo (na beira do rio), não ocupam os hotéis e aí vão embora e deixam uma sujeira danada, quando não põe fogo em tudo”, disse o parlamentar.

A declaração foi dita à ministra do Meio Ambiente e de Mudança de Clima, Marina Silva, em 19 de março de 2026, em reunião preparatória para a Conferência das Partes sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres (COP 15), realizada entre 23 e 29 de março, em Campo Grande.

A reunião foi gravada e o vídeo circulou nas redes sociais com tom de revolta por parte de associações e órgãos públicos.

A nota de repúdio foi publicada, nesta segunda-feira (23), no site da prefeitura do município. Veja o texto na íntegra:

“A Prefeitura de Corumbá manifesta repúdio às declarações do deputado federal Dagoberto Nogueira sobre a pesca esportiva no Pantanal, feitas durante reunião de preparação para a 15ª Conferência das Partes sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres (COP 15), com o Ministério do Meio Ambiente e de Mudança de Clima na quinta-feira, 19 de março.

A administração municipal acredita que a fala desconsidera avanços históricos na regulamentação e na preservação dos recursos pesqueiros da região. Desde as décadas de 1980 e 1990, quando não havia controle efetivo da atividade, Corumbá contribuiu na evolução para um modelo sustentável, com redução de cotas, fortalecimento da fiscalização e incentivo à pesca esportiva.

Medidas como a Lei da Piracema e a proibição da pesca do dourado, adotada no município em 2012 e ampliada em 2019 para todo o Estado, contribuíram para a recuperação de espécies e para a consolidação da prática do pesque e solte.

Hoje, a pesca esportiva é um dos pilares do turismo sustentável local, gerando emprego, renda e promovendo a conservação ambiental. O modelo é resultado de um esforço conjunto entre o poder público, o setor turístico e a comunidade.

A Prefeitura reafirma o compromisso com a preservação do Pantanal e com o desenvolvimento responsável, destacando que Corumbá é referência nacional e internacional em turismo de pesca esportiva alinhado às boas práticas ambientais”.

A Associação Corumbaense das Empresas Regionais de Turismo (Acert) também reagiu com indignação e, em carta endereçada ao deputado, pediu sua retratação pública.

Segundo os empresários do setor, a fala não condiz com a realidade, gera desinformação e impacta negativamente profissionais, empresas e comunidades que dependem diretamente da pesca esportiva.

A Fundação de Turismo do Pantanal ressaltou a importância da pesca esportiva no principal destino - para este fim - do Estado.

“A gestão pública, pescadores esportivos, operadores, guias e toda a cadeia produtiva atuam como aliados na conservação do bioma, contribuindo diretamente para a proteção dos recursos naturais e para a geração de emprego e renda nas comunidades locais”, afirmou o diretor-presidente da Fundtur Pantanal, Zelinho de Carvalho.

PESCA ESPORTIVA

Pesca esportiva é uma atividade recreativa e não comercial, praticada principalmente por lazer, com o princípio do 'pesque e solte'.

Não é lucrativa, sendo proibida a comercialização dos peixes capturados. É uma forma de conexão com a natureza e ecossistema. Também se pode chamar de pesca de lazer ou pesca amadora.

A pesca esportiva pode ser praticada no mar, rios e lagos utilizando-se iscas naturais ou iscas artificiais, com tração de molinetes ou carretilhas.

Segundo a Fundação de Turismo do Pantanal, Corumbá recebe anualmente mais de 30 mil pescadores, os quais ocupam as estruturas das pousadas e pesqueiros situados ao longo dos rios ou realizam os cruzeiros em barcos-hotéis (embarcações para 20 a 80 pessoas, com alto atendimento de bordo e de pesca).

O destino tem a maior frota fluvial especializada em pesca esportiva, com a presença cada vez maior de famílias e grupos de mulheres.

Dança das cadeiras

Com mudança de última hora, Heitor Freire assume presidência da Santa Casa nesta quarta-feira

Imbróglio derruba a nomeação de Luiz Alberto Hiroki Kanamura, nome que seria oficializado como o novo presidente da instituição

22/09/2026 17h15

Foto: Divulgação

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Membro do Conselho de Administração da Santa Casa, Heitor Rodrigues Freire será nomeado o novo presidente da Santa Casa de Campo Grande nesta quarta-feira (23), imbróglio que em 24h derruba a nomeação de Luiz Alberto Hiroki Kanamura, nome que seria oficializado como o novo presidente da instituição.  

O novo mandatário retorna à presidência, cargo que deixou em janeiro de 2023 justamente para dar lugar à Alir Terra, presa no último dia 11, apontada como uma das líderes do esquema que apura desvios de quase R$ 5 milhões do hospital. 

Apesar da mudança interna, a cerimônia de oficialização dos novos gestores do hospital segue mantida. Conforme apurado pelo Correio do Estado, Luiz Kanamura seguirá como superintendente de Gestão Médico-Hospitalar, contudo será subordinado à Heitor Freire, que assumirá a presidência do hospital. 

"O cargo de presidente não possui remuneração, como ele [Heitor Freire] é um associado, assumirá a presidência. Com isso Kanamura será mantido como o superintendente-geral e será subordinado à presidência", declarou uma pessoa de dentro do hospital. 

Vice-presidente da instituição, Heitor Miguel Scheibeler ocupava a linha de frente de administração após a deflagração da Operação Antidotum no último dia 11, ação para investigar supostas fraudes milionárias em contratos da entidade. 

Presidente da Santa Casa de Campo Grande desde janeiro de 2023, Alir Terra Lima e outra cinco pessoas foram presas durante a operação do Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) e do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco). 

Além dela, foram presos: Rinaldo Hakme Romano (Diretor financeiro do hospital); Paulo Guilherme Guttierrez Mariosa (Diretor financeiro adjunto); Alessandro Dias Junqueira (Diretor administrativo); 
Monique Gregório de Oliveira (Supervisora do setor de prontuário) e Maurício Aparecido Benites (empresário investigado no esquema). 

No curso da investigação também foram identificadas irregularidades em contratos celebrados pela Operadora Santa Casa Saúde – empresa controlada pela Associação Beneficente Santa Casa de Campo Grande – com diversas empresas do mesmo grupo econômico, Duarte & Cruz.

Essas empresas, cujo proprietário, Paulo Duarte da Cruz, tinha ligações com a diretoria da Santa Casa, estavam registradas no mesmo endereço, mas o imóvel, na verdade, encontrava-se desocupado.

Conforme o MPMS, somente no ano de 2025, a operadora pagou aproximadamente R$ 9,6 milhões para essas empresas, e gerou um prejuízo, no mínimo, segundo apurado até o momento, de R$ 3,5 milhões à entidade.
 

Atualizado às 17h40 para acréscimo de informações 

 

Passagem Secreta

Geladeira escondia passagem secreta para desmanche de motos em Campo Grande

Polícia Civil encontrou centenas de peças e motores no imóvel ligado à residência do empresário; três pessoas foram presas durante operação da Defurv, que investiga esquema de receptação, desmanche e revenda de peças de motocicletas roubadas.

22/09/2026 16h58

Viatura da Defurv acompanha retirada de peças apreendidas durante operação contra desmanche de motocicletas em Campo Grande.

Viatura da Defurv acompanha retirada de peças apreendidas durante operação contra desmanche de motocicletas em Campo Grande. Foto: Divulgação.

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Uma estrutura improvisada para esconder a ligação entre dois imóveis chamou a atenção da Polícia Civil durante uma operação contra a receptação e o desmanche de motocicletas em Campo Grande. Atrás de uma geladeira, investigadores encontraram uma passagem que conectava a residência do empresário Phellipe Rodrigues a uma casa vizinha onde, segundo a investigação, funcionava um desmanche.

Além da residência onde foi descoberta a passagem escondida e do imóvel vizinho apontado como local de desmanche, os investigadores realizaram buscas na oficina de motocicletas Moto Forte 67, localizada na Avenida Gury Marques, em Campo Grande.

A descoberta ocorreu nesta terça-feira (22), durante uma ação da Delegacia Especializada de Furtos e Roubos de Veículos (Defurv). O acesso permitia a circulação entre os imóveis sem a necessidade de utilizar as entradas voltadas para a rua.

Imagens registradas durante a operação mostram policiais afastando a geladeira e revelando a abertura na parede. Do outro lado ficava o imóvel onde os investigadores localizaram grande quantidade de componentes de motocicletas.

No espaço, foram encontradas centenas de peças e motores. De acordo com o delegado Francis Freire, dezenas desses itens já foram identificados como pertencentes a motocicletas furtadas ou roubadas.

Viatura da Defurv acompanha retirada de peças apreendidas durante operação contra desmanche de motocicletas em Campo Grande.Geladeira escondia passagem entre a residência do empresário e imóvel apontado pela polícia como local de desmanche. Foto: Reprodução/Policia Civil.

A análise, entretanto, ainda não foi concluída. A polícia trabalha agora para verificar a procedência do restante do material apreendido e identificar outros veículos que eventualmente tenham sido desmontados no local.

Além das peças e motores, os policiais apreenderam uma pistola de uso permitido. Conforme a investigação, a arma pertenceria ao empresário.

Três pessoas presas

Phellipe Rodrigues, a esposa dele e um funcionário foram presos em flagrante durante a operação. Segundo a Defurv, os três já eram investigados por suspeita de participação em um esquema envolvendo receptação, desmontagem de motocicletas e posterior revenda das peças.

Eles foram autuados por receptação qualificada e adulteração de sinal identificador de veículo automotor.

O empresário e o funcionário já haviam sido presos anteriormente pela Defurv pelos crimes de receptação e adulteração de sinal identificador de veículo automotor, mas estavam em liberdade.

Desde o início do ano, a delegacia investiga o destino de peças retiradas de motocicletas roubadas em Campo Grande.

Segundo a investigação, a oficina de Phellipe teria ligação com alguns dos principais pontos de comercialização desse tipo de material, que seria destinado tanto ao mercado interno quanto ao externo.

A polícia ainda apura para onde eram encaminhadas as peças encontradas durante a operação e se outras pessoas participavam do esquema.

A ação desta terça-feira envolveu o cumprimento de três mandados de busca e apreensão em endereços relacionados ao empresário.

A descoberta da passagem entre os dois imóveis passou a integrar os elementos reunidos pela investigação. A Polícia Civil também continua o trabalho de identificação das peças apreendidas para determinar a origem de todo o material encontrado e verificar a dimensão do esquema investigado.

 

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