Cidades

EMPRESÁRIOS DO SETOR SÃO CONTRA

Projeto que altera regras do transporte é novamente retirado de pauta

Empresários do setor pressionam contra a aprovação da proposta; Felipe Orro pediu vista

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Pela segunda sessão consecutiva, o projeto que altera o regime de exploração do transporte intermunicipal de passageiros foi retirado de pauta da Assembleia Legislativa nesta quarta-feira (10).

Sob pressão de empresários do setor de transportes e turismo, que comparecem à Assembleia Legislativa, pedindo para que a proposta, que pode fechar o mercado para novas empresas pelo prazo de 5 a  10 anos, não fosse aprovado.

O deputado federal Felipe Orro (PSD) pediu vista. Desta forma, o projeto saiu de pauta e ainda não há previsão de quando será novamente apreciado.

Na sessão de ontem, o deputado Lídio Lopes (Patriota) havia pedido vista para analisar melhor a matéria.

Com o impasse, uma reunião técnica será realizada na Agência Estadual de Regulação dos Serviços Públicos (Agems), com presença de deputados e representantes do transporte e turismo para debater sobre o tema.

Segundo apurado pelo Correio do Estado, deputados querem verificar se o projeto do Executivo deve ser apreciado pela Assembleia ou se é de responsabilidade do órgão de controle.

O presidente da Casa, Paulo Correa (PSDB), a principal polêmica é com relação aos transportes por aplicativo.

"Acho que a principal polêmica que tem aí a questão do Buser. Eu acho que é uma inovação, mas uma coisa é o Uber, que é passageiro dentro da cidade, o Buser é importante ter as discussões", disse.

"O que está faltando e o que vai acontecer hoje é que a discussão na origem, porque é um projeto muito complexo. Não há nenhuma discussão, que todo mundo pedia, de se regulamentar o tema, então acho que a discussão estava deslocada", acrescentou.

"Eu acho que tem que ser primeiro lá [na Agems], porque eles são autores do projeto. Tem que discutir com os autores, é porque é que isso aqui está assim, por que isso aqui está assado? Eu acho que essas dúvidas poderão ser sanadas com o autor do projeto, porque lá tem muita coisa que é técnica", concluiu Correa.

O projeto

Conforme reportagem publicada hoje no Correio do Estado, a matéria prevê restringir a 10 km o limite de distância que motoristas de aplicativo ou táxis poderão percorrer entre uma cidade e outra, sendo considerado transporte clandestino ou irregular caso ultrapassem a quilometragem instituída.

O texto do projeto de lei especifica, no artigo 43, que “considera-se transporte clandestino qualquer modalidade de transporte rodoviário intermunicipal de pessoa, prestado por pessoa física ou jurídica, sem cadastro na Agência Estadual de Regulação de Serviços Públicos de Mato Grosso do Sul (Agems), de forma remunerada e sem instrumento de delegação vigente”.

Ainda conforme o documento, artigo 75, inciso 1º, as empresas que estiverem com o instrumento de delegação em vigor na data da publicação da lei poderão continuar prestando o serviço pelo prazo de até 60 meses, ação que pode ser prorrogável por mais 60.

Este é o ponto que é questionado por aplicativos de transporte rodoviário interestadual e intermunicipal, como a Buser, pela associação das empresas fretadoras de ônibus e até mesmo pela Associação Comercial e Industrial de Campo Grande (ACICG).  

Caso seja aprovado, as empresas que atuam nas viagens intermunicipais em MS permaneceriam em um “período transitório” de cinco anos, prorrogável por mais cinco.  

Essas empresas e esses setores da sociedade entendem que o período é muito longo e protege as atuais concessionárias. 

A Agems estabelece, ainda, um prazo de até 60 dias para que as empresas se adaptem às novas normas.  

Apenas após a invalidação das empresas já presentes no mercado, a agência providenciará o edital de chamamento público para que as demais operadoras possam fazer parte do sistema.  

Ou seja, o que antes era instituído por um regime de permissão ou concessão passaria a ser, caso o PL seja sancionado, um regime de autorização, em que não é necessário realizar licitação pública.

Além das mudanças presentes no PL 192/2022, quanto ao transporte regular, a norma também alteraria o regime de fretamento colaborativo de ônibus.

O artigo 41 do documento propõe que as empresas que utilizam esse regime passem a utilizar o circuito fechado, isto significa que o transporte tem de ser realizado com o mesmo grupo de passageiros indo e voltando nas datas e nos horários previstos no contrato do fretamento.  

Em resposta ao Correio do Estado, a Agems pontuou que o PL não vai congelar o setor de transporte intermunicipal por até 10 anos:  

“Serão feitas avaliações anuais para aumento de qualidade dos serviços. Nesse período, serão medidos os números de passageiros entre localidades por meio do bilhete eletrônico”, disse.

Conforme a agência, o prazo maior de autorização – até 10 anos – confere ao operador a garantia de permanecer no sistema, o que viabiliza constantes investimentos na aquisição de veículos mais novos, modernos e confortáveis.

SAÚDE

Em crise, Santa Casa restringe serviços a atendimentos emergenciais

O hospital só atenderá pacientes que forem encaminhados pelo Complexo Regulador Estadual (CORE)

15/10/2026 12h45

Dr. Luiz Alberto Kanamura, superintendente hospitalar da Santa Casa

Dr. Luiz Alberto Kanamura, superintendente hospitalar da Santa Casa Foto: Marcelo Victor / Correio do Estado

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O Hospital Santa Casa de Campo Grande informou que, dentro de 24 horas, os serviços serão restritos a casos de emergência e os pacientes serão atendidos apenas com a apresentação de uma oficialização emitida pelo Complexo Regulador Estadual (CORE). De acordo com o superintendente hospitalar, Dr. Luiz Alberto Kanamura, essa medida de eliminar a "porta aberta" tem como objetivo preservar os recursos para as emergências mais graves.

Os pacientes que não precisam de atendimento emergencial, serão transferidos ou atendidos em outras unidades hospitalares da rede. Estas medidas ocorrem após a Santa Casa não ter aceitado o acordo com o Governo do Estado e a Prefeitura de Campo Grande sobre um novo contrato. 

"Apesar da parte técnica ter evoluído, nós não chegamos a uma definição, uma adequação da parte financeira do hospital. Para apresentar e atender aquele contrato, o hospital precisaria de uma adequação financeira, coisa que não se chegou a um acordo. Por conta de não haver esse acordo, a equipe técnica e a decisão foi de não assinar o contrato. A expectativa é que se tenha um contrato com paridade financeira para que nós não estejamos sempre na situação de estar devendo, de estar restringindo, de estar achando que esse dinheiro seja mau gasto", disse o superintendente hospitalar.

Ainda de acordo com o Dr. Luiz Alberto Kanamura, foi solicitado pelo Estado e pelo Município que a Santa Casa se adeque ao orçamento e diminua o número de leitos e serviços, focando em sete áreas de alta complexidade e referência estadual: politraumatizados graves, neurocirurgia clínica e cirúrgica, ortopedia, cardiologia clínica e cirúrgica, cirurgia vascular e grandes queimados.

Ele também destaca que o déficit financeiro está causando a saída de profissionais, que não recebem o salário.

"Não é novidade que nós estamos num déficit financeiro e com vários fornecedores, equipe médicas em atraso. Esse atraso está gerando várias equipes solicitando a saída do corpo clínico. Nós temos hoje falta de OPM (Órteses, Próteses e Materiais Especiais) em várias áreas, por exemplo". 

Exemplos de áreas com este problema são a de hemodinâmica, ortopédicas e de cirurgia vascular. Kanamura disse que por conta disso, a gestão está formalizando ao juiz, secretário municipal de saúde, estadual e Ministério Público que serão restritos, dentro de 24 horas, somente atendimentos em estados emergenciais.

A dívida total da Santa Casa é de R$ 810 milhões, com um passivo circulante mensal de aproximadamente R$ 180 milhões. Os gastos mensais estimados são de R$ 54 milhões. O hospital recebe, por mês, cerca de 32 milhões dos órgãos públicos, sendo que R$ 5 milhões já eram descontados na fonte. Somados com o que recebe do setor privado, são recebidos R$ 35 milhões.

O superintendente também informou que há risco de não ter mais serviços, até o fim do mês, de algumas especialidades devido ao atraso no pagamento, como a anestesiologia. Isto foi até mesmo formalizado na Justiça.

FIM DO ISOLAMENTO

Sinal de celular deve cobrir toda BR-163 antes do previsto em MS

Política nacional de conectividade anunciada nesta quinta-feira (15) prevê que a rodovia tenha o sinal em toda extensão até o fim do próximo ano

15/10/2026 12h20

Atualmente, sinal de celular está disponível só perto das áres urbanas e concessão exige cobertura total somente em agosto de 2028

Atualmente, sinal de celular está disponível só perto das áres urbanas e concessão exige cobertura total somente em agosto de 2028

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O governo federal anunciou nesta quinta-feira (15) a política nacional de conectividade para rodovias. O plano consiste em um conjunto de iniciativas para levar a cobertura de telefonia e internet móveis para uma extensão total de 72,3 mil quilômetros de estradas federais e estaduais até 2030. 

Nas estradas federais, a meta é levar o sinal para mais 29,9 mil quilômetros, ampliando a cobertura dos atuais 27,2 mil para 57,1 mil quilômetros - o correspondente a cerca de 77% de toda a malha federal no País. O cronograma prevê que já em 2027 sejam conectados 16 mil quilômetros de vias.

No final desse processo, haverá cobertura integral de seis rodovias federais consideradas prioritárias: BRs 101, 16, 135, 163, 242 e 364. A BR 101, por exemplo, é uma das rodovias mais importantes do País, ligando o Nordeste ao Sul, com 4,8 mil quilômetros de extensão.

No contrato de repactuação do Governo Federal com a Motiva, assinado em agosto do ano passado, está previsto que até o final do terceiro ano de concessão (agosto 2028) os usuários dos 845 quilômetros da rodovia em Mato Grosso do Sul tenha acesso ao serviço. 

Agora, se o programa do Governo Federal sair do papel, a disponibilização do serviço ficará disponível com pelo menos oito meses de antecdência. 

RODOVIAS ESTADUAIS

Já nas rodovias estaduais, o plano prevê a cobertura em mais 42,4 mil quilômetros.

Para atingir essas metas, a política nacional considera uma série de medidas, sendo que a principal delas é a obrigação imposta para as operadoras abrirem o sinal de internet entre si, via compartilhamento das redes. Dessa forma, o usuário de uma operadora poderá se conectar ao sinal de outra empresa.

Essa obrigação definida para as empresas será o grande motor da política nacional de conectividade, sendo responsável por levar internet para 13 mil quilômetros de rodovias federais e 42,4 mil quilômetros (100%) das estaduais.

Apesar da obrigação imposta, as operadoras não serão compensadas, pois a expectativa do governo é que os custos de cada uma com a cessão da rede sejam compensados pelo ganho com o uso da infraestrutura das demais.

Além disso, a política se apoia em outras medidas que já haviam sido pactuadas e estavam em andamento. Entre elas está o leilão da faixa de 700 Mhz realizado no primeiro semestre, que determinou às operadoras a contrapartida de levar o sinal para 6,4 mil quilômetros de rodovias e áreas rurais.

Outra parte da cobertura, de 4,3 mil quilômetros, será providenciada pela Claro. Essa cobertura foi colocada como contrapartida pelo contrato assinado com a União, meses atrás, para adaptar os contratos de concessão de telefonia da companhia

A política nacional prevê ainda que 1,3 mil quilômetros virão das próximas concessões de rodovias, que já terão a conectividade como obrigação.

"Estamos reorganizando todos os instrumentos disponíveis, regulatórios, tecnológicos e financeiros, para garantir internet ao longo de praticamente toda a malha nacional", afirmou o ministro das Comunicações, Frederico Siqueira Filha, durante entrevista em São Paulo, para lançamento da nova política pública.

Ele destacou que a telefonia e a internet nas rodovias vão facilitar medidas diversas, como chamadas de emergência e uso de aplicativos, com benefícios para motoristas, passageiros e comunidades ao redor das estradas. São esperados também ganhos de produtividade para o agronegócio, a logística e os transportes, apontou.

A conectividade também deve apoiar serviços de cobrança automática de pedágios (o chamado free flow) e outros serviços, como pesagem de veículo de carga sem paradas.

 

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