Cidades

AUMENTO DE CASOS

Se população não colaborar, MS terá colapso na saúde e lockdown neste mês

Alerta é dos Ministérios Públicos Estadual, Federal e do Trabalho, devido ao aumento expressivo de casos e mortes

Continue lendo...

O crescente e súbito aumento do número de casos e mortes de Covid-19 ocorridos nos últimos dias em Mato Grosso do Sul tem causado preocupação, principalmente quanto a taxa de ocupação dos leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), tanto na rede pública quanto na privada, que podem levar ao colapso no sistema de saúde. 

Para evitar que a situação chegue a esse ponto extremo, Ministério Públicos Estadual, Federal e do Trabalho de Mato Grosso do Sul, elaboraram nota conjunta e pediram, em vídeo, que a população colabore, cumprindo todos os decretos elaborados até então para conter o contágio e achatar a curva de contaminação, especialmente no que diz respeito ao uso de máscaras e distanciamento social.

Boletim divulgado hoje (1º) pela Secretaria de Estado de Saúde (SES) aponta 711 novos casos confirmados e nove mortes por Covid-19 ocorridas no Estado nas últimas 24 horas. Os números recordes demonstram que o contágio está acontecendo de forma acelerada, ao mesmo passo em que os índices de isolamento social estão despencando, com taxa média de 38,5% em junho, muito abaixo do mínimo considerado aceitável, que é de 60%.

"O sistema público e privado de saúde local não tem condições de enfrentar surto elevado de COVID-19, havendo, caso a disseminação continue nos moldes atuais, risco de insuficiência de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para atender pacientes graves, não somente do novo coronavírus, mas também os acometidos de outras tantas sérias doenças que igualmente necessitam de UTI", diz a nota conjunta. 

Conforme o Procurador da República do Ministério Público Federal, Pedro Gabriel Siqueira Gonçalves, responsável pela área de saúde em Campo Grande, população deve se conscientizar que a falta de leitos não será apenas para pacientes com coronavírus, mas para quem, por ventura sofra acidente de trânsito ou tenha outros problemas graves, como enfarto ou AVC, por exemplo.

"O momento que vivemos é de incerteza. Os gestores são desafiados a proteger um bem tão caro como a saúde pública, não tem medicamento, não tem vacina. A única certeza cientifica nesse contexto, é que o isolamento e distanciamento social freiam o contágio e todas as consequências disso. As medidas restritivas no começo da pandemia surtiram efeito, mas recentemente houve aumento de contágio. É um dado matemático, se o contágio aumenta em escalada geométrica, a consequência imediata é a falta de leitos. A população faz parte da resolução do problema, não pode achar que é um problema que tem que ser resolvido só pelo gestor público, tem que respeitar. Se sensibilize com a morte de um estranho, não precisa chegar em alguém próximo para se sensibilizar", disse Gonçalves, fazendo um apelo a população. 

A nota foi elaborada porque, analisando o que aconteceu em outros estados, se a curva de casos continuar crescente, o colapso deve ocorrer no fim de julho e início de agosto. 

Além do desrespeito de grande parte da população às medidas adotadas, outro fator que contribuem para o pico de casos é o clima e circulação de vírus respiratórios, que ocorre durante o inverno no Centro-Oeste. 

APELO PARA EVITAR COLAPSO NA SAÚDE

Promotora de Justiça de Defesa da Saúde Pública, Filomena Aparecida Depólito Fluminhan, diz que as medidas que cabem aos poderes públicos foram determinadas, inclusive acatando recomendações do Ministério Público Estadual (MPMS), e que o cabe agora é a colaboração da população.

"É um desafio, um momento de grande dificuldade da saúde pública e que exige de todos nós um comprometimento acima de tudo social para que possamos vencer a batalha contra o coronavírus. É sabido que nos últimos dias os números tem aumentado de modo alarmante. Por esse motivo viemos a público para convocar a população para que faça medidas necessárias de uso de máscara e distanciamento social. Só com adesão a população teremos vitória contra o corona", pediu.

Entre os decretos publicados pelas prefeituras e municípios, estão, além do uso obrigatório de máscaras de proteção facial, o toque de recolher, medidas de biossegurança para estabelecimentos comerciais, que devem atender com um limite da capacidade, distanciamento de clientes ou mesas, no caso de bares e restaurantes, entre outras. Aulas presenciais e atividades como festas estão suspensas. 

No início da pandemia, ainda na primeira quinzena de março, prefeitura de Campo Grande decretou medidas mais restritas, com fechamento de todas as atividades econômicas que não são consideradas essenciais, o que surtiu efeito, segundo Filomena. Com os indicadores de contágio e ocupação de leitos baixos, iniciou-se, gradualmente, a flexibilização.

A promotora explica que, além das medidas restritivas iniciais, o contágio também foi baixo na Capital devido à situação epidemiológica local, que no sudeste e norte, onde houve pico de casos primeiro, a circulação de vírus respiratórios começa antes, enquanto no Centro-Oeste é em meados de maio, junho e julho, aliado ao frio de inverno, que resulta em aumento de Síndromes Agudas Respiratórias (Sars). Por isso, o isolamento social é ainda mais indicado pelas autoridades de saúde, para evitar que os vírus tenham maior circulação.

"A população não está fazendo a sua parte. Precisa aderir essas medidas porque temos estudo da UFMS, realizado final de abril, que previa em maio aumento grande de casos com restrição das medidas iniciais, mas não se manifestou tanto por situações climáticas. Esse  estudo fez projeção de que atingiremos 35.770 casos no dia 31 de julho se continuarmos nessa mesma projeção geométrica. É muito impactante, mas quando examinamos a proporção desta curva, verificamos que situação é plausível se não for contida a contaminação", alertou,

O estudo estima que, se mantido esse aumento de casos, no dia 11 de agosto, 200 pacientes precisarão de atendimento em leitos de UTI, de modo que haverá “um possível colapso do sistema de saúde pública do Estado no mês de agosto”.

O apelo é ainda maior para Campo Grande, onde pesquisa aponta que grande parte da população é obesa, hipertensa e tem diabetes, comorbidades que associadas ao Covid-19 representam maior risco de pacientes desenvolverem o caso grave da doença.

Procuradora-chefe do Ministério Público do Trabalho, Cândice Gabriela Arósio, também alertou para a mudança no cenário da Covid-19 no Estado. 

"A situação tranquila que vivenciamos ao longo desses 100 dias que já passamos, se mostra de forma que demanda atenção da população. Todos os esforços para que pudéssemos passar de forma tranquila estão sendo feitos, mas como estamos acostumados a ver Mato Grosso do Sul em último colocado na lista, ficamos mais dispostos a voltar a rotina normal da vida. Ocorre que nosso inverno está chegando, situação epidemiológica está mudando e a contaminação ampliando de forma considerável, principalmente no sul do Estado", disse. 

Procurador do MPF afirma que a situação é temporária e que mesmo sendo incômodo, é necessária a colaboração para passar pelo momento crítico.

"Vamos em conjunto tentar ir adaptando nossa rotina, é uma transição que estamos enfrentando e cada dia nos aproximamos de uma solução, que é a vacina. É uma luz no horizonte, já está em teste, há um horizonte e está próximo. Entramos em período de temperaturas em que se agravam problemas respiratórios e demanda leito, devemos nos adaptar para que não chegue ao quadro de esgotamento de leitos, se aproximando disso já há indicativo de fechamento", afirmou,.

LOCKDOWN

Diante do aumento expressivo de casos e mortes, a medida imediata encontrada é o de alertar a população, mas os órgãos não descartam recomendar medidas mais rigorosas caso os decretos não sejam cumpridos e a curva continue crescente, entre elas, o lockdown.

"Se a população não conseguir aderir [aos decretos], o Ministério Público será obrigado a adotar medidas judiciais no sentido de retomar regras rígidas em relação aos setores sociais e econômicos. Infelizmente será medida necessária para salvar vidas. Temos ciência que prejudica o setor econômico, mas o setor econômico será prejudicado se perder muitas vidas e também dos funcionários que se afastam para tratamento", alertou Filomena. 

Já o procurador da República, do MPF, afirma que o que orienta as decisões do MPF são os indicadores epidemiológicos, que são essencialmente o número de casos, velocidade de transmissão e taxa de ocupação de leitos, que estão sendo acompanhados e, até o momento, a orientação é o cumprimento de decretos para evitar medidas mais rígidas. 

"Estamos acompanhando taxa de ocupação dos leitos de UTI, se caminhar com ascendência da curva, em breve chega a 100% de ocupação. São escolhas difíceis e, por isso, temos nos antecipado para que não cheguemos a esse quadro [lockdown]. Se a população aderir ao que já tem é um bom caminho, mas pode surgir outras orientações, mas até o momento o fundamental é uso de máscara e não aglomerar", disse.

Ele acrescentou ainda que a orientação é o caminho para evitar que se chegue a uma maior restrição, mas que ela não está descartada porque o objetivo principal é a manutenção de vidas.

"Final de março a prefeitura restringiu atividades econômicas, no passo seguinte foi iniciado processo de flexibilização, é onde estamos hoje. Mas se chegar a um momento que a taxa de ocupação de leitos avançar para próximo de 95%, até antes, pode voltar aquele período anterior de restrição da atividade econômica e circulação. Preocupação não é só com SUS, a pessoa tem percepção que tem plano de saúde e se precisar vai ter leitos, mas não vai, o vírus afeta ricos e pobres. Antes de fechar estamos pedindo com antecedencia colaboração das pessoas", acrescentou.

A promotora da Saúde afirma que endurecimento de medidas não é apenas o fechamento de todas as atividades essenciais, mas também medidas contra a população, que é o próximo passo.

"Esse é o momento de as medidas serem adotadas contra a população. Na esfera judicial, vários infratores foram encaminhados para a delegacia. Podemos incidir em legislação com pena branda, como em outras medidas, inclusive os que tem teste positivo e não cumprem quarentena podem responder por crime contra a saúde pública, com pena mais exacerbada. Não temos intenção de punir, a intenção é que a população cumpra seu compromisso e responsabilidade social", explicou,

Ela explicou ainda que a recomendação de fechamento das atividades econômicas não pode ser feita com antecedência, mesmo com a previsão de colapso, porque são necessários indicadores porque sem eles não há legitimidade técnica para a esfera judicial e, dentro dos limites da razoabilidade, esses requisitos não estão preenchidos.

"Quando se adotam medidas restritivas, o ideal é que seja em gradação, você não pode partir de flexibilização total para fechamento total. Hoje, o período que vivemos é uma tentativa de conciliar interesses econômicos e de outro lado a saúde. A balança tá pesando mais em favor da economia e saúde está ligando um alerta, estamos chamando população para ser nossa parceira, vamos em conjunto tentar adaptando nossa rotina", afirmou Pedro Gabriel. 

Nota conjunta afirma que são advertidos e convocados "todos os cidadãos para cumprirem rigorosamente os Decretos Municipais, sob pena de serem adotadas medidas restritivas mais drásticas, encerrando-se o processo de flexibilização das medidas sanitárias, com o retorno ao quadro mais rigoroso de restrições adotadas no início da pandemia em março deste ano", 

CONSIGNADOS

Adriane veta suspensão de descontos ligados ao Banco Master em Campo Grande

Projeto aprovado pela Câmara pretendia interromper cobranças de empréstimos consignados de servidores municipais; Prefeitura alega inconstitucionalidade e risco de prejuízos aos trabalhadores

13/10/2026 18h42

Banco Master é citado em projeto vetado pela Prefeitura de Campo Grande que previa a suspensão de descontos de empréstimos consignados de servidores municipais.

Banco Master é citado em projeto vetado pela Prefeitura de Campo Grande que previa a suspensão de descontos de empréstimos consignados de servidores municipais. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil.

Continue Lendo...

A prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP), vetou integralmente o projeto de lei que pretendia suspender os descontos em folha de pagamento dos servidores públicos municipais referentes a empréstimos e cartões consignados vinculados ao Banco Master, ao CredCesta e a instituições financeiras relacionadas.

A decisão foi publicada na edição extra do Diário Oficial do Município (Diogrande), na tarde desta terça-feira (13), e impede, por enquanto, que a medida aprovada pela Câmara Municipal entre em vigor.

O veto atinge o Projeto de Lei nº 12.497/2026, que estabelecia a interrupção dos descontos realizados diretamente nos salários de funcionários da administração direta, autarquias e fundações municipais.

A proposta também previa mecanismos de fiscalização para verificar a regularidade das operações financeiras antes da retomada das cobranças.

Na justificativa encaminhada ao Legislativo, a administração municipal argumentou que a suspensão generalizada dos descontos ultrapassaria os limites da competência do município, uma vez que interfere em contratos privados de crédito, cuja regulamentação é atribuição da União.

A decisão foi fundamentada em pareceres da Procuradoria-Geral do Município (PGM) e da Secretaria Municipal da Fazenda (Sefaz), que recomendaram o veto total por entenderem que a proposta apresentava problemas de constitucionalidade, proporcionalidade e segurança jurídica.

O episódio amplia a discussão sobre os empréstimos consignados relacionados ao Banco Master, instituição submetida à liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em novembro de 2025, conforme mencionado no parecer jurídico municipal.

Embora reconheça a necessidade de proteção dos servidores diante de possíveis irregularidades, a Prefeitura sustenta que não seria juridicamente possível interromper todas as operações vinculadas às instituições mencionadas sem comprovar problemas específicos em cada contrato.

O que previa o projeto vetado

A proposta aprovada pelos vereadores estabelecia a suspensão do processamento de diferentes modalidades de operações financeiras descontadas diretamente da remuneração dos servidores.

Entre elas estavam empréstimos consignados, cartões de crédito consignado, cartões-benefício, operações vinculadas à Reserva de Margem Consignável (RMC) e à Reserva de Cartão Consignado (RCC).

A medida alcançaria contratos relacionados ao Banco Master, ao CredCesta e também a empresas coligadas, sucessoras ou responsáveis pela aquisição de carteiras de crédito dessas instituições.

Pelo texto, os descontos somente poderiam ser restabelecidos após o atendimento de exigências documentais destinadas a demonstrar a regularidade das operações.

O projeto também proibia a inclusão de novos descontos de empréstimos na folha de pagamento dos servidores e determinava a realização de procedimentos administrativos para verificar a legalidade das cobranças.

O objetivo era ampliar o controle sobre as consignações processadas pela administração municipal e evitar que os servidores continuassem sujeitos a eventuais cobranças irregulares.

Entretanto, a proposta não previa o cancelamento dos empréstimos nem a extinção das dívidas. Os contratos permaneceriam existentes, assim como a possibilidade de cobrança por outros meios legalmente admitidos.

Essa distinção se tornou um dos principais argumentos utilizados pela Prefeitura para justificar o veto.

Segundo a Procuradoria-Geral do Município, a retirada automática dos descontos em folha poderia criar uma situação de insegurança jurídica, pois impedir o desconto salarial não significa que a parcela tenha sido quitada ou que os encargos contratuais deixem de existir.

Prefeitura aponta risco de cobranças e negativação

Um dos pontos destacados na justificativa é o risco de a medida produzir consequências financeiras para os próprios servidores que pretendia proteger.

Conforme manifestação da Secretaria Municipal da Fazenda, a suspensão automática poderia atingir contratos regulares e irregulares sem qualquer distinção, inclusive operações cujos créditos já tivessem sido transferidos legalmente para outras instituições.

A pasta também alertou que a interrupção dos descontos não eliminaria as obrigações financeiras assumidas pelos trabalhadores.

Dessa forma, na avaliação da administração municipal, a ausência de regras adequadas para a transição poderia gerar cobranças diretas, discussões sobre inadimplência e até risco de negativação dos servidores, dependendo das circunstâncias de cada contrato.

A Procuradoria ressalvou, contudo, que o eventual atraso no pagamento não poderia ser automaticamente atribuído ao trabalhador, uma vez que a responsabilidade pelo inadimplemento depende da análise das condições concretas.

Outro argumento apresentado foi que o município já possui instrumentos administrativos para fiscalizar as instituições responsáveis pelos descontos, exigir documentos, verificar autorizações e adotar providências diante de irregularidades comprovadas.

Para o Executivo, essas medidas devem ser aplicadas de maneira individualizada, sem prejudicar contratos que estejam sendo cumpridos regularmente.

A Prefeitura também utilizou como fundamento decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) que, segundo o parecer, reconheceram a inconstitucionalidade de medidas semelhantes adotadas em Mato Grosso.

Nos julgamentos da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) nº 7.900 e da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) nº 1.306, concluídos em abril de 2026, o Supremo considerou que a suspensão generalizada de operações de crédito por legislação estadual interferia em matérias reservadas à competência federal.

Embora a proposta de Campo Grande apresentasse diferenças em relação às normas analisadas pelo tribunal, especialmente por preservar a existência das dívidas, a Procuradoria entendeu que a interferência nos mecanismos contratuais de pagamento justificava a aplicação do mesmo fundamento constitucional.

Disputa judicial envolve R$ 1,43 milhão

A justificativa do veto também trouxe à tona uma disputa judicial envolvendo o Município de Campo Grande, o Instituto Municipal de Previdência de Campo Grande (IMPCG) e questões relacionadas a créditos e repasses financeiros associados ao Banco Master.

Conforme o parecer jurídico, uma decisão judicial autorizou a retenção e o depósito em juízo de um repasse de aproximadamente R$ 1,43 milhão, referente a 20 de dezembro de 2025.

O caso foi mencionado no âmbito de uma ação de compensação de créditos, posteriormente discutida no Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS).

A decisão, entretanto, tinha alcance limitado: permitia a retenção e o depósito judicial daquele repasse específico, sem autorizar que a mesma providência fosse repetida automaticamente em pagamentos posteriores.

Segundo a documentação apresentada pela Procuradoria-Geral do Município, o Tribunal também não reconheceu a nulidade generalizada dos empréstimos contratados pelos servidores, tampouco autorizou a interrupção de descontos futuros por meio de legislação municipal.

A controvérsia envolve, entre outros aspectos, a possibilidade de compensação entre créditos relacionados a investimentos e valores de repasses financeiros.

Para a Prefeitura, a existência dessa discussão judicial não permite presumir que todas as operações de crédito vinculadas à instituição financeira sejam irregulares.

O parecer também menciona questionamentos sobre a transferência de carteiras de crédito do Banco Master para o Banco de Brasília (BRB).

Nesse ponto, a Procuradoria destacou a necessidade de verificar a titularidade dos créditos, a identificação individual de cada operação e a legitimidade das instituições responsáveis pelo recebimento dos valores.

O documento registra ainda que procedimentos administrativos municipais apontaram dificuldades na realização de determinados repasses financeiros.

Entretanto, despacho de junho de 2026 informou que algumas entidades conseguiram efetuar transferências após sucessivas tentativas, sem que isso demonstrasse a solução integral das pendências.

Veto ainda poderá ser analisado pela Câmara

Com o veto integral, o projeto aprovado pelos vereadores não produzirá os efeitos previstos enquanto a decisão do Executivo permanecer válida.

Na prática, não haverá a suspensão geral dos descontos vinculados às instituições financeiras mencionadas com fundamento nessa proposta. Isso não impede, porém, a adoção de providências administrativas ou judiciais específicas diante de cobranças irregulares comprovadas.

A mensagem encaminhada à Câmara sustenta que a suspensão indiscriminada poderia comprometer contratos legítimos, atingir instituições que adquiriram regularmente direitos de crédito e gerar insegurança para os próprios servidores.

A administração municipal também descartou a possibilidade de um veto apenas parcial, argumentando que os dispositivos do projeto estavam diretamente vinculados à suspensão geral dos descontos. A retirada dessa previsão, segundo a Procuradoria, comprometeria a estrutura da proposta.

A decisão agora poderá ser examinada pelos vereadores, que têm a prerrogativa de manter ou derrubar o veto, conforme as regras do processo legislativo municipal.

O Diário Oficial não informa quantos servidores de Campo Grande possuem empréstimos ou cartões consignados vinculados ao Banco Master e ao CredCesta, tampouco o valor total descontado mensalmente de suas remunerações.

Esses dados são fundamentais para dimensionar o alcance financeiro da controvérsia, que envolve tanto a proteção dos trabalhadores quanto os limites legais da atuação do poder público sobre contratos de crédito.

Enquanto a discussão legislativa permanece aberta, a posição formalizada pela Prefeitura é de que eventuais irregularidades devem ser investigadas e corrigidas individualmente, sem a paralisação automática das consignações.

manifestação

Ato pró-Lula reúne centenas de estudantes e trabalhadores da educação em Campo Grande

Mobilização em defesa da educação e a favor do fim da escala 6x1 ocorreu na UFMS e percorreu ruas do entorno, mesmo sob chuva

13/10/2026 18h31

Centenas de estudantes e profissionais da educação participaram de manifestação em Campo Grande

Centenas de estudantes e profissionais da educação participaram de manifestação em Campo Grande Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

Continue Lendo...

Mesmo sob a chuva que começou a cair no fim da tarde desta terça-feira (13), centenas de estudantes e profissionais da educação participaram de uma manifestação em defesa da educação pública e pelo fim da escala 6x1, em Campo Grande.

O ato também foi em apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que disputa a sua reeleição no segundo turno, contra Flávio Bolsonaro.

A concentração começou às 16h no momunento paliteiro e a caminhada percorreu ruas do entorno da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) às 18h.

Entoando cantos que remetiam aos temas da manifestação, o grupo saiu pelo portão 2 até a rotatória, seguindo pelo autocine e pontilhão da Rua Rui Barbosa, retornando para a universidade. A passeata foi acompanhada pela Guarda Civil Metropolitana (GCM) e pela Polícia Militar (PM).

O número de manifestantes não foi oficialmente divulgado, mas estimativas extraoficiais apuradas pelo Correio do Estado é de que cerca de 600 pessoas participaram do ato.

Centenas de estudantes e profissionais da educação participaram de manifestação em Campo GrandeFoto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

A professora aposentada Leila Glades, 56 anos, participou da manifestação e afirmou que o movimento é importante para tirar as dúvidas de muitos indecisos.

"Aquelas pessoas que não têm a consciência do que realmnte está acontecendo no momento, com um movimento desse vai ter vários esclarecimentos, então a partir desse movimento é que a gente vai conseguir no positivo, no que a gente quer: Lula", disse.

Luiz Fernando da Silva Lima, 18 anos, é estudante de Odontologia na UFMS. Filho de professor, ele afirmou que é importante defender o ensino público.

"Esse movimento é muito importante por vários motivos, primeiro porque a faculdade é pública e sem estudos você não chega a lugar nenhum, e eu concordo que também é para virar voto. Com todas as manifestações que estão tendo no Brasil inteiro, nós conseguimos virar votos para que o que presidente Lula ganhe", disse.

A diarista Daiane Arruda, 40 anos, também ressaltou a importância de políticas públicas e disse que é importante ampliar a esquerda.

"Eu acho muito importante porque eu tenho duas filhas, de 17 e de 15 anos, e sempre falo para elas que houve um tempo, quando eu estudava, que tinha que comprar uniforme e eu não tive muitas oportunidades, eu lembro que eu reprovei porque minha mãe não tinha condições de comprar um livro de inglês para mim na época. Depois que o PT entrou, fez muito pela educação, minha filha estuda e recebe o pé de meia, que ajuda muito, porque eu sou mãe solo e criei as duas sozinhas", afirmou Daiane.

Jenifer Paes, 31, é professora da Rede Estadual de Ensino e afirmou que as manifestações também são importantes para mostrar que a esquerda existe e está organizada para reivindicar direitos da classe trabalhadora.

O acadêmico egresso de economia, Ari Ferreira Júnior, 28 anos, avaliou o movimento como uma oportunidade da juventude de esquerda se renovar, pois, segundo avaliação dele, a direita tem se renovado, pelo menos, desde 2020.

O vice-presidente da Associação dos Docentes da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (ADUFMS), Marco Aurélio Stefanes, afirmou que a educação é o maior patrimônio de um povo e que a educação pública produz 95% de toda a pesquisa científica do Brasil.

"A proposta que está colocada pelo candidato da direita, primeiro, é mexer na Constituição de forma arbitrária, porque pra mexer na Constituição, você tem que convocar uma Assembleia Constituinte, isso não foi ventilado, mas o candidato lá diz que quer mudar a Constituição, isso é uma visão autocrática de um país e nós precisamos de um país plural, democrático e desenvolvido e o desenvolvimento passa pela qualificação da educação", disse.

"Quando o candidato do lado de lá [direita] propõe tirar as univerdidades do MEC, onde tem recurso hoje destinado sobre o prisma da Constituição, e levar para o Ministério da Tecnologia, vai sem recurso, e o recurso ele vai pôr quando e como ele quiser. Isso é um futuro absolutamente perigoso para o País e, nesse sentido, as universidades, os estudantes, a juventude, nesse movimento lindo que está tendo no Brasil inteiro, está entendendo essa mensagem", acrescentou.

Centenas de estudantes e profissionais da educação participaram de manifestação em Campo GrandeFoto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).