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AUMENTO DE CASOS

Se população não colaborar, MS terá colapso na saúde e lockdown neste mês

Alerta é dos Ministérios Públicos Estadual, Federal e do Trabalho, devido ao aumento expressivo de casos e mortes
01/07/2020 14:11 - Glaucea Vaccari


O crescente e súbito aumento do número de casos e mortes de Covid-19 ocorridos nos últimos dias em Mato Grosso do Sul tem causado preocupação, principalmente quanto a taxa de ocupação dos leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), tanto na rede pública quanto na privada, que podem levar ao colapso no sistema de saúde. 

Para evitar que a situação chegue a esse ponto extremo, Ministério Públicos Estadual, Federal e do Trabalho de Mato Grosso do Sul, elaboraram nota conjunta e pediram, em vídeo, que a população colabore, cumprindo todos os decretos elaborados até então para conter o contágio e achatar a curva de contaminação, especialmente no que diz respeito ao uso de máscaras e distanciamento social.

Boletim divulgado hoje (1º) pela Secretaria de Estado de Saúde (SES) aponta 711 novos casos confirmados e nove mortes por Covid-19 ocorridas no Estado nas últimas 24 horas. Os números recordes demonstram que o contágio está acontecendo de forma acelerada, ao mesmo passo em que os índices de isolamento social estão despencando, com taxa média de 38,5% em junho, muito abaixo do mínimo considerado aceitável, que é de 60%.

"O sistema público e privado de saúde local não tem condições de enfrentar surto elevado de COVID-19, havendo, caso a disseminação continue nos moldes atuais, risco de insuficiência de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para atender pacientes graves, não somente do novo coronavírus, mas também os acometidos de outras tantas sérias doenças que igualmente necessitam de UTI", diz a nota conjunta. 

Conforme o Procurador da República do Ministério Público Federal, Pedro Gabriel Siqueira Gonçalves, responsável pela área de saúde em Campo Grande, população deve se conscientizar que a falta de leitos não será apenas para pacientes com coronavírus, mas para quem, por ventura sofra acidente de trânsito ou tenha outros problemas graves, como enfarto ou AVC, por exemplo.

"O momento que vivemos é de incerteza. Os gestores são desafiados a proteger um bem tão caro como a saúde pública, não tem medicamento, não tem vacina. A única certeza cientifica nesse contexto, é que o isolamento e distanciamento social freiam o contágio e todas as consequências disso. As medidas restritivas no começo da pandemia surtiram efeito, mas recentemente houve aumento de contágio. É um dado matemático, se o contágio aumenta em escalada geométrica, a consequência imediata é a falta de leitos. A população faz parte da resolução do problema, não pode achar que é um problema que tem que ser resolvido só pelo gestor público, tem que respeitar. Se sensibilize com a morte de um estranho, não precisa chegar em alguém próximo para se sensibilizar", disse Gonçalves, fazendo um apelo a população. 

A nota foi elaborada porque, analisando o que aconteceu em outros estados, se a curva de casos continuar crescente, o colapso deve ocorrer no fim de julho e início de agosto. 

Além do desrespeito de grande parte da população às medidas adotadas, outro fator que contribuem para o pico de casos é o clima e circulação de vírus respiratórios, que ocorre durante o inverno no Centro-Oeste.