Cidades

PORTO MURTINHO E JUTI

Temporal causa alagamentos e destrói posto no sul do Mato Grosso do Sul

Condições do tempo são causadas pela chegada de frente fria que deve fazer da próxima sexta-feira (21) o dia mais frio do ano

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Um temporal atingiu a região sul e sudoeste de Mato Grosso do Sul nesta quarta-feira (19), deixando para trás alagamentos e rastros de destruição, com destelhamentos e a queda da estrutura de um posto de combustíveis. As cidades atingidas pela forte chuva acompanhada por ventos foram Porto Murtinho e Juti.  

Durante a madrugada, o vendaval passou por Juti e destelhou casas e estabelecimentos comerciais. A violência do vento foi tamanha que a estrutura de um posto de combustíveis no município, chamado Posto Nova Geração, acabou desabando.

Equipes da Defesa Civil da cidade atuam para contabilizar os estragos e atender às famílias que precisam de auxílio diante da situação. Aproximadamente metade das residências de Juti ficaram sem energia elétrica, segundo a Secretaria de Assistência Social.

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Já em Porto Murtinho, na fronteira com o Paraguai, ruas ficaram alagadas e o local conhecido como 'valetão' transbordou em alguns pontos por causa da forte chuva que chegou na segunda-feira (18) à tarde e segue até hoje.  

Uma das maiores preocupações na cidade é a barragem de contenção do rio Paraguai. Equipes do Corpo de Bombeiros foram destacadas para realizar a checagem da estrutura, não sendo encontrados problemas. A situação está sendo monitorada. Apenas nessa manhã, o registrado na cidade era de 34 mm de chuva.

Conforme alerta do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), toda porção sul e sudoeste do Estado, se aproximando ainda de Corumbá, está sob alerta laranja desde segunda-feira (17) para ocorrência de chuvas que podem chegar a até 100 mm por dia e ventos de até 100 km/h, além de queda de granizo, corte no fornecimento de energia e estragos em plantações.

A situação é causada pela chegada de uma frente fria que chega esta semana ao Mato Grosso do Sul e que deve fazer sexta-feira (21) se tornar o dia mais frio do ano. De acordo com o meteorologista Natálio Abrahão, em Ponta Porã os termômetros vão chegar em 2 °C.

Já no sábado (22), o município vai amanhecer com forte geada. Em todo o Estado, a mínima esperada é de 5 °C e a máxima de 25 °C. Segundo o Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima (Cemtec), as condições chuvosas no Estado permanecem até sábado (22).

Entrevista

"Entendemos que toda mudança que vier vai ser bem-vinda"

À frente da Agetran há três meses, Ciro Ferreira falou sobre a venda do Consórcio Guaicurus, as mudanças viárias em Campo Grande e seu tempo no comando da autarquia de trânsito

25/07/2026 09h30

Ciro Ferreira - Diretor-presidente da Agetran

Ciro Ferreira - Diretor-presidente da Agetran Foto: Paulo Ribas / Correio do Estado

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Nomeado em abril para comandar a Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran), o diretor-presidente Ciro Ferreira conversou com o Correio do Estado sobre a venda do Consórcio Guaicurus, que está em análise pela autarquia, as mudanças viárias em Campo Grande e os planos do seu mandato, que deve durar até a próxima eleição municipal, em 2028.

Nos últimos meses, os motoristas da Capital têm percebido alterações no trânsito de alguns trechos importantes da cidade, como, por exemplo, o reordenamento viário na Avenida Afonso Pena.

Nesta semana, as rotatórias das Avenidas Rodolfo José Pinho e Rachid Neder começaram a ser retiradas e darão lugar aos semáforos, com o objetivo de melhorar o fluxo das vias.

Ainda, na terça-feira, todos, incluindo os administradores municipais, foram pegos de surpresa com a venda do Consórcio Guaicurus, responsável pelo transporte coletivo de Campo Grande, para a empresa goianiense HP Mobilidade. 

Porém, a negociação ainda precisa do aceite do Município para ser concretizada, do qual a Agetran é parte essencial da comissão responsável pela análise da nova empresa.

Além destes dois assuntos, Ciro Ferreira também falou sobre o que foi feito durante sua gestão como comandante da Agetran – completará quatro meses no dia 6 de agosto – e sobre seus planos para os próximos dois anos e meio como diretor-presidente da Agetran. Confira a entrevista completa.

Recentemente, a Agetran começou a implantar mudanças viárias na Capital. Desde quando a autarquia tinha a intenção de fazer essas mudanças e o que levou a finalmente tirá-las do papel?

A Agetran vem acompanhando o trânsito constantemente e, com base nos estudos técnicos que fazemos, toda vez que algum técnico nosso identifica um ponto de lentidão ou uma questão de sinistros que acontece, então a gente procura estudar aqueles pontos.

A própria demanda da sociedade e da comunidade pede algumas intervenções, nós passamos a estudar isso e diante disso temos vários pontos da cidade que identificamos que é necessário fazer intervenção. 

Nós não conseguimos fazer todos de uma vez, mas a gente consegue ir atacando toda vez que tiver o projeto pronto, que está em condições de empenhar, nós procuramos aplicar. Então, temos vários pontos que nós pretendemos intervir na cidade.

Quantos bairros devem ser beneficiados com essas mudanças ao longo deste ano?

Nós temos pontos em todas as regiões e temos procurado atender em todas as regiões. Nós não direcionamos para uma região, para um bairro A ou B.

Vamos seguindo esses estudos técnicos que são feitos e sempre focando principalmente nos pontos de conflito, onde nós temos um fluxo considerado de lentidão, há um índice de sinistros também que acontece aqui e dali. 

Tudo isso nós consideramos para intervir. Procuramos as vias que são arteriais, vias que são estruturais, mas procuramos também atender em todas as regiões e em todos os bairros.

Além de proibição de conversões, mudanças de sentido e retiradas de rotatórias, quais outros projetos devem ser executados?

Desenvolvemos várias ações enquanto agência, não só na parte de segurança específica de intervenções viárias, mas nós procuramos sempre desenvolver e temos buscado desenvolver a modernização da estabilização horizontal e vertical, implantação de novas travessias de pedestres, melhoria na acessibilidade para as pessoas que têm essa necessidade, adequação semafórica com sincronização de tempos, modernização do nosso parque semafórico, também implantação de áreas de segurança para motociclistas, ciclistas, onde houver essa viabilidade, é óbvio, reorganização de estacionamentos, fortalecimento da educação para o trânsito e ampliação do monitoramento e também das decisões baseadas em dados. 

Nós temos hoje uma gestão baseada nessa organização, estruturação de dados para que a gente possa tomar as melhores decisões que vão trazer segurança viária para o município.

As obras são feitas com recursos e pessoal próprio da prefeitura? Qual o investimento nessas intervenções?

Nós procuramos utilizar o máximo possível as equipes da própria Agetran com os recursos do município. A grande preocupação é que a gente consiga otimizar os recursos públicos que nós temos, com responsabilidade, com inteligência, para usar da melhor forma possível. E é difícil especificar um valor específico porque depende de cada projeto, depende de cada intervenção.

Ao fim do ano, essas mudanças devem contribuir de que forma para melhorar o trânsito da Capital?

O resultado que nós esperamos é um trânsito com fluidez, mas com segurança. Buscamos essa fluidez com segurança de forma que a gente contribua com a qualidade de vida do cidadão também com o tempo de vida, porque hoje nós perdemos muito tempo no trânsito, e Campo Grande se tornou uma cidade em grande expansão e isso traz uma pressão muito grande em cima do fluxo de veículos, das vias e tudo mais. 

Então, nós buscamos, além dessa qualidade de vida, dessa questão da melhoria do tempo das pessoas, também trazer essa segurança, redução de sinistros, as pessoas terem mais consciência e empatia no trânsito também, e que a gente consiga reduzir o número de mortes no trânsito. Tudo isso são os nossos objetivos.

Sobre a venda do Consórcio Guaicurus, o senhor avalia com bons olhos essa negociação? Não tinha mais como a empresa continuar à frente da concessão? 

É difícil nós emitirmos opinião porque é um processo que está em andamento ainda, nós não temos uma conclusão.

A agência está para fazer a parte dela, que é a fiscalização do serviço, e nós entendemos que toda melhoria vai ser bem-vinda, quer seja com essa empresa ou com outra, ou até mesmo a resolução com o Consórcio Guaicurus.

O que nós queremos realmente é que se resolva esse problema do transporte, e a agência contribui nesse sentido também.

Entendemos que é necessária a mudança e toda mudança que vier vai ser bem-vinda, com certeza dentro daquilo que for programado, daquilo que for assumido de compromisso ou com essa empresa ou com outra. 

E quando a decisão quanto à negociação deve ser tomada pelo Município?

Existe um prazo da comissão de intervenção e também da comissão administrativa processante, e esses prazos devem ser respeitados.

Nós acreditamos que, ao final disso, se a empresa, como disse a prefeita, apresentar um plano consistente, um plano robusto, que vai realmente trazer melhorias para o sistema, para o serviço e para o estado da sociedade, eu acredito que essa é a nossa esperança. 

O senhor está no cargo desde abril deste ano, nesse período, qual foi sua maior contribuição para a Agetran?

Eu já fazia parte da equipe da Agetran, e a agência já vem em uma construção dessa gestão baseada em dados, em evidências, uma gestão integrada.

Nós procuramos, com toda a equipe, realmente trazer uma gestão técnica, uma gestão focada em resultados, que a gente possa entregar o máximo para a segurança viária e mobilidade do município. 

Então, o que a gente espera é que, com a nossa contribuição aqui, com a equipe, que são pessoas que têm um comprometimento muito grande com o trânsito e com a segurança viária, a gente consiga realmente desenvolver um bom trabalho e trazer essa mobilidade inteligente e segura para todos. 

Quais são seus objetivos no curto e longo prazo à frente da Agetran?

No curto prazo é a gente implementar essas mudanças que estão já planejadas e continuar os nossos estudos para que a gente possa, a longo prazo, realmente entregar essa mobilidade segura e inteligente para o município.

A gente trabalha nesse sentido para que possamos trazer qualidade de vida, salvar vidas, trazer educação para o trânsito também, que é um ponto importante que nós trabalhamos e só com isso nós vamos conseguir realmente ter atitude, ter mudança de comportamento das pessoas, então nós procuramos incentivar isso. Essa é a nossa proposta e com a equipe a gente trabalha nesse sentido.

{ PERFIL }

Ciro Ferreira 

Entrou na Agetran em maio de 2024, como diretor de Trânsito, e hoje é diretor-presidente da autarquia.

Anteriormente, esteve em diversos cargos na Polícia Rodoviária Federal (PRF), como diretor administrativo, diretor de operações, coordenador-geral de Inteligência e superintendente regional em Mato Grosso do Sul.

É formado em Teologia e tem três pós-graduações, todas voltadas para segurança pública e mobilidade urbana.

"Maior da História"

Receita quer 2º laudo para liberar carga de madeira que teria cocaína

Apesar de perícia da Polícia Federal não ter encontrado vestígio de entorpecentes no produto, órgão espera nova avaliação

25/07/2026 08h00

Receita Federal e Polícia Federal fizeram a divulgação da apreensão, considerada recorde no Brasil até então, no dia 22 de junho

Receita Federal e Polícia Federal fizeram a divulgação da apreensão, considerada recorde no Brasil até então, no dia 22 de junho Foto: Divulgação

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Mesmo após laudo da Polícia Federal (PF) dizer que a carga de madeira apreendida em junho, por supostamente estar impregnada de cocaína, não tem a presença de drogas, a Receita Federal afirmou que ainda aguarda um segundo parecer, do Instituto Nacional de Criminalística, para liberar as toras de madeira.
Segundo a Receita Federal em Mato Grosso do Sul, a apuração ainda não foi concluída.

“Permanecem pendentes laudos periciais do Instituto Nacional de Criminalística, e a Polícia Federal determinou a instauração de inquérito policial para o prosseguimento das diligências e o esclarecimento integral dos fatos, com ciência ao Ministério Público Federal e à Receita Federal”.

“Por essa razão, a carga permanece retida. A investigação tem como objeto exclusivamente a carga, que permanecerá sob retenção até a conclusão dos trabalhos. Os veículos já foram liberados e não houve prisões. A Receita Federal, a Polícia Federal e o Ministério Público Federal realizarão reuniões para avaliar o andamento do caso e definir as providências cabíveis, respeitadas as atribuições de cada instituição”, explicou a Receita Federal ao Correio do Estado.

Essa carga foi apreendida no dia 21 de junho deste ano, em Corumbá, durante a Operação Timber Shield, feita pela Receita Federal em parceria com a Polícia Federal, o Exército Brasileiro e as forças de segurança boliviana e dos Estados Unidos.

Foram apreendidas oito carretas, quatro em Corumbá, na fronteira com a Bolívia, e outras quatro em Cáceres (MT). Ao todo, as cargas somaram 260 toneladas de madeira e nota divulgada na época pela Receita Federal dizia que a estimativa era de que havia entre 20 toneladas e 50 toneladas de cocaína líquida na madeira.

Após a apreensão, o material coletado em Corumbá seguiu para análise em Mato Grosso do Sul, que foi concluída na semana passada pela Polícia Federal e entregue essa semana para a Receita.

De acordo com a Receita Federal, porém, a liberação da mercadoria “dependerá da conclusão das análises e dos procedimentos ainda pendentes, bem como da verificação de que não existem outras irregularidades que impeçam o regular prosseguimento da operação aduaneira”.

Outra questão apontada pela defesa das transportadoras e das importadoras da carga, representada pelo advogado Leandro Lobo, é referente ao custo da armazenagem da madeira que estaria a cargo das empresas. Segundo a Receita Federal, “eventual pedido de ressarcimento poderá ser apresentado pelos meios administrativos próprios”. 

“O requerimento estará sujeito à análise do caso concreto, à comprovação dos valores e prejuízos alegados e à verificação dos pressupostos jurídicos aplicáveis, não havendo reconhecimento automático do direito ao ressarcimento”, disse em nota.

“A Receita Federal esclarece que a retenção teve natureza cautelar e foi adotada diante de informações de inteligência fornecidas por organismos internacionais especializados e de resultados obtidos em testes preliminares. A atuação observou os procedimentos de controle e segurança aplicáveis, com o imediato acionamento da Polícia Federal para a realização das investigações e perícias necessárias”, completou a Receita.

A defesa das empresas, no entanto, busca que o mais rápido possível essa carga seja liberada. Segundo o advogado Leandro Lobo, que representa duas transportadores e quatro importadoras de Mato Grosso do Sul, a intenção é de que o material seja liberado para ser entregue ao comprador.

RELATÓRIO DA PF

Na semana passada, a Polícia Federal concluiu a análise dos fragmentos da madeira que foi coletada em Corumbá. No material que estava nas quatro carretas retidas não foi encontrada nenhuma substância relacionada com entorpecentes.

Matéria do Correio do Estado desta semana mostrou que o laudo foi produzido nos laboratórios do Setor Técnico-Científico da PF em Mato Grosso do Sul e concluído no dia 17.

“Todos os testes e exames instrumentais descritos resultaram negativos para a presença de cocaína impregnada nas amostras de madeira encaminhadas a exame pericial”, diz o documento.

Inicialmente, eles submeteram a reagentes químicos três fragmentos sólidos de madeira comercial secos, com formato irregular e características anatômicas macroscópicas semelhantes – cor, textura e linhas de crescimento.

Os retalhos das madeiras foram encaminhados como amostras da carga de madeira que estava nos quatro caminhões. 

O laudo pericial destaca que os fragmentos de madeira foram observados atentamente, buscando-se verificar suas principais características naturais e indícios macroscópicos que pudessem indicar a adsorção de substâncias em seu interior ou em sua superfície.

Esse resultado, no entanto, refere-se apenas à carga apreendida em Mato Grosso do Sul e não a de Mato Grosso.

Os exames foram realizados no Laboratório de Química Forense do Setor Técnico-Científico e no laboratório do Instituto de Análises Laboratoriais Forense (Ialf) da Coordenadoria-Geral de Perícias para análises instrumentais complementares.

* Saiba 

As primeiras amostras chegaram para análise no dia 23 de junho, dois dias após a apreensão, e nos dias 1º e 2 deste mês foram feitas novas coletas de material para verificação.

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