Cidades

CAMPO GRANDE

TJMS condena município a pagar R$ 20 mil para funcionária vítima de assédio moral

Servidora pública apresentou quadro médico grave prejudicial a saúde mental que reconheceu a incapacidade total e permanente para o trabalho, resultando na sua aposentadoria por invalidez

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O Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS), por meio da 5ª Câmara Cível manteve a condenação do município de Campo Grande ao pagamento de indenização no valor de R$ 20 mil por assédio moral a uma servidora pública. Ficou determinado também uma pensão vitalícia para a vítima.

Conforme os autos do julgamento, ocorrido na última quinta-feira (21), a servidora era técnica de enfermagem em um Centro de Atenção Psicossocial da Capital e relatou sofrer perseguições constantes da pessoa que era sua superior no local.

Ela então foi vítima de assédio moral, que desencadeou prejuízos à sua saúde mental, obtendo um laudo e diagsnóstico de estresse pós-traumático com origem do quadro cliníco a partir das situações em ambiente de trabalho.

Com isso, o diagnóstico foi colocado como prova pericial nos autos, além da aposentadoria por invalidez da funcionária, por reconhecimento de incapacidade total e permanente para o trabalho.

O desembargador Alexandre Raslan constou que o caso é assédio moral, com situações constantes de humilhação e constrangimento da vítima, além de ressaltar as consequências que a ex-servidora levará, uma vez que o crime deixou danos permanentes.

O juiz entendeu então, que a funcionária "sofreu assédio moral, praticado por agente público hierarquicamente superior, e danos morais, face à flagrante violação de seu direito à honra objetiva e à sua saúde".

Ele caracterizou como responsabilidade do município, baseado no artigo 37, § 6º, da Constituição Federal que diz que "as pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de serviços públicos responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros, assegurado o direito de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa" sendo então o responsável por pagar a indenização.

Foi determinado então o pagamento de R$ 20 mil por danos morais, considerado pelo juiz como adequado diante das circunstâncias e observando os princípios de razoabilidade e proporcionalidade. Além da obrigação do pagamento de uma pensão até a servidora completar 73 anos, ou até sua morte, valendo a partir do dia do ocorrido.

A pensão vitalícia poderá ser cumulada com benefício previdenciário, em vista da natureza distinta das verbas, conforme entendimento consolidado so Superior Tribunal de Justiça (STJ).

A defesa do Município ainda alegou durante o recurso a ausência de comprovação que a vítima de fato teria sofrido assédio, inconsistência no laudo pericial e existência de histórico psiquiátrico anterior da servidora, que anularia a prova pericial que a invalidez foi devido ao ocorrido no ambiente laboral. Além disso, ainda argumentou que não houve omissão administrativa capaz de justificar a responsabilização do município.

O Tribunal recusou as alegações, declarando que o conjunto de provas reunidas para a acusação foram suficientes para comprovar a situação e que a defesa apesar das alegações não apresentou elementos suficientes que afastassema sua responsabilidade diante do caso.

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Meio ambiente

Desmatamento cai quase pela metade em 2025 no Pantanal

Com 12.260 hectares desmatados, Pantanal é o bioma com maior redução proporcional de desmatamento no País

27/05/2026 09h45

Desmatamento no Pantanal (MS)

Desmatamento no Pantanal (MS) ARQUIVO/CORREIO DO ESTADO

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Dados divulgados pelo MapBiomas apontam que 12.260 hectares foram desmatados no Pantanal em um ano, entre 2024 e 2025. O número representa queda de 48,4% na área desmatada.

Isto significa que Pantanal é o bioma com maior redução proporcional de desmatamento no País. A redução se deve a Lei do Pantanal, que está em vigor desde fevereiro de 2024.

A lei trata da preservação, conservação, proteção e desenvolvimento do Pantanal sul-mato-grossense.

É válida em território sul-mato-grossense e foi construída dentro da jurisdição estadual (executivo propôs, Assembleia Legislativa aprovou por 19x1 e governador sancionou).

Na prática, a lei garante proteção ao bioma, fiscalização via satélite e recompensa (pagamento por serviço ambiental) a quem ajudar a cuidar do local.

A expansão da agropecuária é a maior causa de desmatamento no Brasil.

Números do MapBiomas ainda mostram que o Cerrado é o bioma com maior área desmatada (540.614 hectares), concentrando sozinho 54,9% do desmatamento do país, mesmo tendo apresentado queda de 16,9% em relação a 2024. No Cerrado, 1.482 hectares de vegetação nativa foram perdidos diariamente.

Amazônia e Cerrado juntos responderam por mais de 84% de toda a área desmatada no país em 2025.

No Brasil, foram desmatados 984.794 hectares no país, uma redução de 20,6% em relação a 2024. Nos últimos sete anos, o País perdeu 10.913.064 hectares de vegetação nativa, área superior ao estado de Pernambuco.

PANTANAL

Pantanal é a maior planície alagada do mundo, com uma extensão de 140.000 km², localizada no Brasil (estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul), Bolívia e Paraguai.

É caracterizado pelos seus ciclos de cheias e secas, que transformam a paisagem durante as diferenças estações do ano.

É um santuário ecológico de biodiversidade, com riquíssima fauna e flora, inclusive ameaçadas de extinção.

O bioma possui mais de 4.700 espécies catalogadas, incluindo 650 aves, 260 peixes, 120 mamíferos e 190 répteis, em uma área de 150 mil km², no Centro-Oeste.

POLÍCIA FEDERAL

PF faz devassa em prefeituras de MS que investiram no Master

Operações miram quase dez milhões de reais aplicados e são batizadas com nomes que fazem menção a dois princípios hebraicos da gestão de recursos públicos: diligência e prudência

27/05/2026 09h12

Segundo a PF, Instituto de Previdência dos Servidores Municipais de Fátima do Sul (IpreFSul) investiu a maior parte desses quase dez milhões

Segundo a PF, Instituto de Previdência dos Servidores Municipais de Fátima do Sul (IpreFSul) investiu a maior parte desses quase dez milhões Reprodução/IprefSul/PF/Montagem:Correio do Estado

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Mais uma vez institutos previdenciários sul-mato-grossenses estão sob a mira da Polícia Federal, através das operações Zehirut e Charitzut que, nesta quarta-feira (27) em dois municípios do Estado, apuram quase dez milhões de reais aplicados em letras financeiras do Banco Master e estão batizadas com nomes que fazem menção a princípios hebraicos da gestão de recursos públicos: diligência e prudência.

Na mira da Polícia Federal nesta quarta-feira (27) amanheceram dois municípios sul-mato-grossenses, para além da cidade de São Paulo (SP), sendo um total de dez mandados de busca e apreensão, distribuídos da entre as seguintes localidades: 

  • 07 (sete) - Angélica/MS
  • 01 (um) - Fátima do Sul/MS
  • 02 (dois) - São Paulo/SP

Segundo a PF, a suspeita paira sobre irregularidades em aplicações financeiras feitas por regimes próprios de previdência municipal dos municípios sul-mato-grossenses citados acima. 

Há indícios de irregularidades nos investimentos feitos por esses municípios nas chamadas "Letras Financeiras" do banco privado, Master, ainda em 2024, com as atuais medidas cautelares incluindo também a "suspensão cautelar" do exercício das funções públicas de alguns dos investigados. 

Calote milionário do Master em MS

Decretada a liquidação extrajudicial do Banco Master, em novembro do ano passado, o que ficou foi o rombo milionário regionalmente graças às aplicações de fundos de pensão na instituição ligada à Daniel Vorcaro. 

Auditorias regionais apontam que o Instituto de Previdência dos Servidores Municipais de Fátima do Sul (IpreFSul) investiu a maior parte desses quase dez milhões, cerca de R$7mi, enquanto o de Previdência dos Servidores de Angélica (IPA) aplicou R$2 milhões, ambos em "letras financeiras" no Banco Master há aproximadamente dois anos. 

Ainda em agosto de 2024, questionando inclusive Camilla Nascimento durante seu evento de nomeação como candidata a vice-prefeita na chapa de Adriane Lopes (PP), que deixava o posto de chefe do Instituto Municipal de Previdência de Campo Grande, o Correio do Estado já abordava sobre o "risco" assumido pelo IMPCG ao arriscar R$3,7 milhões no Banco Master.

Sob o comando da atual vice-prefeita de Campo Grande, o IMPCG investiu cerca de R$ 3,7 milhões no Master, apesar de sindicalistas terem sido contrários à época, argumentando que as aplicações financeiras eram arriscadas, já que o banco era novo e não havia garantia de que teria condições de devolver o dinheiro caso entrasse em crise.  

Porém, o comando do IMPCG alegou que a decisão sobre aplicações financeiras não cabia ao conselho deliberativo e aplicou o dinheiro dos servidores públicos municipais no Master. Após as aplicações, a prefeitura de Campo Grande habilitou o Master a conceder empréstimos consignados aos servidores por meio de cartão de crédito.

A taxa mensal de juros foi da ordem de 4,5%, enquanto que em bancos tradicionais, a taxa máxima dos consignados é de 1,7%.  

Depois da aplicação, servidores públicos municipais passaram a ser "bombardeados" com ofertas de empréstimos consignados e cartões de crédito do chamado CredCesta, oferecido pelo Master.

Em outras palavras, o Banco Master primeiro teria feito caixa com o dinheiro dos servidores e logo em seguida começou a ofertá-lo.

Formada em odontologia, Camilla já foi membro do Conselho Nacional de Entidades de Saúde dos Servidores Públicos (Conessp), certificada pela Secretaria de Previdência do Ministério da Previdência Social para atuar como Dirigente de Regime Próprio (RPPS), alcançando a Certificação Nível ll do Programa Pró-Gestão, contribuindo com a modernização e profissionalização do RPPS e exerceu cargo como diretora do IMPCG de agosto de 2017 até março de 2024, deixando a cadeira apenas para disputar as eleições de 2024 como vereadora pelo Avante. Durante seu lançamento como vice de Adriane, Camilla foi questionada pela equipe do Correio do Estado sobre o "risco" das aplicações, dizendo que todo seu trabalho em vida pública foi "legal". 

"Meu lema é legalidade, responsabilidade e transparência e não será diferente nessa posição que me encontro agora. Quem falou isso desconhece todo processo que foi realizado ali dentro. Antes de falar, precisa conhecer. O IMPCG sempre esteve de portas abertas. As atas estão todas à disposição, a contabilidade está toda à disposição. Não tenho receio algum e estou à disposição para responder suas dúvidas", disse Camila na ocasião.

Depois dessas afirmações, porém, a coletiva foi encerrada sob a alegação de que ele tinha outros compromissos.

Nessa mesma esteira também foram levantadas suspeitas sobre os fundos de pensão de São Gabriel do Oeste, que teriam aplicado R$3 milhões no Master. 

Vale lembrar que, após estourarem os escândalos envolvendo o nome de Daniel Vorcaro e o Banco Master, representantes do IMPCG e vereadores chamaram uma reunião na Casa de Leis, onde foi apontada a estratégia para se recuperar do "calote" registrado após liquidação extrajudicial. 

Entre as poucas justificativas apresentadas, uma vez que não houve o devido aprofundamento técnico da escolha das aplicações, o atual presidente do Instituto, Marcos Tabosa - nomeado para comandar o IMPCG em fevereiro de 2025-, limitou-se a dizer que o Banco Master estaria no rol de entidades do Ministério da Previdência e referenciado como "médio para cima" por uma por uma das três maiores empresas do mundo (pela Fitch Ratings) voltadas para a classificação de risco de instituições. 

 

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