Correio B

DIÁLOGO

Confira a coluna Diálogo, na íntegra, deste sábado, 07 de janeiro de 2023

Por Ester Figueiredo ([email protected])

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Guimarães Rocha - poeta brasileiro

"O historiador porta o bisturi da investigação e da revelação. Recontar é ato revigorante da história. As velhas ruas fazem uma nova estrada. E para o espírito, só há o caminho e o caminhar". aniversariantes FELPUDA iara morselli arquivo pessoal arquivo pessoal Breno Esaki gerson walber arquivo pessoal arquivo pessoal arquivo pessoal"

FELPUDA

Político moveu céus e terra na tentativa de continuar no comando de importante cargo que, aliás, não fez o mínimo esforço para conseguir, pois caiu em suas mãos sem que esperasse.

Apesar de mexer aqui, lá, acolá e alhures, seu esforço não sensibilizou o dono da caneta, que decidiu não gastar tinta com ele. O jeito foi arrumar as gavetas, entregar as chaves e arrancar pétalas de flor no joguinho do "bem-me-quer, malmequer...".

Cadeira

Político reprovado nas urnas acabou provando que os ditos populares "água mole em pedra dura tanto bate até que fura" e "quem tem padrinho, não morre pagão" são certeiros. Não é que o dito-cujo tanto implorou que conquistou um "lugar ao sol".

Mas...

Melhor dizendo: ele foi colocado em uma réstia cercada de sombra por todos os lados. Já se espera que isso será cantado em verso e prosa, como se fosse excepcional feito e grande conquista, porque a figura nunca perde a pose.

Jucimara Palieraqui e Milvia Nasser

Jucimara Palieraqui e Milvia Nasser. Foto: Arquivo Pessoal 

 Vinicius Postiglione e Brisa Noronha

 Vinicius Postiglione e Brisa Noronha. Foto: Iara Morselli

Plateia

Nas redes sociais, muito comentada a ausência de integrantes da cúpula do MDB de MS na posse de Simone Tebet, colega de partido, como ministra do Planejamento. Aliás, o único emedebista cá dessas bandas que deu o ar da graça na solenidade foi Eduardo Rocha (filiado, mas licenciado de todos os cargos da executiva estadual), que vem a ser seu marido. A "caravana" política do Estado tinha três representantes do PT, um do PSB e outro do PP.

Presente

O integrante do PP na solenidade de posse da emedebista foi o vicegovernador José Carlos Barbosa, o Barbosinha, que representava o governador tucano Eduardo Riedel. Vale ressaltar que o MDB não apoiou Riedel nem no primeiro e nem no segundo turno, sem contar que o partido em nível nacional foi inimigo ferrenho durante a campanha eleitoral do então candidato e presidente da República Jair Bolsonaro. Este, por sua vez, aliado do partido de Barbosinha. Política tem dessas coisas.

Decepção

Em tempo: em MS, os fiéis eleitores da então senadora Simone Tebet sentiram-se traídos e muito decepcionados com as posições adotadas por ela durante a CPI da Covid e nas últimas eleições.

Aniversariantes

 

SÁBADO (7)

  • Dr. Marcelo Chemin Cury,
  • Ilda Salgado Machado,
  • Dr. Fernando Chemin Cury,
  • Ariel Gomes de Oliveira,
  • Gilberto Rodrigues Bueno,
  • Maria Lucia Correa da Costa,
  • Neuza Maria Vernille Elias,
  • Willian Pereira Rodrigues,
  • Marlon Augusto Luft,
  • Dr. José Carlos Rosa Pires de Souza,
  • Tutida Massagi,
  • Antonio Rodrigues da Costa,
  • Ricardo Dias Peruca,
  • Terto de Moraes Valente,
  • Ester Tartarotti,
  • Alexandre Scaff Raffi,
  • Mariléa Abreu de Medeiros,
  • Karla Adriana Dagher Ferreira,
  • Jully Heyder da Cunha Souza,
  • Roberta Marinho Varela Trad,
  • Francisco Pereira Costa,
  • Dr. Fernando Peixoto Ennes,
  • Terezinha Sara de Souza Vieira,
  • Dr. Renato Marques de Oliveira,
  • Assahd Milan,
  • Darcy Rabelo Bandeira,
  • Dr. Ruy Celso Barbosa Florence,
  • Maria Cecília Amorim Trad,
  • Rosa Maria Martins Oliveira,
  • Carlos Alberto Jorge Leite,
  • Akemy Albuquerque Higa,
  • Vinicius Oliveira da Silva,
  • Joel Duarte,
  • Aurélio de Almeida Metello de Assis,
  • Orlando Pereira de Araújo,
  • Arany da Silveira Barbosa,
  • Iracema Fiorenza,
  • Abdalla Dauhi,
  • Dr. Renato Ferraz,
  • Isabel Cristina Rodrigues Arantes,
  • Dr. Cleberson Dias Lima,
  • Gelson Figueiredo de Barros,
  • Marli Villas Boas Farias,
  • Emilio Carlos Ortiz,
  • Rodrigo Binotto Pereira,
  • José Ricardo de Moura,
  • Margarida Gomes Ortiz,
  • Ilda Lopes Nunes,
  • Nilton Taveira Rodrigues,
  • Anael Carlos Rodrigues,
  • Dr. Gunter Werner Mayer,
  • Juscelino Ferreira Lima,
  • Judyth Maria da Costa,
  • Mozanei Garcia Furrer,
  • Giovana Terzian Dobashi,
  • Carlos Henrique dos Santos Pereira,
  • Almira Rezek Pereira,
  • Dr. Paulo Soshei Furuguem,
  • Dr. Jorge de Barros Weber,
  • Rony Anderson Correia Rodrigues,
  • Alzemiro Rulfino de Matos,
  • José Francisco de Magalhães,
  • Vicente Cassani da Silva,
  • Marinelson do Nacimento Souza,
  • Cleonice Moreno de Alcântara Carvalho,
  • Tanise Darui,
  • Valquirio Rossato,
  • Josi Fabiana Barbosa Lino,
  • Nadia Coderitch de Matos Eloy,
  • Camila de Sordi Moraes Lima,
  • Gilvanni Machareth,
  • Maria José Damiani Schutz,
  • Athemar D’Sampaio Ferraz,
  • Dr. Léo Antony Pinheiro Brisolla,
  • Celso Theodoro de Almeida,
  • Leandro César Potrich,
  • Murilo Marquini Porto,
  • Elber Barreto

DOMINGO (8)

  • Dr. Mansour Elias Karmouche,
  • Anita Maria Toazza Bellin,
  • Dr. Caio Ribeiro Rondon,
  • Laura Cristina Ricci Trouy,
  • Dr. Mateus Maciel de Sousa Chaves,
  • Airvane Gomes de Oliveira,
  • Celso Donizete Molina,
  • Dr. Humberto Monteiro Molinari,
  • Antônio Vieira de Almeida,
  • Luciano Sakamoto,
  • Clara Amanda Trentin Alves Lima,
  • Eliza Oshiro,
  • Laura Helena Santiago dos Santos,
  • Floriano Henrique Morais,
  • Alexandra Miceno Pineis Meza Bonfietti,
  • Luciley Rodrigues Santana,
  • Alzira Santa Teixeira Frederico,
  • Aline Marengo Farias,
  • Marilia Rosa Lopes,
  • Ananda Rozin Barbosa,
  • Lila de Souza Baís,
  • Firmino Miranda Cortada Filho,
  • Ivan Paes Barbosa,
  • Dra. Thaís Gaspar,
  • Dr. José Tannous,
  • Michaela Sandim Coelho,
  • Mariluce Müller,
  • Jeovane Félix de Oliveira,
  • Jerônimo Alves Chaves,
  • Denise Lopes Moura,
  • Dra. Margarete Gaban,
  • Marilia dos Reis,
  • Dr. Arnaldo Rodrigues,
  • Mauricio Guenka,
  • Sandra Margareth Santo,
  • Abadia Costa,
  • Rosalina Aparecida Rezende Ferreira,
  • Adriana Aparecida Abuhassan,
  • Dr. Julião de Freitas,
  • Manoel José de Souza,
  • Elisabete Lerte dos Santos,
  • Márcio Murilo Marques,
  • Jaqueline Maria Marques,
  • Maria Antonia do Amaral Martins,
  • Aida Ottoni Mendonça,
  • Yvone Coelho de Souza,
  • Semiria Alvez Ferreira,
  • Oscar Cesar Ferreira Xavier,
  • Maria Eliane de Almeida,
  • Fabiano Preza de Mattos,
  • Dr. Rafael Coldibelli Francisco,
  • Jéssica de Oliveira Chaves,
  • Maria Helena Corrêa Lima,
  • Marcela Marta Souza Santos Pires,
  • Andreza Linares Ribeiro,
  • Luiz Carlos Fredo,
  • Antônio Gomes Flores,
  • Marcina Ferreira do Carmo Aratani,
  • Gieze Marino Chamani,
  • Andrei Endres,
  • Neido Castilho,
  • Dra. Carmen Silva Martimbianco de Figueiredo,
  • Vitório Romanini Junior,
  • Sidnei Pepinelli,
  • Luiz Ari Schaedler,
  • Eduardo Esgaib Campos Filho,
  • Marcos Antônio Meurer,
  • Eliane Oshiro,
  • Fábio Luis Miotto,
  • Anderson Ennes Melgarejo,
  • Ângela Maria Lobo Sollberger,
  • Eraldo Martins Chaves.

Capa da semana Correio B+

Entrevista exclusiva com o Chef Henrique Fogaça

"A caveira representa o que ele leva como lema em sua vida, por baixo dessa pele, independentemente da cor, credo ou classe social, somos todos iguais. O que importa é a nossa luta diária de querer fazer o melhor para o próximo e a si mesmo."

12/07/2026 09h00

Entrevista exclusiva com o Chef Henrique Fogaça

Entrevista exclusiva com o Chef Henrique Fogaça Foto: Henrique Tarricone

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Poucos personagens da cena brasileira conseguiram construir uma trajetória tão plural quanto Henrique Fogaça. Chef de cozinha, empresário, músico e um dos rostos mais conhecidos da televisão, ele transformou escolhas arriscadas em uma carreira marcada pela autenticidade e pelo inconformismo. Da decisão de abandonar a estabilidade de um banco para empreender na gastronomia ao sucesso dos restaurantes, da popularização da alta cozinha por meio do MasterChef ao envolvimento com projetos de impacto social, Fogaça fez da reinvenção uma constante.

Nesta conversa, ele revisita os principais capítulos dessa história, reflete sobre as mudanças da gastronomia brasileira, fala sobre a responsabilidade de inspirar novas gerações e compartilha como a experiência ao lado da filha Olívia deu origem ao Komunidade, plataforma dedicada ao acesso à informação sobre cannabis medicinal. Em uma entrevista franca, o chef revela que, mais importante do que colecionar conquistas, é construir uma trajetória guiada por propósito, coragem e pela disposição de transformar a própria experiência em ferramenta para mudar a vida de outras pessoas.

Entrevista exclusiva com o Chef Henrique FogaçaO Chef Henrique Fogaça é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Henrique Tarricone - Diagramação: Denis Felipe - Por: Flávia Viana

CE - Fogaça, sua trajetória profissional reúne diferentes frentes de atuação, gastronomia, empreendedorismo, televisão, música e projetos de impacto social. Quando olha para trás, quais foram os momentos mais decisivos na construção da sua carreira?
HF -
 Com certeza, foi sair do meu emprego no banco e me dedicar integralmente à gastronomia, com a tentativa de negócio da Kombi, onde vendia lanches. Foi a partir dessa decisão que tudo foi acontecendo na minha vida.

Depois veio o desafio de empreender e abrir meus próprios restaurantes, o Sal Gastronomia e o Cão Véio. A entrada no MasterChef também foi um marco importante, porque ampliou minha visibilidade e me permitiu levar a gastronomia para um público muito maior.  

Mas existem outros momentos igualmente transformadores. A música sempre fez parte da minha vida e o Oitão é uma expressão muito autêntica de quem eu sou. E, mais recentemente, o projeto Komunidade que representa uma fase muito especial, porque nasceu de uma experiência pessoal e do desejo de gerar impacto positivo na vida das pessoas. 

CE - Você está há mais de uma década no MasterChef e acompanha o programa desde suas primeiras temporadas. O que mudou na sua forma de atuar como jurado ao longo desses anos?
HF - 
Muita coisa mudou. No começo, eu estava muito focado na técnica. Com o passar dos anos, fui entendendo melhor o impacto que o programa tem na vida dos participantes e passei a olhar também para o potencial de cada um, para a capacidade de evoluir sob pressão e para a dedicação que demonstram ao longo da competição. Continuo sendo exigente, porque a gastronomia exige disciplina e comprometimento, mas hoje tenho uma visão mais ampla sobre o processo de formação de um cozinheiro.

CE - A 13ª temporada do MasterChef chega em um cenário em que a gastronomia se tornou ainda mais popular. Como você avalia a evolução dos participantes e do próprio público ao longo dessa trajetória?
HF -
 A gastronomia ganhou muito espaço nos últimos anos. Hoje os participantes chegam mais preparados, com mais referências e acesso a informações que antes não eram tão fáceis de encontrar. Muitos já conhecem técnicas, ingredientes e tendências do mundo todo.

Ao mesmo tempo, o público também evoluiu. As pessoas entendem mais sobre comida, valorizam os processos, se interessam pela origem dos ingredientes e acompanham o universo gastronômico de forma muito mais próxima. Isso eleva o nível da competição e torna o programa ainda mais interessante.

CE - Depois de tantos anos avaliando cozinheiros e acompanhando carreiras nascerem dentro do programa, quais características você considera essenciais para quem deseja construir uma trajetória sólida na gastronomia?
HF -
 Antes de qualquer talento, é preciso ter disciplina. A gastronomia é uma profissão que exige muito trabalho, resiliência e capacidade de aprender todos os dias. Também considero fundamental ter humildade para ouvir, evoluir e entender que ninguém sabe tudo.

Além disso, é importante desenvolver identidade própria. Técnica se aprende, mas personalidade, visão e propósito são o que diferenciam um profissional no longo prazo. Quem consegue unir dedicação, consistência e autenticidade tem muito mais chances de construir uma carreira sólida e duradoura.

CE - Vamos falar sobre o projeto Komunidade. A sua história como pai da Olívia, de 19 anos, teve um papel fundamental no surgimento dele. Como a experiência da sua família com a cannabis medicinal transformou sua visão sobre saúde, qualidade de vida e acesso à informação?
HF -
 A minha relação com a cannabis medicinal começou dentro de casa, com a Olívia. Quando você vive de perto os desafios de uma condição de saúde complexa como é o caso dela, passa a enxergar as coisas de outra forma.

Eu vi na prática como a informação de qualidade, o acompanhamento correto e o acesso ao tratamento podem fazer diferença na vida de uma pessoa e de toda a família. Essa experiência ampliou muito a minha visão sobre saúde e qualidade de vida. Também me mostrou que ainda existe muita desinformação e preconceito em torno do tema.

O projeto Komunidade é um ecossistema digital criado com objetivo de democratizar o acesso aos tratamentos com cannabis medicinal e ampliar o debate no Brasil, reunindo profissionais de saúde habilitados, informação qualificada, acolhimento, suporte para pacientes e familiares.

Ele nasceu justamente da minha vivência, da vontade de ajudar outras pessoas a encontrarem informação séria e caminhos mais acessíveis na busca por uma melhor qualidade de vida.

Entrevista exclusiva com o Chef Henrique FogaçaO Chef Henrique Fogaça é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Henrique Tarricone - Diagramação: Denis Felipe - Por: Flávia Viana

CE - O que mais te motiva em usar sua visibilidade para ampliar a informação sobre cannabis medicinal e ajudar a reduzir os preconceitos que ainda existem em torno do tema?
HF -
 O que me motiva é saber que existem muitas famílias passando pelas mesmas dúvidas e dificuldades que nós enfrentamos. Quando você tem visibilidade, também tem responsabilidade. Eu poderia simplesmente guardar essa experiência para mim, mas acredito que compartilhar conhecimento e abrir espaço para o diálogo pode ajudar muita gente.

A cannabis medicinal não deveria ser discutida a partir de preconceitos ou desinformação, mas sim com base em ciência, evidências e nas histórias reais de pessoas que tiveram suas vidas impactadas positivamente. Se eu puder contribuir para que esse debate seja mais consciente e acessível, já vale a pena.

CE - Além de ampliar o debate sobre cannabis medicinal, o Komunidade também tem um forte compromisso com acolhimento e impacto social, especialmente para pessoas em situação de vulnerabilidade. Como você enxerga o papel do empreendedorismo na construção de soluções que podem transformar a vida das pessoas?
HF -
Eu sempre enxerguei o empreendedorismo como uma ferramenta de transformação. Um negócio tem que gerar impacto positivo, criar oportunidades e resolver problemas reais. No caso do Komunidade, existe um propósito muito claro de democratizar o acesso à informação e aproximar as pessoas de soluções que muitas vezes parecem distantes ou inacessíveis. Para mim, esse é um dos caminhos mais poderosos do empreendedorismo hoje: usar conhecimento, inovação e gestão para melhorar a vida das pessoas de forma concreta.

CE - Ao longo da vida, você construiu uma imagem de alguém muito determinado e resiliente. De que forma os desafios enfrentados dentro e fora do ambiente profissional moldaram a pessoa que você é hoje?
HF -
 Os desafios foram fundamentais para me transformar na pessoa que sou hoje. Nada na minha trajetória aconteceu de forma fácil ou rápida, mas cada obstáculo trouxe aprendizado, maturidade e fortalecimento. Aprendi que resiliência não é nunca cair, mas encontrar forças para continuar seguindo em frente, mesmo quando as circunstâncias não são favoráveis. Hoje valorizo muito mais o processo do que os resultados.

CE - Você é pai da Olívia, da Maria Letícia e do João. Como a paternidade influenciou suas prioridades e suas decisões ao longo da carreira?
HF -
 A paternidade mudou completamente a minha forma de enxergar o mundo. Quando você se torna pai, passa a entender que suas decisões não impactam apenas a sua vida. Meus filhos sempre foram uma grande fonte de motivação e aprendizado.

A Olívia, a Maria Letícia e o João me ensinaram sobre responsabilidade, empatia, paciência e amor incondicional. Hoje procuro equilibrar melhor a vida profissional e pessoal porque entendo que estar presente é tão importante quanto as conquistas. 

CE - Entre restaurantes, televisão, música, empreendedorismo e iniciativas como o Komunidade, qual legado você gostaria de deixar para seus filhos e para as próximas gerações?
HF -
 Mais do que qualquer conquista profissional, gostaria de ser lembrado como alguém que teve coragem de seguir seus próprios valores e construir sua trajetória com autenticidade. Quero que meus filhos entendam que sucesso não está apenas nos resultados, mas na forma como você conduz sua vida, trata as pessoas e enfrenta os desafios.

Se eu puder deixar como legado a importância da disciplina, do trabalho duro, da honestidade e da capacidade de se reinventar sem perder a essência, já vou me sentir realizado. Também espero inspirar as próximas gerações a acreditarem nos seus projetos, a empreenderem com propósito e a entenderem que é possível gerar impacto positivo enquanto se constrói uma carreira sólida.

 

Feira literária

Na FLIB, Sérgio Vaz defende a literatura como instrumento de humanidade e resistência

Poeta emocionou o público com declamações e afirmou que a escrita nasce da periferia para transformar vidas

11/07/2026 19h28

Sérgio Vaz, poeta e criador da Cooperifa

Sérgio Vaz, poeta e criador da Cooperifa Mariana Piell

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A literatura como ferramenta para ampliar a humanidade, transformar dores em pertencimento e fazer da periferia protagonista da própria história. Foi com esse discurso que o poeta, escritor e fundador da Cooperifa, Sérgio Vaz, marcou presença na 10ª Feira Literária de Bonito (FLIB), em um encontro que reuniu estudantes, professores e leitores de diferentes cidades de Mato Grosso do Sul.

Durante a conversa, mediada no Palco Literário da feira, Vaz alternou reflexões, poemas e respostas às perguntas do público. Em vez de uma palestra tradicional, o encontro se transformou em um diálogo sobre literatura, desigualdade, memória, política, arte e esperança.

Logo no início, o escritor explicou que sua literatura nasce da necessidade de traduzir a realidade da periferia para que ela possa ser compreendida por todos.

"A literatura mastiga a dor e entrega de um jeito que qualquer pessoa possa sentir. Eu quero que alguém leia a minha dor como se fosse a dor dele", afirmou.

Segundo o poeta, seu compromisso nunca foi escrever para os círculos intelectuais, mas para quem enfrenta diariamente as dificuldades das periferias.

"Eu sou escritor de território, terrivelmente engajado. Sou um artista cidadão. Minha preocupação é com a minha comunidade. Escrevo pensando nas pessoas da rua de cima, da rua de baixo, em quem encontro no ônibus, no metrô, na fila procurando emprego", pontuou.

Para ele, a literatura tem a capacidade de despertar sentimentos mesmo quando o leitor ainda não consegue explicar exatamente o que sentiu.

"Às vezes a pessoa diz que gostou de um poema, mas nem sabe por quê. Ela ainda não tem os signos para decifrar aquilo, mas alguma coisa já despertou dentro dela. A literatura lembra que você é um ser humano", defendeu.

Poesia contra as desigualdades

Um dos momentos mais marcantes da participação foi a declamação do poema "Os Miseráveis", inspirado na obra de Victor Hugo. No texto, Sérgio Vaz contrapõe as trajetórias de dois homens: um jovem negro e pobre que termina criminalizado e outro privilegiado que enriquece por meio da corrupção.

Nos versos, o poeta denuncia a desigualdade do sistema de justiça brasileiro e questiona a diferença de tratamento entre os crimes cometidos nas periferias e os praticados por pessoas poderosas.

A plateia respondeu com longos aplausos e, a partir dali, as perguntas praticamente deram lugar aos pedidos para que o escritor continuasse declamando seus poemas.

Escrever sem medo

Grande parte da conversa foi dedicada aos jovens presentes na FLIB. Questionado sobre como começar a escrever poesia, Sérgio Vaz deu um conselho direto.

"O mais difícil não é escrever um poema. O mais difícil é achar que alguém vai gostar dele. Então escreva. Quanto mais você escreve, mais encontra a sua identidade", orientou o poeta.

Ele também lembrou que passou anos tentando escrever como outros autores até descobrir que precisava encontrar a própria voz.

"Eu achava que poeta era quem escrevia difícil. Fazia textos que nem eu entendia. A virada aconteceu quando conheci a obra da Carolina Maria de Jesus e comecei a frequentar os palcos do hip-hop. Descobri que podia escrever do jeito que eu falava", disse.

Ao responder uma estudante que perguntou como encontrou seu estilo, reforçou que a medida do artista nunca deve ser o outro.

"Abaixo do radar também se voa. Você precisa fazer aquilo em que acredita, não aquilo que os outros esperam", pontuou.

A literatura pode mudar vidas

Ao recordar o trabalho desenvolvido há quase duas décadas na Fundação Casa e em penitenciárias paulistas, Sérgio Vaz contou que foi ali que compreendeu que todos gostam de poesia, mesmo aqueles que acreditam não gostar.

Ele lembrou que, ao recitar versos dos Racionais MC's para adolescentes privados de liberdade, ouviu um deles interrompê-lo para questionar: "Racionais é poesia?".

"Foi ali que eu descobri que todo mundo gosta de poesia. Só não sabe que gosta", contou.

Democratização da literatura

Sérgio Vaz destacou ainda a importância de eventos como a FLIB por levarem escritores para além dos grandes centros.

"Essa é uma das feiras mais charmosas que conheço porque acontece em praça pública. Democratizar a literatura é fazer com que todo mundo tenha acesso à palavra", disse.

Para ele, quem ocupa o lugar mais importante nesse processo não é quem escreve.

"O sagrado não é quem escreve. O sagrado é quem lê", pontuou.

]O poeta também reforçou que ver artistas negros e periféricos alcançando reconhecimento nacional inspira novas gerações.

"Quando jovens veem pessoas como Mano Brown, Ludmilla ou Anitta chegando ao topo, eles entendem que também podem ocupar esses espaços", afirmou.
 

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