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Paulina García e as mulheres que o cinema demorou a enxergar

A atriz chilena, homenageada da quarta edição do Bonito CineSur, que começa nesta sexta-feira, 24 de julho, em Mato Grosso do Sul, construiu boa parte de sua carreira justamente interpretando mulheres que o cinema durante décadas teria colocado na lateral

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Não é nenhuma novidade ou segredo que o cinema sempre soube envelhecer seus homens. Eles ganham rugas, passado, autoridade, novos amores e, muitas vezes, mulheres bem mais jovens. Continuam heróis, amantes, homens em crise, homens em busca de uma segunda oportunidade. Com as mulheres, a história foi durante muito tempo bastante diferente.

Envelhecer significava, com frequência, deixar de ser desejada, deixar de desejar e, aos poucos, sair do centro da narrativa. Atrizes acima dos 40, inclusive, não tinham muitas ofertas de trabalho. Paulina García ajudou a bagunçar essa lógica.

A atriz chilena, homenageada da quarta edição do Bonito CineSur, que começa nesta sexta-feira, 24 de julho, em Mato Grosso do Sul, construiu boa parte de sua carreira justamente interpretando mulheres que o cinema durante décadas teria colocado na lateral da história.

Mulheres maduras, comuns, às vezes solitárias, sem qualquer vocação para heroínas, mas que ainda desejam, erram, se apaixonam, sentem medo e, principalmente, continuam mudando. O festival abre com Querido Trópico, seu trabalho mais recente a chegar ao Brasil, e coloca Paulina também no centro de uma conversa sobre protagonismo e resistência feminina no cinema sul-americano.

Claro que até por isso é inevitável falar dela sem voltar à Glória.

Em 2013, muito antes da discussão sobre a invisibilidade das mulheres maduras ganhar a dimensão que tem hoje, Paulina apareceu na tela como uma divorciada de meia-idade que frequentava bailes para solteiros, bebia, dançava, fazia sexo, se apaixonava pelo homem errado e continuava procurando alguma coisa que talvez nem ela soubesse exatamente definir.

Não havia transformação milagrosa, cirurgia, rejuvenescimento ou aquele velho roteiro em que uma mulher precisa ser salva por um novo amor para provar que sua vida ainda vale a pena.

Glória simplesmente queria viver. Pode parecer pouco, mas não era. Paulina ganhou o Urso de Prata de melhor atriz no Festival de Berlim por uma personagem cuja grande revolução estava justamente em não pedir desculpas por ainda desejar alguma coisa da vida. Recomendo que revejam ou vejam o filme: é lindo.

Porque existe uma diferença importante entre contar histórias sobre envelhecer e permitir que uma mulher envelhecida continue sendo uma personagem completa. Gloria não é admirável o tempo inteiro.

Também é carente, impulsiva, vulnerável e capaz de insistir numa relação que claramente lhe oferece menos do que deseja. Talvez seja justamente por isso que permanece tão viva. O filme não precisa transformá-la numa inspiração para justificar sua existência.

Quatro anos depois, em A Noiva do Deserto, Paulina voltou a ocupar um território parecido, embora por outro caminho. Teresa tem 54 anos e passou décadas trabalhando como empregada doméstica para a mesma família até ser obrigada a deixar aquela casa e atravessar o deserto argentino em busca de um novo emprego.

Depois de uma vida organizada em torno das necessidades dos outros, ela se vê literalmente deslocada, sem saber muito bem o que fazer com uma liberdade que não pediu.

O filme, exibido na mostra Un Certain Regard do Festival de Cannes em 2017, transforma uma viagem aparentemente banal numa possibilidade tardia de descobrir que ainda existe vida fora do papel que lhe foi atribuído.

Há algo que aproxima Teresa de Glória sem que elas sejam a mesma mulher ou tenham o rosto de Paulina. Nenhuma das duas está começando a vida, mas nenhuma aceita que tudo o que importa já tenha acontecido. É uma ideia aparentemente simples que o cinema demorou surpreendentemente muito para compreender.

Quando a mulher que cuidou começa a precisar de cuidado

Agora, em Querido Trópico, essa questão ganha uma camada ainda mais delicada. Paulina interpreta Mercedes, uma mulher de classe alta que começa a enfrentar a demência e recebe os cuidados de Ana María, uma imigrante colombiana.

Entre duas mulheres separadas por classe, origem e circunstâncias, nasce uma relação construída justamente quando as identidades que cada uma sustentava começam a se mostrar frágeis.

E talvez esteja aí uma das perguntas mais dolorosas do filme: o que acontece quando a mulher que passou a vida ocupando determinados lugares — mãe, profissional, dona de casa, chefe, esposa, cuidadora de todos — começa a perder aquilo que usava para reconhecer a si mesma?

A memória é uma parte fundamental dessa identidade, mas não a única. Somos também aquilo que os outros lembram de nós, os vínculos que construímos, as funções que desempenhamos e até os papéis dos quais passamos anos tentando nos libertar.

Quando tudo isso começa a escapar, não desaparece apenas o passado. Fica ameaçada também a narrativa que construímos para explicar quem somos.

Em Querido Trópico, essa perda acontece diante de outra mulher cuja existência também é marcada pela precariedade. Ana María cuida, mas também precisa de cuidado.

Mercedes aparentemente tem poder, dinheiro e uma vida estabelecida, mas começa a perder o controle sobre aquilo que parecia mais íntimo e inalienável: a própria história. O encontro entre elas desmonta, aos poucos, a ideia simples de que uma é forte e a outra vulnerável.

Talvez esse seja também um dos fios invisíveis da trajetória de Paulina García. Suas personagens raramente são mulheres que “vencem” no sentido convencional. Elas não rejuvenescem, não recuperam magicamente tudo o que perderam e não terminam necessariamente com a vida organizada. O que conquistam é algo menos espetacular e, por isso mesmo, mais interessante: o direito de continuar existindo como sujeitos de suas próprias histórias.

Paulina em Querido Trópico e em Gloria

Envelhecer não deveria significar desaparecer

É curioso que ainda seja necessário chamar de revolucionário aquilo que deveria ser banal: uma mulher de 50, 60 ou mais anos ter desejo, medo, sexualidade, egoísmo, ambição, solidão e futuro. Até porque, o problema nunca foi apenas a falta de mulheres maduras nas telas, mas também porque sempre estiveram lá como mães, avós, esposas abandonadas, vizinhas ou cuidadoras.

Personagens que ajudavam alguém mais jovem a atravessar sua própria história. E a verdadeira mudança acontece quando a câmera permanece com elas depois que os outros vão embora.

Quando queremos saber o que Gloria fará depois daquele relacionamento. O que Teresa encontrará depois de atravessar o deserto. Quem Mercedes continuará sendo quando suas lembranças começarem a falhar.

Ao homenagear Paulina García, o CineSur acaba celebrando também uma atriz que passou anos fazendo uma coisa aparentemente pequena e profundamente política: recusando a ideia de que a vida feminina tem um ponto a partir do qual só resta olhar para trás.

Suas personagens olham para trás, naturalmente. Há perdas, arrependimentos, relações que deram errado e escolhas que talvez fizesse diferente. Mas ainda existe alguma coisa adiante. Justamente a parte que o cinema tem levado mais tempo para enxergar.

CAMPO GRANDE

Festival do Sobá terá show gratuito de João Neto e Frederico

Serão cinco dias de evento com muita música, shows, dança, cultura e gastronomia típica sul-mato-grossense

24/07/2026 11h45

Pôr do sol encantador na Feira Central de Campo Grande

Pôr do sol encantador na Feira Central de Campo Grande GERSON OLIVEIRA

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Festival do Sobá, evento tradicional campo-grandense, está de volta.

O festival ocorrerá de 5 a 9 de agosto, na Feira Central, ponto turístico gastronômico localizado na rua 14 de Julho, número 3351, Centro, em Campo Grande.

Serão cinco dias de muita música, shows, dança, cultura e gastronomia típica sul-mato-grossense. O evento é gratuito e aberto ao público.

O Festival do Sobá é uma realização da Feira Central de Campo Grande em parceria com a Prefeitura Municipal de Campo Grande por meio da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo (Sectur) e do Governo do Estado de Mato Grosso do Sul por meio da Fundação de Turismo (Fundtur), Fundação de Cultura e Secretaria de Estado de Turismo, Esporte, Cultura e Cidadania (Setescc).

PROGRAMAÇÃO

Veja a programação do evento:

  • 5 de agosto, quarta-feira: show de Edson e Hudson; Dança gaúcha com Tropeiros da Querência
  • 6 de agosto, quinta-feira: show de João Neto e Frederico; Dança gaúcha com Tropeiros da Querência; apresentação musical com Crystian Proença – instrumento Sanshin
  • 7 de agosto, sexta-feira: muita gastronomia boa com comidas típicas
  • 8 de agosto, sábado: muita gastronomia boa com comidas típicas
  • 9 de agosto, domingo: muita gastronomia boa com comidas típicas

FEIRA CENTRAL

A Feira Central de Campo Grande, também conhecida como feirona, é um dos principais pontos turísticos de Campo Grande, Capital de Mato Grosso do Sul.

Foi fundada em 4 de maio de 2025. Reúne diversidade de povos, como indígenas, japoneses, paraguaios e campo-grandeses, que moldaram a identidade local.

Oferece rica experiência cultural e gastronômica, com pratos típicos como sobá e yakisoba.

A Feira Central está localizada na rua 14 de Julho, número 3351, Centro, em Campo Grande.

Funciona de quarta à sexta das 16h às 23h, e nos finais de semana, das 11h às 23h.

No local, são vendidos pastel, sobá, yakisoba, yakimeshi, espetinho, churrasco, peixes e diversas variedades de doces.

AGENDA CULTURAL

Capital recebe programação diversificada, com espetáculos, shows, oficinas, clube de leitura e mais

De hoje a domingo, Campo Grande recebe programação diversificada com espetáculos, shows, oficinas, clube de leitura, exposição coletiva, atrações gratuitas e opções para toda a família

24/07/2026 08h30

Da Margem ao Centro

Da Margem ao Centro" reúne artes de Yggy Cabreira, Mauro Mondine, Marcia Lobo Crochê, Aldo Torres, Caio Lobo e Victor Macaulin (HERO), cujas obras abordam temas como identidade, ancestralidade, memória, patrimônio cultural, violência, sustentabilidade e p Foto: Divulgação

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Entre hoje e domingo, a cidade recebe uma programação que reúne teatro, música, literatura, artes visuais, oficinas criativas e atrações voltadas às famílias. Há opções gratuitas e pagas espalhadas por diferentes espaços culturais, além de experiências que convidam o público a desacelerar, conhecer novos artistas e aproveitar o período de férias escolares.

ARTESANATO

Em tempos de rotina acelerada, reservar algumas horas para criar com as próprias mãos pode ser uma forma de aliviar o estresse e exercitar a criatividade. Essa é justamente a proposta da terceira edição do Desligue e Cria – Café com Crochê, que acontece amanhã, das 14h às 17h, na Go Coffee São Francisco.

O encontro foi pensado para quem nunca teve contato com o crochê, mas também para pessoas que desejam conhecer novas técnicas e materiais. Nesta edição, os participantes aprenderão a confeccionar um cesto multifunções utilizando fio de malha premium.

Durante a oficina serão apresentados os princípios básicos da técnica, desde a produção da base até o acabamento da peça. Ao final da experiência, cada participante leva para casa um objeto versátil que pode ser utilizado para organizar acessórios, maquiagem, materiais de escritório ou itens de decoração.

O ingresso inclui um kit completo com novelo de fio de malha premium, agulha de crochê, agulha de tapeceiro, ecobag exclusiva, material de apoio e ainda um café expresso ou americano para consumo durante a atividade.

As vagas são limitadas para garantir um acompanhamento personalizado durante todo o processo.

TERROR TEATRAL

Os amantes das artes cênicas poderão conferir no domingo, às 19h, no Teatro Aracy Balabanian, o espetáculo “O Baile 1976”.

Inspirada no universo do clássico “Carrie, a Estranha”, a montagem apresenta uma releitura original da história, explorando temas como bullying, exclusão social, desejo de pertencimento, violência psicológica e vingança.

A trama se passa durante um tradicional baile escolar que deveria representar uma noite de celebração. No entanto, antigas rivalidades e conflitos mal resolvidos transformam o evento em uma experiência intensa e repleta de tensão.

Com classificação indicativa para maiores de 16 anos, o espetáculo propõe reflexões sobre empatia, crueldade e as consequências das atitudes humanas.

Os ingressos estão disponíveis pela plataforma Sympla.

SESC

O Sesc Teatro Prosa preparou uma programação gratuita para hoje e amanhã, reunindo atrações musicais voltadas para diferentes públicos.

Hoje, às 19h, acontece o show “Dialeto Preto”, projeto da Afronta Produções que destaca o protagonismo de mulheres negras na música sul-mato-grossense.

A iniciativa reúne ações de formação artística, produção musical e circulação de obras autorais, fortalecendo a representatividade feminina na cena cultural do Estado.

Além de valorizar artistas negras, o projeto também incentiva a participação de mulheres indígenas, ampliando a diversidade presente na produção musical regional.

Já no sábado, às 16h, o grupo Batucando Histórias apresenta o espetáculo “Um Novo Ritmo”, voltado às famílias.

Da Margem ao Centro" reúne artes de Yggy Cabreira, Mauro Mondine, Marcia Lobo Crochê, Aldo Torres, Caio Lobo e Victor Macaulin (HERO), cujas obras abordam temas como identidade, ancestralidade, memória, patrimônio cultural, violência, sustentabilidade e pFoto: Divulgação

SESC Teatro Infantil

O grupo Batucando Histórias apresenta o espetáculo “Um Novo Ritmo”, voltado às famílias

Celebrando nove anos de trajetória, a companhia estreia uma nova formação com Carol nos vocais e Calebe na bateria.

O espetáculo combina música ao vivo, brincadeiras e interação com o público, incentivando pais e filhos a deixarem as telas de lado para compartilharem momentos de convivência, imaginação e afeto.
Os ingressos gratuitos podem ser retirados antecipadamente pelo Sympla.

CLUBE DE LEITURA 

Também no sábado, às 14h, o Clube Sesc de Leitura promove mais um encontro dedicado ao debate literário.

A obra escolhida desta edição é “O Polonês Melancólico”, do escritor João Francisco Santos da Silva, publicada em 2025 pelo Selo Editorial Samsara.

A coletânea reúne contos de inspiração existencialista que percorrem diferentes fases da vida humana – do período pré-natal à morte – explorando memórias, emoções, conflitos e situações cotidianas.

Natural de Curitiba e residente em Campo Grande, João Francisco concilia a carreira médica com a literatura e já recebeu reconhecimento em concursos como o IV Prêmio Literário de Direitos Humanos e o concurso Ulysses Serra, da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras.

A mediação será conduzida pelo escritor Henrique Pimenta e pelo psicanalista Marcelo Bueno, que vão estimular o diálogo entre os leitores e diferentes interpretações da obra.

Os participantes também poderão adquirir exemplares diretamente com o autor.

EXPOSIÇÃO

A Esplanada Ferroviária recebe, a partir de hoje, a exposição “Da Margem ao Centro”, promovida pelo coletivo Quebradaexpô.

Com entrada gratuita, a mostra ocupa a Galeria de Vidro durante três semanas, reunindo trabalhos de sete artistas sul-mato-grossenses que transitam por diferentes linguagens, como pintura, grafite, crochê, escultura e instalações.

A abertura acontece às 19h e contará com buffet, obras inéditas e a performance “BRUCUTU”, da artista Madu Flores.

Segundo a curadora Naomi Portman, a proposta da exposição é ampliar o reconhecimento da produção artística desenvolvida nas periferias.

Entre os artistas participantes estão Yggy Cabreira, Mauro Mondine, Marcia Lobo Crochê, Aldo Torres, Caio Lobo e Victor Macaulin (HERO), cujas obras abordam temas como identidade, ancestralidade, memória, patrimônio cultural, violência, sustentabilidade e pertencimento.

A iniciativa busca aproximar o público da produção artística contemporânea desenvolvida em Mato Grosso do Sul e reforçar que a arte produzida nas periferias tem potência estética, política e cultural capaz de ocupar qualquer espaço institucional.

SHOPPING

Quem procura opções de lazer durante as férias escolares também encontra uma programação variada no Shopping Campo Grande.

Na Praça Central, o parque temático inspirado em Miraculous convida crianças entre 2 anos e 13 anos a viver aventuras ao lado de Ladybug e Cat Noir em um espaço com piscina de bolinhas, escorregadores, brinquedos infláveis e circuito de atividades.

Ao lado da Praça de Alimentação, o Yupp Play continua distribuindo gratuitamente pipoca, algodão-doce e balões durante as tardes de férias.

Já o Yupp Experience, instalado no segundo piso, reúne 22 atrações, incluindo trampolins, brinquedos infláveis, fliperama, carrinhos temáticos, quadra interativa, carrossel infantil e réplicas de dinossauros gigantes.

Outra opção é o Festival Japão-Coreia, que oferece gastronomia típica, doces, bebidas importadas, utensílios orientais, artigos decorativos e produtos tradicionais da cultura asiática, com entrada gratuita.

Para quem prefere cinema, o Cinemark exibe estreias como “Marsupilami – Confusão a Bordo”, animação voltada ao público infantil, e o suspense “Águas Mortais”. No domingo, os fãs de música poderão assistir à transmissão ao vivo da turnê &Team Concert Tour “Blaze the Way”, diretamente do Japão.

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