Para o público, segundo enquete realizada por um site local, a Major Gama foi a melhor escola de samba no desfile do carnaval de Corumbá, realizado no domingo e segunda-feira.
Mas, na cabeça dos jurados vindos do Rio de Janeiro e São Paulo, a história pode mudar: a agremiação, que homenageou a cidade de Dourados, cometeu erros primário na passarela do samba, como uma parada da bateria, que acabou criando um vazio entre as alas na pista da avenida.
Por esta e outras falhas cometidas pelas demais escolas – algumas imperdoáveis, para quem se prepara por quase um ano e na largada do desfile não tem uma equipe para empurrar o carro alegórico ou sai com número inferior de baianas -, o resultado do desfile é uma incógnita.
A Pesada aparece entre as 5 que estão no páreo. Foto: Silvio de AndradeAs cinco principais escolas – Major Gama, Nova Corumbá, Império do Morro, A Pesada e Vila Mamona – estão teoricamente no páreo; as demais, apenas tentaram cumprir o regulamento.
A passagem das dez escolas de samba pela Avenida General Rondon foi, sem dúvida, um grande espetáculo de cores, alegria, samba no pé e as baterias e suas rainhas sempre se destacando na busca da nota máxima.
Corumbá sustenta o melhor carnaval do Estado e do interior do Brasil e não tem concorrente, embora, como afirma o carnavalesco José Martinez, o Zezinho, a folia pantaneira estacionou nos últimos anos por vários motivos.
Barracão e sambódromo
A falta de estrutura das agremiações é um dos fatores limitantes, depois de uma ascensão astronômica entre os anos de 2006 a 2012. “Falta um endereço para as escolas”, diz Zezinho Martinez, que, depois de oito anos, voltou à Império do Morro, uma das escolas mais antigas da cidade.
Ele quer dizer que a falta de barracões com cobertura coloca o desfile das escolas em xeque: se chover, o trabalho de um ano pode ser perdido, como já ocorreu.
“Isso fragiliza o nosso carnaval”, afirma o carnavalesco, apontando ainda a falta de grandes investidores para apadrinhar as escolas e torna-las sustentáveis.
“Precisamos de um braço forte, do suporte financeiro”, cita, cobrando apoio das grandes empresas da cidade e também de estatais que patrocinam o carnaval de outros centros. “Quando isso ocorrer, novo carnaval vai crescer muito”, aponta. “Um sambódromo também mudaria o curso do nosso carnaval.”
A construção de um sambódromo já foi discutida à exaustão, a carruagem passou e o poder público local perdeu a oportunidade de garantir recursos dos ministérios do Turismo e da Cultura na década passada, quando tudo fluía positivamente em torno do carnaval.
A Avenida General Rondon tornou-se um espaço limitado para a evolução das escolas e acomodação do público, sem contar o espaço de paralelepípedos da rua Frei Marino, o martírio das escolas.
Um grande espetáculo
Apesar da avenida estreita, tomada pelas arquibancadas e camarotes, os carnavalescos conseguem desenvolver seus enredos, criar carros alegóricos de porte médio e projetar a evolução da escola na pista.
E assim, o carnaval corumbaense se sustenta na força de sua gente e no amor pelo samba e movem uma festa que emociona o público e encanta os turistas. O desfile das escolas de samba é também superação com todos os seus desafios.
Foi um grande carnaval e o título é apenas um detalhe, são dez escolas vencedoras. No domingo, a campeã de 2022 Nova Corumbá empolgou na avenida com um desfile compacto e harmonioso, o que faltou na Império do Morro, que arrasou no brilho e na apresentação de sua rainha Carol Duarte.
Vila Mamona saiu com número menor de baianas. Foto: S.ANa segunda-feira, a Major Gama tropeçou nos seus erros, mas está o páreo. A Pesada estourou o tempo, e a Vila Mamona saiu com número inferior de baianas.
A apuração das notas dos desfiles vai acontecer no circuito do samba, a partir das 16h desta quarta-feira, coordenada pela Liesco (Liga Independente das Escolas de Samba de Corumbá), na seguinte ordem: cordões carnavalescos, blocos oficiais e escolas de samba.
Antes, às 11h30, será realizado o Esplendor do Samba, tradicional evento promovido por um site local onde são premiados os melhores do carnaval, em oito quesitos, escolhidos pela imprensa.


O governador Pedro Pedrossian acionando o painel eletrônico da rotativa Bühler, em 1968 - Foto: Arquivo
Redação do Diário da Serra em um dos prédios pelos quais o jornal passou - Foto: Arquivo

