Correio B

MÚSICA

Entrevista exclusiva com Tony Bellotto, guitarrista do grupo que se apresenta sábado na Capital

Titãs 40 anos: poesia e política

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A poesia concretista de Haroldo de Campos, o rock político de Rita Lee, a homenagem à maluquice-beleza de Raul Seixas, o protesto contra o abuso de menores no Haiti. Parece muita coisa para um único disco, mas cabe ainda mais nas 14 faixas de “Olho Furta-Cor”, o 17º álbum de estúdio dos Titãs.

A banda celebra os 40 anos de carreira com o show de lançamento do novo disco, no sábado, a partir das 21h, na Praça do Rádio Clube.

A apresentação será gratuita, como uma iniciativa da Fecomércio e do Sesc MS para celebrar o Dia do Comerciário, normalmente comemorado na terceira segunda-feira do mês de outubro.

“A substância do disco é ácida e pesada, retrata o momento em que a gente vive”, diz o guitarrista Tony Bellotto, em entrevista ao Correio do Estado. Bellotto, Sérgio Britto (teclado, baixo e vocal) e Branco Mello (baixo e vocal) são os únicos integrantes a permanecer do noneto originalmente formado em 1982.

Confira os principais trechos da conversa a seguir.

O que me diz de “Olho Furta-Cor”?

É um disco que traz muito de uma visão, uma crônica, do Brasil atual. As primeiras ideias foram sendo concebidas e gravadas enquanto a gente estava em isolamento ainda, se comunicando uns com os outros da banda por WhatsApp, gravações de celular, mostrando uma ideia aqui e outra ali.

Quando a pandemia começou a ser debelada, a gente começou a se encontrar e o disco foi tomando forma.

É um disco de rock, basicamente um disco elétrico com uma pegada forte. Tem algumas canções acústicas, mas acho que todo o tema, toda a substância do disco, é bastante ácida e pesada no sentido em que retrata o momento em que a gente vive. É claro que há alguns momentos de muita ironia, alguns até de brincadeira.

Mas é um disco forte no sentido de expressar tudo isso que acontece. Dentro da nossa carreira, ele se insere como um disco muito potente, um disco de conceito, que é uma coisa que a gente vem fazendo desde o início.

Por que celebrar quatro décadas com um disco de inéditas?

Foi a forma mais criativa e relevante possível que a gente encontrou para comemorar os 40 anos de carreira.

Em vez de ficarmos só revivendo as glórias do passado, é muito importante, muito mais divertido e muito mais instigante para nós fazer músicas novas e continuar fazendo aquilo que a gente sempre gostou de fazer.

Discos fortes em que a gente se desafia, tenta se superar. É o que mantém a gente vivo e ativo na estrada até hoje. 

E a faixa “Caos”, que acabou estourando?

“Caos” é uma faixa muito especial. Primeiro porque é um presente da Rita Lee, do Roberto de Carvalho e do [guitarrista] Beto Lee. Uma música composta ali em família especialmente para nós.

A Rita Lee é a rainha do rock brasileiro, é uma artista fundamental na cultura brasileira, e nós, Titãs, sempre fomos influenciados por ela, desde muito novos. Ficamos muito gratos e percebemos que tinha ali uma essência do que a gente já estava falando nas outras músicas desse disco, só que com aquela pegada que só a Rita Lee tem de conseguir falar coisas sérias de uma maneira engraçada.

A música é irônica, trata de um momento complexo e conturbado da política brasileira, e ela consegue falar de um assunto pesado de uma forma irônica, leve e engraçada. 

É muito popular, como tudo que a Rita faz e, logo que a gente começou a gravar o disco, percebemos que seria a música ideal para lançar o trabalho. Porque, apesar de não ser uma música de nossa autoria, ela simboliza muito esse trabalho.

Até, como uma música única, talvez seja a que mais simbolize, mais do que as nossas próprias músicas. “Caos” foi um grande presente.

Como é ter o Beto Lee na atual formação?

O Beto Lee é fantástico, um garoto que já nasceu com o DNA do rock ‘n’ roll brasileiro muito ativo. Ele é filho da Rita e do Roberto de Carvalho, dois grandes compositores e inventores do rock brasileiro.

Apesar de ser mais novo que a gente, ele tem um conhecimento de rock muito profundo e é um guitarrista até, no bom sentido, mais antigo que eu. 

Ele tem mais influência das grandes guitarras do rock clássico americano e inglês dos anos 1960 e 1970 do que eu.

Me considero mais influenciado pelo rock ou punk rock dos anos 1980. É um guitarrista muito sofisticado e que se adequou muito ao nosso som. Ele e o Mário Fabre, nosso batera, são caras que trouxeram muita energia, muita eletricidade e são fundamentais no som que a gente faz hoje em dia.

Como tem sido os shows da turnê?

A gente trabalha com direção, cenários e luz do Octávio Juliano, que é um diretor fantástico, com alma de roqueiro. É músico também, já trabalhou com a gente em vários projetos, como na ópera-rock “Doze Flores Amarelas” [2018] e no projeto do trio acústico [a partir do álbum de mesmo nome, lançado em 2021].

É muito interessante que a gente está fazendo shows pelo Brasil do lançamento do “Olho Furta-Cor” e tem o show elétrico e o show acústico, que é um show em que a gente conversa com o público e, ao mesmo tempo, introduzimos algumas músicas do “Olho Furta-Cor”.

Um disco elétrico, pesado, que levamos para o Brasil tanto no formato elétrico quanto no formato acústico, e o disco continua sendo elétrico e pesado onde quer que ele aconteça. Está sendo uma grande satisfação, depois de todos aqueles meses de isolamento da pandemia, estarmos fazendo grandes shows.

Tanto os artistas quanto o público estavam com muitas saudades dessa grande vibração que são os shows ao vivo, em que a gente pode se encontrar e dividir aquela energia juntos.

Como vocês se viram para montar o repertório? Fico imaginando uma dividida permanente entre clássicos e canções novas.

Não podemos deixar de tocar canções antigas em nossos shows. Mesmo quando estamos fazendo um show de lançamento de um disco novo, tocamos mais músicas antigas do que músicas novas.

É uma questão de funcionamento, de dinâmica do show, que não dá para mudar. Porque as pessoas vão com a expectativa de conhecer o disco novo, mas querem ouvir aquelas músicas clássicas que elas amam. 

Tem muitas músicas do disco “Cabeça Dinossauro” [1986] que não podem faltar em nenhum show nosso, como “Bichos Escrotos”, “Homem Primata”, “Família”, “Polícia”. Tem também algumas músicas, como “Epitáfio”, “Enquanto Houver Sol”, que precisam estar presentes e cabem em qualquer tipo de show que a gente faz.

Esse show tem desde “Sonífera Ilha”, nosso primeiro sucesso, até “Caos”, nosso mais recente sucesso. E não podem faltar. Essa ligação entre os sucessos do passado e as músicas atuais é o que nos mantém animados para fazer os shows.

Poderia contar alguma eventual lembrança dos shows em Campo Grande?

A gente gosta muito de Campo Grande e de Mato Grosso do Sul, são lugares que a gente frequenta há 40 anos, desde o início da carreira. Tem uma história muito específica, que foi logo no começo da carreira.

Fomos fazer um show em CG em que éramos a atração principal, aquela banda que toca no fim do show. E uma banda que estava começando a fazer sucesso foi escalada para abrir o show, que era o RPM. 

Só que, entre o momento em que o show foi marcado até o momento em que aconteceu, o RPM deu um estouro muito grande. Quando a gente viu, as pessoas estavam indo muito mais para ver o show do RPM do que a gente. Eles abriram o show e a gente tocou depois, e eles fizeram muito mais sucesso do que a gente.

A gente sempre lembra dessa história, que foi um desses momentos pitorescos, interessantes da carreira. Campo Grande é uma cidade que está em nosso coração, temos fãs aí de todas as idades, gente que nos acompanha desde o começo da carreira até o pessoal que está começando a curtir agora.

Sempre fazemos grandes shows e acabamos vivendo novas histórias para contar no futuro.

 

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NG Home leva o design brasileiro à mesa durante o Adore Paris

"A mesa é um lugar muito simbólico para mim. É onde a gente recebe, celebra, conversa e cria memórias".

11/10/2026 18h30

NG Home leva o design brasileiro à mesa durante o Adore Paris - Nauíra Cordeiro, Carol Bassi e Elisa Kovalski

NG Home leva o design brasileiro à mesa durante o Adore Paris - Nauíra Cordeiro, Carol Bassi e Elisa Kovalski Foto: Divulgação

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Recentemente em Paris, na França, marca brasileira de design participou da 5ª edição da experiência promovida por Carol Bassi e propõe um olhar sobre a mesa como lugar de encontro, celebração e memória.

Durante a 5ª edição do Adore Paris, realizada em meio à Paris Fashion Week, a NG Home levou seu olhar sobre design, casa e o receber para um almoço no La Société, em Saint-Germain-des-Prés.

Conduzido por Elisa Kovalski e NG Home, o encontro partiu de um elemento cotidiano carregado de significado: a mesa.

Lugar onde famílias se encontram, celebrações acontecem, conversas se prolongam e decisões são tomadas, a mesa serviu como ponto de partida para uma experiência que aproximou design, comportamento e os rituais do receber.

DESIGN BRASILEIRO À MESA

Criada pela arquiteta Nauíra Cordeiro, a NG Home é uma marca brasileira de design autoral que explora as relações entre forma, matéria, função e os pequenos rituais da casa. No Adore Paris, esse olhar ganhou um novo cenário. A participação da marca foi construída não apenas a partir dos objetos apresentados, mas

dos diferentes detalhes que compuseram a experiência, da mesa ao gifting, reforçando uma visão em que o design participa da forma como um momento é vivido e lembrado.

NG Home leva o design brasileiro à mesa durante o Adore Paris - Nauíra Cordeiro, Carol Bassi e Elisa Kovalski NG Home leva o design brasileiro à mesa durante o Adore Paris - Divulgação

UM NOVO CENÁRIO PARA A NG HOME

A participação no Adore Paris insere o design da NG Home em uma programação que transitou por moda, arte, cultura, gastronomia e lifestyle, criando um novo contexto para apresentar o repertório da marca brasileira. Para Nauíra, a experiência também reforça uma ideia presente desde a criação da NG Home: objetos ganham significado pela maneira como passam a participar da vida dentro de casa.

“A mesa é um lugar muito simbólico para mim. É onde a gente recebe, celebra, conversa e cria memórias. Poder levar um pouco do olhar da NG para uma mesa em Paris e, depois, fazer com que cada convidada levasse um detalhe dela para casa tornou essa experiência ainda mais especial.” — Nauíra Cordeiro, arquiteta e fundadora da NG Home.

Capa da semana Correio B+

Entrevista exclusiva com Fabiana Tchalian, destaque e inspiração no empreendedorismo feminino

"A Água na Caixa está aí para provar que se nós conseguimos inovar no mercado de água mineral, você pode inovar em qualquer mercado."

11/10/2026 14h00

Entrevista exclusiva com Fabiana Tchalian, destaque e inspiração no empreendedorismo feminino

Entrevista exclusiva com Fabiana Tchalian, destaque e inspiração no empreendedorismo feminino Foto: Divulgação

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Empreender é, antes de tudo, acreditar que é possível fazer diferente. É enxergar oportunidades onde muitos veem desafios, transformar ideias em atitudes e compreender que o sucesso de uma marca também pode ser medido pelo impacto positivo que ela deixa no mundo. Foi movida por essa visão que Fabiana Tchalian construiu sua trajetória no empreendedorismo e conquistou um lugar de destaque no cenário brasileiro, unindo inovação, propósito e sustentabilidade.

Com experiência em grandes empresas internacionais, como Procter & Gamble e Amazon, Fabiana percorreu os caminhos do marketing, dos negócios e do relacionamento com o consumidor antes de dar vida, em 2016, a um projeto que mudaria sua história profissional. Ao lado do primo e sócio Rodrigo Gedankien, fundou a ÁGUA NA CAIXA®, uma iniciativa que nasceu com a proposta de repensar um hábito tão essencial quanto beber água. Em 2021, a marca lançou o que apresenta como a primeira água mineral carbono neutro do Brasil, apostando em uma embalagem reutilizável, 88% renovável e 100% reciclável.

Mais do que criar uma alternativa para o consumo de água mineral fora de casa, Fabiana abraçou o desafio de mostrar que escolhas cotidianas podem abrir caminhos para um futuro mais consciente. Sua jornada revela a força de uma mulher que transformou visão de negócios em um movimento de mudança, provando que inovação e responsabilidade ambiental podem caminhar juntas. Afinal, grandes transformações nem sempre começam com gestos grandiosos: às vezes, nascem de uma ideia, da coragem de acreditar nela e da disposição de fazer diferente todos os dias.

Nesta entrevista exclusiva ao Correio B+, Fabiana Tchalian fala sobre empreendedorismo, os desafios de construir uma marca com propósito, a importância da sustentabilidade nos negócios, família, escolhas, e a trajetória por trás da ÁGUA NA CAIXA®. Uma conversa sobre coragem, visão de futuro e a possibilidade de transformar o mercado — e a relação das pessoas com o planeta — a partir de escolhas que fazem a diferença.

Entrevista exclusiva com Fabiana Tchalian, destaque e inspiração no empreendedorismo femininoA empresária Fabiana Tchalian é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Divulgação - Diagramação: Denis Felipe - Por: Flávia Viana 

CE - Fabiana, antes da empresária e CEO, quem é a mulher por trás dessa trajetória? Quais experiências de vida e pessoas foram fundamentais para formar a profissional e empreendedora que você é hoje?
FT -
 Antes de empresária e co-CEO, eu sou filha, eu sou irmã, eu sou neta, esposa e mãe. Eu sou tudo isso, antes do meu cargo. E em todas essas funções, eu vejo que existe um prazer muito grande em ser um bom exemplo, inspirar as pessoas. Inspirar as pessoas a serem boas filhas, boas irmãs, boas mães, boas empreendedoras e, principalmente, mostrar que é possível fazer tudo isso junto.

Não quer dizer que tudo isso vai acontecer perfeitamente ao mesmo tempo, mas que se esse for o seu sonho, você não deve desistir: Ah, eu sou mãe, então não vou conseguir empreender; ah, eu sou empreendedora, não vou conseguir casar agora'... Ou seja, é possível. Não é uma conta fácil, mas essa sou eu por trás dessa trajetória. Uma pessoa que adora ser um bom exemplo e que busca constantemente isso. Com muitas falhas ainda, mas sempre buscando ser um bom exemplo. É algo que eu aprendi em casa.

CE - Você construiu uma carreira em grandes empresas, como Procter & Gamble e Amazon. Em que momento percebeu que queria deixar o mundo corporativo para construir o seu próprio negócio? O que despertou esse desejo?
FT -
 Eu lembro que eu já estava há uns seis anos na P&G, eu namorava meu marido já na época, e eu, que sempre fui uma pessoa muito entusiasmada, cheia de coisas para contar, adorava compartilhar novidades sobre os meus projetos, sobre as questões da empresa, inovações, ativações e propagandas... De repente eu me peguei desanimada.

E eu até falei assim: 'Ah, acho que é um período, tal'. Voltei, me concentrei, e aí eu enxerguei: 'Não, não é temporário'. Ainda eu tentei mudar de empresa, eu fui para a Amazon e aí, depois de um tempo, realmente não era uma questão da empresa, porque eu mudei de empresa; era uma questão minha.

Ou seja, “dentro de mim”, um desânimo estava querendo me dizer que era tempo de colocar a minha energia em um novo projeto, na minha ideia da ÁGUA NA CAIXA®️, que já existia na época, mas que era hora de me dedicar 100% para a ÁGUA NA CAIXA®️.

O que me fez perceber foi eu deixar de ser como eu sempre fui: animada, entusiasmada, cheia de energia. Quando eu vi que eu já não estava mais conseguindo ser esse entusiasmo todo dentro do mercado corporativo, eu senti que era o momento de me dedicar 100% para a ÁGUA NA CAIXA®️.

CE -  Em 2016, você e Rodrigo Gedankien decidiram empreender e fundaram a ÁGUA NA CAIXA®️. De onde surgiu a ideia e o que fez você acreditar que aquele projeto poderia realmente se transformar em uma empresa?
FT -
 Em 2016 eu tive essa ideia em uma viagem para os Estados Unidos, na cidade de Salt Lake City, no estado de Utah. Fui tomar um café da manhã com o meu irmão, que hoje também trabalha com a gente na ÁGUA NA CAIXA®️. E lá eu tive, pela primeira vez, a oportunidade de ver uma água na caixa. Peguei uma água na caixa na mão e foi assim, instantânea a ideia, a possibilidade de fazer isso no Brasil.

Porque logo de cara, achei o produto muito bonito. Eu acho que esse aspecto de estética, de belo, de bonito, uma coisa assim de você olhar e falar: 'Cara, isso aqui dá vontade... não dá vontade de jogar fora, dá dó de jogar fora'.

Então esse aspecto do design foi o que realmente me chamou mais atenção e que me deu convicção de falar assim: 'Cara, não tem uma água tão bonita assim no Brasil'.

E o ser humano gosta muito de coisa nova, de coisa bonita, descolada. Vivemos indo atrás de coisas que nos representem, produtos que nos representem. Através da beleza do produto, você se sente representado. A gente está o tempo todo comprando isso através de tênis, roupa, carro... Hoje em dia as pessoas estão indo em cafeterias tomar cafés, milk-shakes, sorvetes...

O tempo todo procurando no produto, na experiência, no serviço, algo que te represente em inovação, em ser algo bonito, descolado. Então, logo que eu vi a caixinha pela primeira vez em 2016, eu já tive essa certeza de que daria certo.

CE - Empreender como mulher ainda traz desafios particulares? Você já sentiu que precisou provar mais sua capacidade ou ocupar espaços de uma maneira diferente por ser mulher?
FT -
 Na minha experiência, eu não precisei me provar mais — a minha capacidade — ou ocupar espaços de uma maneira diferente por ser mulher.

Nisso eu tive muita sorte de ter investidores que são pais, avôs... Eu tive muita sorte de ter pessoas por perto que entendem e compreendem esse espaço da mulher empreendedora que também é casada e quer ter filhos. Então eu nunca tive desafios em relação a isso.

Mas eu tive, sim, um desafio enorme porque a gente lançou a ÁGUA NA CAIXA®️ em 2021; a Sofia, minha primeira filha, nasceu em 2020, o José em 2022 e a Bianca em 2024. Foi um desafio enorme que eu nem imaginava: empreender na ÁGUA NA CAIXA®️ e empreender no maior “empreendimento da minha vida”, que é criar a minha família. Acho que o grande desafio foi fazer os dois juntos!

CE - A ÁGUA NA CAIXA®️ nasceu com um propósito muito claro de unir consumo, praticidade e sustentabilidade. Como transformar uma preocupação ambiental em um produto que também conquiste emocionalmente o consumidor?
FT -
 A ÁGUA NA CAIXA®️ nasceu com um propósito muito claro de unir inovação, experiência e sustentabilidade. E o que conseguimos fazer até hoje é transformar sustentabilidade — que hoje é um tema que muitas vezes existe um preconceito de ser algo chato, boring, o caro que não é descolado — no nosso grande desafio: transformar algo sustentável em algo também muito bonito, muito atraente, muito desejado, descolado... Esse não só foi, como é o grande desafio da ÁGUA NA CAIXA®️. Usar do aspecto de design, de estética, de inovação e de experiência para tornar um produto sustentável e desejado também.

CE - Em 2021, a empresa lançou a primeira e única água mineral carbono neutro do Brasil. Qual foi o momento mais desafiador dessa jornada e aquele em que você pensou: “agora conseguimos”?
FT -
 Acho que toda empresa nova deve passar por esse desafio que a ÁGUA NA CAIXA®️ passou, que me fez pensar: 'será que agora vamos conseguir?', que eu acho que é o aspecto de caixa. Ou seja, você como uma empresa nova, uma marca nova, precisa investir muito. Por outro lado, eu e o Rodrigo sempre fomos muito pé no chão em relação a isso.

E teve momentos em que a falamos: 'Cara, a gente precisa investir mais, mas a gente quer também proteger o nosso caixa, a gente não quer gastar mais do que a gente pode', mas tinham oportunidades na mesa que exigiam investimento...

São todas essas dúvidas que naturalmente irão aparecer na mesa do empreendedor e que trouxeram esse sentimento de: 'será que a gente vai conseguir agora?'. E nós conseguimos, e, estamos conseguindo! Acho que é uma questão de ter esses dois lados bem balanceados: investir e o guardar.

Eu e o Rodrigo na ÁGUA NA CAIXA®️ temos muito essa composição, que é fundamental para um negócio de sucesso. Ou, se é um empreendedor único, dentro dele precisa ter esses dois lados: um corajoso de investir, de empreender, de dar um passo sem você ter todas as páginas do livro preenchidas, mas também precisa do outro lado alguém muito pé no chão, muito responsável, muito prudente, sempre querendo minimizar os riscos da empresa. E é essa composição que eu e o Rodrigo fizemos para trazer a ÁGUA NA CAIXA®️ até o dia de hoje.

Entrevista exclusiva com Fabiana Tchalian, destaque e inspiração no empreendedorismo femininoA empresária Fabiana Tchalian é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Divulgação - Diagramação: Denis Felipe - Por: Flávia Viana 

CE - Qual foi o maior erro ou aprendizado da sua trajetória como empreendedora? Existe alguma decisão difícil que, olhando hoje, acabou sendo essencial para o crescimento da empresa?
FT -
 Eu acho que o maior erro — mas que é muito difícil você chamar de erro —, é muitas vezes pelo medo de errar... Olha que interessante: pelo medo de errar, você acaba demorando para tomar decisões importantes para a empresa. Com o passar do tempo, essa demora causada pelo medo de errar se torna um erro que a gente gostaria de não ter errado.

Mas é uma equação muito complexa, muito difícil. Eu acho que a tomada de decisão rápida é o maior acerto de uma empresa. Eu gosto de falar sempre no positivo, não gosto de falar do negativo, do erro, do não. E qual foi o maior acerto que tivemos na ÁGUA NA CAIXA®️? Foi sempre que conseguimos tomar decisões importantes, conscientes e rápidas.

CE - Você está à frente de uma empresa, mas também de uma marca que carrega um propósito. Como conciliar liderança, resultados, inovação e, ao mesmo tempo, manter os valores que deram origem ao negócio?
FT -
 Essa pergunta é muito boa, é sobre como conciliar e como alcançar altos níveis de liderança, altos níveis de resultados positivos, de inovação e, ao mesmo tempo, manter os valores do negócio. Minha resposta é muito simples: se eu quero ir rápido, eu vou sozinha; se eu quero ir longe, eu preciso ir junto.

A única forma de eu conseguir manter o meu negócio com altos níveis de inovação, com uma boa liderança, com uma boa gestão, é só pedindo ajuda. E aqui, pedindo ajuda é: para o fundo que investiu na ÁGUA NA CAIXA®️, para os investidores que investiram na ÁGUA NA CAIXA®️, para os funcionários da ÁGUA NA CAIXA®️, para a minha rede de apoio,  — porque sem ela eu também não consigo dar o meu melhor para a ÁGUA NA CAIXA®️ — para os meus amigos que têm experiências de empreendedorismo e que podem colaborar comigo, para pessoas que trabalharam comigo na P&G ou na Amazon e que podem me ajudar nessa jornada...

Então, a única forma que eu acredito que pode dar certo nessa jornada empreendedora de segurar vários pratinhos lá em cima é só pedindo e contando com a ajuda da sua rede — você pode chamar de networking, amigos, família, funcionários e tudo mais. Só pedindo ajuda.

CE - Que conselho você daria para uma mulher que tem uma ideia, um sonho de empreender, mas ainda sente medo de dar o primeiro passo? O que você gostaria de ter ouvido quando começou?
FT -
 Essa pergunta é superdifícil de responder, que conselho daria para uma mulher que tem uma ideia, um sonho, porque foram muitos aspectos que juntos me deram condições de conseguir seguir o meu sonho de empreender. Mas eu vou focar naquele que dependeu só de mim.

Primeiro: não desistir. Porque se você tem um sonho de empreender, não desista. E o segundo é: faça tudo, faça tudo da melhor maneira possível, dê o seu melhor! Não faça pela metade, não faça uma conversa com meia energia, não assine um contrato que está 'meio bom'... Tente fazer, dê o seu máximo para fazer tudo da melhor maneira possível.

E não se compare! Ou seja: 'Ah, porque o fulano de tal está fazendo outra coisa que é melhor que o meu'. Não se compare. Você está fazendo o seu máximo, então segue em frente.

Resumindo: não desista e dê o seu melhor em todos os pequenos aspectos desse trabalho, desse empreendimento, dessa relação. Em conversas importantíssimas com grandes empresas ou em conversas simples com fornecedores, com pessoas com quem você se encontra, com clientes com quem você tem relacionamento: dê o seu melhor! Esse é o conselho que eu daria.

Entrevista exclusiva com Fabiana Tchalian, destaque e inspiração no empreendedorismo femininoA empresária Fabiana Tchalian - Divulgação

CE - Como é conciliar vida pessoal e profissional? E como elas te inspiram?
FT -
 Conciliar a vida pessoal e profissional é um grande mestrado em gestão. Essa é a minha conclusão. Uma mãe de três filhos que também está empreendendo e tem um negócio bem-sucedido, ela tem um mestrado e pós-doutorado em gestão, pode ter certeza absoluta. Ela talvez pode não ter a expertise financeira muito específica, mas que ela consegue resolver qualquer problema que aparecer na frente dela, disso você pode ter certeza absoluta.

Minha frase aqui é: conciliar a vida pessoal e profissional tem sido um mestrado e um pós-doutorado em gestão. Gestão de pessoas, gestão de recursos, gestão de inteligência emocional...  Tem sido uma grande formação em gestão e isso me deixa muito feliz, porque eu tenho certeza absoluta que a ÁGUA NA CAIXA®️ é só o meu primeiro negócio, eu vou fazer muitos outros...

CE - Para terminar, olhando para tudo o que já construiu, qual é o seu grande sonho daqui para frente — para a ÁGUA NA CAIXA®️, para o empreendedorismo feminino e para a Fabiana como mulher?
FT -
O meu sonho daqui para frente é: primeiro, que meus filhos sintam orgulho de mim da mesma, da maneira como eu sinto orgulho da minha mãe, da minha avó. E eu sei que a minha mãe também sente orgulho da mãe dela. Isso é primordial para mim!

Que eu e meu marido sigamos muito felizes nesse nosso sonho de empreender dentro da nossa família! E que eu, como empreendedora, me torne investidora. Eu não vejo a hora de investir em outros empreendedores e empreendedoras, em outras ideias, e que eu possa colaborar como mentora, como conselheira — coisa que eu já comecei a fazer — para outras ideias que também me apaixonam.

E que, junto com tudo isso, eu também possa dar vazão a outras ideias que eu também já tenho e que estou guardando para o momento certo para poder me dedicar mais a esses novos negócios.

Entrevista exclusiva com Fabiana Tchalian, destaque e inspiração no empreendedorismo femininoFabiana ao lado do primo e sócio Rodrigo Gedankien - Divulgação

 

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