Correio B

Superação

Há 45 anos, o jornaleiro Joãozinho supera desafios nas ruas de Campo Grande

Aos 63 anos, João Carlos, conhecido por todos como Joãozinho, mantém uma rotina marcada pela disciplina, pelo carinho dos clientes e por uma história de superação construída diariamente nas ruas de Campo Grande

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Durante décadas, o dia de João Carlos começa quando boa parte da cidade ainda dorme. Enquanto muitos ainda despertam para mais uma manhã de trabalho, ele já está nas ruas distribuindo informação, carregando jornais debaixo do braço e cumprimentando clientes que, há anos, fazem questão de comprar o exemplar diretamente de suas mãos.

Há 45 anos exercendo a profissão de jornaleiro do Correio do Estado, Joãozinho tornou-se uma figura conhecida na região central de Campo Grande.

Mais do que vender jornais, construiu relações de amizade, conquistou a confiança dos leitores e fez do trabalho uma verdadeira missão de vida. “Eu gosto do meu serviço”, resume, com simplicidade.

A história de João se confunde com a própria trajetória do jornal impresso em Mato Grosso do Sul. Aos 63 anos – ele completa 64 anos em setembro –, já viu a cidade mudar, acompanhou transformações na forma como as pessoas consomem notícias e enfrentou momentos difíceis, mas nunca abandonou a profissão.

Desde cedo na labuta

Antes de vestir a camisa de jornaleiro, ainda adolescente, João buscava maneiras de contribuir com a renda da família. Ele ajudava o pai em sua farmácia, atendendo, limpando e abastecendo as prateleiras. 

Foi então que, por volta de seus 20 anos, surgiu a oportunidade de trabalhar com a distribuição do Correio do Estado.

No início, a rotina era intensa. Já chegou a distribuir cerca de 100 jornais por dia, um número que, segundo ele, hoje diminuiu por causa das mudanças no mercado e também pelo avanço da idade.

Atualmente, João leva aproximadamente 65 exemplares diariamente. Destes, cerca de 55 já têm destino certo. “São clientes fixos”, conta com orgulho.

São empresas, escritórios, comerciantes e leitores que mantêm o hábito de começar o dia com o jornal impresso e preferem comprar diretamente com João, mesmo tendo outras possibilidades de assinatura.

Essa fidelidade foi construída ao longo de décadas. Seu rosto já faz parte da rotina do Centro de Campo

Grande e muitos clientes fazem questão de esperar sua chegada todas as manhãs.
Superação

Uma marca importante da trajetória de João é a superação. Com alguns atrasos no desenvolvimento, João enfrenta dificuldades na fala.

Ainda jovem passou pela Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae), onde recebeu acompanhamento que contribuiu significativamente para seu desenvolvimento.

Ele lembra que, antes do atendimento, tinha muito mais dificuldade para se comunicar. Hoje reconhece a importância daquele período para ganhar confiança e conseguir se expressar melhor.

Mesmo assim, ainda fala pausadamente e, em alguns momentos, encontra dificuldade para pronunciar determinadas palavras. Nada disso, entretanto, impediu que construísse uma carreira sólida nem que conquistasse o carinho das pessoas.

Resultado do trabalho

Muito além do sustento diário, o trabalho como jornaleiro permitiu que João realizasse um dos maiores sonhos de sua vida: conquistar a casa própria.

Economizando pouco a pouco o dinheiro recebido ao longo dos anos, conseguiu investir em um terreno e, posteriormente, construir a residência onde mora atualmente.

Ele conta que foi uma conquista construída literalmente com o fruto do trabalho.

Hoje vive sozinho na casa, com mais de 100m² localizada no Residencial Betaville.

Até pouco tempo atrás, dividia o lar com a mãe, de quem cuidava diariamente. Era ele quem fazia praticamente tudo: limpeza, organização da casa e os cuidados necessários para que ela tivesse qualidade de vida.

Com o passar dos anos e o avanço da idade da mãe, uma das irmãs passou a cuidar dela e João permaneceu na casa onde construiu sua história.

Independência

Mesmo morando sozinho e com limitações físicas, João faz questão de manter sua independência.
É ele quem limpa a casa, organiza o dia a dia e resolve praticamente todas as tarefas domésticas.

Confessa, porém, que cozinhar nunca foi seu forte, ainda mais após um acidente que comprometeu a força e a mobilidade de seu braço direito. Por isso, normalmente opta por refeições prontas ou alternativas mais simples.

Apesar da rotina puxada, encara tudo com naturalidade.

Desafios diários

Nem tudo, porém, foi fácil ao longo dessas quatro décadas e meia de profissão. João sofreu um acidente de trânsito que deixou sequelas em um dos braços.

Segundo ele, tudo aconteceu durante a madrugada, quando seguia para buscar os jornais. Confiou que poderia atravessar a faixa de pedestres com o sinal fechado para os carros. Um veículo furou o sinal e o acertou.

Desde então, perdeu parte da força da mão, o que dificulta algumas tarefas simples do cotidiano, como cortar alimentos.

João também conta que já foi assaltado quando saía muito cedo para buscar os jornais. Na época, pegava ônibus por volta das 5h40min.

Após o episódio, decidiu mudar a rotina. Hoje prefere sair um pouco mais tarde, às 6h, quando já há mais movimento nas ruas e a sensação de segurança é maior.

Ao longo dos anos, também presenciou diversas situações de violência e lamenta o aumento da criminalidade.

As experiências fizeram com que desenvolvesse uma visão crítica sobre a necessidade de mais segurança para quem trabalha diariamente nas ruas.

Mesmo assim, nunca deixou o trabalho. Os desafios enfrentados apenas reforçaram sua determinação em continuar fazendo aquilo de que gosta.

Vida dedicada ao Correio do estado

João costuma dizer que o trabalho é motivo de orgulho. Em quase meio século como jornaleiro, tornou-se conhecido não apenas pelos clientes, mas também pelos colegas de trabalho.

Ao longo de 45 anos, viu gerações inteiras crescerem acompanhando sua presença nas ruas.

Muitos clientes que antes compravam jornal para os pais hoje mantêm o hábito por conta própria.

Outros fazem questão de esperar João passar, transformando a compra do jornal em um momento de conversa e amizade.

Essa relação vai muito além da simples venda. É construída pela confiança, pela pontualidade e pela dedicação de quem nunca deixou faltar um exemplar para seus leitores.

Durante datas comemorativas, como Natal e Ano-Novo, quando muitos leitores viajam, sua rotina muda um pouco.

É quando aproveita para tirar seu período de férias anual, mas logo que o novo ano inicia, João retorna ao trabalho.

Rosto conhecido

Quem trabalha na região central conhece sua história. Funcionários de empresas, comerciantes e antigos clientes sabem exatamente o horário em que ele costuma aparecer.

Sempre educado e discreto, conquistou respeito justamente pela constância.

Enquanto a tecnologia transformou profundamente a maneira de consumir notícias, João continuou fazendo aquilo que sempre acreditou: entregar informação de porta em porta.

Em uma época em que boa parte das notícias chega instantaneamente pelas telas dos celulares, ele representa uma tradição que resiste ao tempo.

Diálogo

Na guerra pelas duas vagas ao Senado, tem gente demonstrando... Leia na coluna de hoje

Leia a coluna desta quinta-feira (10)

10/09/2026 00h02

Diálogo

Diálogo Foto: Arquivo / Correio do Estado

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Carl Jung - Médico suiço

"A solidão é perigosa e viciante, quando você se dá conta da paz que existe nela, não quer mais lidar com as pessoas".

FELPUDA

Na guerra pelas duas vagas ao Senado, tem gente demonstrando uma sede considerável pelo pote e aproveitando até visita técnica de prefeitos para colocar uma pitada de política no roteiro. A estratégia pode até parecer esperta, mas corre o risco de deixar no eleitor a impressão de que tudo virou palanque. Transparência nos atos públicos seria sensato, para evitar interpretações maliciosas. Afinal, visita técnica é visita técnica e campanha eleitoral é campanha eleitoral. Misturar as duas coisas pode acabar levando "a vaca para o brejo". Só!

Sem trégua

Partido não conseguiu convencer Rose Modesto a dar uma trégua à prefeita Adriane Lopes. Ela segue disparando, mostrando que a federação pode até unir partidos no papel.

Mais

Na prática, entretanto, a artilharia continua funcionando. Rose bate na prefeita num dia, no outro também e, se houver espaço na agenda, talvez ainda sobre munição para o dia seguinte.

DiálogoFoto: Divulgação/Sesc

Teve início no último dia 8, em Paranhos, o novo projeto socioeducativo do Sesc MS, que recebeu o nome de O Corixo, pretendendo criar caminhos de encontro entre crianças, adolescentes, cultura e território. Com previsão de chegar a outras cinco cidades de Mato Grosso do Sul ainda em 2026, o projeto utiliza o teatro como ferramenta de desenvolvimento social. Os participantes serão estimulados a criar, ouvir, falar, experimentar diferentes papéis, trabalhar em grupo e reconhecer histórias e características do lugar onde vivem.Nesse processo, serão trabalhadas habilidades como expressão corporal, comunicação, criatividade, cooperação e confiança, enquanto os próprios participantes ajudam a construir personagens, cenas, narrativas e o cenário da apresentação.

DiálogoGleice Mara Amado e o neto Wilson Ocampos - Foto: Arquivo pessoal

 

DiálogoVera Lúcia Benigno dos Santos, Jussara Pettengill e Regina Célia Benigno dos Santos - Foto: Arquivo pessoal

Migalhas

A diferença na distribuição dos recursos eleitorais escancara verdadeiro abismo entre os candidatos. Enquanto alguns recebem milhões para bancar a campanha, outros ficam praticamente com migalhas para enfrentar a disputa. A chiadeira é geral e já há registro de muitas desistências, tanto na esquerda quanto na direita. Sem recursos, até quem tenha muita disposição não consegue fazer campanha apenas com boa vontade.

Em falta

A Câmara Municipal da Capital derrubou o veto do Executivo a 13 emendas da LDO de 2027, numa votação que, nos bastidores, foi interpretada como mais um sinal de falta de articulação política. As propostas tratam de concursos, valorização dos servidores, infraestrutura, obras inacabadas, entre outras áreas. O episódio chama atenção porque parte das emendas havia sido vetada pelo Executivo e acabou sendo recuperada pelos vereadores.

Rotina

Com relação ainda sobre derrubada dos vetos de algumas emendas, entre aliados e observadores da política, comentário é de que a dificuldade de diálogo entre os dois lados está se tornando rotina. A derrubada dos vetos reforça a autonomia do Legislativo e mostra que a prefeitura terá de melhorar a interlocução com a Câmara Municipal. Enquanto isso, a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LOA) de 2027, com previsão de R$ 7,7 bilhões, já começa a movimentar novamente as atenções lá, aqui e acolá.

ANIVERSARIANTES 

Dr. Farid Jamil Georges e Castro,
Dra. Maria Augusta Santos Rahe Pereira,
Herculano Borges Daniel,
Ângela Coelho Costa,
Rubens Lima Sortica dos Santos,
Dra. Cláudia Carvalho Bittencourt,
Ana Lemos Maia da Silveira,
Vinicios Gonçalves da Silva,
Homero Penitente Deboni,
Jorge Seizo Ishikawa,
Jane Maria Nunes Bello,
Nicola Alves da Silva,
Nadima Nantes Martins Vecchi,
João Custodio Lima,
Iria Barz Drews,
Dr. Marcelo de Souza Cury,
Giovana Corducci  Danti Rezende,
Valdemir Paulo Bidoia,
Fernando Miceno Pineis,
Dr. José Pires de Andrade,
Clementina Rondon,
Braz Martins da Silva,
Maria Verônica Sáfadi Alves Nogueira,
Márcia Figueira Durso,
Dra. Maria Eulina Quilião,
Átila Ribeiro Nosella,
Nídio Ortega,
Élvio Araújo Garabini,
Sérgio Araújo Garabini,
Luiz Tenório de Melo (Luizinho),
Dr. Flávio Affonso Barbosa,
Cleonice Perdomo Dias,
Flávio Nogueira Cavalcanti,
Vitor Manoel Rochinha Gaspar,
Rosaria Daúde Santomo,
Ricardo Fraga Moreira Miragaia,
Luiz Carlos de Lima Puccini,
Walquiria Menezes Moraes,
Luiz Trelha Falcão,
Joacir Jara Xavier,
Delian Nunes da Silva,
Bruno Zafalon Beraldo,
Ana Paula Azuaga,
Daltair Rodrigues Garcia,
Dra. Tatiana Serra da Cruz,
Elso Gilmar Bandeira,
Alberto Saad Copolla,
Sebastião Seleri,
Edson Pereira da Costa,
Lacy Vilanova Zapata,
Leuza Sá Escobar,
Fernando Luiz Lima Barros,
René Willian Jankoswky,
Anderson Divino Nantes Coelho,
Lourdes de Campos Queiroz,
Pedro Malagoli,
Christiane Salomão Budib,
Bruno Soares Mascarenhas,
Sueli Konish da Silva,
Thaís Helena Medeiros,
João Maria de Souza,
Janir Esnarriaga de Albuquerque,
Clóvis Antônio Comineti,
Felipe Antônio Prechitko,
Irmo Rodrigues de Souza,
Leopoldo Marques Ney,
Levy Mendes de Campos,
Elizabeth Peron Coelho,
Helder Pereira de Figueiredo Júnior,
Guilherme Wachmann Dal'Maso,
Rosa de Almeida do Nascimento,
Benvinda Mariana Figueiredo Gazola,
Aline Moreira Santos,
Jennifer Coronel Fedossi,
Rubilam Marcos Vedovatte,
Valdinei de Souza Batista,
Waldemir Paulo Bidoia,
João Queiroz dos Santos,
Maria Matheus de Andrade,
Renato Marcolino Ribeiro,
Walter Silva Pais,
Ywlly Edulfo Domingues Gonçalves,
Adilson Senna de Oliveira,
Roosevelt Santos de Vasconcellos,
Amanda Casal Pompeo,
Luciano Rocha Martins,
Angélica Vilas Boas Melo,
Adriana Vollkopf Curto,
Thiago André Cunha Miranda,
Willian Robson Atallah,
Leticia Tavares Gibaile,
Marilza Auxiliadora Nogueira,
Gassen Zaki Gebara,
Maria de Barros Franciscati,
Laudson Cruz Ortiz,
Leonardo Pereira da Costa,
Fernando Farias Olazar,
Lissandro Miguel de Campos Duarte,
Gabriel Alberti Duela,
Marcelo Soriano,
Frederico Brait Carmona,
Ricardo Giovani Zafalon,
Marli Inácio Portinho da Silva,
Roberto Barreto Suassuna,
Mário Kawakita,
Viviane Marinho de Menezes,
Leila Ledesma Brites,
Maria Auxiliadora Teixeira.

Colaborou com Tatyane Gameiro

cinema

Seis filmes seguem na disputa para representar o Brasil no Oscar

Decisão sobre o título deverá ser tomada em 16 de setembro

09/09/2026 22h00

sSeis filmes brasileiros que continuam em disputa pela vaga de representante do Brasil no Oscar 2027

sSeis filmes brasileiros que continuam em disputa pela vaga de representante do Brasil no Oscar 2027 Foto: Divulgação

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A Academia Brasileira de Cinema anunciou nesta quarta-feira (9) os seis filmes brasileiros que continuam em disputa pela vaga de representante do Brasil no Oscar 2027.  A decisão sobre o longa que vai tentar uma vaga na categoria de melhor filme internacional será tomada em 16 de setembro.

Os títulos que continuam em disputa são:

  • 100 Dias, de Carlos Saldanha;
  • A Fabulosa Máquina do Tempo, de Eliza Capai;
  • A Natureza das Coisas Invisíveis, de Rafaela Camelo;
  • Feito Pipa, de Allan Deberton;
  • Nosso Segredo, de Grace Passô;
  • Vicentina Pede Desculpas, de Gabriel Martins.

A lista dos finalistas saiu de uma pré-lista de 15 filmes,  divulgada pela Academia Brasileira de Cinema no mês de agosto.

Oscar

Ter sido escolhido como o representante brasileiro ao Oscar não significa que o filme já terá garantida uma indicação ao prêmio. Cada país indica um filme como representante para a disputa. O Oscar analisa essas indicações e faz uma seleção dos filmes que, de fato, vão concorrer ao principal prêmio do cinema mundial.

A cerimônia que premiará os melhores filmes do Oscar está marcada para 14 de março de 2027.

Em 2025, o Brasil conquistou o primeiro Oscar com o filme Ainda Estou Aqui, de Walter Salles, na categoria de melhor filme internacional. Neste ano, o Brasil voltou a ser indicado com o filme O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, que acabou perdendo o prêmio para o norueguês Valor Sentimental.

 

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