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Jovem que viaja em Celta acompanhada de Golden Retriever chega a MS

A bordo do veículo que passou por modificações, Ana Clara Uchôa, que pretende conhecer todos os estados do país, está encantada com a hospitalidade dos sul-mato-grossenses

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A jovem Ana Clara Uchôa, de 25 anos, com sua companheira Ísis, uma Golden Retriever de cinco anos, está em uma viagem pelo país a bordo de um Celta ano 2005, com 273 mil quilômetros rodados, que teve como primeira parada Coxim, município localizado a 253 km de Campo Grande.

Com a chegada em terras sul-mato-grossenses, esse é o 14º estado que Ana Clara, natural de São José dos Campos, visita com o Celta, que passou por uma adaptação, se transformando em um motorhome.

A bordo do veículo, batizado como Ozzy, na primeira etapa da viagem saiu de São Paulo até o Rio Grande do Norte e outras unidades da federação.

Na segunda fase,  com o  percurso repaginado, passou por Minas Gerais, Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso e, em uma mudança de rota que a trouxe até o Estado do Pantanal.

“Nosso objetivo é conhecer, zerar todos os estados brasileiros, são 26, estamos no 14°, e conhecer a América do Sul de Celtinha. O objetivo é conhecer a América do Sul. Então, entre idas e vindas pelo Brasil, conhecer todos os países e estados brasileiros”, explicou Ana Clara.

Ao cruzar a fronteira entre Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, uma alteração no planejamento de última hora muito comemorada, mesmo que a BR-163 estivesse com trecho em obras, a chegada foi de muita expectativa.

 

@anaclarauchoaa

meu deus obrigada cérebro por ser doido mas as vezes me dar uma trégua

som original - Ana Clara Uchôa

 

O objetivo está em Machu Picchu, no Peru. Por ora, a viagem acabou sendo dividida em duas etapas, o que envolveu mudança de rota e replanejamento do percurso.

Isso tem alegrado muito os sul-mato-grossenses que acompanham a viagem e agora se sentem mais próximos.

Mudança de vida

Antes mesmo da ideia tomar forma, o início da saga da dupla – inspirada na história do influencer brasileiro Jesse Koz, conhecido por viajar com seu fiel amigo Shurastey e seguido por Ana Clara nas redes sociais – de certo modo abriu a mente dela, que sempre possuíra o coração na estrada.

Afinal de contas, Ísis, que também é da raça Golden Retriever, passou a fazer parte da família em 2020. A influenciadora relata que sempre quis ter um cachorro e acabou ganhando sua companheira.

“Ísis chegou para mim com 43 dias de vida. Ela é de Bauru. Saí de São Paulo e fui até Bauru para pegá-la e, desde o primeiro momento que ela veio às minhas mãos, prometi que ela conheceria o mundo comigo. Eu tinha muita inspiração no Jesse e no Shurastey, que infelizmente não estão mais entre nós, mas eu amava a vida que ele proporcionava para o Shurastey. Eu sentia que aquele cachorro vivia de verdade”, contou Ana Clara.

Portanto, não poderia ter sido diferente: a semente plantada na infância de ser um espírito viajante e o desejo de compartilhar o mundo seria dividido com Ísis.

Como tudo na vida, o plano precisou ser adiado por algum tempo, por pelo menos quatro anos. Ana Clara tinha um trabalho convencional e mantinha uma rotina de passeio duas vezes por dia com a cachorra.

“Foi quando um dia cheguei em casa e vi que ela era um cachorro ansioso, que não fazia muita atividade física, ficava muito parada. Foi então que decidi mudar a vida da Ísis”.

O momento de virada aconteceu na vida das duas em 2023. A presença da cachorra é descrita como um gatilho, pois Ísis fez Ana Clara, por mais de uma vez, deixar de tomar decisões ruins para escolher as boas.

Passeios que tinham horário para acontecer em um determinado quadrante se estenderam por longas estradas; visitas a locais paradisíacos proporcionados pela vegetação do Cerrado. A coragem da exploradora Ana Clara levou Ísis a alcançar uma vida plena, em uma família que só é possível graças ao terceiro elemento de quatro rodas.

Ozzy


A viagem não sairia do lugar se não tivessem encontrado um meio de transporte que tornasse o sonho possível. Foi assim que, conversando com um mecânico e sem explicar as razões, Ana Clara pediu orientação para um carro econômico para algumas viagens - o que ninguém poderia imaginar que a levaria até agora por 14 estados.

Ela foi apresentada ao antigo dono do Celta, que recebeu o nome de Ozzy, e soube que o carro rodou do estado de São Paulo até a Bahia.

“Falei: ‘bom, então ele vai de novo’. Eu meio que senti que o Celtinha era meu, e aí, naquele mesmo dia, já fomos ao cartório, passei o carro para o meu nome e, desde então, ele é meu tratorzinho, meu filhote automotivo”.
 

Modificações


O Celtinha, como é carinhosamente conhecido, de quatro portas, passou por uma adaptação para se transformar no motorhome que abriga Ísis e Ana Clara na estrada.

Os bancos traseiros deram lugar a móveis planejados, como:

  • baú para ração da Ísis;
  • cozinha, geladeira, gaveta para talheres;
  • um colchão com espaço para as duas pernoitarem;
  • placas solares no teto que alimentam uma bateria extra (estacionária).
Reprodução Redes Sociais

Mato Grosso do Sul


Ao compreender que cada um é dono do próprio destino e que mudanças podem ocorrer no percurso, desde que a pessoa se sinta confortável, ocorreu o estalo, em Goiás, que faria os viajantes a bordo de Ozzy chegarem ao Estado do Pantanal.

“Foi o momento em que decidi que, do Mato Grosso, entraria em Mato Grosso do Sul e conheceria não só mais um estado, mas também outro país. Estou em Mato Grosso do Sul agora, já pensando na fronteira”.

Estabelecida, inicialmente, em Coxim, Ana Clara está surpresa com o número de seguidores que possui no Estado. Ao ponto de receber visitas, presentes e pessoas comentando em suas redes, pedindo para que ela venha até Campo Grande.

“Desde que as pessoas viram que estou em Mato Grosso do Sul, [a cidade de] Campo Grande tem sido uma disputa nos meus comentários: ‘você precisa passar, precisa passar’. Foi aí que vi que tenho um número muito grande de seguidores em Campo Grande e fiquei bem chocada, porque, como disse, o Estado não estava na minha rota e falei que bom que coloquei”.

Apaixonada por natureza e por água, assim como a própria Ísis, ela ficou encantada com o cerrado desde que chegou à região Centro-Oeste do país.

Acho que um dos sons mais bonitos do mundo é o da natureza, o som do silêncio, que você só ouve o mato fazendo barulho e os passarinhos cantando, que é como estou, com meu cachorro nadando e mordendo pedaço de pedra”, disse a influencer, enquanto Ísis nadava no rio Coxim".

O próximo destino é Rio Verde de Mato Grosso, para onde o Celtinha rumou no fim da manhã desta sexta-feira (25), a convite de seguidores, para conhecer as belezas naturais do município. E, como não poderia ser diferente, a amante da água, Ísis, está curtindo cada segundo.

 

 

Estadias confirmadas

  • Aquidauana;
  • Bonito;
  • e a vinda para um encontro na Cidade Morena não está descartada.

Pantanal


Da mesma forma que pontuou que se atirou de cabeça no Cerrado, ela se sente pronta para conhecer o Pantanal, por quem nutre profunda admiração, que nasceu ao assistir o remake da novela de Benedito Ruy Barbosa.

Não é à toa que, nas redes sociais, ela fez a brincadeira de que estava parecida com a protagonista Juma Marruá e que está em busca do seu Jove.

“Hoje em dia, se eu pudesse criar fanfic na minha cabeça, eu só queria morar na tapera da Juma, mas, como isso não vai acontecer, eu amo, posso dizer que sou fã número um da novela Pantanal, principalmente o remake. Amo a história da Juma e do Joventino, amo todas as histórias daquela novela”.

Trocando ideia com os seguidores, que tomaram conhecimento do orgulho do pantaneiro com a obra por ter mostrado ao país as belezas naturais, ela diz que tem certeza de que irá encontrar o que via nas telas ao vivo e não esconde a ansiedade em conhecer o Pantanal.

Atualmente, a influencer tem 495 mil seguidores no TikTok e mais de 302 mil no Instagram. Desde criança, falava para a mãe que queria vender arte na praia e agora atravessa o país com Ísis e Ozzy.

Sim, é possível

O grande desafio da viagem, conforme explicou, não é tanto a segurança nem as demandas femininas que exigem cuidado, e sim a falta de reconhecimento.

“O reconhecimento é um dos grandes desafios na vida da mulher viajante, porque acredito que, quando é um homem viajando, um homem sozinho, realizando seus desejos, acho que, hoje em dia, também por conta da questão da segurança, da fama de que o mundo é perigoso, isso acaba sendo mais socialmente aceito.

Então, às vezes, me deparo com muitas situações em que preciso provar que é possível, provar que eu consigo, provar que não é por ser mulher que eu deveria desistir.”

Curiosidades

  • Viver na estrada não era um plano até Ana Clara perceber que estava vivendo no automatismo;
  • Nascida em São José dos Campos, ela começou a abrir mão da rotina do dia a dia após viagens curtas, como ao Rio de Janeiro, quando percebeu que queria cair na estrada;
  • Com esse desejo, veio o sentimento de que faltava alguma coisa - e foi então que ela entendeu que precisava da Ísis;
  • O dinheiro que juntou enquanto trabalhava pagou o Celta e custeou parte da viagem, que hoje é financiada pela rentabilização das redes sociais;
  • Ana Clara costumava desviar das capitais, mas, devido à receptividade, tem se surpreendido com elas (por isso pretende conhecer Campo Grande);
  • Apesar de Ísis ser amante de água, como a tutora diz: “ela não gosta de água que caia do céu” (leia-se: chuva e banho);
  • Ísis só entra no carro ou vai deitar quando é chamada, o que facilita na hora de limpar suas patinhas e evitar que suje a cama;
  • Pontos de apoio são fundamentais, e aplicativos ajudam a encontrar locais para motorhomes;
  • A novela Pantanal é um conforto para Ana Clara, que, quando sente vontade, assiste a alguns episódios.

 

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Capa da semana Correio B+

Entrevista exclusiva com a atriz Simone Centurione

"O teatro musical me devolveu um lugar de pertencimento artístico. Ali entendi que não era um trabalho pontual, era um caminho".

05/07/2026 15h00

Entrevista exclusiva com a atriz Simone Centurione

Entrevista exclusiva com a atriz Simone Centurione Foto: Bruno Adachi

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Com uma trajetória construída entre os palcos, os estúdios de dublagem e experiências no audiovisual, Simone Centurione consolidou um dos momentos mais simbólicos de sua carreira ao integrar o elenco de "Diana – A Princesa do Povo", musical que, após temporada no Rio de Janeiro, se despede do público paulista neste fim de semana, no Teatro Liberdade.

Na montagem brasileira da superprodução assinada pela Estamos Aqui, com direção de Tadeu Aguiar, a atriz deu vida à Rainha Elizabeth II em um processo que define como um encontro entre maturidade artística e prontidão.

Em conversa exclusiva com o Caderno B+, Simone relembra o início no teatro musical, fala sobre os trabalhos que moldaram sua identidade artística, comenta a experiência na dublagem e no audiovisual e reflete sobre os desafios de interpretar uma mulher marcada pela contenção, pelo dever e pelo silêncio — um papel que passa a integrar os personagens mais significativos de sua trajetória.

Entrevista exclusiva com a atriz Simone Centurione Simone Centurione é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Bruno Adachi - Diagramação: Denis Felipe - Por: Flávia Viana

CE - Seu primeiro contato profissional com o teatro musical aconteceu relativamente depois de uma trajetória como atriz e cantora. O que esse encontro mudou na sua vida artística?
SC - 
Mudou tudo. Eu já vinha de uma caminhada como atriz e também sempre tive a música muito presente na minha vida. Cheguei a investir em um projeto autoral, gravei demos, fui para Los Angeles, mas aquilo não aconteceu da forma como eu imaginava.

Durante um tempo, isso me afastou um pouco da música. Quando surgiu o convite para "Sinatra Olhos Azuis", percebi que o teatro musical me permitia unir duas partes muito fortes de mim: a atriz e a cantora. Mais do que isso, ele me devolveu um lugar de pertencimento artístico.

CE - Você sente que existe um trabalho ou personagem que foi decisivo para consolidar sua identidade como artista?
SC - 
Na verdade, todos os trabalhos me transformaram de alguma maneira, tanto profissionalmente quanto pessoalmente. Mas alguns tiveram um peso muito importante nessa construção. "O Som da Motown", por exemplo, mexeu profundamente comigo porque dialogava diretamente com a black music, que faz parte da minha formação e das minhas referências.

Era um espetáculo que exigia muita potência, alma, força e entrega. Já "Liza por Elas" trouxe outro tipo de desafio, mais ligado à identidade cênica e à interpretação. E "Como Eliminar Seu Chefe" me exigiu muito como atriz e cantora ao mesmo tempo.

CE - Sua trajetória também passa pela direção, preparação vocal e assistência de direção. Como essas experiências ampliaram o seu olhar sobre o palco?
SC -
 Ampliaram completamente. Trabalhar também nos bastidores me deu uma compreensão muito maior do todo. Quando você atua apenas como intérprete, muitas vezes está focado na sua função específica. Mas, quando assume outras responsabilidades, começa a entender o espetáculo como organismo.

Isso muda sua relação com o coletivo, com o tempo da cena, com a escuta e até com a forma de se posicionar artisticamente dentro de um processo.

CE - Você transita entre teatro musical, dublagem e audiovisual. O que cada linguagem acrescenta ao seu trabalho?
SC -
 Cada uma acrescenta algo muito específico. A dublagem, por exemplo, me trouxe uma consciência muito precisa de intenção e escuta. É um trabalho extremamente técnico e milimétrico, onde qualquer excesso aparece. Isso refinou muito minha relação com a voz e com o subtexto. Já o audiovisual me ensinou sutileza e economia. No cinema e na televisão, muitas vezes menos é mais. Hoje, levo tudo isso para o palco.

CE - Existe algum trabalho na dublagem que tenha sido especialmente marcante para você?
SC -
 Sim. Um dos trabalhos mais especiais foi minha participação em The Witcher 3: Wild Hunt, interpretando uma personagem que cantava em uma taverna.

Foi um trabalho que teve reconhecimento internacional e chegou a ser indicado a prêmio. Não vencemos, mas a indicação já foi muito importante para mim porque mostrou a dimensão que um trabalho de voz pode alcançar.

Entrevista exclusiva com a atriz Simone Centurione Simone Centurione é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Andy Santana - Diagramação: Denis Felipe - Por: Flávia Viana

CE - Você também teve experiências no audiovisual. Como esse universo entrou na sua trajetória?
SC -
 Foi acontecendo aos poucos, paralelamente ao teatro. Participei da série "Ed Mort", dos filmes "Nos Seios de Deus" e "Afetos Secretos", além de algumas participações em novelas — a mais recente em "Êta Mundo Melhor".

São experiências muito diferentes do palco, mas que ampliaram muito minha percepção como atriz. E tenho muito interesse em expandir ainda mais esse caminho.

CE - Quando recebeu o convite para "Diana", em que momento da carreira você sentia que estava?
SC -
 Eu estava em um momento de maturidade artística, com mais consciência do que eu queria construir e também do que eu tinha para oferecer. "Diana" chegou justamente nesse encontro entre trajetória e prontidão.

Hoje, olhando para essa experiência, tenho ainda mais certeza de que precisava de tudo o que vivi antes para chegar até essa personagem. Foi um trabalho que exigiu repertório emocional, escuta, técnica e entrega, e que marcou profundamente o meu percurso artístico.

CE - Como surgiu o convite para viver a Rainha Elizabeth II?
SC - 
O convite surgiu a partir de uma relação profissional construída ao longo do tempo com o Tadeu Aguiar, com quem já havia trabalhado em musicais como "Bibi – Uma Vida em Musical" e "Uma Babá Quase Perfeita", além da experiência como assistente de direção em "Beetlejuice".

O Tadeu é um diretor muito aberto ao diálogo e à construção conjunta. Acredito que esse convite tenha vindo da confiança construída ao longo dos anos, da disciplina que tenho com o meu trabalho e também do meu olhar de interpretação.

CE - O que mais te interessou nessa mulher que você levou para o palco em "Diana"?
SC -
 Me interessou olhar para além da figura pública. Antes de ser rainha, ela era uma mulher atravessada pelo dever. Uma mulher que abriu mão de si mesma para cumprir uma função muito maior do que ela. Acho bonito entender que ela não era fria — ela precisou ser.

Existe um amor muito profundo pelo dever, pela instituição e pelo próprio papel que ela ocupava. O desafio foi justamente revelar humanidade dentro da contenção. Ao longo da temporada, foi muito gratificante perceber que o público também enxergou essa dimensão mais humana da personagem.

CE - Esse trabalho representa uma virada na sua carreira?
SC - 
Sim, no sentido de responsabilidade e reposicionamento. Mas também acredito que minha trajetória inteira foi feita de pequenas viradas. Cada personagem me transformou e me construiu de alguma forma.

"Diana" passa a ocupar um lugar muito especial nessa caminhada, não apenas pela personagem, mas pelo processo artístico que vivi e pelos encontros que o espetáculo proporcionou. Saio dessa experiência com a sensação de que cresci como atriz e ainda mais motivada a buscar projetos que me desafiem, provoquem reflexão e me permitam continuar evoluindo no teatro, no cinema, na televisão e na música.

 

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Coluna Desatando nós: Quando o casal vira apenas uma equipe de logística

A Dra. em psicologia Vanessa Abdo ressalta que o problema não está na organização. Ela é necessária. A questão é quando a relação passa a existir apenas nesse lugar.

05/07/2026 14h00

Coluna Desatando nós: Quando o casal vira apenas uma equipe de logística

Coluna Desatando nós: Quando o casal vira apenas uma equipe de logística Foto: Divulgação

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A chegada dos filhos transforma profundamente a vida de um casal. Novas responsabilidades surgem, a rotina se torna mais intensa e o tempo parece sempre insuficiente.

Aos poucos, muitas conversas passam a girar em torno de horários, escola, consultas, atividades e compromissos. Sem perceber, o casal começa a funcionar como uma eficiente equipe de logística.

O problema não está na organização. Ela é necessária. A questão é quando a relação passa a existir apenas nesse lugar. Os parceiros se tornam gestores da rotina familiar, mas deixam de ser companheiros de vida.

Na terapia de casal, é comum ouvir relatos de pessoas que se sentem sozinhas dentro de relacionamentos estáveis. Não faltam tarefas compartilhadas, mas faltam troca, curiosidade sobre o outro, intimidade e conexão emocional. O casal continua funcionando, mas o vínculo vai se enfraquecendo silenciosamente.

Muitas vezes, isso acontece sem conflitos aparentes. Não há grandes brigas, mas também não há espaços de encontro. A prioridade passa a ser atender às demandas da família, enquanto a relação ocupa sempre o último lugar da lista.

O paradoxo é que cuidar do casal também é uma forma de cuidar dos filhos. Crianças crescem observando relações. Quando veem adultos que dialogam, se respeitam e cultivam afeto, aprendem referências importantes sobre convivência e vínculo.

Isso não exige viagens, jantares sofisticados ou disponibilidade que poucas famílias possuem. Pequenos momentos de presença já fazem diferença. Conversas sem interrupções, interesse genuíno pela vida do outro e demonstrações simples de carinho ajudam a manter viva uma conexão que não pode sobreviver apenas da eficiência.

Nenhum relacionamento se fortalece por acaso. Assim como cuidamos da saúde, do trabalho e dos filhos, também precisamos cuidar da relação. Porque famílias saudáveis não são construídas apenas por boas rotinas, mas por vínculos que continuam existindo além delas.

Vamos desatar esses nós?

@vanessaabdo7

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