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Jovem que viaja em Celta acompanhada de Golden Retriever chega a MS

A bordo do veículo que passou por modificações, Ana Clara Uchôa, que pretende conhecer todos os estados do país, está encantada com a hospitalidade dos sul-mato-grossenses

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A jovem Ana Clara Uchôa, de 25 anos, com sua companheira Ísis, uma Golden Retriever de cinco anos, está em uma viagem pelo país a bordo de um Celta ano 2005, com 273 mil quilômetros rodados, que teve como primeira parada Coxim, município localizado a 253 km de Campo Grande.

Com a chegada em terras sul-mato-grossenses, esse é o 14º estado que Ana Clara, natural de São José dos Campos, visita com o Celta, que passou por uma adaptação, se transformando em um motorhome.

A bordo do veículo, batizado como Ozzy, na primeira etapa da viagem saiu de São Paulo até o Rio Grande do Norte e outras unidades da federação.

Na segunda fase,  com o  percurso repaginado, passou por Minas Gerais, Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso e, em uma mudança de rota que a trouxe até o Estado do Pantanal.

“Nosso objetivo é conhecer, zerar todos os estados brasileiros, são 26, estamos no 14°, e conhecer a América do Sul de Celtinha. O objetivo é conhecer a América do Sul. Então, entre idas e vindas pelo Brasil, conhecer todos os países e estados brasileiros”, explicou Ana Clara.

Ao cruzar a fronteira entre Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, uma alteração no planejamento de última hora muito comemorada, mesmo que a BR-163 estivesse com trecho em obras, a chegada foi de muita expectativa.

 

@anaclarauchoaa

meu deus obrigada cérebro por ser doido mas as vezes me dar uma trégua

som original - Ana Clara Uchôa

 

O objetivo está em Machu Picchu, no Peru. Por ora, a viagem acabou sendo dividida em duas etapas, o que envolveu mudança de rota e replanejamento do percurso.

Isso tem alegrado muito os sul-mato-grossenses que acompanham a viagem e agora se sentem mais próximos.

Mudança de vida

Antes mesmo da ideia tomar forma, o início da saga da dupla – inspirada na história do influencer brasileiro Jesse Koz, conhecido por viajar com seu fiel amigo Shurastey e seguido por Ana Clara nas redes sociais – de certo modo abriu a mente dela, que sempre possuíra o coração na estrada.

Afinal de contas, Ísis, que também é da raça Golden Retriever, passou a fazer parte da família em 2020. A influenciadora relata que sempre quis ter um cachorro e acabou ganhando sua companheira.

“Ísis chegou para mim com 43 dias de vida. Ela é de Bauru. Saí de São Paulo e fui até Bauru para pegá-la e, desde o primeiro momento que ela veio às minhas mãos, prometi que ela conheceria o mundo comigo. Eu tinha muita inspiração no Jesse e no Shurastey, que infelizmente não estão mais entre nós, mas eu amava a vida que ele proporcionava para o Shurastey. Eu sentia que aquele cachorro vivia de verdade”, contou Ana Clara.

Portanto, não poderia ter sido diferente: a semente plantada na infância de ser um espírito viajante e o desejo de compartilhar o mundo seria dividido com Ísis.

Como tudo na vida, o plano precisou ser adiado por algum tempo, por pelo menos quatro anos. Ana Clara tinha um trabalho convencional e mantinha uma rotina de passeio duas vezes por dia com a cachorra.

“Foi quando um dia cheguei em casa e vi que ela era um cachorro ansioso, que não fazia muita atividade física, ficava muito parada. Foi então que decidi mudar a vida da Ísis”.

O momento de virada aconteceu na vida das duas em 2023. A presença da cachorra é descrita como um gatilho, pois Ísis fez Ana Clara, por mais de uma vez, deixar de tomar decisões ruins para escolher as boas.

Passeios que tinham horário para acontecer em um determinado quadrante se estenderam por longas estradas; visitas a locais paradisíacos proporcionados pela vegetação do Cerrado. A coragem da exploradora Ana Clara levou Ísis a alcançar uma vida plena, em uma família que só é possível graças ao terceiro elemento de quatro rodas.

Ozzy


A viagem não sairia do lugar se não tivessem encontrado um meio de transporte que tornasse o sonho possível. Foi assim que, conversando com um mecânico e sem explicar as razões, Ana Clara pediu orientação para um carro econômico para algumas viagens - o que ninguém poderia imaginar que a levaria até agora por 14 estados.

Ela foi apresentada ao antigo dono do Celta, que recebeu o nome de Ozzy, e soube que o carro rodou do estado de São Paulo até a Bahia.

“Falei: ‘bom, então ele vai de novo’. Eu meio que senti que o Celtinha era meu, e aí, naquele mesmo dia, já fomos ao cartório, passei o carro para o meu nome e, desde então, ele é meu tratorzinho, meu filhote automotivo”.
 

Modificações


O Celtinha, como é carinhosamente conhecido, de quatro portas, passou por uma adaptação para se transformar no motorhome que abriga Ísis e Ana Clara na estrada.

Os bancos traseiros deram lugar a móveis planejados, como:

  • baú para ração da Ísis;
  • cozinha, geladeira, gaveta para talheres;
  • um colchão com espaço para as duas pernoitarem;
  • placas solares no teto que alimentam uma bateria extra (estacionária).
Reprodução Redes Sociais

Mato Grosso do Sul


Ao compreender que cada um é dono do próprio destino e que mudanças podem ocorrer no percurso, desde que a pessoa se sinta confortável, ocorreu o estalo, em Goiás, que faria os viajantes a bordo de Ozzy chegarem ao Estado do Pantanal.

“Foi o momento em que decidi que, do Mato Grosso, entraria em Mato Grosso do Sul e conheceria não só mais um estado, mas também outro país. Estou em Mato Grosso do Sul agora, já pensando na fronteira”.

Estabelecida, inicialmente, em Coxim, Ana Clara está surpresa com o número de seguidores que possui no Estado. Ao ponto de receber visitas, presentes e pessoas comentando em suas redes, pedindo para que ela venha até Campo Grande.

“Desde que as pessoas viram que estou em Mato Grosso do Sul, [a cidade de] Campo Grande tem sido uma disputa nos meus comentários: ‘você precisa passar, precisa passar’. Foi aí que vi que tenho um número muito grande de seguidores em Campo Grande e fiquei bem chocada, porque, como disse, o Estado não estava na minha rota e falei que bom que coloquei”.

Apaixonada por natureza e por água, assim como a própria Ísis, ela ficou encantada com o cerrado desde que chegou à região Centro-Oeste do país.

Acho que um dos sons mais bonitos do mundo é o da natureza, o som do silêncio, que você só ouve o mato fazendo barulho e os passarinhos cantando, que é como estou, com meu cachorro nadando e mordendo pedaço de pedra”, disse a influencer, enquanto Ísis nadava no rio Coxim".

O próximo destino é Rio Verde de Mato Grosso, para onde o Celtinha rumou no fim da manhã desta sexta-feira (25), a convite de seguidores, para conhecer as belezas naturais do município. E, como não poderia ser diferente, a amante da água, Ísis, está curtindo cada segundo.

 

 

Estadias confirmadas

  • Aquidauana;
  • Bonito;
  • e a vinda para um encontro na Cidade Morena não está descartada.

Pantanal


Da mesma forma que pontuou que se atirou de cabeça no Cerrado, ela se sente pronta para conhecer o Pantanal, por quem nutre profunda admiração, que nasceu ao assistir o remake da novela de Benedito Ruy Barbosa.

Não é à toa que, nas redes sociais, ela fez a brincadeira de que estava parecida com a protagonista Juma Marruá e que está em busca do seu Jove.

“Hoje em dia, se eu pudesse criar fanfic na minha cabeça, eu só queria morar na tapera da Juma, mas, como isso não vai acontecer, eu amo, posso dizer que sou fã número um da novela Pantanal, principalmente o remake. Amo a história da Juma e do Joventino, amo todas as histórias daquela novela”.

Trocando ideia com os seguidores, que tomaram conhecimento do orgulho do pantaneiro com a obra por ter mostrado ao país as belezas naturais, ela diz que tem certeza de que irá encontrar o que via nas telas ao vivo e não esconde a ansiedade em conhecer o Pantanal.

Atualmente, a influencer tem 495 mil seguidores no TikTok e mais de 302 mil no Instagram. Desde criança, falava para a mãe que queria vender arte na praia e agora atravessa o país com Ísis e Ozzy.

Sim, é possível

O grande desafio da viagem, conforme explicou, não é tanto a segurança nem as demandas femininas que exigem cuidado, e sim a falta de reconhecimento.

“O reconhecimento é um dos grandes desafios na vida da mulher viajante, porque acredito que, quando é um homem viajando, um homem sozinho, realizando seus desejos, acho que, hoje em dia, também por conta da questão da segurança, da fama de que o mundo é perigoso, isso acaba sendo mais socialmente aceito.

Então, às vezes, me deparo com muitas situações em que preciso provar que é possível, provar que eu consigo, provar que não é por ser mulher que eu deveria desistir.”

Curiosidades

  • Viver na estrada não era um plano até Ana Clara perceber que estava vivendo no automatismo;
  • Nascida em São José dos Campos, ela começou a abrir mão da rotina do dia a dia após viagens curtas, como ao Rio de Janeiro, quando percebeu que queria cair na estrada;
  • Com esse desejo, veio o sentimento de que faltava alguma coisa - e foi então que ela entendeu que precisava da Ísis;
  • O dinheiro que juntou enquanto trabalhava pagou o Celta e custeou parte da viagem, que hoje é financiada pela rentabilização das redes sociais;
  • Ana Clara costumava desviar das capitais, mas, devido à receptividade, tem se surpreendido com elas (por isso pretende conhecer Campo Grande);
  • Apesar de Ísis ser amante de água, como a tutora diz: “ela não gosta de água que caia do céu” (leia-se: chuva e banho);
  • Ísis só entra no carro ou vai deitar quando é chamada, o que facilita na hora de limpar suas patinhas e evitar que suje a cama;
  • Pontos de apoio são fundamentais, e aplicativos ajudam a encontrar locais para motorhomes;
  • A novela Pantanal é um conforto para Ana Clara, que, quando sente vontade, assiste a alguns episódios.

 

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Capa da semana Correio B+

Entrevista exclusiva com a atriz Carine Pagliarini destaque no filme "Chorão: Só os Loucos Sabem"

"Foi muito interessante dar vida a uma personagem que teve um papel importante na trajetória emocional do Chorão"

30/08/2026 17h00

Entrevista exclusiva com a atriz Carine Pagliarini destaque no filme

Entrevista exclusiva com a atriz Carine Pagliarini destaque no filme "Chorão: Só os Loucos Sabem" Foto: Divulgação

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Depois de quase duas décadas dedicadas ao teatro, Carine Pagliarini vive um dos momentos mais especiais de sua carreira.

Com uma trajetória construída nos palcos, marcada por estudo, preparação e constante aperfeiçoamento, a atriz estreia em seu primeiro longa-metragem com lançamento comercial nos cinemas ao integrar o elenco de Chorão: Só os Loucos Sabem, cinebiografia inspirada na trajetória do eterno vocalista do Charlie Brown Jr. Para ela, fazer parte de uma produção dessa dimensão representa uma conquista importante e mais um passo em sua caminhada artística.

Selecionado para a Mostra Competitiva de Longas Brasileiros da 54ª edição do Festival de Cinema de Gramado antes mesmo de sua estreia comercial, Chorão: Só os Loucos Sabem chega cercado de expectativa.

Dirigido por Hugo Prata e Felipe Novaes e protagonizado por José Loreto, o longa reforça sua relevância ao levar às telas a trajetória de um dos maiores nomes do rock nacional.

“Sem dúvida, este é um momento muito especial da minha trajetória. Depois de tantos anos dedicados ao teatro, estudando, me aperfeiçoando e construindo meu caminho passo a passo, ver esse trabalho chegar a um projeto como Chorão: Só os Loucos Sabem é muito significativo. A principal mudança foi o amadurecimento. No início da carreira eu estava muito preocupada em acertar. Hoje eu entendo que atuar é sobre estar disponível, ouvir, viver a cena e confiar no processo.”

No longa, Carine interpreta Paloma, personagem que exerce um papel importante na trajetória emocional de Chorão. Embora não seja inspirada em uma pessoa real, a atriz conta que a construção da personagem marcou profundamente sua experiência durante as filmagens.

“Foi muito interessante dar vida a uma personagem que, mesmo não sendo baseada em uma pessoa real, teve um papel importante na trajetória emocional do Chorão. O que mais me marcou, além de ajudar a contar a história de uma pessoa que deixou um legado tão forte na música brasileira, foi a energia que eu sentia durante as filmagens. Em muitos momentos era como se a presença do Chorão estivesse ali acompanhando tudo.”

Com uma trajetória construída principalmente nos palcos, Carine acredita que foi o teatro que moldou sua identidade como atriz. Ao longo desse percurso, as experiências na televisão e no cinema ampliaram seu repertório e permitiram explorar novas possibilidades de interpretação.

“O teatro me deu disciplina, presença e uma base muito sólida como atriz. Já o cinema e a televisão me ensinaram a trabalhar com mais sutileza. Na câmera, um pequeno olhar ou uma pausa podem dizer muito. Aprender a transitar entre essas linguagens ampliou minhas possibilidades de interpretação e me tornou uma atriz mais versátil.”

A busca constante por aperfeiçoamento segue como uma das marcas de sua trajetória. Para Carine, compreender profundamente cada personagem é o que permite construir interpretações mais humanas e verdadeiras.

“Cada personagem traz desafios diferentes e, quanto mais repertório técnico e humano o ator possui, mais ferramentas ele tem para construir alguém de forma verdadeira. Gosto de entender quem aquele personagem realmente é, sua trajetória, seus medos, seus sonhos e suas motivações. Quanto mais eu conheço aquele universo, mais natural e verdadeira a interpretação se torna.”

Para Carine, a estreia de Chorão: Só os Loucos Sabem representa um marco importante em uma trajetória construída com dedicação ao teatro. A atriz espera que o filme abra caminho para novos desafios e personagens, dando continuidade ao percurso que vem construindo ao longo de quase duas décadas de carreira.

“Me atraem personagens cheias de camadas e contradições. Meu grande sonho é construir uma personagem cuja trajetória eu possa acompanhar do início ao fim, viver todas as fases dela e crescer junto com essa história. Espero que Chorão: Só os Loucos Sabem abra caminho para novos personagens e novas oportunidades. Meu objetivo é continuar trabalhando, vivendo papéis que me desafiem e evoluindo a cada projeto.”

Carine é a Capa do Correio B+ desta semana, e em entrevista exclusiva ao Caderno ele fala sobre carreira, teatro e seu novo filme.
 

Entrevista exclusiva com a atriz Carine Pagliarini destaque no filme "Chorão: Só os Loucos Sabem"A atriz Carine Pagliarini é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Divulgação - Diagramação: Denis Felipe
Por: Flávia Viana

CE - Você está perto de completar duas décadas de carreira. Quando olha para a atriz que começou e para a profissional que é hoje, o que mais mudou ao longo desse caminho?
CP -
Acho que a principal mudança foi a relação que construí comigo mesma como atriz. Quando comecei, existia uma necessidade muito grande de provar que eu era capaz, de acertar, de corresponder às expectativas.

Hoje tenho mais consciência de quem sou artisticamente e também de que a carreira é feita de ciclos, encontros, espera, oportunidades e recomeços.

Ganhei maturidade, repertório e, principalmente, mais confiança para confiar no meu próprio caminho. Continuo tendo sonhos e desafios, mas hoje os encaro de uma maneira muito mais consciente.

CE - Sua trajetória foi construída principalmente no teatro. Qual foi a importância dos palcos na formação da atriz que você se tornou?
CP -
 O teatro foi a minha grande escola. Foi no palco que aprendi a ouvir, a estar presente, a construir uma personagem e a entender que cada apresentação exige entrega e verdade. O teatro também me ensinou disciplina e resistência, porque é um trabalho muito vivo e, ao mesmo tempo, muito exigente.

Tudo isso faz parte da atriz que sou hoje. Mesmo quando estou diante de uma câmera, levo comigo muito do que aprendi nos palcos.

CE - Depois de tantos anos de profissão, como mudou a sua relação com cobranças, inseguranças e a necessidade de acertar?
CP - 
Elas continuam existindo, porque acho que a insegurança também faz parte do ofício de um artista, mas hoje eu não permito que ela tenha o mesmo espaço que tinha no início. Aprendi que não existe uma fórmula para uma carreira e que nem tudo está sob o nosso controle.

Antes eu talvez enxergasse um “não” como uma confirmação de que não era boa o suficiente. Hoje consigo entender que muitas vezes é apenas um “não” para aquele momento, para aquele projeto ou para aquela personagem. Isso traz uma liberdade muito grande.

CE - O estudo e a preparação acompanham a carreira de um ator mesmo depois de anos de experiência. Como você busca continuar se desenvolvendo artisticamente?
CP -
 Acredito que um ator nunca está completamente pronto. A experiência traz ferramentas, mas também aumenta a nossa consciência sobre o quanto ainda temos para aprender.

Continuo estudando, observando pessoas, consumindo cinema, teatro e outras formas de arte e buscando novas referências. Também acredito muito na preparação específica para cada trabalho. Cada personagem exige uma pesquisa diferente e é justamente isso que mantém a profissão interessante para mim.

Entrevista exclusiva com a atriz Carine Pagliarini destaque no filme "Chorão: Só os Loucos Sabem"A atriz Carine Pagliarini é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Lucas Ramos - Diagramação: Denis Felipe
Por: Flávia Viana

CE - “Chorão: Só os Loucos Sabem” marca sua estreia em um longa-metragem com lançamento comercial nos cinemas. O que essa conquista representa neste momento da sua trajetória?
CP -
 Representa uma conquista muito importante, especialmente por acontecer em um momento de maturidade da minha carreira e dentro de um projeto tão significativo.

Ter a oportunidade de estrear no cinema e ainda viver esse momento em um festival como o de Gramado, que tem tanta tradição e importância para o cinema brasileiro, torna tudo ainda mais especial. Fico muito feliz em poder fazer parte dessa história.

CE - No filme, você interpreta Paloma. Como foi o processo de construção da personagem e quais foram os principais desafios desse trabalho?
CP -
 Foi um trabalho de entender a personagem dentro da história e encontrar a medida certa para que ela tivesse verdade. Procurei construir a Paloma de forma natural, respeitando o espaço que ela ocupa na narrativa e a proposta do filme.

CE - Depois de uma trajetória tão ligada aos palcos, o que o cinema despertou de novo em você como atriz?
CP -
 O cinema me fez perceber ainda mais a força dos pequenos detalhes. No teatro, existe uma relação muito direta com o público e uma energia que se estabelece naquele espaço. No cinema, a câmera está muito próxima e consegue captar coisas muito sutis. Um olhar, uma pausa, uma respiração podem dizer muito. Foi um exercício de contenção e de escuta.

CE - Uma carreira de quase 20 anos também passa por momentos de espera, mudanças e incertezas. O que fez você permanecer na atuação e continuar acreditando nessa escolha?
CP -
 O amor pelo ofício. Se fosse apenas pela parte externa da profissão, talvez fosse muito mais difícil permanecer, porque é uma carreira que tem muita espera e nem sempre as coisas acontecem no tempo que imaginamos.

Mas atuar continua fazendo sentido para mim. Existe algo muito forte na possibilidade de contar histórias, experimentar outras vidas e tocar as pessoas através de uma personagem. Mesmo nos momentos de dúvida, nunca deixei de sentir que esse é o lugar onde quero estar.

CE - Existe algum lado seu como atriz que você sente que ainda não teve a oportunidade de mostrar ao público?
CP -
 Com certeza. Depois de tantos anos, ainda sinto que existe uma parte enorme de mim artisticamente que o público não conhece.

Tenho vontade de explorar personagens muito diferentes do que já fiz, inclusive papéis mais complexos, intensos e até personagens que me tirem completamente da minha zona de conforto. Acho que esse é um dos lados mais interessantes da profissão.

CE - Olhando para tudo o que já construiu e para o momento que vive agora, quais sonhos ainda deseja realizar na carreira?
CP - 
Quero continuar trabalhando e, principalmente, vivendo personagens que me desafiem e me façam crescer. Tenho vontade de fazer mais cinema, experimentar diferentes gêneros e personagens e ter a oportunidade de construir um personagem do início ao fim, acompanhando toda a sua trajetória e podendo me aprofundar verdadeiramente nessa construção.

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Um dos maiores nomes da dança brasileira, Thiago Soares retorna ao Rio com sua "Carmem"

Artista de trajetória consagrada nos principais palcos internacionais apresenta sua releitura latino-americana do clássico de Georges Bizet com a primeira bailarina do San Francisco Ballet, Sasha De Sola

30/08/2026 17h00

Um dos maiores nomes da dança brasileira, Thiago Soares retorna ao Rio com sua

Um dos maiores nomes da dança brasileira, Thiago Soares retorna ao Rio com sua "Carmem" Foto: Cainã Dittrich

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Um dos artistas brasileiros mais celebrados da dança internacional, Thiago Soares retorna aos palcos do Rio de Janeiro com “Carmem”, releitura do clássico de Georges Bizet criada para a Cia. de Dança Thiago Soares.

De 16 a 19 de setembro, no Teatro Multiplan, no VillageMall, o bailarino, coreógrafo e diretor artístico apresenta uma montagem que aproxima a personagem do universo latino-americano e combina a técnica clássica à dança contemporânea, às linguagens urbanas e à teatralidade.

Nas sessões de 17 e 19 de setembro, às 20h, o espetáculo contará com a participação especial de Sasha De Sola, primeira bailarina do San Francisco Ballet, em sua estreia no Brasil. Os ingressos estão à venda pela Sympla.

Conhecida por atravessar gerações como símbolo de desejo, sensualidade e insubmissão, Carmem ganha novos contornos nesta versão.

Mais do que a mulher fatal perpetuada pelo imaginário em torno da obra, ela surge como uma mulher consciente de suas escolhas, que se recusa a estabelecer suas relações a partir da ideia de posse. É essa liberdade, e o preço cobrado por ela, que conduz a narrativa.

A relação entre Carmem e José concentra o principal conflito da montagem. O que começa pelo desejo e pela paixão se transforma com a chegada do ciúme, do controle e da tentativa de determinar a liberdade do outro. Ao deslocar o foco da história, Thiago propõe uma leitura atual sobre a diferença entre amar alguém e acreditar que esse amor concede o direito de posse.

“Carmem sempre me interessou pela força da personagem e, principalmente, pelo que ela representa: liberdade, desejo e a recusa em pertencer a alguém. É uma obra muito conhecida, mas justamente por isso me interessava encontrar uma maneira de contá-la a partir do meu olhar e do nosso tempo. Minha intenção nunca foi simplesmente remontar um clássico, mas utilizar essa história como ponto de partida para construir uma linguagem própria”, afirma.

A música de Bizet permanece como um dos pilares da criação, mas a montagem não pretende reproduzir uma Espanha tradicional nem transportar literalmente a ópera para a dança. A narrativa se aproxima da América Latina, ganha características brasileiras e passa pela experiência dos corpos que estão em cena.

O vocabulário clássico convive com uma movimentação mais contemporânea, física e teatral, na qual os encontros, as tensões e os conflitos entre os personagens também constroem a dramaturgia.

Esse encontro entre a técnica clássica, as linguagens urbanas e a teatralidade acompanha Thiago desde o início de sua história com a dança.

Nascido em São Gonçalo e criado no Rio de Janeiro, ele começou pela dança de rua e pelo hip-hop antes de chegar ao balé clássico, aos 15 anos, no Centro de Dança Rio.

Dois anos depois, já integrava o corpo de baile do Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Em 2001, conquistou a medalha de ouro no Concurso Internacional de Ballet de Moscou, resultado que projetou seu nome internacionalmente.

Em 2002, ingressou no The Royal Ballet, em Londres, e, quatro anos depois, alcançou o posto de Principal Dancer, posição máxima dentro de uma das companhias mais prestigiadas do mundo.

Durante sua trajetória no grupo britânico, interpretou personagens centrais de obras como “Romeu e Julieta”, “O Lago dos Cisnes”, “Giselle”, “A Bela Adormecida”, “Manon”, “Mayerling” e “Onegin”, além de participar de processos criativos com alguns dos principais nomes da dança internacional.

Em 2004, recebeu o prêmio de Outstanding Male Artist na categoria clássica do Critics’ Circle National Dance Awards, no Reino Unido.

Um dos maiores nomes da dança brasileira, Thiago Soares retorna ao Rio com sua "Carmem"Um dos maiores nomes da dança brasileira, Thiago Soares retorna ao Rio com sua “Carmem” -  Foto: Cainã Dittrich

A dimensão internacional da temporada se amplia com a participação especial de Sasha De Sola, primeira bailarina do San Francisco Ballet, que fará em “Carmem” suas primeiras apresentações no Brasil.

Integrante da companhia norte-americana desde 2007, ela foi promovida a Principal Dancer em 2017 e, três anos depois, recebeu o título de Diane B. Wilsey Principal Dancer.

Em seu repertório estão personagens centrais do balé clássico e contemporâneo, como Aurora, de “A Bela Adormecida”, e Kitri, de “Dom Quixote”, além de obras como “O Lago dos Cisnes”, “Giselle”, “Romeu e Julieta”, “O Quebra-Nozes” e “Onegin”.

O encontro entre artistas com carreiras construídas em duas das mais prestigiadas companhias de dança do mundo poderá ser visto nas sessões de 17 e 19 de setembro, às 20h.

A rotina de Thiago ao longo desses anos consolidou não apenas sua técnica, mas sua compreensão sobre a construção de uma carreira. Ao retornar ao Brasil, o artista passou a direcionar essa experiência também para a criação coreográfica, a direção artística e a formação de outros bailarinos.

“Depois de tantos anos construindo minha carreira fora, comecei a sentir uma necessidade muito grande de devolver ao Brasil parte de tudo o que a dança me proporcionou. Voltar não significava encerrar minha trajetória internacional, mas iniciar um novo capítulo, no qual eu pudesse compartilhar experiência, criar e contribuir para o desenvolvimento de outros artistas”, explica.

A Cia. de Dança Thiago Soares nasceu, em 2025, desse novo momento. Com sede na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, o grupo mantém uma rotina de aulas, preparação técnica, ensaios e criação de repertório, além de desenvolver um trabalho voltado à profissionalização de jovens talentos.

A escolha dos bailarinos não se limita à execução: considera musicalidade, personalidade, presença cênica e disponibilidade para transitar entre diferentes qualidades de movimento. A técnica clássica sustenta o trabalho, mas dialoga com a dança contemporânea, as linguagens urbanas e a cultura brasileira na construção de uma identidade própria.

“Continuo sendo bailarino e continuo querendo estar no palco, mas hoje existe também uma responsabilidade e um desejo muito fortes de abrir caminhos, formar artistas e ajudar a construir novas possibilidades para a dança no Brasil”, diz Thiago.

Depois da temporada carioca de “Carmem”, a companhia pretende ampliar a circulação de seu repertório, estabelecer intercâmbios com outros artistas e instituições e fortalecer sua estrutura de trabalho no Rio de Janeiro.

Entre os projetos em desenvolvimento está uma montagem de “O Quebra-Nozes”, produção que amplia a atuação do grupo e dá continuidade ao projeto de construir, no Brasil, uma companhia capaz de dialogar com a dança produzida no mundo sem abrir mão de sua identidade.

Um dos maiores nomes da dança brasileira, Thiago Soares retorna ao Rio com sua "Carmem"Thiago Soares - Foto: Cainã Dittrich

SERVIÇO:

“Carmem” | Cia. de Dança Thiago Soares

Temporada: de 16 a 19 de setembro de 2026
Horários: quarta, quinta, sexta e sábado, às 20h; sábado também às 16h
Sessões com participação especial de Sasha De Sola: 17 e 19 de setembro, às 20h
Local: Teatro Multiplan – VillageMall
Endereço: Avenida das Américas, 3.900 – Barra da Tijuca – Rio de Janeiro/RJ
Ingressos: a partir de R$ 110
Vendas: Sympla
Duração: 80 minutos
Classificação etária: livre
Concepção, direção e coreografia: Thiago Soares
Convidada especial: Sasha De Sola

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