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Jovem que viaja em Celta acompanhada de Golden Retriever chega a MS

A bordo do veículo que passou por modificações, Ana Clara Uchôa, que pretende conhecer todos os estados do país, está encantada com a hospitalidade dos sul-mato-grossenses

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A jovem Ana Clara Uchôa, de 25 anos, com sua companheira Ísis, uma Golden Retriever de cinco anos, está em uma viagem pelo país a bordo de um Celta ano 2005, com 273 mil quilômetros rodados, que teve como primeira parada Coxim, município localizado a 253 km de Campo Grande.

Com a chegada em terras sul-mato-grossenses, esse é o 14º estado que Ana Clara, natural de São José dos Campos, visita com o Celta, que passou por uma adaptação, se transformando em um motorhome.

A bordo do veículo, batizado como Ozzy, na primeira etapa da viagem saiu de São Paulo até o Rio Grande do Norte e outras unidades da federação.

Na segunda fase,  com o  percurso repaginado, passou por Minas Gerais, Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso e, em uma mudança de rota que a trouxe até o Estado do Pantanal.

“Nosso objetivo é conhecer, zerar todos os estados brasileiros, são 26, estamos no 14°, e conhecer a América do Sul de Celtinha. O objetivo é conhecer a América do Sul. Então, entre idas e vindas pelo Brasil, conhecer todos os países e estados brasileiros”, explicou Ana Clara.

Ao cruzar a fronteira entre Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, uma alteração no planejamento de última hora muito comemorada, mesmo que a BR-163 estivesse com trecho em obras, a chegada foi de muita expectativa.

 

@anaclarauchoaa

meu deus obrigada cérebro por ser doido mas as vezes me dar uma trégua

som original - Ana Clara Uchôa

 

O objetivo está em Machu Picchu, no Peru. Por ora, a viagem acabou sendo dividida em duas etapas, o que envolveu mudança de rota e replanejamento do percurso.

Isso tem alegrado muito os sul-mato-grossenses que acompanham a viagem e agora se sentem mais próximos.

Mudança de vida

Antes mesmo da ideia tomar forma, o início da saga da dupla – inspirada na história do influencer brasileiro Jesse Koz, conhecido por viajar com seu fiel amigo Shurastey e seguido por Ana Clara nas redes sociais – de certo modo abriu a mente dela, que sempre possuíra o coração na estrada.

Afinal de contas, Ísis, que também é da raça Golden Retriever, passou a fazer parte da família em 2020. A influenciadora relata que sempre quis ter um cachorro e acabou ganhando sua companheira.

“Ísis chegou para mim com 43 dias de vida. Ela é de Bauru. Saí de São Paulo e fui até Bauru para pegá-la e, desde o primeiro momento que ela veio às minhas mãos, prometi que ela conheceria o mundo comigo. Eu tinha muita inspiração no Jesse e no Shurastey, que infelizmente não estão mais entre nós, mas eu amava a vida que ele proporcionava para o Shurastey. Eu sentia que aquele cachorro vivia de verdade”, contou Ana Clara.

Portanto, não poderia ter sido diferente: a semente plantada na infância de ser um espírito viajante e o desejo de compartilhar o mundo seria dividido com Ísis.

Como tudo na vida, o plano precisou ser adiado por algum tempo, por pelo menos quatro anos. Ana Clara tinha um trabalho convencional e mantinha uma rotina de passeio duas vezes por dia com a cachorra.

“Foi quando um dia cheguei em casa e vi que ela era um cachorro ansioso, que não fazia muita atividade física, ficava muito parada. Foi então que decidi mudar a vida da Ísis”.

O momento de virada aconteceu na vida das duas em 2023. A presença da cachorra é descrita como um gatilho, pois Ísis fez Ana Clara, por mais de uma vez, deixar de tomar decisões ruins para escolher as boas.

Passeios que tinham horário para acontecer em um determinado quadrante se estenderam por longas estradas; visitas a locais paradisíacos proporcionados pela vegetação do Cerrado. A coragem da exploradora Ana Clara levou Ísis a alcançar uma vida plena, em uma família que só é possível graças ao terceiro elemento de quatro rodas.

Ozzy


A viagem não sairia do lugar se não tivessem encontrado um meio de transporte que tornasse o sonho possível. Foi assim que, conversando com um mecânico e sem explicar as razões, Ana Clara pediu orientação para um carro econômico para algumas viagens - o que ninguém poderia imaginar que a levaria até agora por 14 estados.

Ela foi apresentada ao antigo dono do Celta, que recebeu o nome de Ozzy, e soube que o carro rodou do estado de São Paulo até a Bahia.

“Falei: ‘bom, então ele vai de novo’. Eu meio que senti que o Celtinha era meu, e aí, naquele mesmo dia, já fomos ao cartório, passei o carro para o meu nome e, desde então, ele é meu tratorzinho, meu filhote automotivo”.
 

Modificações


O Celtinha, como é carinhosamente conhecido, de quatro portas, passou por uma adaptação para se transformar no motorhome que abriga Ísis e Ana Clara na estrada.

Os bancos traseiros deram lugar a móveis planejados, como:

  • baú para ração da Ísis;
  • cozinha, geladeira, gaveta para talheres;
  • um colchão com espaço para as duas pernoitarem;
  • placas solares no teto que alimentam uma bateria extra (estacionária).
Reprodução Redes Sociais

Mato Grosso do Sul


Ao compreender que cada um é dono do próprio destino e que mudanças podem ocorrer no percurso, desde que a pessoa se sinta confortável, ocorreu o estalo, em Goiás, que faria os viajantes a bordo de Ozzy chegarem ao Estado do Pantanal.

“Foi o momento em que decidi que, do Mato Grosso, entraria em Mato Grosso do Sul e conheceria não só mais um estado, mas também outro país. Estou em Mato Grosso do Sul agora, já pensando na fronteira”.

Estabelecida, inicialmente, em Coxim, Ana Clara está surpresa com o número de seguidores que possui no Estado. Ao ponto de receber visitas, presentes e pessoas comentando em suas redes, pedindo para que ela venha até Campo Grande.

“Desde que as pessoas viram que estou em Mato Grosso do Sul, [a cidade de] Campo Grande tem sido uma disputa nos meus comentários: ‘você precisa passar, precisa passar’. Foi aí que vi que tenho um número muito grande de seguidores em Campo Grande e fiquei bem chocada, porque, como disse, o Estado não estava na minha rota e falei que bom que coloquei”.

Apaixonada por natureza e por água, assim como a própria Ísis, ela ficou encantada com o cerrado desde que chegou à região Centro-Oeste do país.

Acho que um dos sons mais bonitos do mundo é o da natureza, o som do silêncio, que você só ouve o mato fazendo barulho e os passarinhos cantando, que é como estou, com meu cachorro nadando e mordendo pedaço de pedra”, disse a influencer, enquanto Ísis nadava no rio Coxim".

O próximo destino é Rio Verde de Mato Grosso, para onde o Celtinha rumou no fim da manhã desta sexta-feira (25), a convite de seguidores, para conhecer as belezas naturais do município. E, como não poderia ser diferente, a amante da água, Ísis, está curtindo cada segundo.

 

 

Estadias confirmadas

  • Aquidauana;
  • Bonito;
  • e a vinda para um encontro na Cidade Morena não está descartada.

Pantanal


Da mesma forma que pontuou que se atirou de cabeça no Cerrado, ela se sente pronta para conhecer o Pantanal, por quem nutre profunda admiração, que nasceu ao assistir o remake da novela de Benedito Ruy Barbosa.

Não é à toa que, nas redes sociais, ela fez a brincadeira de que estava parecida com a protagonista Juma Marruá e que está em busca do seu Jove.

“Hoje em dia, se eu pudesse criar fanfic na minha cabeça, eu só queria morar na tapera da Juma, mas, como isso não vai acontecer, eu amo, posso dizer que sou fã número um da novela Pantanal, principalmente o remake. Amo a história da Juma e do Joventino, amo todas as histórias daquela novela”.

Trocando ideia com os seguidores, que tomaram conhecimento do orgulho do pantaneiro com a obra por ter mostrado ao país as belezas naturais, ela diz que tem certeza de que irá encontrar o que via nas telas ao vivo e não esconde a ansiedade em conhecer o Pantanal.

Atualmente, a influencer tem 495 mil seguidores no TikTok e mais de 302 mil no Instagram. Desde criança, falava para a mãe que queria vender arte na praia e agora atravessa o país com Ísis e Ozzy.

Sim, é possível

O grande desafio da viagem, conforme explicou, não é tanto a segurança nem as demandas femininas que exigem cuidado, e sim a falta de reconhecimento.

“O reconhecimento é um dos grandes desafios na vida da mulher viajante, porque acredito que, quando é um homem viajando, um homem sozinho, realizando seus desejos, acho que, hoje em dia, também por conta da questão da segurança, da fama de que o mundo é perigoso, isso acaba sendo mais socialmente aceito.

Então, às vezes, me deparo com muitas situações em que preciso provar que é possível, provar que eu consigo, provar que não é por ser mulher que eu deveria desistir.”

Curiosidades

  • Viver na estrada não era um plano até Ana Clara perceber que estava vivendo no automatismo;
  • Nascida em São José dos Campos, ela começou a abrir mão da rotina do dia a dia após viagens curtas, como ao Rio de Janeiro, quando percebeu que queria cair na estrada;
  • Com esse desejo, veio o sentimento de que faltava alguma coisa - e foi então que ela entendeu que precisava da Ísis;
  • O dinheiro que juntou enquanto trabalhava pagou o Celta e custeou parte da viagem, que hoje é financiada pela rentabilização das redes sociais;
  • Ana Clara costumava desviar das capitais, mas, devido à receptividade, tem se surpreendido com elas (por isso pretende conhecer Campo Grande);
  • Apesar de Ísis ser amante de água, como a tutora diz: “ela não gosta de água que caia do céu” (leia-se: chuva e banho);
  • Ísis só entra no carro ou vai deitar quando é chamada, o que facilita na hora de limpar suas patinhas e evitar que suje a cama;
  • Pontos de apoio são fundamentais, e aplicativos ajudam a encontrar locais para motorhomes;
  • A novela Pantanal é um conforto para Ana Clara, que, quando sente vontade, assiste a alguns episódios.

 

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Cinema Correio B+

Pretty in Pink aos 40: o final reescrito, a trilha e o filme que definiu uma geração

Quatro décadas depois, o clássico de John Hughes segue atual ao revelar como classe, desejo e música moldaram uma das histórias mais influentes do cinema adolescente

16/05/2026 13h00

Pretty in Pink aos 40: o final reescrito, a trilha e o filme que definiu uma geração

Pretty in Pink aos 40: o final reescrito, a trilha e o filme que definiu uma geração Foto: Divulgação

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Nos anos 1980, adolescentes aprenderam rapidamente a reconhecer — e a esperar — os filmes assinados por John Hughes. O diretor que parecia saber “falar com a juventude” partia de fórmulas simples, mas o que o distinguia era menos a estrutura e mais o olhar: havia empatia, havia observação, e havia um interesse genuíno por personagens que o cinema raramente colocava no centro.

Em O Clube dos Cinco e Gatinhas e Gatões, os improváveis protagonistas deixavam de ser coadjuvantes sociais para se tornarem narradores de histórias sobre formatura, primeiro beijo e os desencontros silenciosos com os pais.

Em 1986, Hughes consolida esse movimento com um clássico imediato: A Garota de Rosa Shocking (Pretty in Pink), um filme que, quatro décadas depois, não funciona apenas como registro de uma geração, mas como um modelo emocional de como o cinema aprendeu a olhar para a juventude sem reduzir suas contradições.

Com roteiro de Hughes e direção de Howard Deutch, o filme nasce de um gesto simples e raro: levar adolescentes a sério. Não como arquétipos, mas como sujeitos atravessados por classe, desejo, vergonha e pertencimento.

A história de Andie Walsh, uma jovem de origem humilde que se apaixona por um garoto rico em meio a um ambiente hostil, é estruturalmente simples, mas emocionalmente precisa. É esse deslocamento — do clichê para a experiência — que sustenta sua longevidade cultural.

A lógica de classe que organiza o desejo

Se existe algo que diferencia Pretty in Pink de outras comédias românticas adolescentes da época, é a forma como o filme inscreve o romance dentro de uma estrutura social clara. Andie não é apenas uma outsider por estilo ou personalidade.

Ela é economicamente deslocada. A escola funciona como um microcosmo de hierarquias que não precisam ser explicadas porque já estão naturalizadas.

Blane, o interesse amoroso, não representa apenas um ideal romântico. Ele é também o acesso a um mundo que Andie observa de fora. E é justamente essa interseção entre desejo e pertencimento que o filme recusa simplificar. Quando Blane hesita, quando se afasta pressionado pelos amigos, o que está em jogo não é apenas covardia emocional, mas a dificuldade de atravessar uma barreira que o próprio filme insiste em tornar visível.

Nesse sentido, o conflito nunca foi exatamente um triângulo amoroso entre Andie, Blane e Duckie. O que se disputa ali é a possibilidade de circular entre mundos que não se misturam com facilidade.

Duckie e o gesto que atravessa gerações

Quarenta anos depois, poucas cenas resistem com tanta força quanto a dança de Duckie ao som de Try a Little Tenderness. O que poderia ser apenas um momento excêntrico se transforma, com o tempo, em uma espécie de manifesto involuntário sobre exposição e vulnerabilidade.

O próprio Jon Cryer revisitou recentemente a cena como um ponto de afirmação do personagem, um instante em que Duckie tenta provar seu valor em um mundo que o marginaliza.

Na época, parte do elenco considerou o momento constrangedor. Hoje, ele funciona como um dos gestos mais reconhecíveis do cinema adolescente, justamente porque não busca aprovação.

Há algo de profundamente contemporâneo nessa leitura. Em um ambiente cultural que recompensa a curadoria da imagem, Duckie permanece como um corpo fora de lugar que insiste em existir sem mediação.

Um final reescrito e o que ele revela

Um dos aspectos mais reveladores da história de Pretty in Pink está fora da tela. O final original previa que Andie terminaria com Duckie, mas a reação negativa do público em testes levou John Hughes a reescrever o desfecho, substituindo-o pelo encontro com Blane no baile.

Essa mudança não é apenas uma curiosidade de bastidor. Ela revela o quanto o filme já operava dentro de uma negociação com as expectativas do público. A lógica do conto de fadas — a ideia de que a protagonista deve terminar com o objeto de desejo — se impõe sobre a alternativa mais ambígua, reorganizando não apenas o final, mas a própria leitura emocional da história.

No ano seguinte, Howard Deutch e Hughes parecem revisitar essa decisão em Some Kind of Wonderful. O filme de 1987 funciona quase como uma variação estrutural de Pretty in Pink, mas desta vez mantendo o desfecho que havia sido abandonado: a escolha pelo melhor amigo, pela intimidade construída fora das hierarquias sociais.

Pretty in Pink aos 40: o final reescrito, a trilha e o filme que definiu uma geraçãoPretty in Pink aos 40: o final reescrito, a trilha e o filme que definiu uma geração - Divulgação

Ainda assim, embora tenha conquistado seu próprio público ao longo do tempo, nunca se aproximou do impacto cultural do filme anterior, como se a resolução mais coerente emocionalmente não fosse necessariamente a mais potente dentro do imaginário coletivo.

Mesmo tendo que alterar o fim, Pretty in Pink ainda tenta preservar Duckie, oferecendo a ele um gesto de continuidade, quase como uma promessa de que sua história não termina ali. É um compromisso curioso entre frustração e consolo, que diz muito sobre o tipo de romantismo que o cinema dos anos 1980 estava disposto a sustentar.

A trilha sonora como narrativa

Poucos filmes incorporaram a música de forma tão orgânica quanto Pretty in Pink. Não como pano de fundo, mas como extensão emocional dos personagens. O próprio John Hughes deixou claro que a trilha nunca foi um elemento secundário, mas parte central da construção do filme.

O diretor Howard Deutch inicialmente pensava em uma abordagem mais tradicional, baseada em música incidental, mas Hughes interfere diretamente nessa decisão ao insistir no uso de canções contemporâneas — não como hits isolados, mas como uma curadoria capaz de dialogar com o estado emocional das cenas.

A seleção mistura new wave, pós-punk e soul de maneira que hoje parece não apenas representativa, mas definidora de uma época. Esse desenho fica ainda mais evidente no processo de construção do final. Antes da mudança, o Orchestral Manoeuvres in the Dark havia composto Goddess of Love, pensada para o desfecho original com Duckie.

Com a alteração da narrativa, Hughes pede uma nova música que funcione emocionalmente para o reencontro entre Andie e Blane. OMD escreve If You Leave em menos de 24 horas.

O resultado não é apenas funcional. A música redefine o final, suaviza o conflito de classe, desloca a ambiguidade e entrega ao público uma sensação de resolução que o roteiro, por si só, talvez não sustentasse.

Esse é um ponto-chave para entender a trilha como curadoria. Ela não acompanha a história. Em momentos decisivos, ela a reorganiza.

Essa lógica explica por que tantas faixas parecem não apenas encaixar, mas definir momentos. Left of Center, de Suzanne Vega, não é apenas uma música; funciona quase como uma descrição da própria Andie. 

Please Please Please Let Me Get What I Want, dos Smiths, condensa o desejo adolescente em sua forma mais crua. E Bring on the Dancing Horses, do Echo & The Bunnymen, acrescenta uma camada de deslocamento que reforça a sensação de inadequação dos personagens.

Quarenta anos depois, o impacto dessa curadoria ainda é visível. Pretty in Pink ajudou a consolidar um modelo que se tornaria dominante nos anos seguintes: o de trilhas compostas por canções cuidadosamente selecionadas, capazes de viver fora do filme sem perder conexão com ele.

Mas talvez o mais interessante seja perceber que essa trilha não funciona apenas como nostalgia. Ela continua operando porque traduz algo que o filme também entende bem: a adolescência não é silenciosa. Ela se organiza por referências, por músicas, por aquilo que se escuta para tentar dar forma ao que ainda não se sabe nomear.

E, nesse sentido, Pretty in Pink não apenas usou música. Ele ajudou o cinema a escutar seus personagens. O relançamento em vinil rosa, com a inclusão de faixas como Otis Redding e Talk Back, não é apenas uma estratégia de mercado, mas o reconhecimento de que essa trilha continua sendo uma das mais influentes do cinema moderno, frequentemente listada entre as melhores já feitas.

O retorno aos cinemas e o que ainda resiste

Em 2026, Pretty in Pink voltou às salas em versão remasterizada em 4K, acompanhada de material inédito com Howard Deutch, reforçando algo que o tempo já tinha demonstrado: esse não é um filme que depende da nostalgia para existir.

Ele continua sendo revisitado porque ainda oferece uma leitura reconhecível sobre pertencimento, desejo e identidade. E talvez seja esse o ponto mais interessante ao olhar para seus 40 anos. O que poderia ter se tornado apenas um artefato dos anos 1980 permanece ativo porque nunca foi apenas sobre aquela década.

Foi, desde o início, sobre o desconforto de tentar ocupar um lugar no mundo sem saber exatamente onde esse lugar está.

E essa não é uma questão que envelhece.

CULINÁRIA

Conheça três adaptações de receitas clássicas sem a adição de farinha de trigo

Conheça três adaptações de receitas clássicas para celíacos; farinha de arroz, fécula de batata e amidos são opções sem glúten para substituir o trigo tradicional

16/05/2026 10h30

A farinha de arroz, ingrediente utilizado nessa quiche, é um dos principais substitutos da farinha de trigo, por isso muito utilizado em pratos salgados

A farinha de arroz, ingrediente utilizado nessa quiche, é um dos principais substitutos da farinha de trigo, por isso muito utilizado em pratos salgados Fotos/Divulgação

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Celebrado neste sábado, o Dia do Celíaco chama atenção para a necessidade de uma alimentação totalmente livre de glúten para pessoas diagnosticadas com doença celíaca.

A condição exige mudanças permanentes na rotina, atenção aos ingredientes utilizados e cuidados rigorosos para evitar contaminação cruzada durante o preparo dos alimentos.

Considerada uma doença autoimune e inflamatória, a doença celíaca é desencadeada pela ingestão de glúten, proteína presente no trigo, na cevada e no centeio.

Quando consumido por pessoas celíacas, o glúten provoca uma reação do organismo que atinge principalmente o intestino delgado, prejudicando a absorção de nutrientes e podendo desencadear sintomas como dores abdominais, diarreia, anemia, fadiga, perda de peso e desconfortos gastrointestinais recorrentes. Em alguns casos, os sinais são mais discretos, o que contribui para o subdiagnóstico.

Estudos científicos apontam que cerca de 1% da população mundial convive com a doença celíaca, embora muitos pacientes ainda não saibam que têm a condição.

Por isso, a data também reforça a importância da informação, do diagnóstico precoce e da ampliação do acesso a alimentos seguros e inclusivos.

Nos últimos anos, o mercado alimentício passou a oferecer mais opções voltadas ao público celíaco, impulsionando adaptações culinárias que permitem manter receitas tradicionais no cardápio sem abrir mão do sabor.

Ingredientes naturalmente sem glúten, como farinha de arroz, fécula de batata e amidos vegetais, ganharam espaço nas cozinhas domésticas e na indústria alimentícia, possibilitando versões alternativas de massas, salgados, pães e sobremesas.

Além de atender pessoas com doença celíaca, as adaptações também atendem consumidores que buscam reduzir o consumo de glúten no dia a dia ou experimentar novas possibilidades culinárias. 

Veja a seguir releituras de pratos clássicos bastante presentes na rotina dos brasileiros. As receitas utilizam ingredientes alternativos ao trigo e mostram que é possível adaptar preparos tradicionais de maneira prática, acessível e saborosa.

Massa de pastel com vários recheios

Ingredientes

Para a massa

  •  2 xícaras (chá) de farinha de arroz (300 g);
  •  1 xícara (chá) de fécula de batata (200 g);
  •  ½ xícara (chá) de amido de milho (50 g);
  •  4 ovos;
  •  1 colher (sopa) de azeite de oliva (13 ml);
  •  2 colheres (sopa) de óleo vegetal (26 ml);
  •  ½ xícara (chá) de água (140 ml);
  •  1 ½ colher (chá) de sal (7,5 g);
  •  1 colher (chá) de fermento químico (4 g);
  •  1 gema de ovo para pincelar.


Para o recheio de frango cremoso

  •  2 peitos de frango;
  •  6 xícaras (chá) de água;
  •  2 colheres (sopa) de óleo;
  •  2 cebolas picadas;
  •  2 tomates sem pele picados;
  •  Sal, pimenta do reino e salsinha picada a gosto;
  •  1 vidro de requeijão cremoso.

Para o recheio de carne refogada

  •  500 g de carne moída;
  •  1 cebola pequena;
  •  1 colher (sopa) de azeite;
  •  Sal a gosto;
  •  4 tomates sem pele;
  •  Pimenta do reino moída a gosto;
  •  Cheiro-verde picado a gosto.

Modo de Preparo

Massa

Em um recipiente, coloque a farinha de arroz, a fécula de batata, o amido de milho, o fermento e o sal. Faça uma cavidade no meio desses ingredientes e adicione o óleo vegetal, o azeite de oliva, os ovos (passe os ovos em uma peneira para evitar pontos amarelos na massa), e misture. Adicione a água e mexa até que não grude nas mãos ou no recipiente.

Deixe a massa descansar na geladeira por 30 minutos antes de abri-la.

Preaqueça o forno a 180° C por 10 minutos.

Em uma superfície lisa e limpa polvilhe a farinha de arroz e abra a massa com as mãos. Polvilhe a massa com a farinha e termine de espichá-la com o auxílio de um rolo também enfarinhado.

Quando a massa estiver fina, corte no formato desejado e adicione o recheio de sua preferência. Feche os pastéis.

Coloque-os em uma forma antiaderente e pincele a sua superfície com uma gema de ovo. Asse por 15 minutos a 180° C.
recheio de frango cremoso

Cozinhe os peitos de frango na água temperada com um pouco de sal e pimenta até ficarem macios. Escorra e desfie. Aqueça o óleo e doure a cebola.

Adicione o tomate e mexa até murchar. Junte o frango desfiado e cozinhe por alguns minutos. Acrescente o requeijão cremoso e misture bem. Acerte o sal, tempere com pimenta do reino e a salsinha. Aguarde esfriar para utilizar.

Recheio de carne refogada

Aqueça uma panela com o azeite. Refogue a cebola. Acrescente a carne e frite até que fique bem sequinha. Junte os tomates e refogue por alguns minutos. Tempere com o sal e a pimenta e junte o cheiro-verde picado. Misture bem.

Quiche lorraine

Ingredientes

Para a massa

  •  2 xícaras (chá) de farinha de arroz;
  •  125 g de manteiga gelada cortada em cubos;
  •  1 pitada de sal;
  •  100 ml de água gelada;
  •  50 ml de azeite.

Para o recheio

  •  50 ml de azeite;
  •  150 g de bacon em cubos;
  •  4 ovos;
  •  400 ml de creme de leite;
  •  120 g de queijo emmental ralado;
  •  Sal e pimenta-do-reino a gosto;
  •  10 g de noz-moscada.

Para a montagem

  •  4 ovos;
  •  400 g de farinha de linhaça dourada;
  •  400 g de farinha panko.

Modo de Preparo

Para fazer a massa, em um recipiente, misture a farinha de arroz, o sal e a manteiga com a ponta dos dedos, até formar uma farofa. Acrescente a água gelada aos poucos, até que a massa fique homogênea.

Coloque na geladeira coberta por um filme plástico por 25 minutos. Em seguida, abra a massa e forre a forma untada com o azeite. Faça furos na massa com um garfo e coloque para assar no forno preaquecido a 180° C por 10 minutos.

Para o recheio, em uma frigideira, aqueça o azeite e frite o bacon em fogo baixo até dourar. Retire e deixe escorrer. Em um recipiente junte os ovos, o creme de leite e o queijo ralado e misture bem com a ajuda de um fouet. Tempere com sal, pimenta e noz-moscada. Em seguida, acrescente o bacon.

Despeje a mistura uniformemente sobre a massa pré-assada e volte novamente ao forno por mais 25 minutos ou até começar a dourar e o recheio ficar firme. Desenforme e sirva em seguida.

Coxinha de batata-doce

Ingredientes

Para a massa

  •  4 batatas-doces cozidas e amassadas;
  •  1 colher (sopa) de azeite;
  •  Sal;
  •  2 colheres (sopa) de farinha de arroz.

Para o recheio

  •  1 xícara (chá) de azeite;
  •  2 dentes de alho amassados;
  •  ½ cebola cortada em cubos;
  •  400 g de frango desfiado;
  •  2 tomates sem sementes cortados em cubos;
  •  Sal e pimenta-do-reino a gosto;
  •  250 g de creme de ricota ou requeijão;
  •  Cebolinha ou salsinha picada (opcional).

Para a montagem

  •  4 ovos;
  •  400 g de farinha de linhaça dourada;
  •  400 g de farinha panko.

Modo de Preparo

  • Refogue a cebola e o alho na manteiga. 
  • Acrescente os cogumelos até dourar. 
  • Adicione o arroz e mexa por dois minutos. 
  • Coloque o vinho e espere evaporar. 
  • Aos poucos, adicione o caldo (uma concha por vez), mexendo sempre. 
  • Quando o arroz estiver al dente e cremoso (cerca de 18 minutos), desligue o fogo. 
  • Incorpore o parmesão e a salsinha. Sirva imediatamente.

 

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