Por alguns dias, Campo Grande se transforma em quintal, palco e espaço de brincadeira. É a proposta da Mostra Cerrado Abierto – Fazendo Arte com Crianças de Ontem, de Hoje e de Amanhã, que começa nesta sexta-feira e segue até o dia 9 de outubro com uma programação dedicada às diferentes formas de viver a infância.
Em uma edição especial chamada de Cerradinho, a mostra reúne 15 atrações, entre dança, teatro, circo, contação de histórias, oficinas, intervenções e brincadeiras. Participam grupos e artistas de Mato Grosso do Sul, São Paulo e Goiás, em atividades que ocupam escolas e espaços culturais da Capital. A programação é gratuita e voltada a crianças, famílias e públicos de todas as idades.
Muito além de apresentar espetáculos para o público infantil, a proposta desta edição é colocar a própria experiência de brincar no centro das atividades. O corpo, a memória, a imaginação, os objetos, as histórias e o território aparecem como ferramentas para que as crianças não sejam apenas espectadoras, mas possam experimentar diferentes maneiras de estar e criar no mundo.
É nesse sentido que o Cerrado, presente no nome e na identidade da mostra, funciona também como inspiração. O projeto nasceu com o propósito de conhecer e revelar o bioma a partir de Campo Grande e de Mato Grosso do Sul, aproximando artistas, pesquisadores e públicos de diferentes regiões. Nesta edição, a relação com o território passa pela infância e pela ideia de que brincar também pode ser uma maneira de conhecer o lugar onde se vive.
PROGRAMAÇÃO COMPLETA
A programação começa na manhã desta sexta-feira, quando a Cia. Dançurbana leva a oficina-instalação Pés de Vento à Escola Municipal de Ensino Infantil (Emei) Maria de Lourdes Vieira Castoldi. A atividade cria um espaço brincante dentro da escola, aproximando dança e experimentação.
À tarde, na Escola Gappe, o grupo paulista Zumb.boys conduz a oficina Jeito Zumb.boys, seguida pela apresentação de “Mané Boneco”. O trabalho da companhia parte da dança urbana e da relação do corpo com o espaço, explorando possibilidades de movimento e interação.
O primeiro dia de programação aberta ao público acontece neste sábado, com três atividades concentradas no Teatro de Arena do Horto Florestal e no Sesc Teatro Prosa.
Às 15h, o Teatro de Arena recebe o Zumb.boys, com “Mané Boneco”. A intervenção tem como referência o tradicional brinquedo brasileiro mané-gostoso, boneco de madeira com braços e pernas articulados por cordões.
A partir desse brinquedo simples, a companhia constrói uma experiência de dança relacionada à memória afetiva e ao ato de brincar. Os movimentos dos intérpretes estabelecem uma espécie de jogo com o público, criando situações em que as crianças podem reconhecer gestos e brincadeiras e, aos poucos, sentir-se parte da ação.
A escolha do brinquedo como ponto de partida também aproxima diferentes gerações. O mané-gostoso pertence a um repertório de objetos que atravessaram gerações de crianças e, na montagem, é transformado em referência para uma criação contemporânea de dança.
Às 15h30min, a programação continua no Horto com a palhaça Mixirica, interpretada pela artista sul-mato-grossense Kelly Figueiredo. Em formato de cortejo, a personagem convida as crianças a transformar o próprio caminho em brincadeira.
A proposta é de experimentar diferentes maneiras de caminhar, imitar movimentos, dançar e inventar percursos. Em vez de estabelecer uma separação rígida entre palco e plateia, a atividade utiliza o espaço público como lugar de encontro, permitindo que o público participe diretamente da ação.
“A Fabulosa História do Guri-Árvore”, do Fulano di Tal - Foto: Vaca AzulDepois, às 16h, é a vez do Fulano di Tal entrar em cena no Sesc Teatro Prosa com “A Fabulosa História do Guri-Árvore”. Livremente inspirada na obra de Manoel de Barros, a montagem utiliza o teatro de objetos para construir histórias relacionadas ao quintal e ao universo da infância.
A escolha de Manoel de Barros também aproxima a programação de uma referência literária profundamente ligada ao imaginário de Mato Grosso do Sul. Em sua poesia, objetos aparentemente banais, pequenos acontecimentos e elementos da natureza podem adquirir novas dimensões. No espetáculo, essa perspectiva aparece em uma narrativa voltada à imaginação infantil.
Na segunda-feira, a programação segue com dança e circo. Pela manhã, às 9h, a Cia. Dançurbana apresenta “K-zuu” na Emei Maria de Lourdes Vieira Castoldi.
À tarde, o Teatro de Arena do Horto Florestal recebe o Circo do Mato, às 14h, com “O Grandioso Mini Cirquim das Arábias”. A montagem recupera elementos das antigas lonas circenses e combina teatro de repertório com técnicas de picadeiro.
A companhia utiliza referências da cultura árabe para recriar números circenses e recuperar uma ideia de circo ligada ao encantamento, à simplicidade e à relação direta com o público. A apresentação será seguida, às 14h45min, por outro cortejo da palhaça Mixirica.
Às 15h30min, o Circo do Mato volta ao espaço para a oficina Jogos Cênicos e Equilibrismo, em que o universo circense deixa de ser apenas algo a ser assistido e passa a ser experimentado pelos participantes.
Na terça-feira, às 8h, a Cia. Dançurbana conduz novamente “Pés de Vento”, desta vez na Emei Profa. Ayd Camargo Cesar. À tarde, às 15h, o Sesc Teatro Prosa recebe o grupo goiano Ateliê do Gesto, com “Fica Comigo”.
A montagem acompanha um antigo guardador de memórias que passou a vida armazenando suas lembranças nos porões da imaginação. Quando decide reviver momentos importantes, ele conta com a ajuda de três bonecos que ganham vida.
Por meio da dança, a história trabalha a relação entre memória e passagem do tempo. A presença dos bonecos acrescenta outra camada ao espetáculo, transformando objetos em personagens e lembranças em movimento.
“Fica Comigo” será apresentado novamente na quarta-feira (7), às 15h, no Sesc Teatro Prosa. Antes, às 9h, a Cia. Dançurbana apresenta “K-zuu” na Emei Profa. Ayd Camargo Cesar.
Na reta final da mostra, outras manifestações artísticas ampliam a relação entre infância, território e cultura.
Na quinta-feira (8), o grupo sul-mato-grossense Renda que Roda realiza a oficina e mediação Ensaios ou Brincadeiras para Espantar os Monstros, às 8h, na Escola Municipal de Tempo Integral (ETI) Profa. Ana Lucia de Oliveira Batista. Às 10h10in, o grupo apresenta “Kalivôno”.
No período da tarde, o Teatro de Arena do Horto Florestal recebe o grupo paulista Lagartixa na Janela. Às 14h, a companhia conduz a oficina Dançando Juntos e, às 15h30min, apresenta “Com as Coisas”.
Na sexta-feira (9), último dia da mostra, o Renda que Roda leva a oficina Ensaios ou Brincadeiras para Espantar os Monstros e o espetáculo “Kalivôno” à ETI Profª Iracema Maria Vicente.
A programação também abre espaço para conhecimentos e narrativas indígenas. Às 14h, a artista e multiartista indígena Jadi Ribeiro, de Mato Grosso do Sul, conduz a oficina Grafismo Indígena como Linguagem, no Centro Cultural José Octávio Guizzo.
No mesmo espaço, às 15h, a artista e escritora indígena Gleycielli Nonato Guató apresenta a contação de histórias “A Revolução de Cati Guató – Em Busca da Semente da Vida”.
O encerramento acontece às 16h, também no Centro Cultural José Octávio Guizzo, com uma roda de danças populares brasileiras, realizada pelo Renda que Roda.
Todas as apresentações contarão com intérprete de Libras.
>> SERVIÇO
Mostra Cerrado Abierto – Fazendo Arte com Crianças de Ontem, de Hoje e de Amanhã
Data: do dia 2 ao dia 9 de outubro.
Entrada: gratuita.



