Com a chegada do inverno, os casacos deixam o armário e as bebidas quentes passam a fazer parte da rotina. Dentro de casa, porém, um dos maiores aliados contra as baixas temperaturas está no quarto. Preparar uma cama confortável, quente e aconchegante faz toda a diferença para garantir noites de sono mais agradáveis, especialmente durante os dias mais frios.
Mais do que um detalhe de decoração, a escolha da roupa de cama influencia diretamente no conforto térmico e na qualidade do descanso.
Entre os materiais que vêm conquistando espaço está a microfibra, tecido sintético conhecido por reunir aquecimento, leveza e praticidade em um único produto.
Utilizada em edredons, mantas, cobertores e até jogos de cama, a microfibra se tornou uma alternativa para quem procura bom desempenho térmico sem gastar tanto quanto em tecidos naturais de alta gramatura.
Além disso, sua manutenção simples faz dela uma opção bastante procurada para o uso diário.
LEVEZA QUE AQUECE
Um dos principais diferenciais da microfibra é conseguir oferecer aquecimento sem adicionar peso excessivo à cama.
Diferentemente de cobertores muito pesados, o tecido mantém o corpo aquecido graças às fibras extremamente finas, que criam pequenas bolsas de ar responsáveis por reter o calor corporal. O resultado é uma sensação de conforto sem aquela impressão de estar “preso” sob diversas camadas de cobertas.
Essa característica faz com que muitas pessoas consigam reduzir a quantidade de cobertores utilizados durante o inverno, tornando o descanso mais confortável e agradável.
Outro ponto forte é o isolamento térmico eficiente. Como as fibras da microfibra são ultrafinas e bastante compactas, elas dificultam a troca de calor entre o corpo e o ambiente externo.
Na prática, isso significa que o calor produzido pelo próprio organismo permanece por mais tempo sob as cobertas.
Para quem mora em regiões onde as temperaturas caem durante a madrugada, essa característica representa um ganho importante de conforto.
Além de aquecer, a microfibra também chama atenção pela textura. Cobertores e edredons confeccionados com acabamento plush ou flannel, por exemplo, apresentam toque extremamente macio e aveludado.
A sensação é semelhante à de um tecido felpudo, tornando a cama ainda mais convidativa.
Outro benefício é que o tecido costuma ser bem-aceito até mesmo por pessoas com pele sensível, já que apresenta superfície lisa e confortável.
CUSTO-BENEFÍCIO
Por ser formada por fibras sintéticas resistentes, a microfibra também tende a suportar o uso frequente sem perder suas características principais. A capacidade de isolamento térmico permanece eficiente por vários anos quando a peça recebe os cuidados básicos de conservação.
Além disso, a microfibra resiste bem às lavagens, mantendo o toque macio, a cor e o formato original por muito mais tempo do que alguns tecidos convencionais.
Essa durabilidade reduz a necessidade de substituições frequentes, tornando o custo-benefício bastante atrativo.
Outro fator que contribui para a popularidade da microfibra é a facilidade de manutenção.
As peças podem ser lavadas normalmente na máquina, secam rapidamente e, na maioria dos casos, dispensam o uso do ferro de passar, já que praticamente não amassam.
Durante o inverno, quando as roupas costumam demorar mais para secar por causa das temperaturas mais baixas e da menor incidência de sol, essa característica faz bastante diferença.
Além disso, o tecido não costuma acumular tantos pelos, poeira ou sujeiras superficiais, facilitando a limpeza no dia a dia.
Embora seja muito associada ao inverno, a microfibra também pode ser utilizada durante o restante do ano.
Isso acontece porque existem versões com diferentes espessuras e enchimentos. Em épocas mais frias, entram em cena os edredons volumosos e as mantas mais encorpadas. Já nas estações intermediárias, versões mais leves continuam oferecendo conforto sem provocar excesso de calor.
Essa versatilidade permite que o investimento seja aproveitado por muito mais tempo.
LIMITAÇÕES
Apesar das inúmeras vantagens, a microfibra não é perfeita para todos os perfis de usuários.
Por ser produzida com fibras sintéticas – normalmente poliéster –, sua respirabilidade é menor quando comparada aos tecidos naturais, como o algodão.
Quem costuma transpirar bastante durante o sono pode sentir uma sensação de abafamento em noites menos frias.
Outro detalhe é a possibilidade de formação de eletricidade estática em regiões muito secas. Os pequenos estalos provocados pelo atrito entre o tecido e o corpo são comuns em materiais sintéticos, embora geralmente não representem nenhum risco.
Essas características não diminuem a qualidade da microfibra, mas indicam que o material pode funcionar melhor quando combinado com outros tecidos.
COMO USAR
Especialistas em cama posta costumam recomendar a união do conforto térmico da microfibra com a respirabilidade do algodão.
Nesse caso, a sugestão é utilizar lençóis de algodão, flanela ou malha diretamente em contato com a pele e edredons, mantas ou cobertores de microfibra como camada externa de aquecimento.
Essa combinação permite que o algodão absorva a umidade produzida pelo corpo durante o sono, enquanto a microfibra funciona como uma eficiente barreira contra o frio.
O resultado é uma cama mais equilibrada, confortável e adequada para diferentes condições climáticas.
Além da escolha dos tecidos, alguns detalhes ajudam a transformar o quarto em um ambiente ainda mais acolhedor.
A primeira dica é apostar na técnica das camadas. Comece com o lençol de elástico e o lençol superior bem esticados. Em seguida, utilize um edredom volumoso ou um cobertor térmico como camada principal.
Para finalizar, acrescente uma manta de tricô, plush ou outro tecido felpudo aos pés da cama. Além de reforçar o aquecimento, ela cria um efeito visual sofisticado.
Os travesseiros também ajudam a transmitir sensação de conforto. O ideal é organizar os travesseiros de dormir ao fundo, posicionar os porta-travesseiros logo à frente e finalizar com almofadas decorativas confeccionadas em tecidos como veludo, suede ou tricô.
A decoração também influencia na sensação de aconchego. Durante o inverno, tons mais fechados costumam transmitir uma impressão de calor e conforto. Bordô, terracota, verde-musgo, azul-marinho, cinza, marrom e tons amadeirados aparecem entre as principais tendências para a estação.
As estampas xadrez, especialmente no estilo plaid, continuam sendo clássicos do inverno e remetem às tradicionais casas de campo e aos chalés de montanha.
PEQUENOS DETALHES
A cama é protagonista do quarto, mas outros elementos ajudam a criar um ambiente ainda mais agradável.
Tapetes felpudos ao lado da cama evitam o contato direto dos pés com o piso frio nas primeiras horas da manhã.
Já luminárias com iluminação em tons amarelados proporcionam uma atmosfera mais acolhedora do que lâmpadas de luz branca intensa.
Cortinas mais encorpadas também colaboram para reduzir a entrada de ar frio e ajudam a conservar a temperatura interna do ambiente.
Foto: Silvio de Andrade
No Porto Geral, antiga Alfândega e, ao fundo, prédio da Casa Vasquez & Filhos
Foto: Silvio de Andrade
Arquiteta Lauzie Xavier, diretora-presidente da Fuphan

Américo Calheiros e Sylvia Cesco - Foto: Arquivo Pessoal
Laura Alcântara - Foto Arquivo Pessoal

