Economia

VOLTA ÀS AULAS

Materiais escolares sobem 25% e podem faltar nas papelarias nos próximos meses

Antecipar compras dos itens necessários é a melhor opção, aponta consultor

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Com a mudança no formato das aulas e a adoção do ensino híbrido em muitas escolas, a lista de materiais escolares também mudou. 

Comerciantes de Campo Grande informaram que os pais que se anteciparem nas compras de matérias escolares conseguirão garantir toda a lista de volta às aulas dos estudantes. 

Conforme as fontes ouvidas pela reportagem do Correio do Estado, foi registrada alta de 25% no valor dos artigos escolares, além da falta de alguns itens nas prateleiras.  

Levantamento da Superintendência para Orientação e Defesa do Consumidor (Procon-MS) aponta que em um ano – no comparativo entre dezembro de 2019 e o último mês de 2020 –, dos 189 itens comparados, 151 registraram aumentos, 59 reduziram os valores e quatro apresentaram estabilidade na média de preços.  

O item com maior variação positiva foi o metro do TNT, que passou de R$ 1,70 em 2019, para R$ 2,63 em 2020, aumento de 54,71%. 

Já a maior queda nos produtos de papelaria foi percebido no caderno quadriculado espiral da marca Tilibra, que reduziu 88% no período de um ano – saindo de R$ 13,28 em 2019 para R$ 7,06 em dezembro de 2020.

Assim como outros produtos, como embalagens e insumos da construção civil, a papelaria sofreu com a parada da produção das indústrias em decorrência da pandemia. 

O consultor de vendas e gerente da Livraria Lê, Gabriell Trefzger, explica que os preços dos artigos de papelaria foram impactados por essa falta de produtos e consequentemente pela alta nos preços.  

“Alguns produtos tiveram uma maior porcentagem de aumento do que outros, no entanto, se somarmos todas as altas teremos uma média de 25% nos artigos de papelaria, como as pastas, que registraram uma alta de 60%, já os cadernos, apenas 5%. Os preços podem ser maiores em algumas lojas e menores em outras, porque o comerciante vai escolher a melhor maneira de trabalhar com os novos valores, seja repassando para o consumidor final ou diminuindo o markup [índice utilizado na formação do preço de venda de um produto ou serviço]”, explicou o consultor.  

Últimas notícias

Segundo Trefzger, em decorrência da pandemia da Covid-19, fabricantes registraram falta de insumos para a produção de materiais escolares. 

Alguns itens já não estão na prateleira há dois meses e outros poderão se esgotar rapidamente com as compras de volta às aulas.  

“As empresas fabricantes estão com falta de insumos para a produção de materiais, estamos sem conseguir comprar a caneta fosca há dois meses, o giz de cera pode faltar também, pois a fabricante também está com falta de matéria-prima, além de um atraso no faturamento das notas”, explicou o consultor.  

MUDANÇA

Com o período de pandemia, medidas foram adotadas pelas lojas de papelaria, que intensificaram seus atendimentos por meio da internet, com site, atendimento via WhatsApp e Instagram, fazendo com que os consumidores pudessem realizar suas compras de maneira cômoda e segura.  

Proprietário da papelaria Shop Tudo, Lucas Fernandes, explica que o movimento das compras para o ano letivo de 2021 está menor que em anos anteriores.  

“Tentamos inovar pensando no fim do ano, modificamos a loja, fizemos site, mídias sociais, que não mexíamos tanto, WhatsApp, para facilitar de todas as maneiras possíveis para o consumidor. 

O movimento já vem melhorando, mas mesmo assim não chega nem perto do que era nos outros anos, houve um atraso neste ano para a divulgação das listas escolares, então estamos nos preparando com base nas listas de anos anteriores”, disse Fernandes.  

Ainda de acordo com o empresário, é fundamental que os responsáveis não deixem para fazer as compras na última hora, porque poderão não conseguir tudo que precisam.  

Para isso, táticas de compras podem ser usadas, como a antecipação das compras, pesquisas de preços e, em caso de falta de tempo, optar por atendimentos personalizados on-line.  

CONSUMIDOR

O consultor de vendas Gabriell Trefzger, pontua que uma ótima tática para garantir todos os materiais e com bom custo-benefício, ainda mais em tempos de preços altos, é a criação de um grupo de responsáveis.  

“Esses grupos existem e funcionam da seguinte forma: geralmente mães criam um grupo no WhatsApp, e lá compartilham as pesquisas de preços em lugares que foram aqui em Campo Grande, entram em um consenso do lugar que mais as agradou e todas se reúnem para comprar lá, com isso, negociam um valor com desconto especial”, explicou.  

Mãe de dois estudantes, Kárita Sena, 34 anos, diz sempre se antecipar nas compras de materiais, ela relata que habitualmente faz as aquisições em dezembro.  

“A escola ainda não entregou a lista, mas já fui na papelaria comprar alguns materiais para este período de férias. Não sou muito ligada a preços, mas pude perceber uma alta nos valores”, salientou a mãe.  

Ainda sobre os materiais, ela explica que neste ano o consumo foi menor. 

“Alguns artigos escolares que não foram muito utilizados pelas crianças e sem dúvidas esses eu vou reutilizar em 2021, acredito que talvez para o próximo ano a lista seja menor, quando eu a recebê-la, vou fazer o pedido on-line e só retirar no lugar, é muito mais seguro e prático”, ressaltou Kárita.

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MERCADO MUNDIAL

Previsão de chuva nos EUA interrompe disparada no preço da soja em MS

Na melhor cotação do ano, na última sexta-feira a saca chegou a R$ 132,00 em Campo Grande. Nesta segunda-feira (27), caiu quatro reais

27/07/2026 12h42

Entre 20% e 25% da soja colhida em MS na última safra ainda está disponível e está sendo beneficiada pela melhora nos preços

Entre 20% e 25% da soja colhida em MS na última safra ainda está disponível e está sendo beneficiada pela melhora nos preços

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Depois de atingir R$ 132,00 na sexta-feira (24) em Campo Grande e na região sul do Estado, o melhor preço do ano, o preço da saca de soja teve forte recuo nesta segunda-feira, da ordem de R$ 4,00, ou 32 pontos na Bolsa de Chicago, referência para a definição dos preços de um dos principais produtos da economia de Mato Grosso do Sul.

Mas, se a comparação for com o dia 15 de junho, quando a saca estava em R$ 115,00, o valor atual ainda é satisfatório. E, tanto o aumento das cotações ao longo das últimas semanas quanto a retração desta segunda-feira têm a mesma explicação: as condições climatológicas nos Estados Unidos, segundo Carlos Ronaldo Dávalos, da Granos Corretora.

Nas últimas semanas, explica ele, as cotações mundiais foram afetadas por conta do calor e da escassez de chuvas em algumas das principais regiões produtoras dos EUA. Neste fim de semana, porém, os meteorologistas indicaram a previsão de chuvas significativas para os próximos dias e o otimismo daqui sofreu uma importante interrupção.

“A Bolsa de Chicago caiu 32 pontos nesta segunda-feira. Isso significa cerca de R$ 4,00 por saca aqui no Estado. É uma queda significativa, mas isso não significa que os preços não possam reagir novamente, pois o período da floração e granação vai até o dia 30 de agosto nos Estados Unidos. Até lá podem ocorrer outras estiagens e isso tende a influenciar diretamente nos preços daqui”, explica o corretor.

Mas, mesmo que as chuvas sejam fartas nos Estados Unidos, o mercado aponta melhora nos preços para a próxima safra. Na semana passada, por exemplo, a saca de soja estava sendo vendida por R$ 126,00 para entrega em fevereiro do próximo ano, segundo Ronaldo Dávalo. O preço é bem melhor que em fevereiro deste ano, quando as cotações estavam na casa dos R$ 110,00.

Mesmo assim, segundo Ronaldo Dávalo, pouca gente fez negócios. Isso ocorre porque muitos produtores estão esperando preços melhores, já que os estoques mundiais estão em baixa.

O aumento de preço de agora beneficia somente uma pequena parcela das cerca de 16,7 milhões de toneladas produzidas na última safra em Mato Grosso do Sul, a maior da história do Estado. De cardo com Ronaldo Dávalo, entre 75% e 80% da produção já está comprometida.

Sendo assim, ainda estariam disponíveis em torno de 4 milhões de toneladas para comercialização. Isso significa quase 66,5 milhões de sacas. Em 15 de junho, quando a saca estava sendo vendida a R$ 115,00, este volume renderia R$ 7,6 bilhões caso fosse faturado naquele período.

Com a reação dos preços ao longo das últimas semanas, nesta segunda-feira  (27) renderiam em torno de R$ 8,8 milhões. Ou seja, um acréscimo de R$ 13,00 na cotação garante R$ 1,2 bilhão a mais nas mãos dos produtores e empresas que estão guardando estas quatro milhões de toneladas.

EXPORTAÇÕES

Depois de ser superada pela celulose, a soja voltou neste ano a ocupar o primeiro lugar nos produtos de maior relevância nas exportações e Mato Grosso do Sul, com 33,5% do total faturado, US$ 2 bilhões. Isso representa aumento de 30,5% ante igual perído do ano anterior. 

Porém, a melhora nos preços não chegou ao bolso dos produtores, que no último ciclo fizeram a maior colheita da história do Estado, com 16,7 milhões de toneladas. No primeiro semestre do ano passado foram exportadas 4,076 milhões de toneladas, ante 4,687 milhões de toneladas em igual período de 2026. 

A diferença, porém, foram os valores faturados. Em 2025, conforme os dados oficiais, as vendas externas renderam US$ 1,51 bilhão, com a tonelada rendendo US$ 372 dólares Neste ano, o faturamento ficou um pouco acima dos US$ 2 bilhões, ou US$ 427 a tonelada.

Traduzindo: no primeiro semestre do passado a saca de 60 quilos rendeu uma média de R$ 115 aos exportadores. Neste ano, o valor saltou para a casa dos R$ 134,00, um valor bem superior ao daquele que chegou aos produtores.

Os produtores, porém, receberam menos em 2026 do que no ano anterior. No primeiro semestre do ano passado o preço médio da soja ao produtor em Campo Grande, por exemplo, ficou entre R$ 117,00 e 121,00. Neste ano, o valor médio ficou entre R$ 108,00 e R$ 115,00. Uma das explicações é a queda na cotação do dólar. 

Fisco federal

Suspeitas de fraude, distribuidoras de combustíveis de MS têm dívida bilionária

Empresas sediadas em Iguatemi, no sul do Estado, lideram a lista de devedores da União; uma delas é alvo da Operação Carbono Oculto

27/07/2026 05h00

Técnicos da Agência Nacional do Petróleo fecharam base de distribuidora de combustíveis fantasma em 2025

Técnicos da Agência Nacional do Petróleo fecharam base de distribuidora de combustíveis fantasma em 2025 Divulgação

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As distribuidoras de combustíveis continuam liderando a lista de devedores de tributos federais em Mato Grosso do Sul. Elas são as únicas empresas do Estado cuja dívida com a União rompe a casa dos bilhões de reais.

O destaque na lista da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) também diz respeito à localização das empresas que deixaram de recolher bilhões em impostos: a pequena cidade de Iguatemi, no cone sul do Estado, distante 360 quilômetros da Capital, Campo Grande.

A dívida das empresas Alpes Comércio de Combustíveis e Vetor Comércio de Combustíveis, somada, aproxima-se de R$ 5 bilhões. Para ser mais preciso, a atualização mais recente da PGFN indicava uma dívida de R$ 4,9 bilhões.

A maior devedora do Fisco federal em Mato Grosso do Sul é a Alpes Comércio de Combustíveis Ltda., empresa investigada em duas operações da Polícia Federal, da Receita Federal e do Ministério Público do Estado de São Paulo: a Carbono Oculto e a segunda fase desta, a Fluxo Oculto.

A dívida da Alpes, empresa de fachada no esquema de fraude fiscal alvo da Operação Carbono Oculto, é de R$ 2,93 bilhões. A suspeita é de que a empresa, que integra o esquema do qual a organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) possa estar envolvida, nem sequer tenha distribuído combustível a partir de Mato Grosso do Sul, tendo sido apenas uma emissora de notas fiscais para o esquema.

Máfia dos combustíveis

A organização criminosa investigada é liderada por Mohamad Hussein Mourad, conhecido como Primo ou João, que atua como o epicentro de um esquema bilionário que abrange toda a cadeia produtiva de combustíveis, desde usinas sucroalcooleiras até redes de postos. Ao lado dele está Roberto Augusto Leme da Silva, o Beto Louco, identificado como o colíder do grupo, exercendo funções cruciais na gestão operacional de empresas centrais, como a formuladora Copape e a distribuidora Aster. Juntos, eles comandam uma estrutura profissionalizada que utiliza fundos de investimento e centenas de empresas de fachada para ocultar a origem ilícita de recursos e realizar fraudes tributárias.

A Alpes Distribuidora de Petróleo Ltda., que deve quase R$ 3 bilhões ao Fisco e está localizada em Iguatemi, desempenha um papel fundamental nesse ecossistema, servindo como um dos principais canais para a distribuição de etanol produzido pelas usinas controladas pelo grupo, como a Itajobi e a Carolo.

A empresa é apontada como parte de uma engrenagem de fraude fiscal estruturada, tendo sido utilizada em esquemas de inflacionamento artificial de preços de insumos para a obtenção de créditos indevidos do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços (ICMS) e sonegação de impostos.

No ano passado, a Agência Nacional do Petróleo (ANP), chegou a interditar a base fantasma da empresa (e outras cinco laranjas, pelo menos) em Iguatemi.  

O controle da Alpes pela organização criminosa é exercido por meio de um sistema de laranjas (interpostas pessoas), em que os proprietários formais, Alexandre Pinheiro Leitão e seu filho, apresentam perfis financeiros absolutamente incompatíveis com o faturamento bilionário da distribuidora.

O vínculo de fato com os líderes Mohamad e Beto Louco, que estão foragidos da Justiça há quase um ano, é reforçado por evidências logísticas, como o compartilhamento de sedes físicas com outras empresas do núcleo familiar de Mohamad. Por exemplo, uma filial da Alpes divide o mesmo espaço com a Safra Distribuidora, presidida por Armando Hussein Ali Mourad, irmão de Mohamad.

Essa estrutura de blindagem patrimonial permite que os verdadeiros líderes operem o negócio e lavem capitais sem aparecer formalmente nos registros societários.

Empresa paranaense

A segunda maior devedora, embora não seja alvo da Operação Carbono Oculto, também movimenta quantidade significativa de combustível, com poucas evidências de que esse combustível tenha sido comercializado em Mato Grosso do Sul. Trata-se da Vetor Comércio de Combustíveis, que deve R$ 2,04 bilhões ao Fisco federal.

A empresa, cujo sócio-administrador que aparece em seu contrato social é Servio Tulio Fagotti Zaqueti, responde a vários processos de execução fiscal na Justiça Federal em Mato Grosso do Sul e nos estados de São Paulo e do Paraná.

Nos últimos meses, a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional acionou a Justiça para cobrar a dívida tributária, mas não obteve sucesso ao tentar intimar a formuladora de gasolina e distribuidora de combustíveis na pequena cidade de Iguatemi.

No ano passado, quando o Correio do Estado publicou reportagem com a mesma lista de devedores, o total devido pela Vetor era menor, mas não menos significativo: R$ 1,6 bilhão.

Copape

A Copape Produtos de Petróleo Ltda., formuladora de combustíveis ligada ao ecossistema de Mohamad Hussein Mourad, o Primo, e Beto Louco, não aparece mais na lista. No ano passado, a empresa, sediada em um edifício na Rua da Paz, em frente ao Fórum Heitor Medeiros, em Campo Grande, devia nada menos que R$ 476,9 milhões ao Fisco nacional.

Tudo indica que o endereço na Capital sul-mato-grossense é apenas burocrático. A Copape operava fortemente no estado de São Paulo, na cidade de Guarulhos, e chegou a comercializar volumes expressivos, competindo com grandes players do mercado, como os grupos Ultra (Ipiranga) e Vibra (BR Distribuidora).

 

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