Economia

Meio ambiente

Projeto tenta incentivar mercado de R$ 4 bilhões na região do Pantanal

Iniciativa quer estimular o ecoturismo e a agropecuária sustentável em detrimento de uma nova fronteira para a soja

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Entre as diferentes políticas implantadas pelo governo de Mato Grosso do Sul para fatiar o Estado em três grandes setores econômicos, o centro das atenções agora se volta para a definição de como será a destinação do território do Pantanal nessa cota.

O Estado está sendo dividido em Vale da Celulose, na região leste, Vale da Soja, na região centro-sul, e Pantanal, para o qual ainda resta validar as regras.

Em projeto de lei tramitando na Assembleia Legislativa, a proposta é que o bioma seja voltado para ações econômicas ligadas ao ecoturismo, além de sistemas agroflorestais, e vai ser analisada a permanência da pecuária extensiva.

Na proposta, a valorização do ecoturismo está claramente expressada. O setor ainda é tímido e ocupa cerca de 4% do PIB do Estado, o que representa em torno de R$ 4 bilhões.

A legislação entrou em discussão justamente no período recente, em que o Pantanal foi apontado por publicação dos Estados Unidos como um dos 50 lugares extraordinários para se visitar no mundo, com indicação de locais em Miranda e em Aquidauana. 

Além disso, algumas ações da Fundação de Turismo de Mato Grosso do Sul (Fundtur) estão em curso para promover o destino tanto nos EUA como na Europa, a partir de feiras.

O projeto de lei em tramitação sugere que haja estímulo tanto ao ecoturismo como ao turismo sustentável. Essa proposta é do ex-deputado Amarildo Cruz (PT), que faleceu em 17 de março. O deputado Pedro Kemp (PT) assumiu o projeto de lei e o apresentou na Casa de Leis em 21 de março. A etapa atual é de discussão do tema, até o dia 29 deste mês.

Avançar nesse tema vai envolver debates com diferentes setores, além de uma mudança de procedimentos. Enquanto o ecoturismo ainda não está em total evidência para a geração de riquezas para o Estado, o agronegócio é um dos pilares econômicos. 

A expansão do setor em Mato Grosso do Sul foi uma das responsáveis por aumentar o PIB estadual em R$ 40 bilhões nos últimos três anos. Em 2022, o PIB atingiu R$ 150 bilhões, contra R$ 106,9 bilhões em 2019, conforme dados do IBGE, do governo estadual e da consultoria Tendência.

O que puxou esse resultado foram as produções de soja, milho, gado e celulose, além do beneficiamento de soja e de milho, com a inclusão da agroindústria no centro de produção de riqueza.

Portanto, reconfigurar o uso do Pantanal, que hoje já tem plantações de soja em alguns municípios, vai envolver apostar em novas matrizes econômicas para formar a produção da riqueza estadual.

A área de soja no Estado está em constante crescimento, e a estimativa é de que a safra 2022-2023 seja 2,5% maior em relação ao ciclo passado (2021/2022), atingindo a área de 3,842 milhões de hectares.

A produtividade estimada é de 53,44 sc/ha, gerando a expectativa de produção de 12,318 milhões de toneladas. 

Atualmente, conforme o Sistema de Informação Geográfica do Agronegócio de Mato Grosso do Sul (Siga MS), há plantio de soja em Rio Verde de Mato Grosso, Coxim, Miranda, Bodoquena, Porto Murtinho, Corumbá, Sonora, Anastácio e Rio Negro, municípios dentro do Pantanal.

Em São Gabriel do Oeste também há concentração de plantio e, apesar de não estar dentro do Pantanal, o município possui nascentes que vão acabar alimentando o Rio Paraguai.

Isso ocorre, por exemplo, com a nascente do Rio Aquidauana, que é tributário do Rio Miranda, um dos principais a alimentar o Rio Paraguai. 

Esses dados constam no sistema da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA). Por lá, 525,4 mil toneladas foram colhidas em 119.911,70 hectares plantados na safra 2020-2021, conforme o Siga MS.

Outro município nessa lista é Bonito, que, na safra 2020-2021, foi responsável por colher 213.558,20 toneladas, com 56,8 mil hectares plantados.

Além de ser a localidade referência do ecoturismo para Mato Grosso do Sul, bem como para o Brasil e o mundo, saem dessa região diferentes tributários para o Rio Paraguai e o Rio Miranda, que podem ser influenciados pela supressão de vegetação nativa para manejo de solo voltado à monocultura.

O deputado Pedro Kemp defendeu que, apesar de o projeto influenciar os rumos de ações econômicas, a conservação do meio ambiente precisa ser priorizada. Ele pontou que Amarildo Cruz já vinha fazendo diversos estudos para apresentar a proposta polêmica alicerçado em pesquisas e consultas técnicas. 

“Com muito carinho vinha discutindo, pesquisando, estudando o avanço da monocultura, principalmente da soja, com muita preocupação, não só em função do manejo da terra, do cultivo em si, mas também porque é uma cultura que tem demandado muito uso de agrotóxicos. O Pantanal, por ser alagável, pode ser contaminado com esses agrotóxicos”, explicou Kemp.

RISCOS

A SOS Pantanal, entidade ligada ao Observatório Pantanal, contribuiu como consultora no projeto e apontou que a monocultura traz sérios riscos para o bioma. Nessa etapa de discussão e de arranjos políticos para que o projeto possa avançar para votação, a organização da sociedade civil pretende fazer mais articulações.

“Em Mato Grosso do Sul, a seca extrema assolou o Pantanal nos últimos anos e permitiu que áreas antes protegidas pelas águas fossem convertidas para o plantio de soja na planície. São ainda poucas áreas onde a monocultura da soja está avançando no Pantanal, mas existe um potencial de aumento dessa área nos próximos anos, colocando em risco o Pantanal como conhecemos hoje. No estado vizinho, o Mato Grosso, a legislação proíbe o plantio de soja no Pantanal. O Mato Grosso do Sul deveria seguir o mesmo caminho”, sugeriu a SOS Pantanal.

Também ligado ao Observatório Pantanal, o Instituto Homem Pantaneiro (IHP) apontou que o território não deve ter o plantio de monoculturas como a soja.

O instituto tem programa voltado para mitigar o ataque de onças-pintadas ao gado no Pantanal e sugeriu que a pecuária extensiva deve ser incluída como uma atividade econômica, por ser praticada no território há mais de dois séculos e estar misturada com a cultura local.

“A iniciativa vem ao encontro daquilo que é fundamental nesse momento, onde o planeta precisa proteger a biodiversidade e vai pagar pela biodiversidade. Vamos estar na contramão se avançarmos para a monocultura no Pantanal. Já temos mais de 6 milhões de áreas degradadas no Estado. Além disso, a pecuária extensiva deve continuar existindo, porque ela produz e também protege”, sugeriu o presidente do IHP, Angelo Rabelo.

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Setor Imobiliário

Minha Casa, Minha Vida amplia teto e impulsiona vendas em MS

Novas regras aquecerão a construção civil em Campo Grande, Dourados e Três Lagoas

24/04/2026 08h10

Gerson Oliveira / Correio do Estado

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A ampliação das faixas de renda e dos limites de financiamento do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV), que passou a valer nesta semana, deve provocar um novo ciclo de crescimento no mercado imobiliário de MS.

A avaliação é de representantes do setor, que apontam aumento da demanda, maior velocidade nas vendas e impacto direto na cadeia da construção civil no Estado.

As mudanças, regulamentadas pelo Ministério das Cidades, elevam o teto de renda da faixa 4 para até R$ 13 mil mensais.

Também houve reajuste no valor máximo dos imóveis financiados, que pode chegar a R$ 600 mil nesta faixa, enquanto na faixa 3 o limite subiu para R$ 400 mil. As novas condições já estão sendo operadas por instituições financeiras como Caixa e Banco do Brasil.

Para o presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis de Mato Grosso do Sul (Creci-MS), Roberto da Cunha, a principal consequência da medida é a expansão do público atendido pelo programa.

“A ampliação das faixas de renda do MCMV deve aumentar a demanda por imóveis em MS, especialmente em Campo Grande, ao incluir famílias que antes não tinham acesso ao programa”, afirma.

Segundo ele, o impacto já pode ser percebido no desempenho recente do setor. Entre 2023 e 2025, foram contratadas 31,2 mil unidades habitacionais no Estado, com investimentos que somam R$ 4,68 bilhões. Somente no primeiro trimestre deste ano, Campo Grande registrou 572 unidades lançadas dentro do programa.

“Isso consolida o programa como motor da construção civil. Agora, com a faixa 4, o mercado ganha ainda mais fôlego, porque passa a atender um público com maior poder de compra e que busca imóveis de melhor padrão”, completa.

O presidente da Associação das Construtoras de Mato Grosso do Sul (Acomasul), Gustavo Shiota, corrobora a afirmação. 

“A gente tem um estado em plena curva de atração populacional, recebendo novos moradores em ritmo acelerado. E agora temos um programa que atende famílias com renda até R$ 13 mil, ou seja, grande parte da classe média produtiva passa a ter acesso a crédito com juros mais baixos que os praticados no mercado tradicional”, explica.

A tendência é de aceleração nas vendas já no curto prazo. “A leitura que fazemos é de aumento da demanda e da velocidade de comercialização dos imóveis. Esperamos um incremento relevante já no próximo semestre, principalmente nas cidades maiores, como Campo Grande, Dourados e Três Lagoas”, projeta Shiota.

REPRESADOS

Outro efeito apontado pelo setor é o destravamento de empreendimentos que estavam represados em função da defasagem dos limites anteriores do programa.

“O teto antigo não acompanhava o custo real da construção. Agora, a produção volta a fazer sentido econômico. Isso movimenta toda a cadeia, desde trabalhadores da construção até fornecedores e loteadoras. É um efeito multiplicador clássico”, afirma Shiota.

Embora a nova faixa 4 represente ampliação do acesso ao crédito, especialistas avaliam que há um reposicionamento de parte dos compradores. Famílias com renda entre R$ 9,6 mil e R$ 13 mil já adquiriam imóveis por meio de financiamento tradicional, mas enfrentavam juros que variavam entre 11% e 12,5% ao ano.

“Esse cliente agora migra para o MCMV com condições melhores. Para o construtor, isso melhora a conversão de vendas, reduz distratos e encurta o tempo de giro dos empreendimentos”, explica Shiota.

“Aqui em MS, essa faixa atende profissionais liberais, servidores e trabalhadores que estavam fora do programa e tinham acesso limitado ao crédito”, completa.

Em relação aos valores dos imóveis, a avaliação é de que os novos tetos estão alinhados com a realidade do mercado local.

“Campo Grande tem uma característica importante, que é a grande disponibilidade de áreas e diferentes tipos de empreendimentos. Isso permite atender vários perfis dentro do programa”, pontua Shiota.
Ele ressalta que o comportamento do consumidor será mais exigente. “Esse cliente da nova faixa é mais criterioso. Ele avalia localização, acabamento, estrutura do condomínio. O construtor precisa entender melhor essa demanda”, finaliza.

Com as mudanças, o governo federal estima alcançar até 2 milhões de unidades financiadas este ano no País. Em MS, a expectativa é de alcançar 120 mil famílias.

Para o setor imobiliário, o cenário é de otimismo. “Os clientes já percebem as vantagens, como juros mais baixos, possibilidade de financiar até 80% do imóvel e prazos longos. Isso amplia o acesso e impulsiona os negócios”, conclui Cunha.

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LOTERIAS

Resultado da Dia de Sorte de ontem, concurso 1204, quinta-feira (23/04): veja o rateio

A Dia de Sorte realiza três sorteios semanais, às terças, quintas e sábados, sempre às 21h; veja quais os números sorteados no último concurso

24/04/2026 08h01

Confira o rateio da Dia de Sorte

Confira o rateio da Dia de Sorte Foto: Divulgação

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A Caixa Econômica Federal realizou o sorteio do concurso 1204 da Dia de Sorte na noite desta quinta-feira, 23 de abril de 2026, a partir das 21h (de Brasília). A extração dos números ocorreu no Espaço da Sorte, em São Paulo, com um prêmio estimado em R$ 2 milhão.

Premiação

  • 7 acertos - Não houve ganhadores
  • 6 acertos - 59 apostas ganhadoras, (R$ 3.007,74)
  • 5 acertos - 2.689 apostas ganhadoras, (R$ 25,00)
  • 4 acertos - 35.501 apostas ganhadoras, (R$ 5,00)

Mês da Sorte

  • Setembro - 114.881 apostas ganhadoras, (R$ 2,50)

Confira o resultado da Dia de Sorte de ontem!

Os números da Dia de Sorte 1204 são:

  • 11 - 13 - 20 - 17 - 29 - 23 - 12
  • Mês da sorte:  - 09 - setembro

O sorteio da Dia de Sorte é transmitido ao vivo pela Caixa Econômica Federal e pode ser assistido no canal oficial da Caixa no Youtube.

Próximo sorteio: 1205

Como a Dia de Sorte tem três sorteios regulares semanais, o próximo sorteio ocorre no sábado, 25 de abril, a partir das 21 horas, pelo concurso 1205. O valor da premiação está estimado em R$ 2,5 milhões.

Para participar dos sorteios da Dia de Sorte é necessário fazer um jogo nas casas lotéricas ou canais eletrônicos.

A aposta mínima custa R$ 3,00 para um jogo simples, em que o apostador pode escolher 7 dente as 31 dezenas disponíveis, e fatura prêmio se acertar 4, 5, 6 e 7 números.

Como apostar na Dia de Sorte

Os sorteios da Dia de Sorte são realizados às terças, quintas e sábados, sempre às 20h (horário de MS).

O apostador marca entre 7 e 15 números, dentre os 31 disponíveis no volante, e fatura prêmio se acertar 4, 5, 6 e 7 números.

Há a possibilidade de deixar que o sistema escolha os números para você por meio da Surpresinha, ou concorrer com a mesma aposta por 3, 6, 9 ou 12 concursos consecutivos através da Teimosinha.

A aposta mínima, de 7 números, custa R$ 3,00.

Os prêmios prescrevem 90 dias após a data do sorteio. Após esse prazo, os valores são repassados ao Tesouro Nacional para aplicação no FIES - Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior.

É possível marcar mais números. No entanto, quanto mais números marcar, maior o preço da aposta.

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