Economia

Celulose

Suzano atrasa ativação de fábrica da R$ 22 bilhões em Ribas

Em Fato Relevante, divulgado nesta terça-feira, a empresa informou que o início das operações foi adiado para julho

Continue lendo...

A Suzano comunicou, em Fato Relevante, que foi adiado em um mês o início das operações da nova fábrica de produção de celulose de Ribas do Rio Pardo, conhecida como "Projeto Cerrado".

Antes prevista para o mês de junho, a fábrica agora só será ativada em julho. O dia exato não foi informado.

"O Projeto Cerrado está na sua fase final de comissionamento e a Companhia tem por objetivo em seu planejamento garantir a adequada execução do start-up da nova fábrica e o bom desempenho de sua curva de aprendizado. As demais informações e estimativas divulgadas acerca do Projeto Cerrado mantêm-se válidas e inalteradas", diz comunicado da Suzano.

Ao entrar em operação, a fábrica de Ribas do Rio Pardo será a maior planta de celulose do mundo. Foram investidos R$ 22,2 bilhões, e a capacidade será de 2,55 milhões de toneladas de celulose de eucalipto por ano. Além disso, a unidade irá gerar mais de 3 mil empregos.

Deputados não sabiam do adiamento

Sem tomar conhecimento do adiamento, o deputado e 1º secretário da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (ALEMS), Paulo Corrêa (PSDB), havia anunciado nesta manhã, durante a sessão plenária, o início do funcionamento da fábrica da Suzano.

“De hoje até o dia 10 de outubro, a fábrica irá atuar em operação experimentalmente. Mesmo não sendo oficial, já começou a funcionar. E pelo tamanho do projeto, a gente passa e verifica que, aparentemente, Ribas do Rio Pardo parece menor que a fábrica da Suzano”, ressaltou.

O tema dominou parte da sessão da Assembleia, sendo abordado por outros parlamentares, como por exemplo o deputado Pedro Kemp (PT).

“Foi um grande desafio a construção da indústria Suzano para a gestão do município de pequeno porte, devido a demanda que muitos trabalhadores trazem em todas as áreas. A população aumentou de um dia para outro, e houve um esforço enorme para dar conta disso, já que a prefeitura deve atender os direitos de cidadania. Anuncio também uma conquista importante para o município, que está implantando a "Tarifa Zero" do transporte no município”

Como irá funcionar a fábrica

A Suzano, que já tem uma unidade em Três Lagoas, tem em torno de 600 mil hectares próprios de florestas plantadas no Estado. Somente no viveiro de Ribas do Rio Pardo são produzidas em torno de 35 milhões de mudas por ano.

E para abastecer esta megaestrutura, a Suzano vai utilizar os chamados hexatrens, que são carretas com seis semirreboques. Elas vão circular somente em estradas secundários, pois a velocidade é baixa para trafegar em pistas asfaltadas. 

Pelo menos 16 hexatrens já estão operando, o que colabora com a retirada de pelo menos 50 caminhões das rodovias estaduais, uma vez que esses veículos circulam somente dentro de áreas da própria empresa. 

Praticamente toda a produção será destinada à exportação. Quando estiver operando com a capacidade máxima, serão em torno de 140 carretas que deixarão diariamente a indústria, cada uma levando em torno 50 toneladas de celulose. 

Elas vão percorrer a BR-262 até Água Clara e depois trafegar pela MS-377 até Inocência, onde está sendo concluído um terminal intermodal às margens da ferronorte para fazer o embarque desta material rumo ao Porto de Santos. 

Às margens da MS-240, o terminal contará com uma área construída de 24,2 mil metros quadrados, dos quais 21,5 mil metros quadrados correspondem à área de armazéns. O empreendimento contempla ainda 8,8 mil quilômetros de linha ferroviária interna e externa, que incluem ramais para vagões em reserva.

Calotes

Empresa terceirizada da Suzano está sendo acusada de calotes em Ribas do Rio Pardo. Conforme noticiado anteriormente, mais uma empresa foi à Justiça contra a VBX Transportes, que promoveu um calote em massa no município de Ribas do Rio Pardo, distante 98 quilômetros de Campo Grande.

Desta vez foi a Pousada LME Ltda., localizada no Centro de Ribas do Rio Pardo, que não teve outra alternativa senão recorrer à Justiça contra a parceira da Suzano na construção da maior planta processadora de celulose do mundo, cuja entrada em operação está marcada para os próximos dias.

No mês passado, o Correio do Estado antecipou o calote em massa da terceirizada da Suzano, ao revelar que três empresários que alugaram máquinas para a VBX cobravam R$ 752 mil da VBX, empresa com sede no interior de Minas Gerais, que abriu filial em Mato Grosso do Sul para se aproveitar de incentivos fiscais e atuar como parceira direta da Suzano na construção da fábrica de Ribas do Rio Pardo, destino de investimento de R$ 22 bilhões.

Com mais este novo processo ajuizado pela pousada, chega a R$ 1,083 milhão o valor cobrado à VBX na Justiça pelas empresas que sofreram calote. Na Justiça de Minas Gerais, o Correio do Estado apurou que há um inadimplemento no valor de R$ 1,5 milhão, também ajuizado.

Assine o Correio do Estado.

Sistema Interligado Nacional

ONS estuda necessidade de acionar plano emergencial no feriado

Operador Nacional do Sistema Elétrico diz que medida pode ser adotada para assegurar o equilíbrio entre geração e carga, preservando a estabilidade

05/09/2026 20h00

"equipes técnicas seguem monitorando o cenário para garantir a adequada operação durante os períodos de carga reduzida" Paulo Ribas

Continue Lendo...

Através do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) foi informado que, após análise das condições operativas, identificou-se como "média" a probabilidade de acionamento do Plano de Gestão de Excedentes de Energia já neste domingo (6), e como "baixa" no feriado de segunda-feira, 7.

A medida pode ser adotada em situações nas quais, após a redução da geração coordenada pelo ONS, permanece a necessidade de restringir a produção de energia das distribuidoras para assegurar o equilíbrio entre geração e carga, preservando a estabilidade do Sistema Interligado Nacional (SIN).

"Assim, as equipes técnicas seguem monitorando o cenário para garantir a adequada operação durante os períodos de carga reduzida", informou o ONS. "Sendo assim, no sábado e no domingo, dias 5 e 6, serão realizadas as programações para os dias seguintes, quando será confirmada ou não a necessidade de acionamento do plano", informa o ONS.

ECONOMIA

Cartões avançam na corrida para manter relevância em era de pagamentos por robôs

Na corrida pela vanguarda do comércio agêntico, operadoras de cartão querem ser mais que apenas "plásticos no bolso" e lutam para se firmar como camada invisível onde as "máquinas" vão efetuar transações

05/09/2026 15h30

Esforços das bandeiras nessa frente buscam garantir a manutenção da competitividade em uma economia em transformação

Esforços das bandeiras nessa frente buscam garantir a manutenção da competitividade em uma economia em transformação Divulgação

Continue Lendo...

Sendo necessárias algumas décadas para os cartões paulatinamente derrubarem a hegemonia do papel-moeda na carteira do consumidor, nesse processo, as bandeiras se firmaram como uma espécie de "ponte" segura conveniente entre o comprador, o banco e o comerciante. Porém, na próxima era dos pagamentos digitais, um quarto elo entrará na jogada e promete revolucionar o modelo de negócios do setor: os agentes de inteligência artificial.

Na corrida por essa vanguarda do comércio agêntico, as operadoras de cartão querem ser mais que apenas "plásticos no bolso" e trabalham para se firmar como a camada invisível onde as "máquinas" vão efetuar transações.

No futuro, um assistente de IA vai comparar preços, escolher a melhor opção e concluir a compra de forma completamente autônoma.

Nos últimos meses, Mastercard, Visa e Elo avançaram nos primeiros passos concretos na disputa para intermediar a nova cadeia. No entanto, executivos da indústria consultados pelo Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) admitem incerteza sobre o cronograma para retirar o modelo agêntico da fase experimental e torná-lo tão trivial e difundido quanto fazer um Pix.

"Acredito que a autonomia total - do tipo em que você só percebe a compra quando o produto chega à sua casa - ainda vai levar um tempo. Isso se deve a uma questão cultural, à necessidade de construir confiança e aos próprios desafios de segurança", reconhece o vice-presidente de tecnologia da Elo, Eduardo Merighi, em entrevista ao Broadcast.

Os desafios já começam antes da decisão de compra. Depois da resistência nos primeiros anos do e-commerce, o varejo finalmente conseguiu acostumar o consumidor a seguir etapas muito particulares para obter produtos na internet: entrar em um buscador, encontrar a melhor loja, clicar no botão "comprar", autorizar a transação e receber o item em casa. Delegar todo esse processo a um robô exige um rompimento do paradigma cultural que demanda tempo.

Historicamente, grandes mudanças no segmento da adquirência demoram cerca de uma década para atingir escala global, lembra o diretor digital da Mastercard, Pablo Fourez. A tarja magnética só substituiu de vez o velho "clack-clack" das maquinas manuais em meados dos anos 80, embora a tecnologia tenha sido desenvolvida cerca dez anos antes. Do chip ao pagamento por aproximação no celular, a dinâmica de adoção foi semelhante.

A era da IA, por outro lado, parece encurtar os prazos. ChatGPT, Gemini e Claude nem existiam há cerca de quatro anos e já transformaram a experiência digital de pessoas e empresas. No caso da tecnologia agêntica, a velocidade da disseminação deve ficar no meio entre os dois extremos, projeta Fourez. "As ferramentas estão aprendendo muito rápido e o momento de investir é agora", argumenta.

Investimentos

Os esforços das bandeiras nessa frente buscam garantir a manutenção da competitividade em uma economia em transformação. O comércio por agentes de IA para consumidores (B2C) deve movimentar entre US$ 3 trilhões e US$ 5 trilhões globalmente até 2030, de acordo com estudo da consultoria McKinsey & Company. O sucesso do Pix, que ajudou na digitalização dos pagamentos, posiciona o Brasil como um dos mercados mais promissores para a nova tecnologia, avaliam executivos.

Por isso, as principais bandeiras em operação no Brasil têm ampliado investimentos em iniciativas voltadas para a IA. A Elo, coontrolada por Banco do Brasil, Bradesco e Caixa Econômica Federal, recentemente expandiu para 5 mil clientes um agente de IA em parceria com a agência de viagens digital Decolar. A ferramenta realiza toda a jornada de compra de passagens áreas, da busca à transação, e é integrada ao outros canais, como o WhatsApp. Apenas na etapa de concluir a aquisição, o usuário ainda precisa intervir para dar a palavra final.

As rivais Visa e Mastercard, por sua vez, fizeram os primeiros testes no Brasil de transações em tempo real de pagamentos agênticos, em março. A Visa trouxe ao País um programa para certificar emissores e credenciadores para a condução de operações feitas por agentes de IA. Em vez de criar uma rede do zero, a estrutura atualiza sistemas já existentes (como APIS de tokenização e autenticação biométrica) para viabilizar essas transações.

Em junho, a Visa anunciou uma parceria com a OpenAI para habilitar o comércio agêntico, primeiramente nos EUA. "Ainda não sabemos quando [essa solução] virá para o Brasil, mas estamos nos preparado tecnologicamente para recebê-la", afirma o diretor-executivo de soluções para pagamentos digitais da Visa, Leandro Garcia.

Já a Mastercard tem concentrado os esforços no chamado Agent Pay, uma infraestrutura que promete trazer segurança, autenticação e confiança ao comércio agêntico. Para além do foco no consumidor final, a credencidadora estendeu o conceito para automação entre empresas, com o Agent Pay For Machines, que permite que agentes de IA executem pagamentos corporativos de forma autônoma conforme orçamentos pré-definidos. Na semana passada, a bandeira anunciou ainda uma solução que adapta sites de lojistas para serem lidos por agentes.

 

Assine o Correio do Estado

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).