Economia

PROJETO

Tributaristas avaliam como positiva mudança na alíquota dos combustíveis

Governo federal enviou na semana passada um projeto ao Congresso pedindo fim da bitributação

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Na semana passada, o governo federal encaminhou ao Congresso uma proposta que altera a cobrança do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre os combustíveis. 

A ideia é evitar a bitributação da alíquota. Para os tributaristas ouvidos pelo Correio do Estado, a medida pode beneficiar empresários e consumidores.

Conforme o texto enviado, o objetivo é que o imposto incida sobre o litro de combustível, e não mais por porcentual, como é atualmente. 

Em Mato Grosso do Sul, por exemplo, se considerarmos o preço médio da gasolina a R$ 4,79, o ICMS corresponde a R$ 1,45 desse total.  

Com a mudança, o governo pretende fixar um valor único para todos os entes federados. 

O secretário-geral adjunto da OAB Nacional e advogado tributarista Ary Raghiant Neto explica que, caso o projeto de lei complementar seja aprovado, os estados e o Distrito Federal vão definir uma única alíquota para todo o País por meio do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz).  

“E a incidência será monofásica, ou seja, uma vez só, cabendo o ICMS ao estado de destino. O preço não será igual porque tem frete, etc., mas não haverá mais alíquotas diferentes. Acho positivo”, explica.  

Raghiant ainda afirma que poderá resultar em redução de preços ao consumidor: “Depende da alíquota que o Confaz vai fixar, mas a tendência é de que haja redução, pois encerra a incidência mediante substituição tributária e a aplicação da margem de valor agregado [MVA], que muitas vezes é maior do que o valor real de venda do combustível”. 

O advogado tributarista Roberto Oshiro também vê a medida como benéfica, mas aponta a necessidade de uma solução para os estados, já que o ICMS é o principal meio de arrecadação de muitas unidades federativas, como é o caso de Mato Grosso do Sul.

“O problema [dos preços] dos combustíveis é realmente os impostos muito altos, principalmente o ICMS. Mas os estados também dependem muito dessa arrecadação em cima dos combustíveis. 

Eu acho que é bastante importante, até porque fica uma coisa mais clara: em vez de ser um porcentual, você terá um valor fixo sobre o preço que sai da refinaria. Seria melhor tanto para os empresários quanto para os consumidores terem uma clareza maior de quanto seria esse imposto”, explica.  

“É importante dizer também que é necessário fazer um esforço conjunto para que haja uma redução dessa carga tributária e para que ela realmente seja significativa. Quase metade do preço que a gente paga na gasolina e no óleo diesel é imposto. E depois você tem outros problemas na cadeia de combustíveis”, detalha Oshiro. 

Últimas notícias

O projeto ainda precisa ser aprovado pelo Congresso para entrar em vigor e, de acordo com os especialistas, só deve avançar se não impactar sobremaneira as contas dos fiscos estaduais.

REFORMA TRIBUTÁRIA

Segundo o presidente do Sindicato dos Auditores Fiscais da Receita Estadual de MS (Sindifisco-MS), Cloves Silva, a solução não é cobrar dos estados. 

“Culpar os governos estaduais pela alta do preço do combustível é, no mínimo, má-fé e irresponsabilidade de quem faz essa afirmação. Muitas variáveis interferem na composição do preço do combustível, mas a interferência da política de reajuste da Petrobras é a principal, a meu ver”.  

O tributarista ainda explica que 50% da carga tributária no Brasil incide sobre o consumo de bens e serviços. E considera um sistema tributário “altamente injusto e regressivo”.  

“Esse nosso modelo de tributação pesa de forma desproporcional, sendo potencialmente desfavorável aos mais pobres, em favor dos mais abastados.

 Somente uma reforma tributária que torne nossa tributação mais progressiva, aumentando a carga tributária sobre renda e patrimônio e diminuindo a carga sobre bens e serviços, pode trazer mais justiça ao nosso sistema tributário. A questão da tributação dos combustíveis está inserida nesse contexto”, conclui.

ALÍQUOTA

Dados da Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e Lubrificantes (Fecombustíveis) apontam que o ICMS da gasolina varia entre 25% e 34%, o do etanol vai de 13,3% a 32% e o do diesel comum vai de 12% a 25% no País.

Em Mato Grosso do Sul, atualmente o ICMS do diesel é de 12%, do etanol, 20%, e da gasolina, 30%.  

O imposto mais barato para o biocombustível é cobrado em São Paulo, 13,3%, e o mais caro no Rio de Janeiro, onde o ICMS é de 32%.

 Já a menor alíquota da gasolina é de 25%, encontrada em São Paulo, Santa Catarina, Mato Grosso e outros estados. A maior cobrança, assim como no caso do álcool, é no Rio de Janeiro, onde o porcentual é de 34%. 

Enquanto o diesel é tributado em 12% no Espírito Santo, Rio de Janeiro e outros estados, no Amapá é cobrado o maior porcentual, 25%.

COMPOSIÇÃO DE PREÇOS

Na composição do preço do diesel, cerca de 9% são impostos federais e 14% são de ICMS. 

Os demais custos, segundo dados da própria Petrobras, são distribuição e revenda (16%), custo do biodiesel (14%) e preço da refinaria (47%).  

Já o preço da gasolina é formado por 29% de impostos estaduais e outros 15% de taxas federais, 12% de distribuição e revenda, 15 % de etanol anidro misturado à gasolina e 29% do preço na refinaria.

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DESENVOLVIMENTO RURAL

Extra Leite deve pagar até R$ 0,30 por litro e impulsionar produtividade em MS

Programa do governo estadual entra em fase de implantação ainda neste mês e deve aumentar a renda de produtores rurais no Estado

16/04/2026 14h15

Governador Eduardo Riedel durante coletiva na Acrissul, onde apresentou resultados de programas do setor produtivo e detalhou o impacto do Extra Leite

Governador Eduardo Riedel durante coletiva na Acrissul, onde apresentou resultados de programas do setor produtivo e detalhou o impacto do Extra Leite Marcelo Victor

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O governo de Mato Grosso do Sul deve iniciar, ainda neste mês, a operacionalização do Subprograma Extra Leite, iniciativa que promete impulsionar a produtividade, melhorar a qualidade do leite e aumentar a renda de produtores rurais no Estado. Durante coletiva de imprensa na Acrissul, o governador Eduardo Riedel destacou que o incentivo financeiro pode variar entre R$ 0,20 e R$ 0,30 por litro produzido.

Segundo o governador, o impacto do programa será medido a partir da adesão dos produtores e do cumprimento dos critérios estabelecidos. “A gente vai mensurar isso a partir do início do programa, em termos de volume de produtores, de cooperativas cadastradas e do atendimento das demandas”, afirmou.

Riedel ressaltou que o Extra Leite integra uma estratégia mais ampla de transformação da produção agropecuária em Mato Grosso do Sul. “Os incentivos servem justamente para transformar a cultura, sistemas e modelos produtivos. A gente já vê os resultados aparecendo e a mobilização dos sistemas produtivos em torno dessa melhoria”, disse.

O programa também está alinhado a metas ambientais do Estado. De acordo com o governador, a adoção de sistemas mais eficientes contribui diretamente para a redução de emissões. “É uma somatória em torno de eficiência, produtividade e sustentabilidade, impactando inclusive na nossa meta de carbono neutro até 2030”, pontuou.

Cadeia leiteira em foco

O Extra Leite é desenvolvido em parceria entre a Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc) e a Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz), com o objetivo de fortalecer e modernizar a bovinocultura leiteira.

A proposta prevê incentivo financeiro aos produtores que adotarem boas práticas de produção, cumprirem exigências sanitárias, ambientais e trabalhistas e alcançarem padrões de qualidade do leite.

Entre os principais objetivos estão o aumento da produção e da produtividade, a melhoria da qualidade do produto e o estímulo à eficiência nas propriedades rurais.

Regras para participação

Podem participar produtores que atendam às normas sanitárias e forneçam leite para indústrias no Estado. Para acessar o incentivo, é necessário cumprir critérios obrigatórios, como:

  • Cadastro Ambiental Rural (CAR);
  • Assistência técnica regular;
  • Produção mínima de 100 litros por dia;
  • Conformidade com normas do Ministério da Agricultura;
  • Regularidade fiscal, trabalhista, sanitária e ambiental.

Também há critérios complementares, como índices de qualidade do leite, incluindo gordura, proteína, contagem bacteriana e células somáticas e adoção de práticas sustentáveis.

Caso o produtor não atenda a algum requisito, perde o acesso ao benefício naquele período, podendo retornar após se adequar.

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Tempo curto

Riedel diz que enfrenta 'corrida contra o tempo' para garantir empréstimo de R$ 1,2 bilhão

O montante será destinado à revitalização e manutenção de 730 km de rodovias estaduais, mas concessão deve ser assinada pela Casa Civil até o dia 20, véspera de feriado

16/04/2026 14h00

Riedel diz que está confiante pela concessão do empréstimo pela Casa Civil mesmo com prazo curto

Riedel diz que está confiante pela concessão do empréstimo pela Casa Civil mesmo com prazo curto FOTO: Marcelo Victor/Correio do Estado

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O governador de Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel, afirmou em coletiva nesta quinta-feira (16) que o prazo para assinatura do empréstimo estimado em R$ 1,2 bilhão é curto, resultando em uma "corrida contra o tempo". 

"O aceite do governo federal foi feito ontem, e a gente tem até o dia 20 para assinar o contrato. Então, nós estamos assim: dia 20 é segunda-feira e é feriado. Então, estamos na corrida contra o tempo. Por isso, fiquei lá em Brasília e fui para o Senado pessoalmente, para que ontem mesmo fosse aprovado", afirmou Riedel. 

O montante, avaliado em US$ 200 milhões, foi autorizado na tarde da última quarta-feira (16) pelo Senado Federal, a partir de um financiamento com o Banco Mundial (Bird).

Esse recurso será destinado à recuperação de 730 quilômetros de rodovias nos municípios de Jateí, Naviraí, Iguatemi, Eldorado, Novo Horizonte do Sul, Itaquiraí, Nova Andradina, Angélica, Anaurilândia, Bataguassu, Taquarussu, Água Clara, Três Lagoas, Inocência e Paranaíba, bem como a manutenção da via por 10 anos. 

Mesmo tendo sido aprovado pelo Senado, Riedel explicou que o recurso ainda não está garantindo, precisando ser aprovado também pela Procuradoria-Geral Federal e pelo Tesouro Nacional, o que deixa o prazo mais apertado para a concessão do valor. 

"O próximo passo é a PGF e o Tesouro Nacional enquadrarem e aprovarem, mas só temos dois dias para isso e depois é sábado e domingo. O Banco Mundial não tem problema, eles disseram que assinam sábado, domingo, feriado, mas só temos dois dias para a PGF  e o Tesouro darem o acordo. Então, ainda não está garantido esse recurso, a gente precisa dessa aprovação, mas eu tenho muita esperança". 

Para Riedel, a concessão do empréstimo para a manutenção das rodovias estaduais deve ajudar a aliviar a situação fiscal de Mato Grosso do Sul, que passa por um momento de corte de gastos. 

"A situação fiscal do Estado é momentânea, é desse ano. A gente tem uma série de causas que trouxeram até aqui e aí é continuar fazendo um trabalho responsável para manter o equilíbrio fiscal. Eu não tenho dúvida que isso é passageiro. A economia está crescendo muito acima da média, mais que o dobro do PIB nacional, só que isso não se traduz em receita para o Estado, até porque a gente manteve uma carga tributária baixa, a mais baixa do Brasil. Mas eu não tenho dúvida nenhuma que isso reverte e muda com o avanço de mudanças do sistema tributário que estão acontecendo". 

Concessão do Senado

O recurso, mais US$ 50 milhões (R$ 250 milhões) de contrapartida estadual, vai ser usado para recuperar 730 quilômetros de rodovias e manter por 10 anos essas estradas em boas condições.

O texto só foi apreciado ontem (15) porque na noite de terça-feira o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), anunciou que incluiria a matéria na pauta em razão de sua urgência em ser votada precisava ser aprovada até o dia 20 e atendendo ao pedido do governador Eduardo Riedel (PP) e do senador Nelsinho Trad (PSD).

Responsável por destravar a análise do Senado, o senador Nelsinho Trad disse que o crédito estava em risco por prazo.

"Por isso, nós agimos. Quero agradecer a sensibilidade do presidente do Senado, que entendeu a urgência e permitiu que a matéria viesse direto ao plenário. Foi uma decisão correta, que garantiu ao Mato Grosso do Sul não perder esse financiamento", argumentou.

Relatora do projeto, a senadora Tereza Cristina (PP) explicou que a primeira coisa que desejava destacar é que a análise desse financiamento só chegou ontem ao Senado porque o governo do Mato Grosso do Sul demonstrou capacidade de pagamento e de honrar seus compromissos financeiros, o que é resultado direto da responsabilidade do governo de Riedel com a gestão das contas públicas.

"O mesmo devo dizer em relação ao fato de o governo federal ser avalista deste empréstimo externo. Apenas estados ou municípios com equilíbrio fiscal têm acesso a este tipo de crédito. O aval da União, já concedido, foi obtido porque Mato Grosso do Sul é um pagador confiável, com suas finanças em ordem", frisou. 

De acordo com ela, a concessão do aval da União só foi possível em razão do equilíbrio fiscal de Mato Grosso do Sul e à sua credibilidade como bom pagador. 

A autorização para contratação do empréstimo terá validade de até 540 dias, período em que o governo estadual deverá formalizar os trâmites necessários para viabilizar os investimentos.
 

Colaborou Daniel Pedra

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