Esportes

CARTÃO VERMELHO

Clubes de MS mantêm cautela ao falar sobre desvio de dinheiro dentro da FFMS

Dirigentes relataram que torcem para que a situação não piore e que as mudanças sejam benéficas para o futebol do estado.

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A prisão de Francisco Cezário gerou tempos nebulosos e indecisões entre os presidentes dos clubes de Mato Grosso do Sul. Em contato com a maioria dos dirigentes, a maior parte adotou uma postura mais cautelosa ao comentar sobre a prisão do mandatário, que esteve à frente da Federação de Futebol por mais de 26 anos.

De acordo com os clubes, todos eles seguem acompanhando as movimentações e aguardando as investigações para emitir um posicionamento correto do caso. 

“Estamos avaliando as situações e tomando bastante cautela com relação a isso. O Operário está aguardando com bastante expectativa porque já iniciamos reuniões para o ano de 2025 e todas essas notícias podem atrapalhar bastante o nosso panejamento”, relatou o presidente do Operário, Nelson Antônio ao Correio do Estado.  

Perguntado sobre como o Operário vê as informações sobre o desvio de R$ 6 milhões provenientes de convênios do Governo do Estado e da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), o presidente do Operário demonstrou preocupação. Isso porque o Galo de Campo Grande é o atual campeão estadual e está garantido na Copa do Brasil, Brasileirão Série D, Copa Verde e também no Campeonato Feminino, previsto para ocorrer ainda este ano.

“Esse dinheiro de convênios vindos do governo e da CBF é que faz a gente se manter vivo nos campeonatos. Esse dinheiro é de extrema importância para os clubes de Mato Grosso do Sul. Estamos sim, um pouco apreensivos, mas  espero que o caso seja resolvido de forma rápida para que não atrapalhe o planejamento do próximo ano e que as mudanças que vão acontecer daqui para frente, sejam benéficas para o nosso futebol”, relatou. 

A reportagem do Correio do Estado entrou em contato com o presidente do Comercial, Cláudio Barbosa. O clube disputará o Campeonato Sul-Mato-Grossense da Série B em agosto e, segundo o presidente, está avaliando as movimentações e espera que o caso seja resolvido o mais rápido possível.

“Esse dinheiro é importante para a gente competir, sem essa grana os clubes de MS vão a falência. Até o momento vou manter cautela e vamos aguardar as investigações. A principal preocupação neste momento é o estadual da série B e como vamos competir. Tenho que ser aberto, esse caso pode sim atrapalhar o nosso planejamento”, relatou. 

Ao contrário de outros dirigentes, o presidente do Novo Futebol Clube, Eder Cristaldo, demonstrou surpresa com as investigações e pede uma apuração mais aprofundada sobre os casos de corrupção dentro da federação.

“Cara … é difícil de comentar sobre isso. Acharam na casa do Cezário 800 mil reais, isso é um absurdo. Ontem o meu telefone não parou de tocar, muita gente de outros estados querendo  saber o que estava acontecendo. Isso mostra uma imagem muito negativa do nosso estado para o Brasil”, relatou 

O Novo Futebol Clube competirá apenas no segundo semestre de 2025 no Campeonato Sul-Mato-Grossense da Série B, mas o presidente demonstrou preocupação com o planejamento da equipe e o futuro do estadual.

“Sou amigo do Cezário, mas o que ele fez é imperdoável e ele precisa pagar por isso. O que aconteceu não ficou somente na federação e sim atingiu todos os clubes do estado. Esse caso de corrupção colocou todos os times envolvidos no caso. Nas votações entre os clubes, meu voto sempre foi contra tudo que foi acordado e sou contra tudo que está acontecendo. Se é para mudar, que seja para melhor e que Cezário precisa pagar por todos os crimes que cometeu”.  

A reportagem tentou contato com o presidente do Ivinhema, João Carlos Rodrigues que atendeu a ligação, mas por causa do compromissos não respondeu às nossas perguntas. O canal segue aberto para entender como anda o planejamento do Azulão do Vale e entre outros clubes que não atenderam os nossos contatos. 


Operação Cartão Vermelho

Operação realizada pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) por meio do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), que investiga suposto esquema de corrupção na Federação de Futebol de Mato Grosso do Sul (FFMS)prendeu ontem (21) o presidente da entidade, Francisco Cezário.

Segundo as investigações, o esquema tinha como principal objetivo o desvio de dinheiro que era proveniente do Governo do Estado de Mato Grosso do Sul, através de convênios, subvenção ou fomento ao esporte, e da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) para uso em benefício próprio ou de terceiros.

A principal forma de desvio era a realização de saques das contas da Federação de Futebol, em valores pequenos, de até R$ 5 mil, que após mais de 1.200 saques, ultrapassaram o montante de R$ 3 milhões.

O MP aponta que, além disso, o esquema também incluia desvio de diárias dos hotéis pagos pelo Estado para jogos do Campeonato Estadual.

Levantamento feito pelo Ministério Público no período de setembro de 2018 até fevereiro de 2023, identificou que o desvio de dinheiro total na Federação de Futebol superou a casa dos R$ 6 milhões.

A operação, intitulada como “Cartão Vermelho” cumpriu 7 mandados de prisão preventiva, além de 14 mandados de busca e apreensão, nos municípios de Campo Grande, Dourados e Três Lagoas.

Os alvos de investigação do Ministério Publico são: o presidente da Federação de Futebol, Francisco Cezário; Aparecido Alves Pereira; Francisco Carlos Pereira; Umberto Alves Pereira; Valdir Alves Pereira; Rudson Bogarim Barbosa; Marcelo Mitsuo Ezoe Pereira. 

Além desses nomes, o diretor de patrimônio da Federação, Jamiro Rodrigues de Oliveira, e o vice-presidente da Federação de Futebol, Marco Antonio Tavares também são investigados, junto com os donos da empresa de confecção de materiais esportivos de Dourados, Invictus Sports, Marcos Antonio de Araujo e Patricia Gomes de Araujo.

Em nota, a empresa Invictos Sports se pronunciou sobre a operação, informando que os proprietários foram autuados pelo Gaeco e forneceram as informações solicitadas a eles. 

“A empresa de confecção de uniformes Invictus, de Dourados, é prestadora de serviços para a Federação de Futebol de Mato Grosso do Sul e tem os referidos serviços registrados através de fornecimento de nota fiscal e pagamento registrado em conta corrente da empresa.

Marcos Araújo, proprietário, acompanha o trabalho do Gaeco e está fornecendo todas as informações solicitadas. Está à disposição e confia no trabalho desempenhado pela Justiça de Mato Grosso do Sul”, disse a nota.

O advogado de defesa da FFMS e do presidente Francisco Cesário, André Borges, também enviou um pronunciamento referente a Operação. 

“Nessa fase qualquer investigação é sempre unilateral; logo ela será submetida ao necessário contraditório; devemos aguardar os esclarecimentos, que serão prestados, oportunamente”, declarou.

De acordo com o Gaeco, na casa do presidente da FFMS foram apreendidos mais de R$ 800 mil.

 

*Colaborou Judsom Marinho

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Discriminação racial

Acordo evita prisão de torcedores condenados por racismo contra Vinicius Jr.

Ofensas ocorreram durante o jogo do Real Madrid contra o Valencia, em maio do ano passado

12/06/2024 23h00

Viniciu Jr. em ato antiracista durante jogo

Viniciu Jr. em ato antiracista durante jogo

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Os três torcedores do Valencia, condenados por insultos racistas contra o jogador brasileiro Vinicius Junior, não irão para a prisão. Condenados pela Justiça espanhola, eles se beneficiarão de uma disposição da lei espanhola que permite o cumprimento da pena em liberdade para réus primários com penas inferiores a dois anos.

Apesar da vontade da La Liga, entidade organizadora dos campeonatos de futebol na Espanha, de ver uma punição mais severa, o acordo foi aceito para evitar que o caso fosse a julgamento. O incidente ocorreu durante o jogo do Real Madrid contra o Valencia, em 21 de maio do ano passado, e inicialmente foi levado à Justiça sob o artigo 510 do Código Penal espanhol, que trata de crimes de ódio. Uma condenação sob esse artigo poderia resultar em penas de um a quatro anos de prisão.

Para evitar o risco de prisão, os advogados dos réus propuseram que eles fossem enquadrados no artigo 173.1 do Código Penal, que aborda delitos contra a integridade moral e prevê penas de seis meses a dois anos. O acordo foi aceito por todas as partes envolvidas, incluindo La Liga, Vinicius Júnior, a Real Federação Espanhola de Futebol e o Real Madrid. Embora La Liga argumentasse que uma condenação por delito de ódio seria mais justa, a decisão foi tomada com base no reconhecimento do crime pelos réus e seu pedido de desculpas.

A pena inicial de um ano foi reduzida para oito meses devido aos atenuantes, e será cumprida em liberdade. Além disso, os torcedores estão banidos de estádios de futebol por dois anos e, daqui para frente, não serão mais considerados réus primários.

Desde 2020, La Liga levou à Justiça 35 casos de racismo ou homofobia nos estádios, sendo 20 deles envolvendo Vinicius Júnior. A condenação recente é histórica, marcando a primeira vez que um caso de racismo é punido pela Justiça na Espanha.

*Com informações de Folhapress

Esportes

"Com 4 votos a 3, TJD absolve Petrallás, que permanece na presidência da federação

O julgamento aconteceu na Câmara Municipal de Campo Grande. A defesa do acusado tem até três dias para recorrer da decisão ao Supremo Tribunal de Justiça Desportiva.

12/06/2024 15h35

Estevão Petrallás foi nomeado cmo gestor interino da FFMS, pela Confederação Brasileira de Futebol

Estevão Petrallás foi nomeado cmo gestor interino da FFMS, pela Confederação Brasileira de Futebol Fotos: Gerson Oliveira

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Na noite de ontem (11), o Tribunal de Justiça Desportiva de Mato Grosso do Sul (TJD-MS) decidiu, por uma margem apertada, sobre as irregularidades na gestão de Estevão Petrallás entre 2016 e 2018, mantendo-o no cargo de presidente interino da federação de futebol (FFMS). O placar foi de 4 a 3, com o desempate realizado pelo presidente do Tribunal, Patrick Hernandes.

O julgamento aconteceu na Câmara Municipal de Campo Grande e foi bastante acalorado, com muitas discussões entre o denunciante e o acusado.

Após os relatores apresentarem seus votos, o advogado do Comercial, Reinaldo Leão, alegou que Petrallás não poderia ter sido indicado pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) devido a irregularidades nas prestações de contas da Liga de Futebol Profissional de Mato Grosso do Sul, durante o período em que o atual gestor interino era presidente. 

É importante lembrar que em 2016, a Justiça condenou a Liga de Futebol Profissional, então presidida por Estevão Petrallás, ao pagamento de R$40 mil. Atualmente, o valor da condenação ultrapassa R$131 mil.

Conforme o Art. 67 da Lei nº 14.597 (Lei Geral do Esporte), a denúncia solicitava o afastamento imediato de Petrallás da federação, mencionando sua inelegibilidade.

Depois que o caso veio à tona, o advogado de defesa, Rafael Meirelles, pediu o arquivamento do caso e a manutenção de Estevão à frente da FFMS, frisando que o processo é exclusivamente contra a Liga de Futebol.


A votação …. 

Após as defesas apresentarem seus argumentos, deu-se início à votação, com a presença de sete auditores na mesa, em sessão híbrida.

O primeiro a votar foi o relator da mesa, que se declarou contrário à medida da Procuradoria Geral. Na sequência, Marcelo Carriel seguiu o relator e afirmou que também não poderia ser favorável.

A única mulher na mesa, a auditora Celina de Mello e Dantas Guimarães, foi a primeira a concordar com a denúncia e se opor ao relator. O auditor Munir Yusef acompanhou a colega, assim como Valessa Silvério, resultando até então em 3 a 2 contra Estevão.

Seguindo a votação, o auditor Leonardo Ros Ortiz empatou o placar, deixando para o presidente do Tribunal o desempate.

Em seu momento de fala, Patrick Hernandes decidiu se posicionar contra a medida da Procuradoria Geral, fechando os votos em 4 a 3 a favor de Petrallás.

A decisão foi muito comemorada pelo presidente interino da federação, que permanecerá no comando da federação de futebol pelos próximos 90 dias. O autor da denúncia, o Esporte Clube Comercial, tem até três dias para recorrer ao Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD). 

 

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