Um aporte de mil dólares durante os tempos de universidade acabou se convertendo na maior riqueza pessoal já registrada entre os brasileiros. Com 22 anos e matriculado em Economia na Universidade de Harvard, Eduardo Saverin aplicou essa quantia em 2004 no Thefacebook.com, iniciativa acadêmica que ele ajudava a tirar do papel junto com Mark Zuckerberg. Na época, não havia garantia de sucesso.
Passados mais de vinte anos, aquela fatia inicial se converteu em um patrimônio de R$ 162,9 bilhões, o suficiente para tornar Saverin o brasileiro mais rico da atualidade.
Papel técnico na criação da rede
O envolvimento de Saverin não se limitou ao dinheiro: ele também colaborou na estruturação técnica do site e, de acordo com a Forbes, foi responsável por montar um servidor na garagem da residência de seus pais.
A parceria com Zuckerberg, no entanto, não durou muito tempo. Divergências sobre a administração do negócio levaram os dois à Justiça americana em 2005, num processo que discutia a fatia acionária de Saverin e seu reconhecimento como cofundador da empresa.
Disputa judicial e o acordo confidencial
Um acordo extrajudicial encerrou o litígio em 2009, sem detalhes tornados públicos sobre os termos. Analistas da época calculavam que Saverin teria ficado com uma fatia próxima a 5% da companhia, participação que se tornaria extremamente valiosa nos anos seguintes.
A virada veio com a expansão acelerada do Facebook, e a abertura de capital na Nasdaq, em 2012, movimentou US$ 16 bilhões, com 421,2 milhões de ações negociadas a US$ 38 cada. O salto multiplicou o valor da participação retida por Saverin.
Aquisições que ampliaram o valor da empresa
As aquisições reforçaram o crescimento do grupo controlado por Zuckerberg. O Instagram foi incorporado por US$ 1 bilhão ainda em 2012, e o WhatsApp entrou para o pacote por cerca de US$ 22 bilhões. Os negócios ajudaram a empresa a se tornar a atual Meta.
A trajetória de Saverin na lista de bilionários começou em 2011, quando seu patrimônio somava R$ 2,6 bilhões segundo a Forbes. Foi em 2024 que o brasileiro chegou ao topo do ranking de fortunas nacionais pela primeira vez, e ele segue na liderança em 2026.
Oscilação recente e distância do segundo colocado
O valor atual de R$ 162,9 bilhões representa queda em relação aos R$ 227 bilhões registrados em 2025, reflexo direto da desvalorização das ações da Meta no período. Ainda assim, a vantagem sobre o segundo lugar segue larga: Vicky Safra e a família somam R$ 130,6 bilhões, uma diferença de mais de R$ 30 bilhões.
Parte da fortuna de Saverin já não depende só da Meta. Em 2015, ele cofundou a B Capital, empresa de investimentos voltada para startups.
Novo fundo mira inteligência artificial
A gestora ampliou o apetite por esse setor, e em julho de 2026, fechou o terceiro fundo da história, o Ascent Fund III. O fundo reúne US$ 500 milhões voltados a startups de inteligência artificial, com foco especial em saúde e energia, em mercados da América do Norte e da Ásia.
Aos 44 anos, Saverin mantém rotina discreta em Singapura, onde vive desde 2009. A diversificação para fora das ações da Meta consolidou uma segunda frente de renda que ajuda a sustentar sua posição no topo do ranking brasileiro.


