Educação

Ir à escola é fundamental para as crianças, mas estudo revela um possível risco à saúde

Risco individual é pequeno.

Bactérias presentes na poeira das salas de aula podem estar associadas a pequenas reduções na função pulmonar de crianças, indica pesquisa da Universidade de Ferrara apresentada na Europa. O estudo analisou registros de 4.739 crianças em 294 salas de aula de 22 países para entender como essas bactérias do solo e da água afetam a respiração infantil.

Crianças passam horas todos os dias em salas de aula, onde a poeira se deposita e carrega microrganismos comuns do solo. Embora o risco individual seja pequeno, os pesquisadores alertam que variações mínimas distribuídas por toda a população em idade escolar podem ter impacto significativo na saúde pública a longo prazo.

Como o estudo foi feito

A pesquisa usou dados do projeto SINPHONIE, uma iniciativa europeia que mediu a qualidade do ar em escolas primárias há mais de uma década. Os pesquisadores coletaram poeira de cada sala de aula, mediram a quantidade de DNA de diferentes grupos bacterianos e dividiram as salas em terços conforme a quantidade de cada bactéria encontrada.

No teste de função pulmonar, cada criança respirou fundo e expirou com força em um dispositivo chamado espirômetro. O aparelho mede o volume total de ar exalado, quanto sai no primeiro segundo e a velocidade máxima do fluxo.

O estudo levou em conta dez fatores adicionais: idade, sexo, índice de massa corporal, exposição a fumaça, animais de estimação, nível de renda familiar, idade do prédio escolar, região geográfica e níveis externos de partículas finas e dióxido de nitrogênio.

Quais bactérias foram encontradas

Duas bactérias do solo apareceram com destaque nas amostras de poeira: Streptomyces, que pode indicar umidade ou danos estruturais no prédio, e Mycobacterium, que vive tanto no solo quanto em água e consegue permanecer dentro de edifícios por longos períodos. Ambas são comuns em solo, poeira e ar — nenhuma delas é rara ou exótica.

As salas com níveis mais altos de uma bactéria também tendiam a ter níveis mais altos da outra, sugerindo condições ambientais compartilhadas. Entre todos os microrganismos medidos nessas escolas, apenas um grupo comum de fungos foi encontrado em concentrações típicas maiores.

O impacto na respiração das crianças

Nas salas de aula com os maiores níveis de Streptomyces, o volume total de ar que as crianças conseguiram expelir foi, em média, 0,08 litro menor — 2,7 fluid ounces (0,08 litro), o equivalente a cerca de um terço de uma xícara — do que o das crianças das salas com menos dessa bactéria.

Quando o nível de Mycobacterium era mais alto, a redução aparecia no ar exalado no primeiro segundo: as crianças conseguiam expelir 0,06 litros a menos nesse período, aproximadamente um quarto de xícara. A velocidade máxima do fluxo de ar também foi menor nesses casos. Em ambas as situações, as diferenças foram pequenas, mas presentes de forma consistente.

O que os achados significam

Uma redução leve a moderada na função pulmonar durante a infância pode preceder doenças pulmonares evitáveis na vida adulta, segundo Soutrik Banerjee, estatístico-chefe por trás da pesquisa. Porém, nenhuma das crianças envolvidas no estudo foi acompanhada até a idade adulta para confirmar essa progressão.

Embora o declínio seja mínimo para cada criança, essa pequena diferença distribuída entre milhões de crianças em escolas pode ter relevância para a saúde pública.

Os achados foram apresentados no Congresso da Sociedade Respiratória Europeia em Barcelona. A relação de causa e efeito ainda não está esclarecida: os pesquisadores não podem confirmar se as bactérias causam a redução ou se apenas estão associadas a ela.

Recorde mundial

Bobi viveu 31 anos e foi o cão mais velho do mundo, mas seu recorde virou alvo de polêmica

A expectativa de vida da raça costuma variar entre 12 e 14 anos.

15/10/2026 17h28

Foto: Reprodução

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Bobi, um cão da raça Rafeiro do Alentejo, foi reconhecido como o animal mais longevo da história, com supostos 31 anos e 165 dias de vida. O caso ganhou repercussão nas redes sociais, mas dúvidas sobre a veracidade dos documentos levaram o Guinness World Records a congelar preventivamente o título e abrir uma investigação.

A expectativa de vida da raça costuma variar entre 12 e 14 anos. Por isso, os 31 anos alegados equivaleriam a aproximadamente 200 anos na vida de um ser humano. Veterinários e especialistas de diferentes países rapidamente manifestaram dúvidas sobre a idade divulgada pela família responsável pelo animal.

As falhas que derrubaram o recorde

A apuração do Guinness revelou inconsistências significativas, e Bobi recebeu um microchip de identificação apenas em 2022, muito tempo após o nascimento alegado. Até 2008, a legislação portuguesa não exigia certificação médica da idade para animais nascidos antes daquele ano. O registro oficial, portanto, dependia exclusivamente da declaração dos donos.

Um levantamento da National Geographic comparou fotos do cão jovem com imagens feitas pouco antes de sua morte em outubro de 2023 e encontrou uma contradição visual relevante. Nas fotografias antigas, as patas de Bobi apareciam brancas; nas imagens recentes, tinham tom marrom uniforme.

Biologicamente, a pelagem de um cão não escurece com a idade — ela perde pigmentação ao longo dos anos, nunca o contrário.

Bluey retoma o posto histórico

Diante da ausência de provas genéticas e documentais sólidas, Mark McKinley, diretor de recordes da organização, confirmou a retirada definitiva do título. Após a desclassificação, o recorde de maior longevidade canina documentada voltou para Bluey, uma fêmea da raça pastor australiano que viveu 29 anos e 5 meses entre 1910 e 1939.

O dono de Bobi, Leonel Costa, contestou as acusações, afirmando que todas as suspeitas são infundadas e atribuindo os questionamentos a "certa elite do mundo veterinário" que resiste em aceitar que Bobi comeu alimentos naturais em vez de produtos caninos comerciais. O episódio reforça o rigor que entidades como o Guinness aplicam antes de validar recordes envolvendo seres vivos.

Reflexão

Dostoiévski deixou uma reflexão sobre a vida: "Não há nada mais elevado do que uma boa lembrança

Ideia transforma o luto em meditação.

15/10/2026 17h12

Foto: Reprodução

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Fiódor Dostoiévski encerrou Os Irmãos Karamázov com uma reflexão sobre a memória que atravessou mais de um século. No epílogo do romance, o personagem Aliócha Karamázov dirige-se a um grupo de meninos após o enterro de Iliúcha e pronuncia uma verdade que transforma o luto em meditação sobre a força moral das lembranças.

A cena ocorre junto a uma pedra, onde Aliócha diz aos meninos que nada é mais elevado, mais forte, mais saudável. E mais útil para o futuro do que uma boa lembrança, especialmente as guardadas da infância e da casa paterna.

Segundo a edição preservada pela Biblioteca Virtual Russa, essa fala final do personagem carrega o peso de uma verdade conquistada por meio do sofrimento.

Memória como depósito de dignidade

Dostoiévski não trata a memória como conforto passageiro ou fuga do presente. Para o escritor, lembranças valiosas funcionam como um reservatório íntimo de bondade, que as pessoas podem acessar quando a vida adulta as coloca diante de dificuldades e crises.

Aliócha fala a crianças marcadas pela culpa, pelo afeto quebrado e pela descoberta de que até mesmo uma experiência triste consegue preservar algo de elevado.

A morte de Iliúcha poderia deixar apenas trauma, mas o discurso do personagem a transforma em memória de reconciliação. Aliócha pede aos meninos que não esqueçam o colega nem o sentimento de união vivido naquele dia — um chamado a guardar a lembrança comum antes da separação inevitável que marca o fim da infância.

Essa escolha mostra que, para o escritor, a verdadeira força não está na vitória sobre os outros, mas na capacidade de reconhecer e preservar a dignidade das pessoas próximas.

Por que o romance termina com crianças e memória

A Universidade de Dayton identifica Os Irmãos Karamázov como drama familiar, romance de crime e meditação filosófica. Dostoiévski, porém, escolhe um encerramento que se afasta do tribunal e da justiça formal. E fixa o desfecho nas crianças, na amizade e na responsabilidade moral que cada um carrega para a vida adulta.

O romance termina não com resolução legal, mas com o discurso de um personagem que aprendeu a ver bondade mesmo onde o sofrimento pareceria reinar. Essa inversão final mostra que, para Dostoiévski, uma boa lembrança permite recomeçar: é uma salvação íntima guardada desde a infância, capaz de nos sustentar quando enfrentamos os pesos da existência.

Como a memória se torna reserva moral que resiste ao sofrimento

Dostoiévski propõe um mecanismo simples: quando guardamos uma boa lembrança no coração, ela funciona como um depósito que podemos acessar nos momentos difíceis, e não se trata de nostalgia ou fuga.

A memória age como uma âncora que nos reconecta a um valor ou sentimento vivido e permite redescobrir a dignidade quando a vida adulta nos coloca diante de crises e dor.

Aliócha exemplifica esse mecanismo com crianças marcadas por culpa e luto. Ele não lhes oferece consolo fácil sobre a morte de Iliúcha. Mas pede que transformem a experiência do sofrimento compartilhado em uma lembrança que guardem, porque até uma experiência triste consegue preservar algo de elevado.

Pequena ou grande, essa boa lembrança funciona depois como uma salvação íntima guardada desde a infância, capaz de nos sustentar quando enfrentamos os pesos da existência.

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