Ciência

Sonhar regularmente pode reduzir o risco de 83 doenças, aponta novo estudo

A pesquisa analisou dados de 95.559 participantes.

Dormir de 7 a 9 horas por noite não garante um descanso realmente eficaz para o corpo. Um estudo liderado pela Universidade de Pequim e pela Capital Medical University. Na China, mostrou que a etapa do sono em que os sonhos acontecem, chamada de REM, pode ser tão importante quanto a duração total do descanso.

A pesquisa analisou dados de 95.559 participantes do UK Biobank. Banco de dados de saúde do Reino Unido, e encontrou uma ligação entre o sono REM e a proteção contra 83 doenças diferentes. Quanto mais minutos nessa fase, menor o risco de desenvolver certas condições crônicas.

Como o sono REM foi medido

Os voluntários usaram sensores de pulso durante sete dias, o que permitiu aos cientistas mapear cada fase do descanso noturno. Foram avaliados a duração total das noites, os despertares e a irregularidade dos horários de dormir.

Essa fase costuma começar cerca de 90 minutos depois que a pessoa pega no sono. E se repete em ciclos, ocupando entre 20% e 25% de toda a noite — o restante se divide entre sono leve e profundo. Quem acorda cedo demais acaba perdendo justamente os períodos mais longos dessa etapa, concentrados na segunda metade do descanso.

Menos risco de doenças graves

Os voluntários foram acompanhados por cerca de nove anos, prazo em que a equipe cruzou os padrões de sono com mais de 1.000 diagnósticos médicos. Quem tinha mais sono REM apresentou risco 26% menor de insuficiência cardíaca e 46% menor de demência.

A queda chegou a 80% no caso da doença de Parkinson, associada a cerca de 48 minutos extras dessa fase por noite. Já quem dormia mais profundamente teve proteção contra sete condições, incluindo diabetes tipo 2 e depressão maior.

Sono irregular traz outros riscos

Noites bagunçadas, com horários que mudam da água para o vinho e despertares frequentes, foram ligadas a chances maiores de ansiedade e de transtornos relacionados ao uso de substâncias. O corpo parece reagir mal à falta de rotina, não só à falta de horas dormidas.

Apesar dos números, a pesquisa tem caráter observacional: ela mostra associações entre os padrões de sono e as doenças, mas não prova que dormir mais na fase REM previna diretamente esses quadros. Os próprios responsáveis pelo estudo reconhecem que ainda falta comprovar uma relação de causa e efeito entre os dois fatores.

Clima

Alerta global: El Niño pode causar 451 mil mortes adicionais no mundo até fevereiro

Impacto recai com mais força sobre países em desenvolvimento.

29/09/2026 18h44

Foto: Manuel Muñoz/Pexels

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O fenômeno climático El Niño pode elevar em 451 mil o número de mortes ligadas ao calor no mundo até fevereiro, segundo projeções científicas divulgadas nesta quarta (23). O impacto recai com mais força sobre países em desenvolvimento, onde a estrutura de saúde tem menos capacidade de resposta a ondas de calor extremo.

Declarado em junho, o fenômeno deve atingir o pico de intensidade ainda neste ano e caminha para superar registros anteriores, o que amplia os efeitos já provocados pelas mudanças climáticas. O Brasil aparece nas projeções com 13 mil mortes adicionais estimadas no mesmo período.

Por que o calor mata mais em certas regiões

Ao esquentar as águas superficiais do Oceano Pacífico, o El Niño desorganiza os ventos e altera o regime de chuvas em escala mundial. Esse desequilíbrio térmico agrava doenças cardiovasculares e respiratórias, e pode piorar a qualidade do ar em áreas afetadas por incêndios florestais associados à seca.

O Climate Impact Lab. Da Universidade de Chicago, projeta que a região africana do Sahel some 66.800 mortes adicionais em comparação a um ano sem o fenômeno; quase metade delas concentrada na Nigéria. A Indonésia aparece com 19.300 óbitos a mais, enquanto Filipinas, Vietnã, Tailândia e Camboja juntos somariam 19.400, e Índia teria 15.800 mortes adicionais.

Como os pesquisadores chegaram aos números

A equipe cruzou dados sobre temperatura e excesso de mortalidade coletados em 24.378 regiões distintas, considerando clima local e grau de vulnerabilidade de cada área. Depois, comparou essas informações com previsões de temperatura de longo prazo, usando como referência a média histórica entre 1996 e 2025 para calcular quantas mortes extras seriam atribuíveis ao fenômeno.

Os cálculos ainda não passaram por revisão de outros cientistas, mas devem ser publicados em breve em revista especializada. Em 22 de setembro, a Organização das Nações Unidas já havia classificado como significativa a ameaça que o El Niño representa à saúde pública global.

Riscos que vão além das altas temperaturas

O calor extremo não é o único problema associado ao fenômeno. Secas prolongadas e inundações repentinas tendem a favorecer surtos de desnutrição e cólera em regiões mais vulneráveis, somando-se ao efeito direto das temperaturas sobre a saúde da população.

Com o pico do El Niño previsto para os últimos meses do ano. O monitoramento das próximas semanas deve indicar se as projeções de mortalidade se confirmam nas regiões mais expostas ao calor extremo.

Investimento

Ele investiu US$ 1 mil em rede social e hoje é a pessoa mais rica do Brasil com R$ 162,9 bilhões

Também colaborou na estruturação técnica do site.

29/09/2026 18h13

Foto: Daniel Dan/Pexels

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Um aporte de mil dólares durante os tempos de universidade acabou se convertendo na maior riqueza pessoal já registrada entre os brasileiros. Com 22 anos e matriculado em Economia na Universidade de Harvard, Eduardo Saverin aplicou essa quantia em 2004 no Thefacebook.com, iniciativa acadêmica que ele ajudava a tirar do papel junto com Mark Zuckerberg. Na época, não havia garantia de sucesso.

Passados mais de vinte anos, aquela fatia inicial se converteu em um patrimônio de R$ 162,9 bilhões, o suficiente para tornar Saverin o brasileiro mais rico da atualidade.

Papel técnico na criação da rede

O envolvimento de Saverin não se limitou ao dinheiro: ele também colaborou na estruturação técnica do site e, de acordo com a Forbes, foi responsável por montar um servidor na garagem da residência de seus pais.

A parceria com Zuckerberg, no entanto, não durou muito tempo. Divergências sobre a administração do negócio levaram os dois à Justiça americana em 2005, num processo que discutia a fatia acionária de Saverin e seu reconhecimento como cofundador da empresa.

Disputa judicial e o acordo confidencial

Um acordo extrajudicial encerrou o litígio em 2009, sem detalhes tornados públicos sobre os termos. Analistas da época calculavam que Saverin teria ficado com uma fatia próxima a 5% da companhia, participação que se tornaria extremamente valiosa nos anos seguintes.

A virada veio com a expansão acelerada do Facebook, e a abertura de capital na Nasdaq, em 2012, movimentou US$ 16 bilhões, com 421,2 milhões de ações negociadas a US$ 38 cada. O salto multiplicou o valor da participação retida por Saverin.

Aquisições que ampliaram o valor da empresa

As aquisições reforçaram o crescimento do grupo controlado por Zuckerberg. O Instagram foi incorporado por US$ 1 bilhão ainda em 2012, e o WhatsApp entrou para o pacote por cerca de US$ 22 bilhões. Os negócios ajudaram a empresa a se tornar a atual Meta.

A trajetória de Saverin na lista de bilionários começou em 2011, quando seu patrimônio somava R$ 2,6 bilhões segundo a Forbes. Foi em 2024 que o brasileiro chegou ao topo do ranking de fortunas nacionais pela primeira vez, e ele segue na liderança em 2026.

Oscilação recente e distância do segundo colocado

O valor atual de R$ 162,9 bilhões representa queda em relação aos R$ 227 bilhões registrados em 2025, reflexo direto da desvalorização das ações da Meta no período. Ainda assim, a vantagem sobre o segundo lugar segue larga: Vicky Safra e a família somam R$ 130,6 bilhões, uma diferença de mais de R$ 30 bilhões.

Parte da fortuna de Saverin já não depende só da Meta. Em 2015, ele cofundou a B Capital, empresa de investimentos voltada para startups.

Novo fundo mira inteligência artificial

A gestora ampliou o apetite por esse setor, e em julho de 2026, fechou o terceiro fundo da história, o Ascent Fund III. O fundo reúne US$ 500 milhões voltados a startups de inteligência artificial, com foco especial em saúde e energia, em mercados da América do Norte e da Ásia.

Aos 44 anos, Saverin mantém rotina discreta em Singapura, onde vive desde 2009. A diversificação para fora das ações da Meta consolidou uma segunda frente de renda que ajuda a sustentar sua posição no topo do ranking brasileiro.

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