Colunistas

CLAÚDIO HUMBERTO

"Eu o nomeei e confesso, não me arrependo"

Ex-presidente Michel Temer, sobre a nomeação de Alexandre de Moraes ao Supremo

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Entidades se queixam do fim dos penduricalhos

Após breve e constrangido silêncio, entidades de magistrados e do ministério público passaram a defender abertamente, em notas públicas, os chamados “penduricalhos” que garantem remuneração mensal acima do teto constitucional de R$ 46 mil mensais, agora ameaçados por liminares dos ministros do STF Flávio Dino e Gilmar Mendes. A lista de vantagens impressiona. Só no âmbito do Judiciário somam ao menos 21, do tipo auxílios-alimentação, saúde, pré-escolar, funeral, moradia etc.

Incompreensíveis

Todos usufruem de ganhos incompreensíveis para quem paga a conta, tipo “abono de permanência”. E ainda tem o abono “pecuniário de férias”.

Uber particular

Tem “licença-prêmio não usufruída”, “diferença por substituição” e, creia, até mesmo “indenização decorrente do uso de veículo próprio”.

No popular

E tome gratificações: “função eleitoral”, “comarca de difícil provimento”, magistério, exercício cumulativo e, claro, a natalina, o rico “vale peru”.

Históricas, são

As entidades alegam que esses acréscimos são “conquistas históricas” das categorias, pagas há muitos anos, e a súbita extinção seria injusta.

Presa na Sem Desconto ganha pensão do INSS

Alvo da Polícia Federal no desdobramento da Operação Sem Desconto, que investiga esquema bilionário de fraudes no INSS, Cecília Rodrigues Mota é pensionista do instituto há quase 40 anos. Em junho de 1990, Cecília passou a receber pensão justamente do instituto que hoje aparece como ferramenta da gatunagem. A generosa pensão foi deixada por Vicente Rodrigues de Souza, que era técnico do seguro social. Cecília foi presa esta semana por ordem de André Mendonça (STF).

A conta não fecha

Em fevereiro, Cecília recebeu de pensão exatos R$ 8.954,37 bruto. Com os descontos, conseguiu ficar com R$ 7.498,21.

Ostentação

Mensagem de Cecília citada pelo ministro mostra a robustez do esquema, “bora comprar um jatinho”, disse a outro investigado, ex-INSS.

Proteção Suprema

Cecília esteve na CPMI do INSS em novembro, mas pouco falou. Estava blindada com habeas corpus concedido pelo ministro Flávio Dino (STF).

Novo PAC de mentirinha

Dados do próprio governo Lula (PT) reforçam a mentira da “prioridade para Educação”: de 6.227 projetos de infraestrutura educacional, só 722 (12%) saíram do papel no programa Novo PAC, a Nova Lorota, que liberou apenas R$ 1,2 bilhão dos R$ 15 bilhões prometidos. Vergonha.

Data-limite

A CPMI do INSS funcionará apenas até 28 de março, caso o pedido de prorrogação de funcionamento não seja acolhido pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, ou pelo STF, que já foi acionado.

Foco no esquema

Diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues minimizou vazamentos e cobrou foco sobre o que está sendo investigado no caso Master, “Uma fraude de R$ 50 bilhões, R$ 80 bilhões parece que desapareceu.”

A postos

Para o pré-candidato do Novo-SP a senador Ricardo Salles, é “muito positiva” a possibilidade de o governador mineiro Romeu Zema (Novo) ser vice de Flávio Bolsonaro (PL) e aposta: “se chamado, não recusaria”.

Brazão no Rio

Condenado como mandante da morte da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, Domingos Brazão passou a primeira noite no Bangu 8, no Rio de Janeiro. Brazão estava preso em Porto Velho (RO).

Só enrolação

O Senado enrolou e não votou o projeto que veda aposentadoria como “punição” para juízes. Ficou só no requerimento para audiência pública para discutir a proposta, que foi apresentada em 2024.

Esplanada tensa

Foi de boataria e apreensão a tarde de quarta-feira (18), em Brasília. Os mais afobados apostavam em operação contra ministro de Lula, acusado de achacar um empresário brasileiro em Miami. Não teve... ainda.

Clientes reféns

As redes sociais foram inundadas ontem (18) com reclamações sobre o Pix do Nubank, que voltou a apresentar instabilidade e barrou clientes de realizarem transferências. É a segunda vez apenas neste mês de março.

Pensando bem...

...greve de caminhoneiros, em ano eleitoral, lembra muito 2018.

PODER SEM PUDOR

Gelo de JK

JK se reunia no recém-construído Catetinho com jornalistas, engenheiros, arquitetos (como Niemeyer e o jovem repórter Murilo Melo Filho, da revista Manchete), que contou a história. Bebiam uísque quente, tipo “caubói”. Não tinha gelo porque não havia energia em Brasília. JK lamentou: “Não gosto de uísque, mas sei que uma pedrinha de gelo aí nos copos seria muito bem-vinda...” Mais tarde um pouco, o tempo fechou e desabou uma chuva torrencial, com pedras de granizo, comum na região, garantindo o gelo possível no uisquinho. Negociado com o Céu por JK, claro.

EDITORIAL

O bolso também vai às urnas

Renegociação de dívidas alivia o orçamento, mas não resolve a distância entre o desejo de consumo, a renda e a capacidade de pagamento

19/09/2026 07h15

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Nesta edição, o Correio do Estado mostra que os feirões de renegociação de dívidas e programas como o Desenrola, embora tenham permitido a milhões de brasileiros reorganizar suas finanças, não têm sido o suficiente para resolver o problema do endividamento. Renegociar uma dívida pode aliviar juros e recuperar parte da capacidade de pagamento, mas não elimina as causas que levaram o consumidor a comprometer sua renda.

A explicação para isso tem várias camadas. Em primeiro lugar, os hábitos de consumo não apenas do brasileiro, mas do cidadão do mundo ocidental, mudaram. O aumento da escala de produção tornou mais acessíveis produtos e serviços que antes eram restritos a uma parcela menor da população. Ao mesmo tempo, as redes sociais turbinaram a exposição a esses produtos, criando e ampliando desejos de consumo que nem sempre correspondem à renda de quem os deseja.

O problema surge quando a expectativa de consumo cresce mais rapidamente do que a capacidade financeira. A sociedade passou a conviver com uma vitrine permanente de viagens, carros, roupas, eletrônicos, restaurantes e experiências. O que antes era visto como excepcional passou a ser apresentado diariamente como algo comum e desejável. O consumidor, porém, continua limitado pela renda que recebe.

Dessa distância entre desejo e capacidade de pagamento surgem dois problemas. O primeiro é a frustração de quem não consegue alcançar aquilo que gostaria de ter. O segundo, ainda mais grave do ponto de vista financeiro, é o superendividamento de quem recorre ao crédito para aproximar sua realidade do padrão de consumo que deseja. O crédito, que deveria ajudar principalmente na aquisição de bens duráveis e no planejamento financeiro, acaba sendo utilizado para antecipar uma renda que não existe.

É por isso que os feirões e programas de renegociação, por mais importantes que sejam, não podem ser vistos como solução definitiva. Eles atacam a dívida já existente, mas não necessariamente modificam os hábitos de consumo, as expectativas ou a relação do cidadão com o crédito. Sem essa mudança, existe o risco de que a renegociação apenas abra espaço para um novo ciclo de endividamento.

Essa realidade também terá reflexos sobre as eleições que se aproximam. O bolso do cidadão é uma dimensão concreta da vida pública e pode pesar na forma como parte do eleitorado avalia governos, políticas econômicas e candidatos. Questões como corrupção, rachadinha e soberania continuarão presentes no debate, mas podem dividir espaço com preocupações muito mais imediatas para quem enfrenta dificuldades para fechar as contas do mês.

No fim, a questão é simples e, ao mesmo tempo, complexa: quanto maior a distância entre aquilo que o cidadão deseja consumir e aquilo que sua renda permite, maior tende a ser a pressão sobre seu orçamento e sua percepção sobre a realidade econômica. Compreender essa relação entre consumo, crédito, renda e frustração será importante para entender uma parcela do comportamento do eleitor nas eleições deste ano.

ARTIGO

Pelo fim dos superpoderes e a defesa da Constituição

19/09/2026 07h00

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Pedro Simon - Advogado, foi governador do Rio Grande do Sul, ex-senador da República e ministro da Agricultura

Ao longo dos meus 96 anos, vivenciei alguns dos piores momentos da história brasileira. Dos autoritarismos da ditadura militar aos maiores escândalos de corrupção da Nova República, estive na linha de frente de todos esses episódios, em defesa de um país melhor, mais justo, livre e igualitário. Confesso que lutei, como disse em meu discurso de despedida do Senado, em 2014: onde vi corrupção, lutei para levar a ética; onde vi impunidade, lutei para levar a justiça.

Hoje, assisto de longe, com angústia, à fragilização das instituições que construímos a partir de 1988, corroídas pela improbidade, pela maximização do interesse pessoal e por novas formas de coronelismo.

Vivemos hoje a maior crise deste século no Brasil: uma crise constitucional, da relação entre os poderes constituídos, que coloca em xeque a credibilidade da República perante a sociedade civil e a comunidade internacional.

Enquanto o Poder Executivo é capturado por projetos de poder que se confundem com projetos de governo, e não por projetos de Estado-nação, o Legislativo sequestra o orçamento republicano por meio de emendas parlamentares sem transparência nem responsabilidade, sob o domínio dos mesmos grupos políticos fisiológicos.

Enquanto isso, o Poder Judiciário, encastelado em uma superioridade autoproclamada, assume uma posição perigosa de tutela absoluta de todos os assuntos da República – mas, sob o comando de alguns de seus agentes e salvaguardadas honrosas exceções, em nada difere, em condutas recentes, dos entes corruptos e corruptores que se propõe a julgar.

As investigações em torno do escândalo do Banco Master e o embate público recente entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) expuseram, em todo o País, uma Corte que deveria pacificar a Nação e que, em vez disso, tornou-se palco de disputas que corroem a sua própria autoridade moral. Já disse, e repito: vivemos a página mais triste da nossa história neste século, na qual perdemos a confiança nos Três Poderes da República.

A recente deliberação do STF aprofunda essa crise de credibilidade institucional. Ao expor divisões internas e hesitar no rigor sobre as apurações do caso do Banco Master que envolvem membros da própria Corte, o Tribunal compromete a autocontenção e a neutralidade exigidas da magistratura. O episódio confirma que a ausência de controle externo efetivo e a resistência à transparência corroem a autoridade moral do guardião da Constituição.

Foi no Senado que passei 32 dos meus 60 anos de vida pública, ao lado de Ulysses Guimarães, Tancredo Neves e Teotônio Vilela, na reconstrução da nossa democracia. É por essa vivência que faço um alerta: compete privativamente ao Senado, por força da Constituição Federal, processar e julgar os ministros do STF por crimes de responsabilidade. Esse é um dos pilares do equilíbrio entre os Poderes que ajudamos a erguer em 1988, e hoje ele está, na prática, esvaziado. Dezenas de pedidos de impeachment contra ministros da Corte acumulam-se há anos nas gavetas da mesa diretora, sem parecer e sem votação.

Em toda a nossa história democrática, nenhum ministro do Supremo jamais chegou a ser julgado até o fim por esse rito. O Senado, a quem caberia fiscalizar o Judiciário, tem preferido o silêncio ao exercício desse dever constitucional, seja por cálculo eleitoral, seja pelo receio de turbulência institucional. Um poder que se omite de fiscalizar torna-se, ele também, parte da crise.

O Brasil precisa de uma resposta firme e rigorosa; necessita que se instaure investigação regular e independente sobre os fatos revelados, assegurados o contraditório e a ampla defesa; que o STF retome, sem subterfúgios, a sua autocontenção institucional; que se encerre o inconstitucional inquérito das fake news; que todos os envolvidos com o Banco Master sejam investigados, independentemente do cargo ou partido político; que se restabeleça a atuação dentro dos limites da Constituição, e que ninguém, nem mesmo quem julga a Nação, esteja acima da lei.

Chegou o momento de reformas na Corte, com mandatos fixos, aperfeiçoamento do modelo de indicação e de um Código de Ética efetivo. Volto, então, àquilo em que sempre acreditei: a democracia não se sustenta na força de um só poder, mas no equilíbrio entre todos eles e na vigilância permanente da sociedade civil. Ao povo brasileiro, e sobretudo à juventude que hoje herda esta crise sem tê-la criado, deixo o mesmo apelo que fiz ao deixar o Senado: que não desistam da política, nem do Brasil. 

A pátria é feita de quem rejeita a corrupção, a impunidade e a soberba dos que se creem acima da lei. Que essa pátria, mais uma vez, prevaleça.

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