Política

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Boulos diz que MS pode surpreender nas eleições e aposta em avanço da esquerda no Estado

Ministro do governo Lula cumpriu agenda em Campo Grande e disse acreditar que eleições serão favoráveis para o campo progressista no Estado

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O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência do Brasil, Guilherme Boulos, afirmou acreditar em um avanço da esquerda em Mato Grosso do Sul e que o Estado tem chances de eleger senador e deputados do campo progressista e que ainda pode haver um segundo turno nas eleições para governador. O ministro cumpriu agendas em Campo Grande nesta quinta-feira (17).

Durante visita a obras no Loteamento Novo Samanbaia, Boulos disse estar otiminista com o cenário para outubro.

Ele disse que há um legado progressista em Mato Grosso do Sul, citando que o Estado já teve um governador de esquerda, o Zeca do PT, e que atualmente tem dois deputados federais, Camila Jara e Vander Loubet.

"Tem chance real de eleger ao menos um senador do nosso campo. E o Fábio Trad, pelo que eu estava vendo na pesquisa de hoje, estaria no segundo turno com o atual governador", disse.

A última pesquisa contratada pelo Correio do Estado e realizada pelo Instituto de Pesquisa Resultado (IPR), divulgada no dia 27 de agosto, no entanto, aponta que a eleição para o governo de MS pode ser decidida no primeiro turno. 

Desconsiderando os votos brancos, nulos e os eleitores ainda indecisos, como ocorre no cálculo dos votos válidos na eleição, ele alcança aproximadamente 58,3% dos votos já definidos, contra 41,7% dos demais candidatos.

O ministro afirmou ainda que, apesar de Mato Grosso do Sul ser um estado mais conservador, especialmente por ser forte na agropecuária, há espalo para o campo progressista, de esquerda e para quem defende o projeto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

"As vezes eu vejo um monte de enchendo a boca para falar em nome do agro, em nome da agropecuária, em nome do setor rural, mas quem fez o maior Plano Safra? Quem botou dinheiro, crédito na veia para a agricultura, logística, tecnologia, Embrapa, garantindo apoio, não só para o grande do agronegócio, que exporta para fora, mas para o pequeno, para a agricultura familiar, euem é que fez isso? É o presidente Lula", afirmou Boulos.

Ele criticou ainda políticos de outras ideologias que utilizam o agro como vitrine.

"Ficar tocando berrante, dizendo que defende o agro e fazendo palavra de ordem, até papagaio faz. Ficar fazendo dancinha no TikTok, qualquer criança faz. Falar é fácil, a questão é entregar. Entregar na agropecuária, entregar na moradia e na urbanização, entregar na saúde", alfinetou.

Por fim, ele afirmou que muitas pessoas "que se pautam pela vida real" estariam indo para o campo do presidente Lula, sem citar dados que confirmem a informação.

"Eu acho que o cenário do Mato Grosso do Sul hoje, para o presidente Lula e para o nosso campo, é um cenário que pode surpreender muita gente no dia 4 de outubro", concluiu.

Agenda em Campo Grande

Boulos chegou a Campo Grande na manhã desta quarta-feira, onde concedeu entrevistas.

Às 14h30, participou de um encontro na Câmara Municipal com motoboys, entregadores de comida e motoristas de aplicativo. Entre os assuntos discutidos estão o programa Parada Certa, que busca oferecer estrutura de apoio aos trabalhadores durante a jornada, e o Move Brasil, voltado às demandas da categoria.

Na sequência, visitou o loteamento Novo Samambaia, onde estão sendo realizadas obras de urbanização, reforma de uma Unidade Básica de Saúde (UBS) e de unidades residenciais dentro do Programa Periferia Viva.

"Essa é uma obra, um investimento de R$ 32 milhões no programa Periferia Viva. O que está acontecendo aqui no Campo Grande, no Samambaia, está acontecendo em centenas de outros bairros de grandes cidades brasileiras, de médias cidades brasileiras que é para poder transformar uma região que hoje está degradada numa região que as pessoas possam viver com dignidade", disse o ministro.

"Eu não consigo conceber alguém que por interesse eleitoral, por política partidária, critique um projeto como esse", acrescentou.

Outro compromisso do ministro foi uma caminhada na Comunidade Cidade dos Anjos, no Parque do Lageado, onde vivem cerca de 300 famílias que sofreram impactos das recentes chuvas e ventanias, que provocaram danos em barracos. 

Ainda nesta quinta-feira, Boulos participa do lançamento do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) em Mato Grosso do Sul, em atividade no Centro Comunitário do Coophatrabalho.

Limites

Bolívia e Paraguai concluem demarcação total da fronteira iniciada após guerra, 88 anos depois

Em comunicados separados, autoridades informaram que o último trecho pendente foi definido depois de uma reunião de três dias

17/09/2026 14h00

Foto: Reprodução

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Bolívia e Paraguai concluíram na quarta-feira a demarcação integral de sua fronteira, encerrando um processo iniciado após a Guerra do Chaco e a assinatura da paz entre os dois países, em 1938.

Em comunicados separados, autoridades informaram que o último trecho pendente foi definido depois de uma reunião de três dias da Comissão Mista Demarcadora de Limites, realizada na chancelaria boliviana, em La Paz.

"Para nós é uma alegria enorme porque mostra a boa vontade que existe entre os dois países para encontrar soluções", disse à Associated Press o vice-chanceler boliviano, Carlos Paz. Ele afirmou ainda que o Paraguai é o primeiro país com o qual a Bolívia tem as fronteiras totalmente demarcadas "sem problemas". A Bolívia também faz divisa com Argentina, Brasil, Chile e Peru

O segmento final ficava em uma divisão natural entre os países, no rio Negro, também conhecido como Otuquis. A área está no sudeste boliviano e integra a planície alagável do Pantanal, compartilhada por Brasil, Bolívia e Paraguai. Segundo o vice-chanceler, os últimos 3,5 quilômetros foram resolvidos durante a plenária em La Paz com apoio de drones de alta precisão e cruzamento de dados técnicos.

A embaixada paraguaia na Bolívia afirmou, em nota divulgada nas redes sociais, que o avanço é resultado de anos de diálogo, cooperação, compromisso técnico e vontade política, com o objetivo de consolidar uma relação baseada em respeito mútuo, confiança e fraternidade entre "nações irmãs".

Com a conclusão, a fronteira entre os dois países soma cerca de 742 quilômetros, dos quais 38 quilômetros correspondem a áreas fluviais. Carlos Paz disse que a demarcação também melhora a capacidade de resposta a incêndios e desastres naturais, ao facilitar a identificação precisa de locais por meio de marcos.

Bolívia e Paraguai travaram a Guerra do Chaco entre 1932 e 1935, disputando o Chaco Boreal. No conflito, a Bolívia perdeu aproximadamente 235 mil quilômetros quadrados da região.

O vice-chanceler destacou ainda que a relação de amizade e boa vizinhança entre os presidentes Rodrigo Paz (Bolívia) e Santiago Peña (Paraguai) contribuiu para o avanço do processo. Ainda na quarta, o ex-governador de Santa Cruz Luis Fernando Camacho tomou posse como embaixador boliviano no Paraguai.

Conteúdo traduzido com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação do Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado).

FRENTE A FRENTE

Fábio diz que incentivos enriqueceram empresas, mas não os trabalhadores

O candidato a governador pelo PT vai exigir que empresas aumentem salários, qualificação e contratação de mão de obra local

17/09/2026 08h00

O ex-deputado federal Fábio Trad, candidato a governador pelo PT, em sabatina realizada por seis veículos

O ex-deputado federal Fábio Trad, candidato a governador pelo PT, em sabatina realizada por seis veículos Foto: Marcelo Victor/Correio do Estado

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O ex-deputado federal Fábio Trad (PT), candidato ao governo de Mato Grosso do Sul, criticou o atual modelo de incentivos fiscais do Estado por considerar que o crescimento econômico proporcionado pela atração de grandes empresas não chegou na mesma proporção ao bolso dos trabalhadores. 

Em entrevista ao projeto Frente a Frente – Eleições 2026, ele defendeu a manutenção dos benefícios, mas com novas contrapartidas para as empresas que recebem dinheiro público na forma de renúncia tributária.

A tese defendida por Fábio Trad é que MS conseguiu atrair grandes investimentos e ampliar a sua produção, porém concentrou parte relevante dos ganhos econômicos nos grandes grupos empresariais. 

Para ele, a política precisa passar a levar em consideração não apenas quantos empregos são abertos, mas também quanto esses postos pagam, quantos são ocupados por trabalhadores sul-mato-grossenses e qual a contribuição das empresas para a qualificação profissional.

Na prática, Trad não propõe acabar com os incentivos fiscais. Seu programa de governo reconhece que o mecanismo teve papel na atração de investimentos para setores como celulose, proteína animal, agronegócio e logística. A mudança seria estabelecer novas exigências para que uma empresa tenha acesso ao benefício.

Entre as contrapartidas previstas estão geração de empregos formais, valorização e qualificação da mão de obra local, aumento do salário médio, agregação de valor à produção estadual e investimentos em regiões menos desenvolvidas. 

O diagnóstico do programa petista afirma que o modelo atual concentra incentivos em grandes grupos econômicos e setores já consolidados.

Para o petista, o número de vagas criadas não pode ser o único indicador usado para justificar bilhões de reais em benefícios. O candidato defende que o governo passe a avaliar também a qualidade dos empregos e a distribuição da riqueza produzida pelos grandes investimentos.

Ele disse que a preocupação com salários ganhou espaço na campanha depois de visitas de Fábio Trad a Três Lagoas, um dos principais polos industriais do Estado. 

Em encontros com trabalhadores dos setores de celulose, alimentação e construção pesada, representantes sindicais relataram dificuldades para ampliar a presença da mão de obra local nos postos mais qualificados e reivindicaram salários compatíveis com o crescimento econômico das empresas instaladas na região.

SAÚDE

Depois da política de incentivos, a saúde aparece como outro ponto de diferenciação apresentado por Fábio Trad. O candidato pretende retomar para Mato Grosso do Sul a administração dos hospitais regionais cuja gestão foi transferida a entidades privadas.

A proposta faz parte do programa de governo registrado na Justiça Eleitoral e prevê reforçar a presença estadual na administração hospitalar e ampliar a regionalização do atendimento.
Fábio Trad argumenta que os moradores do interior não podem depender de Campo Grande para conseguir parte significativa dos procedimentos de média e alta complexidade.

O plano inclui fortalecimento das unidades regionais existentes e ampliação da estrutura hospitalar no interior. A candidatura também apresentou a proposta de construir hospitais em municípios como Corumbá, Naviraí e Jardim.

Com a regionalização, Fábio Trad pretende reduzir a transferência de pacientes para Campo Grande e, consequentemente, diminuir a pressão sobre a estrutura da Pasta de Saúde da Capital.

EDUCAÇÃO

Na Educação, Fábio Trad voltou a defender a redução da diferença existente entre professores concursados e temporários da Rede Estadual de Ensino.

A proposta prevê um planejamento plurianual de concursos públicos para diminuir a dependência de profissionais convocados e um estudo sobre o impacto financeiro da equiparação salarial entre professores que exercem funções semelhantes.

O candidato afirmou que pretende criar, nos primeiros 100 dias de uma eventual administração, um grupo para calcular o impacto orçamentário da medida.

Ele também relaciona a Educação à estratégia econômica. Sua proposta é ampliar a formação técnica e profissionalizante em áreas ligadas aos novos investimentos no Estado, como tecnologia, automação, inteligência artificial, logística, bioeconomia e energias renováveis.

SEGURANÇA 

Na Segurança Pública, Fábio Trad defende reforçar a integração das forças policiais e ampliar a presença de MS nas regiões de fronteira com Paraguai e Bolívia.

O programa estabelece fortalecimento do Departamento de Operações de Fronteira (DOF), investimentos em inteligência e tecnologia e maior integração entre Polícia Militar, Polícia Civil e demais órgãos envolvidos no combate às organizações criminosas.

Também estão previstas: recomposição dos quadros por meio de concursos, qualificação dos servidores e políticas voltadas à saúde mental dos profissionais da Segurança Pública.

DESENVOLVIMENTO

As propostas econômicas apresentadas por Trad convergem para o discurso de que Mato Grosso do Sul precisa avançar de uma etapa de crescimento baseada na atração dos grandes investimentos para outra em que os ganhos sejam distribuídos de maneira mais ampla.

O candidato defende agregar valor às matérias-primas produzidas no Estado, estimular pequenas e médias empresas, ampliar o crédito e incentivar a instalação de empreendimentos fora dos polos atualmente mais desenvolvidos.

É dentro dessa lógica que ele pretende reformular a política de incentivos fiscais: continuar usando a renúncia de impostos como instrumento para disputar investimentos, mas cobrar, em troca, resultados que possam ser percebidos diretamente pelos trabalhadores.

Fábio Trad sustenta ainda que o próximo passo deve ser fazer com que uma parcela maior da riqueza produzida pelos empreendimentos chegue a salários e serviços públicos. 

O Frente a Frente – Eleições 2026 reúne o Correio do Estado, Campo Grande News, A Crítica, JD1 Notícias, SBT MS e TV Guanandi em sabatinas com os candidatos a governador.

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