Política

APROVADO

Deputados aprovam criação de 150 cargos no TJMS e projeto segue para sanção do governador

Projeto teve 19 votos favoráveis e nenhum contrário. Agora, o projeto aguarda Eduardo Riedel (PP) sancionar a lei

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O Projeto de Lei 44/2026, que prevê a criação de 150 cargos efetivos de analista judiciário no Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) e nas comarcas do Estado, foi aprovado em segunda discussão, na sessão ordinária desta terça-feira (19), na Assembleia Legislativa de MS (Alems).

O PL teve 19 votos favoráveis e nenhum contrário. Agora, o projeto segue para sanção do governador Eduardo Riedel (PP).

A proposta foi encaminhada pelo presidente do TJMS, o desembargador Dorival Renato Pavan, após aprovação do anteprojeto pelo Órgão Especial do Tribunal em sessão realizada no dia 4 de março de 2026. 

O TJMS argumenta que a criação dos cargos atende ao crescimento da demanda processual e busca garantir maior eficiência na prestação jurisdicional no Estado. O levantamento feito pelo órgão do judiciário aponta que o Tribunal iniciou 2025 com 773.033 processos em tramitação no primeiro grau, sendo 648.725 na Justiça Comum e 124.308 nos Juizados Especiais.

De acordo com o TJMS, o reforço no quadro de servidores é considerado necessário para atender à esta crescente demanda, ampliar os serviços administrativos e fortalecer as ações voltadas à solução de conflitos e à melhoria da prestação jurisdicional. 

O Tribunal destacou ainda que o preenchimento dos cargos ocorrerá de forma gradual, conforme a disponibilidade orçamentária e financeira do Poder Judiciário, respeitando os limites da legislação fiscal. A criação das novas funções terá impacto financeiro de R$ 25,88 milhões.

A proposta também prevê a inclusão das vagas no Banco de Cargos e Empregos Públicos (BACEP), permitindo planejamento administrativo para os próximos anos. O projeto conta com parecer favorável do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Cargos comissionados

Além da proposta aprovada, no dia 7 de abril, o governador de Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel (PP), sancionou lei que cria 302 novos cargos cargos comissionados no Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul.

A lei foi aprovada na Assembleia Legislativa no dia 31 de março.

Conforme a lei, ficam criados os seguintes cargos para atender à estrutura de pessoal da Secretaria do
Tribunal de Justiça e das comarcas do Estado de Mato Grosso do Sul:

  • 50 cargos em comissão de Assessor de Desembargador, símbolo PJAS1;
  • 150 cargos em comissão de Assessor Jurídico de Juiz, símbolo PJAS-6;
  • 75 cargos em comissão de assessor jurídico de juiz de segunda entrância, símbolo PJAS-8;
  • 25 cargos em comissão de assessor jurídico de juiz de primeira entrância, PJAS-9;
  • 2 cargos em comissão de Assessor Jurídico-Administrativo, símbolo PJAS-1.

As despesas decorrentes da aplicação da lei correrão à conta de dotação orçamentária própria, suplementada, se necessário, observado o limite prudencial. 

De acordo com o portal da transparência do TJMS, um assessor de desembargador pode receber R$ 34.265,37, enquanto o assessor jurídico-administrativo tem remuneração de R$ 28.591,50. Já o assessor jurídico de juiz recebe cerca de R$ 23.103,66 dependendo do tempo de serviço. 

As mais de 300 vagas devem ser preenchidas para atuar no suporte a aproximadamente 230 magistrados em atividade no Estado, auxiliando na elaboração de decisões, análise de processos e atividades administrativas.

Por se tratarem de cargos comissionados, as nomeações são de livre escolha, sem a obrigatoriedade de concurso público.

JORNADA DE TRABALHO

Deputados de MS apoiam emenda que adia fim da escala 6x1 por 10 anos

Proposta alternativa do Centrão prevê compensações fiscais aos empregadores, flexibilização trabalhista e 10 anos de adaptação para nova escala de trabalho

19/05/2026 09h15

Deputados de MS que assinaram a emenda parlamentar, a qual prevê mudanças no texto original referente à escala 6x1

Deputados de MS que assinaram a emenda parlamentar, a qual prevê mudanças no texto original referente à escala 6x1 Montagem

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Os deputados federais por Mato Grosso do Sul, Marcos Pollon (PL), Dr. Luiz Ovando (PP), Rodolfo Nogueira (PL) e Beto Pereira (Republicanos) assinaram a emenda parlamentar que amplia as possibilidades de flexibilização trabalhista, cria brechas para jornadas de 52 horas semanais e adia o fim da escala 6x1 por dez anos.

A  proposta apresentada pelo deputado Sérgio Turra (PP-RS) recebeu 176 assinaturas válidas na Câmara dos Deputados. O mínimo necessário para apresentação formal da emenda é de 171 assinaturas. 

O texto inicial da PEC 221/2019 previa redução gradual para 36 horas semanais. Já a emenda do Centrão reduz esse objetivo para 40 horas.

Além disso, a proposta afirma que os serviços essenciais, ou seja, aqueles ligados à saúde, segurança, mobilidade, abastecimento, infraestrutura crítica e continuidade de serviços poderão manter jornadas de até 44 horas semanais.

Outro trecho prevê que acordos individuais ou coletivos ampliem a jornada em 30%, podendo chegar a 52h de trabalho semanal, carga que está acima do limite estabelecido na Constituição.

A proposta apresentada pelo Centrão também determina que acordos individuais e instrumentos coletivos terão mais poder sobre normas legais e infralegais em temas ligados à jornada de trabalho, escalas, banco de horas, intervalos, troca de feriados, teletrabalho, prontidão, trabalho intermitente e remuneração por produtividade.

O texto determina que pausas, intervalos e períodos previstos em normas regulamentadoras não serão computados como jornada efetiva de trabalho. Na prática, isso significa que trabalhadores poderão permanecer mais tempo dentro do ambiente profissional sem que esse período seja contabilizado integralmente na jornada semanal.

Em relação a compensações fiscais para empregadores que aderirem ao novo regime estão:

  • redução de 50% da contribuição ao FGTS,
  • imunidade temporária de contribuições previdenciárias sobre novos vínculos empregatícios,
  • redução de encargos ligados a riscos ambientais do trabalho
  • e deduções tributárias sobre despesas com novos postos de trabalho.

O texto também estabelece que a emenda constitucional só entrará em vigor dez anos após sua publicação. Mesmo após esse prazo, a redução da jornada ainda dependerá da aprovação de uma lei complementar para regulamentação das regras de transição, metas de produtividade, fiscalização e impactos econômicos.

Os parlamentares que são a favor desta proposta argumentam que isso evitaria impactos econômicos e daria segurança jurídica às empresas.

A justificativa é que a redução da jornada poderia gerar impacto inflacionário, aumento de custos e insegurança jurídica. O texto também defende a necessidade de preservar a livre iniciativa e criar mecanismos para adaptação das empresas.

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Estratégia para outubro

PT acredita que pode vencer as eleições para governador em Mato Grosso do Sul

Dirigentes nacionais do partido apostam em crescimento de Fábio Trad, acreditam em divisão da direita como oportunidade eleitoral, avaliam que caso do Master é negativo para Flávio Bolsonaro e articulam ampliação da aliança com PSB, PDT e Podemos

19/05/2026 08h00

Henrique Fontana (ao centro), com figuras da esquerda para as eleições em MS: Soraya, Fábio Trad, Vander Loubet e Dona Gilda

Henrique Fontana (ao centro), com figuras da esquerda para as eleições em MS: Soraya, Fábio Trad, Vander Loubet e Dona Gilda Marcelo Victor/Correio do Estado

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A cúpula nacional do Partido dos Trabalhadores (PT) acredita que pode voltar a ganhar o governo de Mato Grosso do Sul, após 20 anos do fim do mandato de Zeca do PT. O secretário nacional do partido, Henrique Fontana, não abriu toda a estratégia para o ex-deputado federal Fábio Trad (PT), pré-candidato do partido, enfrentar Eduardo Riedel (PP), que deve tentar a reeleição em outubro, mas disse que pesquisas qualitativas indicam o caminho.

“É uma chapa que pode eleger [o Fábio Trad]. Na nossa visão, nós podemos ganhar o governo do Estado”, afirmou Fontana ao Correio do Estado.

O secretário nacional do PT ainda afirmou que as pesquisas mostram esse caminho. “Temos uma chapa muito potente, inclusive, temos pesquisas qualitativas que indicam isso, a potencialidade de crescimento da candidatura do Fábio, por uma série de variáveis que, obviamente, não vou entrar nelas aqui”, disse o secretário nacional do PT.

O deputado federal Vander Loubet (PT), pré-candidato ao Senado, e Fábio Trad, durante a entrevista de Fontana, anteciparam parte da estratégia.

“Nós vamos combater esse modelo econômico adotado pelo governo de Mato Grosso do Sul, que é um modelo concentrador de renda, excludente e que não atende às funções principais de uma boa gestão”, declarou Fábio Trad ao Correio do Estado.

“E o que nós vamos sustentar é que a gente precisa mudar esse modelo, que é inconstitucional, porque a Constituição diz que o poder público é que tem de executar e decidir as políticas públicas. E o governo [Eduardo] Riedel está transferindo a execução das políticas públicas para o mercado”, acrescentou.

Para Vander Loubet, o racha na direita também pode ajudar a candidatura de Fábio Trad nas eleições de outubro. “A direita se dividiu. O [deputado estadual João Henrique] Catan [PL] saiu e foi para outro partido para se candidatar a governador”, analisou o deputado federal e pré-candidato ao Senado.

Loubet também ressaltou outro fator que pode prejudicar as candidaturas alinhadas à direita, mas que, dentro desse mesmo espectro político, tem potencial para alinhar e provocar migração de votos.

“O Catan, que saiu em defesa do Flávio Bolsonaro, naturalmente deve crescer”, afirmou. “O eleitorado ‘mais raiz’ poderá ir com ele, que tem potencial para crescer, e daí podemos ter dois turnos”, complementou.

Ainda sobre o efeito da relação entre o pré-candidato à Presidência pelo PL, Flávio Bolsonaro, e o banqueiro do liquidado Banco Master, Daniel Vorcaro, “ele vai ter ‘Master’ para debatermos durante a campanha”, afirmou o secretário nacional do PT.

Fontana destacou que, no início do ano, disse que a direita tentou colocar as fraudes e o megacalote do banco no “colo do presidente Lula”.

“Daí a gente assiste a uma gravação como aquela, com Flávio Bolsonaro e Vorcaro falando que são irmãos e que não têm meias-palavras”, lembrou.

Fontana ainda citou a informação contida na Operação Compliance Zero, de que o presidente nacional do PP, o senador Ciro Nogueira, recebia mesada com valor entre R$ 300 mil e R$ 500 mil por mês de Daniel Vorcaro. Fontana acredita que será um tema amplamente debatido nas eleições e que poderá converter votos de indecisos.
Aliança

Fontana e Loubet projetam Fábio Trad no segundo turno e destacam que uma nova eleição começa nessa etapa. É aí que residem as esperanças da aliança que terá a federação entre PT, PV e PCdoB na cabeça de chapa.

Por falar em partidos envolvidos na aliança em torno da candidatura de Fábio Trad, o PT já encaminhou uma aliança com o PSB, partido do vice-presidente Geraldo Alckmin, que em Mato Grosso do Sul terá como principal nome a senadora Soraya Thronicke, que vai buscar a reeleição.

Mas o PT quer mais. Vander Loubet disse que tem se empenhado em construir uma aliança com o PDT e até já conversou sobre o assunto com o presidente nacional da legenda, Carlos Lupi.

Henrique Fontana explicou, na mesma ocasião, que é possível que a aliança evolua, porque o PT tem aberto mão de ser cabeça de chapa em grandes estados em nome de candidaturas competitivas do espectro da esquerda. É o caso do Rio Grande do Sul, por exemplo, onde o PT vai apoiar Juliana Brizola (PDT) para o governo.

A chapa liderada por Fábio Trad, além de PSB e possivelmente PDT, ainda busca o apoio do Podemos. E quem deve ajudar a conseguir esse apoio é a senadora Soraya Thronicke, que comandava o diretório regional do partido em MS até o primeiro trimestre, quando migrou para o PSB.

“O Podemos pode vir, e eu creio que virá [para a aliança]. Eu já havia combinado com a presidente, Renata Abreu, para Mato Grosso do Sul ficar liberado na disputa nacional”, afirmou a senadora.

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