A partir de segunda-feira (3), a Prefeitura de Campo Grande passará a adotar pelo prazo de 120 dias, jornada de trabalho de seis horas diárias em todas as suas repartições.
A medida faz parte de mais uma tentativa do Órgão de conquistar um reequilíbrio financeiro, com ações em curso desde o mês de janeiro que fazem parte de uma “reforma administrativa” no município.
Com exceção das escolas, unidades de saúde e setores essenciais, todos os outros departamentos municipais e de atendimento ao público funcionarão em horário reduzido até, pelo menos, o mês de fevereiro de 2026.
Isso significa que a população terá duas horas a menos de atendimento, o que deve causar mais tumulto nos estabelecimentos de atendimento, com acúmulo de demandas.
A decisão foi comunicada no início da tarde desta sexta-feira (31) quando a Prefeitura convocou os presidentes dos sindicatos para uma reunião de última hora para anunciar as providências.
Além dessa medida, a prefeita Adriane Lopes (PP) também anunciou um corte de 20% no próprio salário e de todo o primeiro escalão. E, ainda, cada secretaria municipal foi incumbida de apresentar, nos próximos dias, um plano de redução de 20% nos custos com folha de pagamentos.
Reforma administrativa
No final do ano passado, Adriane Lopes sancionou o Projeto de Lei nº 41 do Executivo Municipal, que reestrutura a administração da Prefeitura Municipal de Campo Grande, a partir de 1º de janeiro de 2025. A reforma impactou nas atribuições das secretarias municipais, algumas extintas, outras readequadas, além da criação de novas pastas.
Na época, a prefeita afirmou que a projeção era de que os cofres públicos teriam uma economia de 30% nos gastos com a reforma administrativa.
Em março, foi publicado outro decreto no Diário Oficial de Campo Grande com medidas para equilíbrio fiscal que incluíram a suspensão de novas contratações, pagamento de gratificações e diárias, além da proibição de ampliação da carga horária de professores, exceto em casos de afastamento.
A decisão previa ainda revisão de contratos com empresas, redução no consumo de energia, água e combustíveis, no número de impressões e uma meta de corte de, ao menos, 25% em todos os gastos citados.
O decreto foi prorrogado duas vezes neste ano: em junho, com validade de 90 dias; e em setembro, até 31 de dezembro de 2025.
Até o mês de julho, já haviam sido otimizados pelo menos R$ 20 milhões em despesas com pessoal, imóveis alugados, combustível e outros custos operacionais.
O município enxugou sua estrutura em cerca de 30%, com medidas que modernizaram o organograma da Prefeitura sem impactar negativamente sobre a prestação de serviços à população.
De acordo com o último relatório bimestral divulgado, as despesas com folha de pagamento alcançaram 57,73%, totalizando R$ 3,022 bilhões nos últimos 12 meses, R$ 185 milhões acima do teto legal, ultrapassando o limite de gastos com pessoal previsto na LRF (Lei de Responsabilidade Fiscal), que é de 54% da Receita Corrente Líquida.


