Política

Sul-mato-grossense

Prestigiada por Lula, Simone Tebet tem nome cotado para três ministérios

Total de ministérios pode chegar a 34, e senadora aparece como favorita para Agricultura, Educação e Desenvolvimento Social

Continue lendo...

De forte rejeição por parte dos colegas de MDB em Mato Grosso do Sul e desconfiança dos próprios correligionários em nível nacional à candidata da legenda para a Presidência da República e uma das principais integrantes da equipe de transição do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Esse é o resumo do que aconteceu com a trajetória política da senadora Simone Tebet (MDB-MS) ao longo deste ano, que saiu derrotada das urnas para ter o nome cotado para assumir os ministérios da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, da Educação e do Desenvolvimento Social (atual Ministério da Cidadania).

Segundo reportagem do jornal O Estado de São Paulo, o prestígio junto ao presidente eleito Lula rendeu à senadora sul-mato-grossense o direito de ser lembrada para ocupar as três importantes Pastas na sua gestão, que se iniciará no dia 1º de janeiro de 2023.

O fato de ficar na 4ª colocação no 1º turno da eleição presidencial e manifestar apoio a Lula no 2º turno são os principais motivos para ter sido escolhida como uma das coordenadoras da transição no setor de desenvolvimento social e ter o nome ventilado nesses três ministérios.

À reportagem do jornal Correio do Estado, Simone Tebet informou, pelo WhatsApp, que não está tratando sobre esse assunto com ninguém.

“Ainda não falei com o presidente eleito Lula sobre essa possibilidade de ser ministra no seu governo”, afirmou, deixando claro que seu foco neste momento está voltado para o trabalho realizado na comissão de transição.

Questionada sobre o fato de que se sentia prestigiada por ter o nome ventilado para ocupar três ministérios, a senadora reforçou que sua decisão de apoiar Lula no 2º turno foi em defesa da democracia.

“Minha decisão foi em defesa da democracia, contra retrocessos de um governo negacionista e extremista. Não tem sentido fazer o que é certo buscando recompensa. Estou em paz. Isso me basta”, declarou.

Conforme pessoas próximas a Simone Tebet ouvidas pela reportagem, ela sabe que não é aconselhável contar com um possível ministério e o melhor a fazer é continuar atuando na comissão de transição, fazendo o que foi pautada para fazer, sendo prudente e sem esperar ser recompensada com algum cargo no futuro.

Algo bem parecido do que a parlamentar declarou na quinta-feira (1º/12), durante entrevista da equipe de transição da área de desenvolvimento social e combate à fome.

Ela afirmou que não está trabalhando na equipe de transição de olho em um ministério e que se apresentou de forma voluntária, em que o vice-presidente eleito Geraldo Alckmin (PSB) a considerou capacitada para atuar em qualquer área e pediu que escolhesse o grupo de trabalho.

Para pessoas mais próximas, a senadora confidenciou que prefere atuar na área do desenvolvimento social.

O que também agrada ao comando nacional do MDB, pois o partido não esconde de ninguém o desejo de controlar o Auxílio Brasil, que deve voltar a ser chamado de Bolsa Família.

Trata-se de um dos programas da União mais cobiçados pelos partidos, afinal tem uma linha direta com mais de 2,2 milhões de famílias beneficiadas, que totalizam 20,2 milhões de pessoas em todo o País.

Outros nomes

Com a equipe de transição formada e já atuando em Brasília (DF), os outros nomes cotados para os principais ministérios do governo Lula da Silva (PT) passaram a ocupar espaço de destaque no debate político.

A expectativa é de que sejam criados ou desmembrados até 11 ministérios, elevando o número total de Pastas dos atuais 23 para até 34.

Assim, nomes já conhecidos da política brasileira – como Henrique Meirelles e Marina Silva – figuram ao lado de novatos no ambiente político, como Flora e Bela Gil, cotadas para assumir o posto anteriormente ocupado pelo marido e pai, Gilberto Gil, à frente da Cultura.

Após a confirmação de equipes técnicas do governo de transição divididas em 31 setores, também tem sido levantada a hipótese de que esse desenho seja reproduzido na montagem da Esplanada dos Ministérios. Por enquanto, nenhum nome ou Pasta foi confirmado oficialmente.

Até agora, existe a perspectiva de que três ministérios do governo Jair Bolsonaro (PL) sejam desmembrados em nove novos gabinetes.

O Ministério da Economia dará lugar aos ministérios da Fazenda, do Planejamento e do Comércio Exterior; o Ministério da Justiça e Segurança Pública abrirá espaço para as Pastas da Justiça, da Segurança Pública e dos Povos Originários; e o Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos dará origem aos ministérios dos Direitos Humanos, da Mulher e da Igualdade Racial.

Também devem ser recriados os ministérios da Cultura e da Pesca, atualmente reduzidos a secretarias.

Na Fazenda, os nomes mais cotados são os de Fernando Haddad, que é ex-ministro da Educação e ex-prefeito de São Paulo, Alexandre Padilha, que é médico, deputado federal pelo PT de São Paulo e foi ministro da Saúde no governo Dilma Rousseff (PT), Rui Costa, que é economista e está no segundo mandato como governador da Bahia, e Wellington Dias, que foi governador do Piauí por quatro mandatos, além de vereador em Teresina, deputado estadual, deputado federal e acaba de ser eleito senador pelo PT piauiense.

Além disso, ainda tem os nomes de Henrique Meirelles, que é economista e político, tendo sido ministro da Fazenda do governo Temer, ex-presidente do Banco Central no governo Lula e ex-secretário da Fazenda e Planejamento do Estado de São Paulo.

Bem como o próprio Geraldo Alckmin, que é ex-governador de São Paulo, ex-deputado e ex-prefeito de Pindamonhangaba, médico e foi eleito vice-presidente do governo Lula em 2022 após migrar do PSDB para o PSB, e Pérsio Arida, que é formulador do Plano Real e ex-presidente do Banco Central durante o governo de Fernando Henrique Cardoso.

Os demais nomes são Flávio Dino (Justiça e Segurança Pública), Ricardo Lewandowski (Justiça), Marco Aurélio Carvalho (Justiça), Silvio Almeida (Justiça), Pierpaolo Bottini (Justiça), Sérgio Renault (Justiça), Marcelo Freixo (Segurança Pública), Sônia Guajajara (Povos Originários), Célia Xakriabpa (Povos Originários), Beto Marubo (Povos Originários), Neri Geller (Agricultura), Carlos Fávaro (Agricultura), Ludhmila Hajjar (Saúde), Roberto Kalil Filho (Saúde), Alexandre Padilha (Saúde), Izolda Cela (Educação), Marina Silva (Meio Ambiente), João Paulo Capobianco (Meio Ambiente) e Randolfe Rodrigues (Meio Ambiente).

Assine o Correio do Estado

IMBRÓGLIO

Brasil nega visto a oficiais dos Estados Unidos que pretendiam questionar urnas eleitorais

As medidas ocorrem em meio a atritos diplomáticos entre os governos do Brasil e dos Estados Unidos, envolvendo especialmente as tarifas impostas por Trump aos produtos brasileiros

25/07/2026 19h00

O Itamaraty negou os vistos de dois secretários americanos

O Itamaraty negou os vistos de dois secretários americanos Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Continue Lendo...

O Brasil negou o visto de dois oficiais dos Estados Unidos que pretendiam vir ao País para questionar o sistema eleitoral brasileiro após identificar tentativas do governo do presidente norte-americano, Donald Trump, de lançar desinformação sobre as eleições de outubro.

O governo de Donald Trump pretendia enviar dois oficiais norte-americanos ao Brasil para lançar dúvidas sobre a lisura e a integridade do sistema eleitoral brasileiro, de acordo com informações divulgadas pelo jornal americano The Washington Post na sexta-feira, 24.

Conforme o Estadão apurou, o Brasil já havia identificado a tentativa norte-americana antes da publicação. No dia 20 de julho, o governo brasileiro teve conhecimento da intenção após o Departamento de Estado norte-americano solicitar os vistos ao Consulado do Brasil em Washington.

Um sinal de alerta foi a reunião do senador Flávio Bolsonaro (RJ), candidato do PL à Presidência, com embaixadores, no dia seguinte. No encontro, o senador citou suspeitas já negadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre as urnas eletrônicas.

A visita iria ocorrer após o encontro de Flávio com embaixadores. Formalmente, o pedido dos Estados Unidos era para debater "liberdade de expressão relacionada às eleições". As autoridades brasileiras identificaram tentativa de tumultuar o processo eleitoral por meio da missão diplomática.

O Itamaraty confirmou ao Estadão que os vistos de Riley Barnes, secretário-assistente, e Samuel Samson, secretário-assistente adjunto do Departamento de Estado, foram negados na sexta-feira, 24.

As medidas ocorrem em meio a atritos diplomáticos entre os governos do Brasil e dos Estados Unidos, diante do tarifaço do presidente Donald Trump imposto aos produtos brasileiros e às ameaças do Brasil de retaliar com tarifas aos norte-americanos. No campo político, as iniciativas ocorrem na largada da campanha eleitoral, em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enfrenta Flávio Bolsonaro.

'Esse país é nosso e ninguém aqui mete o bedelho', diz Lula

O governo brasileiro reagiu neste sábado, 25. "Ninguém, muito menos Trump vai se meter no processo eleitoral brasileiro", disse o ministro da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência, José Guimarães, ao Estadão.

Durante a convenção do PT que oficializou a candidatura de Fernando Haddad ao governo de São Paulo, Lula falou sobre tentativas de inferências nas eleições do Brasil, sem citar diretamente os Estados Unidos.

"Quem quiser de fora vir se meter nas eleições brasileiras, já vou avisando logo: vão apanhar muito aqui nas eleições", disse o presidente.

Lula reforçou que o destino do Brasil será decidido por 157 milhões de eleitores e que o Brasil é soberano e quer manter relações com todos os países sem guerra, mas com paz. "Esse país é nosso e ninguém aqui mete o bedelho".

ELEIÇÕES 2026

Lula usa convenção de Haddad para mandar recado: 'não meta o dedo nas nossas eleições'

Neste sábado, o Partido dos Trabalhadores oficializou a candidatura do ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad ao governo de São Paulo

25/07/2026 16h00

O presidente Lula discursou durante lançamento da candidatura de Fernando Haddad ao Governo de São Paulo

O presidente Lula discursou durante lançamento da candidatura de Fernando Haddad ao Governo de São Paulo Foto: Divulgação

Continue Lendo...

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aproveitou o palco do evento que oficializou a candidatura do ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT) ao governo de São Paulo neste sábado, 25, para rejeitar interferências externas nas eleições brasileiras.

"Que não venha ninguém de fora querer meter o dedo nas nossas eleições", afirmou Lula, em Campinas (SP). "Quem quiser, de fora, vir se meter nas eleições brasileiras, já vou avisando logo: vão apanhar muito aqui nas eleições. Quem vai decidir o destino desse país são os 157 milhões de eleitores."

Sem mencionar o nome de Donald Trump, o petista chegou a mandar recados ao presidente americano. Dizendo não ser afeito a bravatas, afirmou que o "aviso está dado" e que o Brasil é soberano e deseja manter relações com todos os países.

O ato ainda contou com elogios à "qualidade" da chapa paulista, formada por quatro ex-ministros. Lula pediu que os eleitores comparem as "biografias" dos candidatos e elencou críticas ao senador Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência pelo PL, e ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que busca a reeleição.

Prestes a disputar sua sétima eleição, o presidente chamou a atenção dos militantes para a importância da eleição ao Senado e disse que precisará das candidatas Simone Tebet (PSB), ex-ministra do Planejamento, e Marina Silva (Rede), ex-ministra do Meio Ambiente, para ajudar a governar o País. "Porque a gente vai ter muito problema. A política está apodrecida", declarou.

Haddad enfrenta favoritismo de Tarcísio e busca garantir palanque a Lula

Embora os petistas reconheçam o favoritismo de Tarcísio em São Paulo, eles incentivaram a militância a se engajar na campanha para desconstruir a atual gestão estadual e divulgar as realizações do governo Lula.

Ao longo do evento, sobraram críticas às mais diversas áreas da gestão Tarcísio, mas as mais frequentes disseram respeito às privatizações da Sabesp e do transporte sobre trilhos, à criminalidade no Estado, em especial à alta dos feminicídios, e à relação de Tarcísio com os prefeitos.

"Tanto a Sabesp quanto o metrô e a CPTM foram entregues a empresas sem a menor experiência nesses ramos de atividade", afirmou Haddad, acrescentando que as privatizações têm sido feitas "a toque de caixa". Segundo ele, após a privatização da Sabesp, a conta de água aumentou e passou a faltar água nos domicílios paulistas. "Quando a água chega, chega suja", declarou o petista, que disputará o governo paulista pela segunda vez.

O petista, que esteve à frente da área econômica do governo Lula até março deste ano, abriu seu discurso citando os resultados econômicos do governo federal, como o baixo índice de desemprego, e afirmando que o Estado de São Paulo cresceu abaixo da média nacional nos últimos 12 meses.

O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), que deve ter papel ativo na campanha de Haddad, lembrou que o ex-ministro da Fazenda foi o "amálgama" da sua união com Lula, em 2022. O ex-governador do Estado referiu-se à gestão Tarcísio como "bolsonarismo envergonhado" e disse que São Paulo não quer a "prepotência e arrogância daquelas marteladas", em referência às marteladas do governador em leilões.

"Essas marteladas do atual governador trincaram as principais vitrines do Estado", disse Alckmin, que citou a venda da Sabesp e as privatizações do metrô e trens.

Tebet, que, junto com Alckmin, foi escalada para ajudar a campanha a conseguir votos no interior, disse que Tarcísio não cuida do interior e não dialoga com os prefeitos e, assim como os companheiros de chapa, criticou a política de privatização. "Olha a Sabesp hoje entregando água barrenta. Quando entrega água. Olha o que aconteceu com o trem privatizado em São Paulo, colocando em risco a vida das pessoas com incêndio em vagão que nunca havia acontecido no passado."

O candidato a vice na chapa de Haddad, Márcio França foi responsável pelo discurso mais afiado contra Tarcísio. Chamou o governador de "político ingrato" e lembrou que o atual governador ocupou cargos de confiança nas gestões petistas.

Fazendo referência ao fato de Tarcísio ter sido preterido por Jair Bolsonaro na disputa presidencial, o ex-ministro disse que "nem a família Bolsonaro" acredita nele. "Sabem que Tarcísio é traidor", acrescentou França, que governou o Estado e também criticou a relação do governador com os prefeitos.

A disputa pelo governo de São Paulo será marcada este ano pelo esvaziamento de candidaturas. Além de Tarcísio e Haddad, apenas partidos nanicos, sem representação no Congresso, devem lançar candidatos.

A cor predominante entre apoiadores de Haddad e Lula na Arena Concórdia neste sábado era o vermelho, cor da bandeira do PT. Poucos militantes usaram roupas com as cores verde e amarela, da bandeira do Brasil, que nos últimos anos ficaram associadas ao bolsonarismo, mas passaram a ser usadas recentemente por políticos do campo progressista.

Placas distribuídas logo no acesso ao ginásio estampavam a frase "o governador da segurança", indicando que a pauta da Segurança Pública terá papel central na campanha de Haddad ao Palácio dos Bandeirantes.

A missão de Haddad na campanha estadual vai além de vencer o atual governador Tarcísio de Freitas - o que mesmo os petistas acreditam ser pouco provável. O ex-ministro foi escalado principalmente para garantir que Lula tenha um bom desempenho no maior colégio eleitoral do País.

Em 2018, quando Jair Bolsonaro foi eleito presidente, o então candidato do PT, Fernando Haddad, foi derrotado em São Paulo por 67,97% a 32,03% no segundo turno, uma diferença de 35,94 pontos porcentuais. Quatro anos depois, Bolsonaro voltou a vencer no Estado, mas por uma margem bem menor: de 10,48 pontos porcentuais sobre Lula, que acabou eleito presidente da República.

A escolha por oficializar a candidatura de Haddad em Campinas simboliza uma das prioridades do ex-ministro: avançar sobre o eleitorado do interior paulista, historicamente refratário ao PT

No período da pré-campanha, Haddad cumpriu agendas em diferentes cidades do interior, como Sorocaba e Araraquara.

Discursos miram Flávio por articulação com os EUA e ataques às urnas

Com hino nacional na abertura e discurso de Lula direcionado à soberania do País, o evento teve tom nacional em muitos momentos, com críticas à articulação do senador Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos e à taxação americana sobre o Brasil.

"Não é possível ter um presidente da República que trama contra o Brasil e vai atrás de taxação para destruir a indústria", afirmou a ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva, que foi confirmada neste sábado candidata ao Senado pela Rede.

Os recentes ataques de Flávio ao sistema eleitoral brasileiro também não passaram despercebidos. A ex-ministra do Planejamento Simone Tebet (PSB), que mudou seu domicílio eleitoral do Mato Grosso do Sul para São Paulo para disputar o Senado na chapa de Lula, disse que o petista enfrentará um "golpista de plantão", pois "tal pai, tal filho".

Tebet fez apelo aos militantes para que dialoguem com a "direita democrática", com o centro e os indecisos e pregou que "não há eleição ganha". "Não tem eleição ganha como não tem eleição perdida. E, no caso aqui de São Paulo, não adianta eleger o presidente Lula e não dar uma maioria esmagadora na Câmara e no Senado. Não adianta eleger o presidente Lula e não eleger o Haddad governador."

Organização explora encontro de Lula com Trump e impacto do tarifaço sobre paulistas

Vídeos do último encontro entre Lula e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foram exibidos antes da convenção começar, e um jornal distribuído na entrada do evento chamava o governador Tarcísio de Freitas de "capacho" do Republicano e do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu. O material impresso cita o impacto do tarifaço americano sobre o Estado e lembra que o governador comemorou a vitória de Trump posando com um boné escrito "Make America Great Again".

Peças exibidas antes do início da convenção antecipam alguns dos temas que devem ser explorados pela campanha petista em São Paulo. Um deles critica a privatização da Sabesp e mostra imagens de água suja saindo de torneiras. "Tarcísio privatizou, o serviço piorou", diz a campanha publicitária. Outra destaca o aumento dos casos de feminicídio no Estado.

Ao longo dos últimos meses, Tarcísio conseguiu reunir em torno de sua candidatura todos os partidos que apoiaram o então governador tucano Rodrigo Garcia em 2022, incluindo o próprio PSDB, que ensaiou lançar o ex-prefeito de Santo André, Paulo Serra, mas depois desistiu. Haddad, por sua vez, tentou abrir diálogo com os tucanos e com o PSD - cujo presidente nacional, Gilberto Kassab, foi preterido na escolha da vice de Tarcísio -, mas não teve sucesso em nenhuma das articulações.

Algumas pesquisas já apontam cenários de vitória do atual governador no primeiro turno, desfecho que tende a prejudicar Lula. "[Se Tarcísio liquidar a eleição no primeiro turno e a disputa presidencial avançar para o segundo], Lula ficará sem um palanque em São Paulo e Tarcísio, com a eleição ganha, poderá se envolver intensamente na campanha do Flávio Bolsonaro", avalia Renato Dorgan, CEO do instituto Travessia. "Nesse sentido, a missão do Haddad, que é o nome mais forte eleitoralmente do PT, é ajudar o Lula a ter um bom desempenho em São Paulo e evitar que Tarcísio ganhe no primeiro turno."

Interior paulista é principal desafio de Haddad

A escolha por oficializar a candidatura de Haddad em Campinas simboliza uma das prioridades do ex-ministro: avançar sobre o eleitorado do interior paulista, historicamente refratário ao PT Sem uma guinada nessa região, a avaliação interna é que o petista terá poucas chances de encurtar a distância em relação a Tarcísio.

"Nas urnas, em 2022, o interior foi a região onde encontramos maior resistência. Se dependesse apenas da capital e da Grande São Paulo, Haddad teria sido eleito governador", afirma o presidente do PT paulista e deputado federal Kiko Celeguim.

Segundo ele, a militância petista nunca encontrou um ambiente favorável para pedir votos na região. "Queremos reverter esse cenário eleitoral. Vamos percorrer o interior mostrando que temos uma agenda para a região."

Na capital e na Região Metropolitana, o PT avalia que Haddad tem boas chances de superar o atual governador. Em 2022, o petista venceu Tarcísio na cidade de São Paulo por 54,5% a 45,5%. Para não repetir o placar desfavorável, o governador vai reeditar da dobradinha com o prefeito Ricardo Nunes (MDB) que marcou a eleição municipal de 2024. Desta vez, porém, com os papéis invertidos: agora é Nunes quem vai atuar como cabo eleitoral do governador.

O cálculo dos petistas combina duas frentes: diminuir a vantagem de Tarcísio no interior e preservar a força eleitoral da esquerda na Grande São Paulo. Para isso, a principal aposta é na atuação da ex-ministra do Planejamento e pré-candidata ao Senado por São Paulo, Simone Tebet (PSB), que tem bom trânsito junto ao agronegócio, e do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), que governou o Estado por quatro mandatos.

Segundo Celeguim, Tebet e Alckmin devem cumprir parte da agenda de campanha em separado de Haddad, numa tentativa de ampliar o alcance da campanha e percorrer o maior número possível de municípios.

Renato Dorgan avalia que, se o interior paulista historicamente vem representando o maior obstáculo para a campanha petista, a capital e a Região Metropolitana são territórios mais favoráveis à esquerda. "Na minha avaliação, é aí que está a chave para saber se haverá ou não segundo turno", afirma o cientista político.

Segundo ele, a Grande São Paulo é a região onde Tarcísio enfrenta mais insatisfações atualmente. "Há graves problemas ligados ao transporte metropolitano, à segurança pública, à privatização da Sabesp e à qualidade da educação estadual. O principal risco para o governador é registrar um desempenho regular ou mesmo ruim na capital e na Grande São Paulo e a disputa evoluir para o segundo turno. Ainda assim, dificilmente deixará de vencer a eleição, já que o interior paulista desequilibra a balança e é muito mais conservador e antipetista "

PT quer explorar pontos fracos da gestão paulista e divulgar ações de Lula no Estado

Embora reconheçam o favoritismo de Tarcísio, aliados de Haddad têm dito que o governador não é "imbatível" e que há vulnerabilidades da gestão que podem ser exploradas ao longo da campanha eleitoral.

Pesquisas qualitativas encomendadas pelo PT identificaram que a privatização da Sabesp e as concessões do transporte sobre trilhos estão entre os pontos mais sensíveis. Os problemas registrados em linhas da CPTM na última semana, que levaram o governo a anunciar a retomada da operação pela estatal, já foram transformados em munição pelo partido.

A segurança pública deve ser outro tema central. Como mostrou o Estadão, para construir seu plano para a área, Haddad tem conversado com especialistas historicamente ligados ao PSDB, além de partidos aliados e coronéis e delegados críticos à gestão Tarcísio.

Outros temas que devem ser trazidos à tona por Haddad envolvem a relação de Tarcísio com os prefeitos, o chamado "custo Tarcísio" - expressão usada para se referir à alta de tarifas e serviços administrados pelo governo paulista - e o fato de o governador ter sido cotado para disputar a Presidência.

Aliados de Haddad têm dito que Tarcísio estava se preparando para disputar o Planalto e usou São Paulo para alçar voos mais altos. O argumento, no entanto, esbarra na própria trajetória de Haddad, que resistia à ideia de disputar o governo paulista e só aceitou a missão após pedido de Lula.

Além de tentar desconstruir a gestão de seu adversário, Haddad também terá a missão de dar visibilidade às ações do governo Lula em São Paulo. Nos últimos meses, os governos federal e estadual travaram uma batalha pela paternidade de obras estratégicas do Estado, como o Túnel Santos-Guarujá e o Trem Intercidades.

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).