Política

VEJA COMO VOTARAM OS DEPUTADOS DE MS

Reforma eleitoral que abre brechas passa na Câmara

Para valer nas eleições do ano que vem, a lei precisa ser publicada até a primeira semana de outubro

RAFAEL RIBEIRO

19/09/2019 - 08h15
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A Câmara dos Deputados aprovou no fim da noite de quarta-feira (18) projeto de lei que muda as regras do fundo partidário. O texto segue para promulgação do presidente Jair Bolsonaro (PSL). Confira abaixo qual foi a votação de cada um dos deputados federais de Mato Grosso do Sul.

O texto não estabelece valor para o fundo, que será definido na discussão do orçamento para o próximo ano.

A expectativa de boa parte dos partidos é a de que o valor de R$ 1,7 bilhão distribuído em 2018 seja reajustado acima da inflação para a eleição de 2020.

Os deputados rejeitaram a versão reduzida do PL aprovada pelo Senado na noite de terça-feira (17) e votaram o texto tal como ele havia saído da Câmara, mas com modificações menores.

Um dos pontos de maior crítica foi removido pelos deputados na noite desta quarta-feira. O trecho retirava a obrigatoriedade dos partidos padronizarem suas prestações de contas no sistema online do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A falta de padronização dificultaria a transparência e o acesso aos dados de partidos pelo cidadão.

Outros três pontos foram excluídos no relatório do deputado Wilson Santiago (PTB-PB).

Foi rejeitado trecho que previa multa de 20% em prestações de contas irregulares somente se for comprovada a intenção de fraudar. Assim, a multa poderá ser aplicada inclusive se não houver essa intenção.

O deputado do PTB  também  retornou os prazos atuais de prestação de contas por parte dos partidos, em vez de apenas em junho do ano seguinte.

O último ponto com sugestão de exclusão é o que permitia aos partidos corrigirem erros formais e materiais, omissões ou atrasos em sua prestação de contas até o seu julgamento para evitar a rejeição das mesmas.

Versão rejeitada do Senado

Ao deliberar sobre a matéria na terça-feira, o Senado decidiu rejeitar quase que a integralidade do texto.

Os senadores mantiveram apenas o artigo que garante o financiamento das campanhas municipais do próximo ano para evitar que as novas regras permitissem o aumento dos gastos públicos e possíveis brechas para a prática de corrupção e caixa dois nas campanhas eleitorais.

O acordo para rejeitar a maior parte do texto recebido da Câmara foi construído na reunião de líderes do Senado como uma resposta às críticas da sociedade e dos próprios senadores que não concordavam com a matéria e planejavam obstruir a votação.

Os senadores argumentaram que, do jeito que veio da Câmara, o projeto de lei poderia inflar o fundo eleitoral e ainda reduzir a transparência desses recursos, por permitir, entre outras coisas, que os partidos políticos usassem essa verba para pagar advogados para candidatos e passagens aéreas a pessoas ligadas às siglas.

COMO FICOU

A redação aprovada afrouxa regras de fiscalização contábil, cria limite para multas a siglas que descumprirem a prestação de contas e permite uso do fundo partidário para construir sedes. Também prevê a possibilidade de pessoas físicas, candidatos ou partidos pagarem serviços de advogados e contadores em campanhas eleitorais. Hoje, a prática é considerada caixa dois por entidades da área de transparência.

O QUE ACONTECEU 

Quatro pontos que provocaram forte reação ao texto foram retirados após acordo entre o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e líderes do centrão. Técnicos legislativos ouvidos consideram polêmica a manobra regimental usada para promover as mudanças.

COMO VOTOU MS

As polêmias alterações no fundo eleitoral dividiu não só o Congresso como também os representantes de Mato Grosso do Sul. Sem Tio Trutis (PSL), que não assinou a lista de presença, os outros sete parlamentares locais, se dividiram com a maioria querendo a manutenção do texto proposto pelo Senado.

Confira abaixo como votaram os parlamentares sul-mato-grossenses. Lembrando que quem votou sim, votou contra as mudanças pretendidas pelos deputados e, logo, a favor do texto do Senado que excluiu a simplificação da prestação de contas, por exemplo. 

SIM

Beto Pereira, Bia Cavassa e Rose Modesto (todos do PSDB) e Luiz Ovando (PSL)

NÃO

Dagoberto Nogueira (PDT), Fábio Trad (PSD) e Vander Loubet (PT)

Registro

Eleições 2026: PSOL é 1° partido a registrar chapa em MS

Candidato à governadoria, Lucien Rezende representará federação

27/07/2026 16h45

Foto: Divulgacand

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A Federação PSOL-Rede Sustentabilidade foi a primeira força política de Mato Grosso do Sul a registrar oficialmente sua chapa para as eleições de 2026 no sistema de Divulgação de Candidaturas e Prestação de Contas Eleitorais (DivulgaCandContas), do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O registro colocou o candidato ao governo do Estado, Lucien Rezende, como o quarto postulante ao cargo de governador em todo o Brasil a aparecer no sistema da Justiça Eleitoral, uma vez que o sistema também conta com candidaturas à governadoria no Ceará, Amapá e Sergipe. A convenção do partido ocorreu no último final de semana. 

Segundo Lucien, a rapidez no registro é resultado da organização da federação e do trabalho conjunto desenvolvido durante a preparação da campanha. O candidato atribuiu o feito ao empenho da equipe e afirmou que a agilidade também reflete a escolha de candidatos que atendem aos critérios da Lei da Ficha Limpa. Conforme o Divulgacand, Lucien declarou possuir duas casas, avaliadas em R$ 250 mil cada. 

"É um trabalho árduo e coletivo, com seriedade, determinação e organização daquilo que estamos construindo", afirmou. Ele também destacou que a chapa reúne representantes de diferentes segmentos da sociedade, como indígenas, negros, mulheres e pessoas LGBTQIAPN+, defendendo que a federação pretende levar essas pautas ao debate eleitoral.

O registro da Federação PSOL-Rede ocorre em meio ao período de convenções partidárias, que seguem até 5 de agosto, prazo estabelecido pela Justiça Eleitoral para que os partidos homologuem seus candidatos aos cargos de governador, senador, deputado federal e deputado estadual.

Convenções

No domingo (26), a Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV) e o PSB realizaram as primeiras convenções estaduais do calendário eleitoral em Mato Grosso do Sul. Durante o encontro, realizado na sede da Fetems, em Campo Grande, o ex-deputado federal Fábio Trad (PT) foi homologado candidato ao Governo do Estado.

A chapa terá como candidata a vice-governadora Gilda Maria dos Santos, a Dona Gilda (PT). A convenção também confirmou o apoio do PSB à aliança e oficializou as candidaturas do deputado federal Vander Loubet (PT) e da senadora Soraya Thronicke (PSB) às duas vagas em disputa para o Senado.

Além da chapa majoritária, a federação homologou candidatos à Assembleia Legislativa e à Câmara dos Deputados. Entre eles está o vereador de Campo Grande Marquinhos Trad (PV), ex-prefeito da Capital, que disputará uma vaga de deputado federal.

Durante o evento, Fábio Trad afirmou que fará oposição ao governador Eduardo Riedel (PP), candidato à reeleição, mas disse que pretende conduzir a campanha sem ataques pessoais, priorizando a apresentação de propostas e críticas à atual gestão estadual.

Também no domingo (26), o PSD oficializou, em convenção nacional realizada em São Paulo, a candidatura do senador Nelsinho Trad à reeleição, além de lançar Ronaldo Caiado como candidato à Presidência da República.

Cronograma

Enquanto a oposição iniciou oficialmente sua campanha, os partidos da base governista concentram as articulações para os próximos dias. As convenções do PSDB e da Federação União Progressista (PP e União Brasil)  acontece no dia 1º de agosto, evento a ser realizado de forma conjunta, oficializando o apoio à candidatura de reeleição do governador Eduardo Riedel.

No PL, a previsão é de homologação da candidatura do ex-governador Reinaldo Azambuja ao Senado. O MDB também deve realizar sua convenção na mesma data, ocasião em que o ex-governador André Puccinelli será confirmado como candidato a deputado estadual. Já o Republicanos deverá oficializar a candidatura à reeleição do deputado federal Beto Pereira.

O calendário de convenções será encerrado com o encontro estadual do Partido Novo. A legenda ainda definirá o local do evento, mas já sinalizou o deputado estadual João Henrique Catan como pré-candidato ao Governo do Estado.

Prazo

Após as convenções, os partidos terão até 15 de agosto para protocolar os pedidos de registro das candidaturas junto à Justiça Eleitoral. Na etapa seguinte, caberá ao TSE analisar se os candidatos atendem aos requisitos constitucionais e legais, como filiação partidária, domicílio eleitoral, regularidade dos direitos políticos, critérios da Lei da Ficha Limpa e as regras de distribuição das candidaturas por gênero nas eleições proporcionais.

 

Negativa

Jogo do Bicho: Justiça nega prisão domiciliar a Rhiad Abdulahad

Decisão foi publicada no Diário da Justiça desta segunda-feira (27). 

27/07/2026 15h45

Foto: Divulgação

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A Justiça negou o pedido de prisão domiciliar ao advogado Rhiad Abdulahad, preso durante a 4ª fase da Operação Successione, em novembro de 2025, por envolvimento com o jogo do bicho. A decisão foi publicada no Diário da Justiça desta segunda-feira (27). 

Em maio, a defesa pediu à Justiça a substituição da prisão preventiva por prisão domiciliar, sob justificativa da defesa de que Rhiad teria um filho de 2 anos, portador de síndrome de down, sendo assim, imprescindivel sua presença aos cuidados especiais do filho.

A prisão preventiva do requerente foi decretada em 25 de novembro de 2025, por requisição do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco).

Segundo o Gaeco, após a primeira fase da operação, Rhiad Abdulahad teria assumido a posição de articulação da organização criminosa voltada a exploração do jogo do bicho e lavagem de dinheiro, sucedendo seu pai, José Eduardo Abdulahad, em funções que o Ministério Público qualifica como de gerência. 

Denúncia foi oferecida no dia 10 de dezembro e foi recebida pelo Juízo da 4ª Vara Criminal de Campo Grande em 19 de dezembro de 2025, quando ele virou réu.

O Correio do Estado apurou que a cela de Rhiad é uma das mais luxuosas do Presídio Militar, onde está preso preventivamente, com status de prisão especial por ser advogado.

Desde o recebimento da denúncia, a defesa já formulou ao menos três requisitos distintos de revogação da prisão preventiva, todos indeferidos pela 4ª Vara.

A defesa argumenta que a acusação se baseou unicamente em interceptações telemáticas e declarações de terceiros e que nos autos não consta qualquer ato material e individualizado praticado por Rhiad que ultrapasse o exercício da advocacia.

Ainda segundo a defesa, os pedidos anteriores requeriam a revogação da prisão preventiva, enquanto este novo pleiteia a substituição da modalidade de custódia da prisão preventiva por prisão domiciliar.

Para consubstanciar o pedido, foram anexados laudos médicos da criança.

Em um deles, médica pediatra da criança atesta que a presença ativa do pai no processo terapêutico do menor "é imprescindível para seu desenvolvimento neuropsicomotor, cognitivo e socioemocional, e que a ausência prolongada do genitor configura fator de risco capaz de acarretar prejuízos irreversíveis ao desenvolvimento global da criança".

Laudo técnico e solicitação de internação também foi anexado, onde cirurgião crânio-maxilo-facial e otorrinolaringologista indica a realização de cirurgia que exige sedação e internação da criança, demandando a presença e consentimento paterno para a realização e acompanhamento no pós-operatório.

4ª fase da Operação Successione

A quarta fase da Operação Successione teve como alvo familiares e empresários próximos ao ex-deputado Roberto Razuk Filho (Neno), do PL, foragido desde o início do mês, atualmente na lista vermelha da Interpol.

Ao todo, foram cumpridos 20 mandados de prisão preventiva e 27 mandados de busca e apreensão simultaneamente em Campo Grande, Dourados, Corumbá, Maracaju e Ponta Porã, além de endereços no Paraná, Goiás e Rio Grande do Sul.

A investigação aponta que o grupo estaria envolvido em uma lista de crimes variados, como  roubos, corrupção, lavagem de dinheiro e, principalmente, uma tentativa de monopolizar a exploração ilegal de jogos de azar, o dito “jogo do bicho”, em Mato Grosso do Sul. 

Segundo apurações do Gaeco, a organização criminosa, liderada pelo ex-deputado estadual, o plano da quadrilha era expandir a jogatina para Goiás e a reorganização do clã após a Operação Successione, que teve início em 2023. 

Mesmo com o desdobramento da Operação, o grupo não cessou as atividades, intensificando a sua atuação de forma “violenta e estruturada”. 

Lista dos investigados e presos na quarta fase da Successione: 

  • Roberto Razuk,
  • Rafael Godoy Razuk,
  • Jorge Razuk Neto,
  • Sérgio Donizete Baltazar,
  • Flávio Henrique Espíndola Figueiredo,
  • Jonathan Gimenez Grande (Cabeça),
  • Samuel Ozório Júnior,
  • Odair da Silva Machado (Gaúcho),
  • Gerson Chahuan Tobji,
  • Marco Aurélio Horta,
  • Anderson Lima Gonçalves,
  • Paulo Roberto Franco Ferreira,
  • Anderson Alberto Gauna,
  • Willian Ribeiro de Oliveira,
  • Marcelo Tadeu Cabral,
  • Franklin Gandra Belga,
  • Jean Cardoso Cavalini,
  • Paulo do Carmo Sgrinholi,
  • Willian Augusto Lopes Sgrinholi,
  • Rhiad Abdulahad.

Colaborou Glaucea Vaccari 

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