Política

PROJETOS

Senadores querem elevar impostos dos cigarro

Senadores querem elevar impostos dos cigarro

AGÊNCIA SENADO

29/01/2011 - 10h56
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Dois projetos de lei que vêm sendo discutidos pelos senadores aumentam os impostos cobrados sobre os cigarros, buscando com isso reduzir o tabagismo no país. No entanto, o governo prefere tornar mais rígidas as regras para sua venda aos consumidores, o que também pode reduzir o vício, especialmente entre os jovens.

Neste momento, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) promove consulta pública de uma resolução que proibirá a exposição de maços de cigarros nos locais de venda, como padarias e supermercados. Além disso, incluirá novas advertências nos marços, como a frase "Tabagismo é doença". Hoje, já são impressas nas carteiras de cigarro alertas sobre os malefícios do produto à saúde.

Os dois projetos foram apresentados por senadores que também são médicos. O primeiro (PLS 314/08), do ex-senador Tião Viana (PT-AC), que deixou recentemente mandato para assumir o governo do Acre, chega a aumentar de 169% para 463% a alíquota da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social cobrada dos cigarros. Ele quer aumentar ainda em cerca de 50% a cobrança de PIS-Pasep e Cofins sobre os cigarros. No final, as duas tributações podem elevar o preço para o consumidor em cerca de 10%.

Tião Viana contesta em sua justificativa a argumentação da indústria do fumo de que aumentos de impostos tendem a levar a um aumento no contrabando de cigarros, com a conseqüente evasão de impostos. Ele cita um relatório do Banco Mundial onde se prevê que, na média, um aumento de 10% nos preços reduz o consumo em cerca de 4% nos países de renda elevada e de 8% em países de renda média e baixa.

O segundo projeto (PLS 233/10), apresentado no ano passado pelo então senador Jorge Yanai (DEM-MT), quer dobrar a alíquota da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) dos cigarros e assemelhados, a qual passaria de 9% para 18%. Yanai aplaude as medidas restritivas que vêm sendo adotadas pelo governo, mas pondera que é necessário complementá-las com aumento de preço. Yanai também discorda da tese de que preço mais elevado vá significar crescimento no contrabando de cigarros.

O projeto de Yanai já recebeu parecer favorável na Comissão de Assuntos Sociais (CAS), apresentado pelo também senador e médico Papaléo Paes (PSDB-AP). Papaléo, no entanto, não foi reeleito e, assim, será designado nos próximos dias um novo relator para a matéria.

Já o projeto de Tião Viana está na Comissão de Direitos Humanos e Participação Legislativa (CDH), à espera de um novo relator, por causa do final da legislatura. Antes, ele tramitou na Comissão de Assuntos Sociais, até que um requerimento do líder do governo, senador Romero Jucá (PMDB-RR), determinou que ele tramitasse junto com outros dois projetos, que criam um fundo de proteção aos produtores de fumo e proíbem incentivos fiscais à indústria do cigarro. O requerimento pede ainda que ele seja examinado por outras comissões do Senado.

Lei Orçamentária

Deputados aprovam LDO de 2027 com orçamento de R$ 27,9 bilhões em MS

Projeto define prioridades para os gastos do Estado no próximo ano, prevê R$ 2,5 bilhões em investimentos e segue para nova votação na Assembleia Legislativa

30/06/2026 16h09

Foto: Wagner Guimarães

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A Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul aprovou, em primeira discussão, nesta terça-feira (30), o Projeto de Lei nº 77/2026, que estabelece as diretrizes para a elaboração e execução da Lei Orçamentária de 2027 (LDO).

A proposta, encaminhada pelo Poder Executivo, estima um orçamento de R$ 27,992 bilhões para o próximo exercício financeiro e define as metas, prioridades e regras que orientarão a aplicação dos recursos públicos estaduais.

A matéria representa uma das principais peças do planejamento fiscal do Estado, por servir de base para a elaboração da Lei Orçamentária Anual (LOA), que será encaminhada pelo Governo do Estado à Assembleia Legislativa no segundo semestre deste ano.

A Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) é o instrumento que estabelece as metas, prioridades e regras para a elaboração do orçamento público do ano seguinte.

Ela funciona como uma ponte entre o Plano Plurianual (PPA), que define os objetivos do governo para um período de quatro anos, e a Lei Orçamentária Anual (LOA), que detalha quanto será destinado a cada área da administração pública.

Na prática, a LDO orienta a distribuição dos recursos, fixa metas fiscais e estabelece critérios para o controle dos gastos públicos.

Antes da votação em plenário, o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Gerson Claro (PP), afirmou que o texto foi elaborado com cautela diante do atual cenário econômico e da necessidade de manter o equilíbrio das contas públicas.

"A Lei de Diretrizes é bastante modesta. O Governo procurou cuidar muito do aumento econômico do Estado, com uma receita bastante estável e sem crescimento significativo. Tivemos perda de arrecadação com o gás e as despesas aumentam todos os dias. Por isso, o orçamento foi elaborado de forma bastante tradicional, buscando manter o equilíbrio fiscal", afirmou.

Presidente da ALEMS, Gerson Claro (PP). Foto: Wagner Guimarães
 

De acordo com o projeto, o orçamento estadual previsto para 2027 é de R$ 27,992 bilhões. Desse total, quando excluídos os recursos destinados ao Regime Próprio de Previdência Social (RPPS), as receitas primárias são estimadas em R$ 24,492 bilhões.

As despesas primárias correntes deverão alcançar R$ 19,860 bilhões, sendo que R$ 10,226 bilhões serão destinados ao pagamento de pessoal e encargos sociais, mantendo essa área como a principal despesa da administração estadual.

O texto também prevê R$ 2,538 bilhões em investimentos diretos ao longo de 2027. Os recursos deverão ser aplicados em obras de infraestrutura, ampliação e modernização da rede hospitalar, construção e reforma de escolas, além de projetos voltados ao desenvolvimento urbano e à melhoria da logística em Mato Grosso do Sul.

Durante a tramitação da proposta, um dos principais pontos de debate deverá envolver a definição dos critérios para os repasses constitucionais aos demais Poderes.

Segundo Gerson Claro, a Assembleia trabalha para retirar da LDO o índice inicialmente previsto para os chamados duodécimos, deixando essa discussão para a elaboração da Lei Orçamentária Anual.

"Nós estamos trabalhando com as lideranças para apresentar uma emenda retirando da LDO o índice previsto para os duodécimos. Esse debate ficará para a Lei Orçamentária, quando teremos um cenário mais consolidado da receita corrente líquida do Estado", explicou.

O presidente da Casa também destacou que o Parlamento pretende manter a política de controle das despesas, mesmo diante da ampliação dos investimentos realizados pelo Legislativo.

"Mesmo executando obras e ampliando investimentos, a Assembleia deverá gastar menos do que o orçamento previsto para este ano, mantendo uma gestão responsável dos recursos públicos", afirmou.

Com a aprovação em primeira discussão, o projeto retorna para análise das comissões de mérito e da Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJR). Somente após essa etapa a proposta será submetida à segunda votação em plenário.

Se aprovada, a LDO servirá como referência para a elaboração da Lei Orçamentária Anual de 2027, que detalhará a destinação dos recursos públicos para cada área da administração estadual.


 

crise

Michelle prepara vídeo de apoio a Pollon enquanto PL-MS se divide entre dois núcleos bolsonaristas

Endosso de aliados de Jair ao rompimento público da ex-primeira-dama com Flávio Bolsonaro acende alerta sobre disputa interna que vai além de MS; dirigentes do partido já contabilizam custos da indefinição; cenário se repete em SP, RJ e MG

30/06/2026 15h16

Michelle Bolsonaro prepara um novo vídeo de apoio explícito ao deputado federal Marcos Pollon (PL-MS)

Michelle Bolsonaro prepara um novo vídeo de apoio explícito ao deputado federal Marcos Pollon (PL-MS) Foto: Divulgação

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A crise aberta pelo vídeo em que Michelle Bolsonaro expôs publicamente suas desavenças com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ganhou um novo capítulo que deve complicar ainda mais a escolha do segundo candidato ao Senado pelo PL em Mato Grosso do Sul: a ex-primeira-dama prepara um novo vídeo de apoio explícito ao deputado federal Marcos Pollon (PL-MS), segundo apurou o Correio do Estado.

A gravação, em fase de produção, seria o passo seguinte à carta escrita pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, divulgada em fevereiro por Michelle, e às publicações que ela vem fazendo nas redes sociais em que declara Pollon como "o nosso candidato".

O conteúdo ainda não é conhecido, mas sua simples existência já é interpretada pelas lideranças do partido no Estado como um movimento deliberado de escalada, não apenas de afeto político, mas de disputa de poder dentro do núcleo familiar.

O que reforça essa leitura é o comportamento de aliados próximos ao ex-presidente diante do vídeo de rompimento publicado por Michelle na noite de quarta-feira. Figuras do entorno direto de Jair Bolsonaro, em vez de reagir com distância ou silêncio, endossaram o conteúdo, ainda que de forma velada. O gesto foi interpretado por interlocutores do partido como sinal de que o rompimento de Michelle com Flávio conta, ao menos tacitamente, com respaldo do próprio ex-presidente.

Dois núcleos, uma candidatura

A divisão que a crise torna visível já era conhecida nos bastidores do PL, mas nunca havia sido exposta com essa nitidez. De um lado, o chamado "núcleo caseiro", formado por Jair e Michelle Bolsonaro, que tem defendido Pollon com constância e, segundo fontes do partido, não demonstra intenção de recuar. 

Do outro, o "núcleo político", articulado por Flávio Bolsonaro e pelo secretário-geral do partido, o senador Rogério Marinho (PL-RN), que tem defendido a candidatura do ex-deputado estadual Capitão Contar, posição que se alinha à preferência do presidente estadual do PL em MS, o ex-governador Reinaldo Azambuja.

A lógica do núcleo político é respaldada pelos números. As duas pesquisas contratadas pelo partido, a Quaest, paga pelo diretório estadual, e o Paraná Pesquisas, custeada pelo diretório nacional, apontaram desempenho superior de Contar em relação a Pollon, segundo apurou o Correio do Estado. Esses resultados foram encaminhados a Valdemar Costa Neto, presidente nacional do PL, a Marinho e a Flávio Bolsonaro, que ficou responsável por repassá-los ao pai para análise final.

O problema é que Jair Bolsonaro, como interlocutores do partido reconhecem sem hesitação, não tem como regra seguir o que é previamente acordado e, desta vez, a mulher também está na equação.

Pedido de desculpas não desfaz o racha

Na tarde de quinta-feira (25), Flávio Bolsonaro recuou e pediu desculpas publicamente a Michelle, após o vídeo de rompimento gerar desconforto nos círculos políticos da família. A manifestação foi lida internamente como uma tentativa de contenção de danos, não como sinalização de mudança de posição sobre o candidato em MS.

"O gesto é político, não muda a equação", avaliou uma fonte do partido que atua nas articulações do Estado, sob condição de anonimato. Na prática, o pedido de desculpas não foi acompanhado de qualquer indicativo de que o núcleo político esteja disposto a ceder e aceitar Pollon no lugar de Contar.

Caixa e calendário pressionam dirigentes

Enquanto a crise entre os Bolsonaro se desdobra, dirigentes do PL em Mato Grosso do Sul começam a contabilizar outro problema: o tempo e o dinheiro já comprometidos. A cem dias do primeiro turno, marcado para 4 de outubro, os dois institutos de pesquisa contratados já foram pagos.

Recursos destinados à estruturação da campanha foram mobilizados com base em um calendário que previa a definição da chapa com antecedência. Novos desembolsos, para publicidade, logística e articulação política, dependem de um nome que ainda não existe.

A executiva nacional do partido, que havia previsto divulgar nesta semana a lista de pré-candidatos ao Senado nas 27 unidades da Federação com aval de Jair Bolsonaro, adiou o anúncio para a próxima semana. A expectativa é de que o comunicado saia até quarta-feira.

Para os dirigentes ouvidos pelo Correio do Estado, a indefinição já é custosa, financeiramente e politicamente. "Quanto mais tempo passa sem nome, menos tempo sobra para fazer campanha", disse uma fonte partidária.

Flávio Bolsonaro tem mais palanques abertos que Lula

Mato Grosso do Sul não é caso isolado. O PL acumula indefinições semelhantes nas três unidades da Federação com maior peso eleitoral do país, o que expõe a fragilidade da estrutura de candidaturas montada em torno da pré-candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro.

Em São Paulo, o ponto de partida para a crise foi a declaração de inelegibilidade do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que ocuparia a vaga natural do partido ao Senado. A solução articulada até agora coloca o presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), André do Prado, como pré-candidato, com Eduardo Bolsonaro posicionado como primeiro suplente. O espaço da direita no Estado, porém, ainda é disputado com o deputado estadual Guilherme Derrite (PP) e o ex-ministro Ricardo Salles (Novo), o que fragmenta o campo e dificulta a consolidação de uma chapa competitiva.

No Rio de Janeiro, o impasse envolve nomes do próprio entorno de Flávio Bolsonaro. Os deputados federais Carlos Jordy e Sóstenes Cavalcante e o atual senador Carlos Portinho disputam a preferência interna, e a decisão final, segundo fontes, ficará nas mãos do próprio Flávio, que deverá se orientar pelo resultado de pesquisas internas encomendadas para o Estado.

Em Minas Gerais, o deputado federal Domingos Sávio (PL-MG) é o nome mais articulado internamente, mas o partido estuda alternativas de maior peso eleitoral diante de um cenário pulverizado e de movimentações de siglas aliadas da base de direita. A indefinição mineira se insere num contexto em que analistas já apontam que Flávio Bolsonaro acumula mais palanques sem definição do que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o que representa um risco para a coordenação nacional da campanha bolsonarista em 2026.

Em todos esses Estados, a lógica é a mesma enfrentada em MS: candidaturas ao Senado que precisam ser definidas em prazo curto, com recursos já parcialmente empenhados e pesquisas já realizadas, mas com a palavra final ainda presa num impasse entre o cálculo eleitoral e a vontade política da família Bolsonaro.

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