Cidades

EVENTOS EXTREMOS

Alerta contra enchentes e vendavais será testado hoje e passa a valer em outubro

Quatro municípios do Estado estarão envolvidos no teste da nova ferramenta que emitirá uma sirene de 10 segundos

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As populações de Campo Grande, Corumbá, Dourados e Três Lagoas vão participar de um teste do Defesa Civil Alerta (DCA), ferramenta tecnológica que envia alertas visuais e sonoros para as pessoas que estão em área de risco de desastres naturais ou causados pelo homem, neste sábado, a partir das 14h.

Os alertas são emitidos em eventos de alagamentos, enxurradas, enchentes, deslizamentos de terra e vendavais, conforme estabelecido pela Classificação e Codificação Brasileira de Desastres (Cobrade).

Além de Mato Grosso do Sul, todos os outros estados da região Centro-Oeste (Goiás e Mato Grosso) e o Distrito Federal também vão participar desta ação. Ao Correio do Estado, Lyderson Oursley Francisco, chefe do Departamento de Gestão de Riscos e Desastres da Defesa Civil do Estado explicou como vai funcionar essa prática.

“Essa tecnologia é usada para alerta extremo, quando há um real potencial de dano à saúde. Então, para os alertas comuns, que são os alertas amarelos e laranjas, que são disparados pelo Cemaden [Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais], não é utilizado”, disse.

Existem dois tipos de alertas: severos e extremos. No primeiro, eles são emitidos quando não há urgência imediata, ou seja, a população tem um tempo maior para se preparar e sair de determinada região. Nesse caso, vai soar um barulho no celular como se fosse uma notificação de SMS, além de uma mensagem automática com o que está acontecendo e orientações do que fazer.

Já a segunda situação é usada para casos críticos, do qual é necessário retirada imediata do local. Diante disso, será exibida uma mensagem semelhante a mesma do alerta severo acompanhada de um alarme sonoro parecido com uma sirene, com duração de 10 segundos, que será acionado independente do aparelho celular estar no modo silencioso. Porém, caso ele esteja desligado ou no modo avião, a mensagem não chegará.

Os alertas vão chegar aos celulares Android e IOS lançados a partir de 2020 e com cobertura de telefonia móvel com tecnologia 4G ou 5G. Além disso, é necessário pontuar que o serviço é gratuito e não é necessário cadastro, baixar aplicativo ou indicar o CEP à nenhuma autoridade ou órgão.

“A hora que você entra ali naquela área [com desastre] que as torres triangulam e pegam o número do seu celular, você vai receber. Por exemplo, quando o Lago do Amor transbordou e interrompeu a via e estava muito alagado, então a gente triangula ali na região, que é o Jardim das Nações, Ipiranga, Piratininga e Universidade Federal, e somente aquela região vai receber o alerta, o resto de Campo Grande não”, explica Lyderson Oursley.

Além deste exemplo, o chefe do Departamento de Gestão de Riscos e Desastres do órgão estadual citou a tempestade de areia que atingiu Campo Grande e outros municípios do Estado em outubro de 2021. Neste caso, seria emitido um alerta do tipo severo, ou seja, sem urgência imediata, pedindo para que a população se prepare e saia do local em, no máximo, duas horas.

“Nos incêndios florestais, entre o final do ano passado até o início deste ano, houve um incêndio muito grande na região do Salobra, próximo a BR, que acabou sendo interditada, não tinha como sair de Miranda e ir para Corumbá. Você chegava até o Salobro, parava ali e não tinha como prosseguir, porque o incêndio florestal estava muito grande. Então, a gente poderia ter disparado um Defesa Civil Alerta para a cidade de Corumbá nesta situação”, complementa Oursley à reportagem.

Como mencionado, Mato Grosso do Sul faz parte de um pacote da região Centro-Oeste que receberá o teste na tarde de sábado. Segundo Lyderson Oursley, o alarme não será emitido ao mesmo tempo em todos os estados, e deve seguir a seguinte ordem: Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. 
Portanto, está previsto que o alerta visual e sonoro seja lançado nos aparelhos celulares dos campo-grandenses, corumbaenses, douradenses e três-lagoenses por volta das 14h15min.

FERRAMENTA

O Defesa Civil Alerta começou sua história no dia 10 de agosto do ano passado, com uma fase piloto realizada em 11 municípios das regiões Sul e Sudeste do País, que durou por um mês. Durante este período, foram enviados alertas de demonstração (iguais aos que vão ser emitidos neste sábado) à população visando informar sobre a função da nova ferramenta.

Diante do êxito nos testes, todos os estados do Sul e Sudeste ficaram aptos a utilizar a tecnologia, no dia 4 de dezembro de 2024. Ambas as regiões foram priorizadas pelo alto número de desastres que aconteceram nestes sete estados. Tanto que, desde o primeiro dia de utilização do DCA, Santa Catarina lidera, com 185 alertas emitidos, seguido por São Paulo e Minas Gerais, com 163 e 40 alertas emitidos, respectivamente.

Em seguida, foi a vez da região Nordeste receber a nova tecnologia, com o teste realizado no dia 14 de junho deste ano e implementação completa quatro dias depois. Desde então, Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe já contam com a ferramenta em sua plena funcionalidade.

Logo depois, a região Norte foi a contemplada. Nos dias 20 e 24 deste mês aconteceram o teste e implantação total, respectivamente, nos sete estados nortistas.

Agora, será a vez da região Centro-Oeste, que receberá o teste neste sábado e está prevista a implantação completa a ser realizada no dia 1º de outubro.

A Defesa Civil disponibilizou à reportagem o som que irá tocar hoje nos celulares da população sul-mato-grossense. Confira:

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Cidades

TCU aponta problemas na prestação de contas da Cultura e da Ancine, com passivo de R$ 22 bi

São 26.583 projetos que dependem de uma análise final no trâmite formal de prestação de costas

25/03/2026 21h00

Crédito: Valter Campanato / Agência Brasil

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O Tribunal de Contas da União (TCU) identificou falhas que classificou como graves na gestão de recursos transferidos a projetos culturais do Ministério da Cultura e da Agência Nacional do Cinema (Ancine) de 2019 a 2024. O montante alcança cerca de R$ 22,1 bilhões, segundo relatório da Corte. São 26.583 projetos que dependem de uma análise final no trâmite formal de prestação de costas. Além dos atrasos nas análises, há "elevado" risco de prescrição de processos.

O montante resulta da soma de R$ 17,73 bilhões em 19.191 projetos incentivados (renúncia fiscal) e R$ 4,36 bilhões em 7 392 projetos não incentivados (recurso direto do governo). De acordo com a fiscalização, o passivo de projetos nessa situação é crescente, o que fragiliza o controle sobre o uso de recursos públicos.

No caso do Ministério, o TCU apontou um cenário com acúmulo de processos pendentes e ausência de mecanismos eficazes de controle de prazos. A demora na análise, que pode ultrapassar anos, eleva o risco de perda do direito de cobrança de valores eventualmente devidos ao erário, segundo a Corte.

A Ancine também apresentou atrasos relevantes, embora o Tribunal tenha destacado iniciativas tecnológicas em curso para aprimorar a análise de prestações de contas, incluindo o uso de ferramentas automatizadas.

"O acompanhamento permite detectar omissões, atrasos e inconsistências na análise das prestações de contas", afirmou o relator do processo, ministro Augusto Nardes.

Diante dos achados, o tribunal determinou a adoção de medidas para priorizar processos com risco iminente de prescrição, implementar sistemas de monitoramento de prazos e revisar procedimentos internos, com o objetivo de reduzir o passivo e fortalecer a fiscalização.
 

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testemunha-chave

Chaveiro aponta que Bernal pode ter dado 'tiro de misericórdia' em fiscal

Em depoimento disse que ocorreu apenas um disparo assim que o ex-prefeito entrou no imóvel. O fiscal tributário, porém, morreu atingido por dois tiros

25/03/2026 18h28

Nesta quarta-feira Alcides Bernal passou por audiência de custódia e o juiz entendeu que  le deve permanecer na prisão

Nesta quarta-feira Alcides Bernal passou por audiência de custódia e o juiz entendeu que le deve permanecer na prisão Marcelo Victor

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O depoimento do chaveiro Maurílio da Silva Cardoso, de 69 anos, testemunha-chave do assassinato do fiscal tributário Roberto Carlos Mazzini, 61 anos, contradiz as declarações de Alcides Bernal e pode comprometer a tese da legítima defesa, que é o principal argumento dos advogados para tentar tirar da prisão o ex-prefeito de Campo Grande. 

O crime ocorreu no  começo da tarde de terça-feira (24) e ao se apresentar à polícia, dizendo que acreditava estar sendo perseguido, o ex-prefeito afirmou que fez dois disparos contra o fiscal tributário, que acabou morrendo no interior da casa que motivou o assassinato. 

Bernal alegou que fez os disparos para se defender, pois teria se sentido ameaçado, já que os dois homens já haviam aberto o portão social que fica no muro do imóvel e estavam tentando abrir a porta que dá acesso à casa, localizado na Rua Antônio Maria Coelho, na região central de Campo Grande. 

O chaveiro, porém, dá outra versão em seu depoimento prestado horas depois do crime. Conforme o documento oficial da Polícia Civil, o chaveiro "afirmou, de forma veemente, ter presenciado um disparo efetuado contra o senhor Roberto, relatando que ficou extremamente abalado com a situação. Declarou recordar-se de apenas um disparo ocorrido enquanto ainda se encontrava no local, não podendo, contudo, informar se o autor realizou novos disparos após sua saída da residência."

Em outro trecho o documento que que ele "informou que, de forma cautelosa, afastou-se lentamente do autor, enquanto o autor ficou vidrado na vítima Roberto, até conseguir alcançar o portão, momento em que empreendeu fuga, pois temia por sua vida, acreditando que o autor poderia também atentar contra si, especialmente após ter sido ordenado que se deitasse de bruços. Acrescentou que, após deixar o local e alcançar uma distância segura, entrou em contato com seu filho, DIEGO, comunicando o ocorrido e solicitando que acionasse a polícia". 

Diego é Guarda Municipal e, segundo as informações prestadas pelo pai, também faz bico como chaveiro e no dia anterior seu filho teria sido contactado pelo fiscal tributário para prestar o serviço de abertura da casa. Porém, o guarda teria repassado o serviço para o pai. Os advogados de Bernal dizem, porém, que o guarda também teria participado daquil que chama de invasão da casa. 

O revólver calibre 38 entregue por Bernal à polícia estava com três projéteis intactos e dois deflagrados. No corpo do fiscal tributário havia três perfurações. E, segundo a perícia, um dos disparos entrou pela parte frontal das costelas e saiu pelas costas. O outro, atingiu a região da cintura. 

Pelo fato de os policiais terem indagado ao chaveiro se ele escutou um segundo disparo depois que fugiu do local, os investigadores deixam claro que suspeitam que Bernal tenha dado o que se chamam de "tiro de misericórdia" contra Roberto Mazzini depois que este já estava imobilizado e depois que a testemunha-chave havia deixado o imóvel.

E, caso isto se confirme, a tese de legítima defesa cairia por terra. As versões diferentes sobre o exato momento em que foram efetuados os disparos podem ser esclarecidas pelas imagens das câmeras internas da mansão.

Estas imagens, apesar de os advogados de defesa de Alcides Bernal garantirem que existem, não haviam chegado às mãos do juiz que nesta quarta-feira decidiu manter o ex-prefeito na cadeia. O magistrado entendeu que não estava claro se realmente ocorreu legítima defesa. 

Em seu despacho, o juiz diz que "a defesa sustenta a ocorrência de legítima defesa. Todavia, para o  reconhecimento da excludente de ilicitude nesta fase processual, seria necessária prova cabal, inequívoca e indiscutível, o que não se verifica no presente momento".

Logo na sequência, diz o magistrado, "destaca-se o depoimento da testemunha Maurílio da Silva Cardoso, o qual afirmou que a vítima não teve qualquer oportunidade de reação ou explicação, tendo o custodiado se aproximado já com a arma em punho". 

Além disso, ressalta o juiz, "o  custodiado (Bernal), ao ser informado de possível invasão, poderia ter acionado os órgãos de segurança pública, como Polícia Militar ou Polícia Civil, ao invés de dirigir-se ao local armado e efetuar disparos sem oportunizar esclarecimentos. A conduta, portanto, revela elevada gravidade concreta, tratando-se de crime doloso contra a vida, praticado com violência extrema."

MANSÃO

Com quase 680 metros quadrados de área construída e um terreno de 1,4 mil metros quadrados, a casa foi arrematada pelo fiscal tributário por pouco mais de R$ 2,4 milhões em novembro do ano passado. Desde então ele tentava tomar posse. Conforme advogados de Bernal, o fiscal já havia participado de pelo menos 25 leilões e conhecia as normativas para tomar posse destes imóveis. 

Segundo nota emitida por familiares de Roberto Mazzini na manhã desta quarta-feira (25), o fiscal chamou o chaveiro para abrir o imóvel porque o cartório responsável pelo registro havia informado que a casa estava vazia e por conta disso Roberto teria ido ao local para tomar posse, já que havia comprado a mansão em um leilão realizada pela Caixa Econômica Federal. 

CARREIRA POLÍTICA

Radialista, Alcides Bernal foi vereador em Campo Grande durante dois mandatos e em 2010 elegeu-se para deputado estadual, com 20.910 votos. Em 2012 candidatou-se a prefeito de Campo Grande e acabou derrotando o então deputado federal Edson Giroto, que tinha o apoio dos principais caciques políticos da época, como André Puccinelli e a família Trad.  

Mas, em março de 2014 acabou sendo cassado pela câmara de vereadores, sendo o primeiro prefeito a sofrer a punição na história de Campo Grande. Seu vice, Gilmar Olarte, foi um dos principais articuladores da cassação e acabou herdando o cargo. 

Em maio daquele ano, um juiz de primeira instância suspendeu a cassação e concedeu liminar para a volta de Bernal ao cargo. Horas após a concessão, aliados marcharam rumo à prefeitura e a ocuparam o prédio. No entanto, a decisão foi revertida pelo Tribunal de Justiça horas depois, reempossando Gilmar Olarte no cargo.

Bernal somente conseguiu voltar ao cargo em 25 de agosto de 2015 e permanceceu no cargo até o fim do mandato. Ele chegou a se candidatar à reeleição, mas nem mesmo chegou ao segundo turno. O pleito foi vencido por Marquinos Trad.  

Ele havia comprado a casa em 2016, já perto do fim do seu mandato como prefeito. Porém, por conta por conta de uma dívida da ordem de R$ 900 mil na Caixa, o imóvel acabou sendo levado a leilão. 

 

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