A cidade de Terenos vive um cenário de incerteza e vácuo administrativo após a deflagração da Operação Spotless, que resultou na prisão do prefeito Henrique Wancura Budke (PSDB) e de outras 15 pessoas, incluindo empresários e servidores, além de 59 mandatos de busca e apreensão. Enquanto o chefe do Executivo permanece detido, a prefeitura aguarda uma definição da Justiça e da Câmara Municipal para os próximos passos da gestão.
O vice-prefeito, Dr. Arlindo Higino de Campos (Republicanos), afirmou que a situação depende dos trâmites legais. "Por enquanto, [estamos] aguardando decisão judicial e convocação da Câmara Municipal, depois desses ocorridos", declarou brevemente, indicando que ainda não há uma definição sobre a sucessão no cargo.
O presidente da Câmara Municipal, vereador Leandro Caramalac (PSD), foi procurado pela reportagem, mas não respondeu aos contatos até o fechamento desta edição. Dentro da Câmara, é esperado a audiência de custódia do prefeito ainda nesta quarta-feira e então se convocará o vice para assumir o comando do município.
MEGAOPERAÇÃO
A ordem de prisão e de busca e apreensão, expedida pelo desembargador Jairo Roberto de Quadros, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJ/MS), revelou a dimensão de um suposto esquema de corrupção que, segundo o Ministério Público, fraudava licitações para direcionar obras públicas a um grupo de empresários.
A investigação aponta para uma "atuação sistêmica de organização criminosa" que agia, em tese, com o respaldo do prefeito e o apoio de servidores para fraudar a competitividade de licitações. O modus operandi, segundo o Ministério Público, envolvia um revezamento de empresários para vencer os certames, garantindo a execução de obras em troca de propina.
A investigação aponta uma "evolução patrimonial de Henrique incompatível com o cargo público exercido", com valores das propinas sendo direcionados para a compra de imóveis e empresas. De acordo com o documento, o patrimônio declarado do prefeito passou de R$ 776.210,57 em 2020 para R$ 2.468.418,61 em 2024, um crescimento de 318%. O salário mensal líquido do prefeito é de R$ 15.630,83.
A decisão judicial que autorizou a operação destaca a robustez dos indícios de crimes como organização criminosa, frustração do caráter competitivo de licitação, pagamento irregular e corrupção. O documento detalha como o grupo teria manipulado diversas licitações desde 2021, incluindo a reforma da Escola Municipal Rosa Idalina Braga Barboza, a construção de calçadas e a substituição de pontes de madeira.
Mensagens de WhatsApp, quebras de sigilo bancário e telemático revelaram, segundo a investigação, que o prefeito Henrique Budke era o "líder e figura central do grupo", recebendo propinas que chegavam a ser pagas em dinheiro, muitas vezes por meio de "testas de ferro".
O Ministério Público pediu a prisão preventiva de 16 dos 32 investigados para "desarticular a organização" e "estancar as supostas condutas criminosas", que, segundo a acusação, continuavam em andamento.
Enquanto a Justiça define o futuro dos presos e da investigação, a população de Terenos aguarda quem assumirá o comando da prefeitura para dar continuidade aos serviços públicos essenciais.


Plataforma LIA 3R


