Saiba o que está acontecendo nos bastidores do poder e na política lendo a coluna do jornalista Cláudio Humberto na edição desta segunda-feira (10) do jornal Correio do Estado.
Artigos e Opinião
COLUNISTA
Claudio Humberto conta sobre os bastidores do poder e da política
Saiba o que está acontecendo nos bastidores do poder e na política lendo a coluna do jornalista Cláudio Humberto na edição desta segunda-feira (10) do jornal Correio do Estado.
Artigo
Luiza Esteves - Médica endocrinologista
24/10/2026 07h20
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Minha avó sempre dizia que não existem soluções simples para problemas difíceis, e levei anos para entender o quanto ela tinha razão. Hoje, como endocrinologista, vejo essa verdade se repetir todos os dias.
No consultório, acompanho principalmente pacientes com obesidade e mulheres na menopausa. Quanto mais estudo essas condições, mais percebo que ambas envolvem uma fisiologia profundamente complexa. Na obesidade, ocorre uma desregulação dos hormônios responsáveis pelo controle da fome e da saciedade. Já na menopausa, há uma queda significativa na produção dos hormônios femininos. Em comum, as duas deixam as pessoas mais vulneráveis a promessas de soluções rápidas.
Nas redes sociais, porém, essa complexidade vira mercadoria e é reduzida a fórmulas simplistas. Surgem o "chá seca-barriga" para emagrecer e a "fórmula mágica" para aliviar o cansaço e os fogachos da menopausa. Afinal, quem não gostaria de uma solução rápida?
O problema é que o rótulo "100% natural" muitas vezes mascara riscos graves e cria a ilusão de um tratamento inofensivo. Natural, porém, não é sinônimo de seguro. A cocaína é derivada de uma planta e nem por isso seu uso é recomendado.
O grande risco por trás dessas promessas reside na adulteração criminosa de chás e suplementos com potentes fármacos sintéticos. E isso não é especulação: laudos da Polícia Científica de Santa Catarina já identificaram substâncias como anfetaminas, antidepressivos, ansiolíticos e até alucinógenos em pílulas emagrecedoras e outros produtos vendidos livremente na internet como "naturais". Nos Estados Unidos, o cenário se repete, com dezenas de suplementos para perda de peso recolhidos por conterem substâncias farmacológicas não declaradas no rótulo.
A exposição contínua a essas substâncias pode sobrecarregar órgãos vitais e o sistema cardiovascular, provocando reações adversas graves. Os usuários relatam desde sede excessiva e dores de cabeça até tonturas intensas e episódios de perda de consciência, que podem levar à internação em unidades de terapia intensiva.
Parte desse perigo decorre também da combinação de diferentes compostos farmacológicos, em dosagens desconhecidas e sem controle sanitário. Nessas condições, transformam-se em verdadeiras bombas-relógio para o organismo, capazes de causar complicações graves e até a morte.
Os dados mostram que não se trata de casos isolados. Entre 2020 e 2025, 63% dos processos de investigação instaurados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) envolveram suplementos alimentares irregulares, muitos deles associados a promessas de resultados estéticos milagrosos. A agência mantém, inclusive, uma extensa lista de emagrecedores proibidos que, infelizmente, continuam circulando de forma clandestina.
Mas os danos não se limitam à saúde física. Quando a primeira "solução milagrosa" fracassa, surge a frustração. O resultado não corresponde à promessa, e a culpa aparece: por que tanta gente conseguiu e eu não? Esse sentimento de fracasso aprofunda a vulnerabilidade e alimenta um ciclo perigoso. A pessoa continua buscando soluções rápidas, gastando dinheiro, perdendo tempo e colocando a própria saúde em risco.
O fato é que o verdadeiro tratamento da obesidade não cabe em uma cápsula comprada às escondidas na internet. Ele exige uma equipe multidisciplinar, mudanças progressivas no estilo de vida e, quando necessário, o uso de medicamentos prescritos com critério e monitoramento.
Vale, então, uma pergunta honesta: a busca é realmente por saúde ou por um padrão estético a ser atingido a qualquer custo? Enquanto não enfrentarmos essa pergunta com honestidade, continuaremos reféns de promessas fáceis e dispostos a arriscar a própria saúde por qualquer solução que prometa bem-estar imediato.
Artigos
Rosane Orth Argenta - Gestora de saúde
24/10/2026 07h10
Arquivo
O avanço do sarampo nos Estados Unidos e em outros países das Américas chama atenção para os riscos da queda na cobertura vacinal. Quando menos pessoas estão protegidas, aumentam as chances de o vírus se espalhar. Além de ser altamente contagiosa, a doença pode causar complicações graves, como pneumonia e inflamação do cérebro. De acordo com dados da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), Estados Unidos, Guatemala, México, Peru e Canadá concentram mais de 95% dos casos confirmados de sarampo nas Américas este ano.
Segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), os EUA chegaram a 4.410 casos confirmados e três óbitos pela doença até o dia 15, maior índice registrado em mais de três décadas. Até o dia 5, a Pensilvânia somava 1,4 mil casos, cinco óbitos e 198 hospitalizações de acordo com as autoridades de saúde, enquanto Nova York declarou emergência recentemente após 108 registros. Esse cenário reforça como a hesitação em vacinar-se e a baixa cobertura favorecem a disseminação do sarampo. Quando há muitas pessoas suscetíveis, o vírus encontra brechas para se espalhar, ultrapassando os limites de um bairro ou município e podendo alcançar outros países. Já o indivíduo vacinado tem menos chances de adoecer e, caso isso aconteça, tende a desenvolver sintomas mais leves. O alerta também serve para o Brasil onde a doença volta a afetar os brasileiros.
Em São Paulo, a doença chegou a 40 casos confirmados este ano, segundo balanço do Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE) estadual divulgado no dia 1º. Desses, 30 pacientes não tinham registro de vacinação ou estavam com o esquema incompleto, de acordo com o governo estadual. Embora esses registros não signifiquem, por si só, que o vírus voltou a circular de vez no País, eles reforçam a necessidade de manter a vigilância para evitar que a contaminação se estenda. Para interromper a transmissão sustentada do sarampo, o Ministério da Saúde e a Organização Mundial da Saúde (OMS) estabeleceram a meta de alcançar 95% de pessoas vacinadas. Assim, favorecendo a imunidade coletiva e contribuindo para a proteção daqueles que não podem receber a vacina, como pessoas com imunidade muito comprometida, e quem ainda não desenvolveu proteção completa.
A prevenção contra o sarampo começa na infância, com a vacina tríplice viral, que também protege da caxumba e rubéola. A primeira dose é indicada aos 12 meses e a segunda, aos 15 meses de vida. Em situações específicas, bebês de 6 meses a 11 meses podem receber uma dose extra, sem substituir as do calendário básico. Adultos devem conferir a caderneta conforme a idade e o histórico individual, especialmente antes de viagens internacionais, atualizando as doses necessárias com pelo menos 15 dias de antecedência do embarque.
A história recente nos ensina que a hesitação vacinal custa caro e que o sarampo não dá trégua diante de coberturas incompletas. Manter o País protegido exige que a imunização seja tratada como prioridade contínua, da infância à vida adulta. Diante do avanço da doença pelas Américas, a resposta mais eficaz continua ao alcance de todos: informação de qualidade, conscientização e a vacina em dia. A imunidade coletiva se constrói com a atitude individual de cada um de nós.
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