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Como apoiar os jovens a ingressar no Ensino Superior

Marcado por intensas transformações pessoais, além das mudanças típicas da juventude, jovens precisam lidar com decisões importantes

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O ingresso no Ensino Superior é marcado por intensas transformações pessoais. Nesse momento, é comum que os estudantes enfrentem sentimentos de ansiedade, insegurança, solidão e frustração. Isso porque, além das mudanças típicas da juventude, eles precisam lidar com decisões importantes, como organizar melhor o tempo e responder a novas formas de cobrança, habilidades que, muitas vezes, ainda estão em desenvolvimento.

Esses desafios podem impactar negativamente a experiência universitária e, em casos extremos, levar até à desistência. Segundo a 15ª edição do Mapa do Ensino Superior no Brasil 2025, elaborado pelo Instituto Semesp, a taxa de evasão, ou seja, o abandono dos estudos antes da finalização de um ciclo educacional, tem sido maior do que a de conclusão.

O dado reflete um problema estrutural: muitos jovens chegam à universidade sem o preparo emocional e prático necessário para lidar com essa nova realidade. Além dos desafios acadêmicos, surgem questões como o distanciamento familiar, a necessidade de conciliar estudo e trabalho, dúvidas sobre a escolha do curso e até mesmo a dificuldade de criar vínculos. Por isso, é essencial investir em uma transição mais consciente e estruturada.

Do Ensino Médio ao ingresso no Ensino Superior:

O impacto dessa mudança está diretamente ligado às diferenças significativas entre os dois níveis de aprendizagem. No Ensino Médio, a rotina costuma ser mais estruturada e acompanhada de perto por professores, coordenadores e famílias, tendo como foco o vestibular e o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

Já no Ensino Superior, o estudante se depara com uma lógica diferente: o ponto central é o mercado de trabalho e o desenvolvimento de competências específicas. O ambiente acadêmico exige mais autonomia, organização e iniciativa. Cabe a cada um gerenciar seu tempo, buscar ajuda, cumprir prazos e tomar decisões de forma independente.

Como preparar os estudantes?

Apesar das dificuldades, há formas eficazes de preparar os jovens para essa transição. As escolas podem desenvolver projetos que simulem o ambiente universitário, como oficinas de planejamento e visitas, rodas de conversa sobre saúde emocional e experiências acadêmicas, além de encontros com ex-estudantes que compartilhem estratégias e vivências. É importante também proporcionar atividades que estimulem o protagonismo e a autogestão.

Nesse processo, o desenvolvimento de habilidades socioemocionais é fundamental: autonomia, tolerância à frustração, flexibilidade, capacidade de superação, organização, pensamento crítico, comunicação, resiliência e autoconhecimento.

Essas competências devem ser trabalhadas ainda no Ensino Médio, por meio de projetos interdisciplinares, trabalhos em grupo e atividades que envolvam tomada de decisão e resolução de problemas, tudo isso em um ambiente que valorize a escuta e a aprendizagem com os erros.

O apoio da família: a escuta ativa, o acolhimento das dúvidas sem julgamento e o incentivo à autonomia em casa ajudam a fortalecer a autoconfiança dos estudantes. Encontrar o equilíbrio entre apoio e liberdade é essencial para que eles se sintam seguros para enfrentar os novos desafios e, ao mesmo tempo, desenvolvam a criatividade na hora de explorar novos caminhos profissionais.

Em suma, o ingresso no Ensino Superior é uma jornada de descobertas, que pode ser feita com leveza e segurança quando há um trabalho conjunto entre todas as esferas que cercam o estudante. O cuidado, seja na escuta, no apoio emocional ou na preparação prática, é o que transforma essa mudança em uma oportunidade real de crescimento.

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Saúde mental: o limite entre o bem-estar e a responsabilidade legal

O que outrora era visto como uma benevolência institucional, hoje se impõe como uma obrigação legal inafastável

03/06/2026 07h45

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Asaúde mental, historicamente relegada ao campo da subjetividade e do foro íntimo, atravessa hoje uma transição necessária para o cerne do ordenamento jurídico brasileiro.

O que outrora era visto como uma benevolência institucional ou uma preocupação secundária na gestão de pessoas e políticas públicas, hoje se impõe como uma obrigação legal inafastável, sustentada por um arcabouço normativo que exige das organizações e do Estado uma postura proativa, e não apenas reativa.

A dignidade da pessoa humana, fundamento da nossa República, é o ponto de partida para compreendermos que o bem-estar psíquico não é um privilégio, mas uma extensão do direito à vida e à saúde, conforme preconizado pelo Artigo 196 da Constituição.

No entanto, a novidade reside na forma como o Direito contemporâneo passou a decodificar o sofrimento mental como um risco passível de prevenção e reparação.

Nesse cenário, a promulgação de legislações como a Lei nº 14.831/2024, que institui o Certificado Empresa Promotora da Saúde Mental, sinaliza que o legislador reconhece a urgência de uma mudança cultural.

Não se trata apenas de cumprir protocolos formais ou de oferecer benefícios superficiais de bem-estar; a obrigação legal agora se manifesta no dever de cuidado e na mitigação de riscos psicossociais.

O ambiente de trabalho, especificamente, tornou-se o epicentro dessa discussão, em que a negligência com a integridade emocional do colaborador pode configurar dano moral existencial ou doença ocupacional.

O Judiciário tem sido cada vez mais rigoroso ao entender que o nexo causal entre a gestão organizacional e o transtorno mental é uma realidade técnica, e o descumprimento do dever de garantir um meio ambiente de trabalho saudável gera responsabilidades civis e administrativas severas.

Entretanto, a judicialização da saúde mental não deve ser vista como um fardo, mas como um convite à maturidade das relações sociais e laborais.

Quando o Direito estabelece que a saúde mental é uma obrigação, ele está, na verdade, protegendo a sustentabilidade da própria sociedade.

O custo da omissão é infinitamente superior ao investimento em prevenção: o absenteísmo, o presenteísmo e o colapso dos sistemas previdenciários são as consequências diretas de uma visão obsoleta que ignora a invisibilidade da dor psíquica.

É imperativo que gestores e operadores do Direito compreendam que a conformidade legal (compliance) hoje passa, obrigatoriamente, pelo acolhimento do indivíduo em sua totalidade.

Portanto, elevar a saúde mental ao status de obrigação jurídica é um avanço civilizatório que retira o indivíduo do isolamento de sua patologia e o coloca sob o manto da proteção institucional.

Não basta mais que as empresas e o Estado se digam preocupados; é preciso que existam mecanismos claros de governança, canais de escuta ativa e políticas de redução de estresse que sejam auditáveis e eficazes.

A transição da empatia para a norma jurídica é o que garante que o cuidado não seja interrompido por crises econômicas ou mudanças de gestão.

No fim das contas, o cumprimento dessa obrigação legal é o que separa uma sociedade que apenas sobrevive de uma sociedade que efetivamente prospera com dignidade.

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Centenário do Colégio Nossa Senhora Auxiliadora

No dia 22 de fevereiro de 1926, desembarcaram na Estação Ferroviária de Campo Grande (hoje MS), cinco irmãs religiosas da Congregação de Nossa Senhora Auxiliadora

03/06/2026 07h30

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Entender as questões políticas, econômicas e sociais da atualidade é um desafio necessário para orientar as nossas escolhas para o futuro. Esse desafio envolve ainda a tarefa de não perder de vista as raízes históricas e culturais da hoje capital do Mato Grosso do Sul.

É com essa intenção que registramos, com pouco mais do que 500 palavras, a trajetória centenária do Colégio Nossa Senhora Auxiliadora de Campo Grande, que certamente preenche um capítulo importante da história da educação da cidade e região. 

No dia 22 de fevereiro de 1926, desembarcaram na Estação Ferroviária de Campo Grande (hoje MS), cinco irmãs religiosas da Congregação de Nossa Senhora Auxiliadora.

Elas chegaram para fundar uma escola para meninas, conforme deliberação da Missão Salesiana do Mato Grosso.

Estava começando a presença histórica do atual colégio que há um século vem prestando relevantes serviços educacionais para o desenvolvimento da cidade e região.

O grupo pioneiro era formado por quatro Filhas de Maria: Maria Oggero (diretora), Norina Obliqui, Hermínia Marques e Maria Gioga.

Estavam acompanhadas da inspetora Irmã Francisca Lang, que veio para auxiliar a instalação do curso primário, nível correspondente às atuais séries iniciais do Ensino Fundamental.

Houve um atraso na viagem iniciada em Corumbá e o trem chegou a Campo Grande por volta de meia-noite.

Razão pela qual ali estavam para recepcioná-las somente o padre João Crippa e o advogado Adalberto Barreto, magistrado da Justiça Militar, que depois foi professor do estabelecimento.

Dois dias depois, o padre João Crippa, o pároco da Matriz de Santo Antônio, celebrou missa em ação de graças pelo início do trabalho educacional das Filhas de Maria.

Por volta das 9 horas do mesmo dia, houve uma recepção de boas-vindas à religiosas na Casa Paroquial, quando discursaram autoridades e a jovem Oliva Enciso, futura professora cujo nome está na história da cidade.

Nos dias seguintes, foram iniciadas as matrículas das alunas para o curso primário, totalizando 143 meninas que passaram a estudar com a religiosas.

Por alguns anos, o Colégio Auxiliadora ficou instalado em uma casa localizada na Rua 26 de Agosto, próximo à esquina com a Avenida Calógeras.

Uma residência histórica construída em 1910, primeira casa de alvenaria da vila, propriedade do empresário e político Amando de Oliveira.

Após o seu falecimento, ocorrido em 1914, a ampla casa foi vendida para a família da “Dona Neta”, que cedeu o imóvel para nele iniciar o Colégio Nossa Senhora Auxiliadora.

A referida casa era um imóvel amplo, telhado colonial, porão na parte mais baixa, em razão do declive do terreno em direção ao icônico córrego Prosa.

Para finalizar, cinco anos depois da chegada das primeiras Irmãs, as aulas passaram a ser ministradas na sede própria do Colégio, localizado na Rua Pedro Celestino, esquina com a Avenida Mato Grosso.

Novos cursos foram abertos, incluindo os cursos secundário, comercial e a Escola Normal Dom Bosco, que juntamente com a Escola Normal Joaquim Murtinho ampliaram as condições locais de educação escolar.

Conforme memória da professora Oliva Enciso, o majestoso prédio inaugurado, em 1931, ficava no centro de uma extensa região ainda repleta de guavirais e outras plantas retorcidas do cerrado.

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