Cidades

MUDANÇA

BR-163 pode ter cobrança de pedágio proporcional

Com nova concessão da rodovia, lei deve ser colocada em prática em MS

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A conta do pedágio cobrado na BR-163 em Mato Grosso do Sul poderá chegar por Correios na casa do motorista. O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) sancionou a lei que aprova o sistema Free Flow nas rodovias privatizadas. 

A mudança valerá apenas para novos contratos e, como a pista que corta o Estado está prestes a passar novamente por um processo de licitação, a vencedora terá de implementar as alterações.

No caso da MS-306, como se trata de um contrato antigo, a Way-306 não é obrigada a adotar o mecanismo de cobrança, mas pode fazê-lo se assim o desejar. A assessoria de imprensa da companhia informou que aguardará instruções futuras da agência reguladora.  

O novo sistema surgiu por meio da necessidade de cobrar do usuário apenas o trecho que ele efetivamente utilizou da pista. Congressistas tomaram como exemplo casos de cidades paulistas vizinhas com praças de pedágio entre elas.  

Quem mora em uma dessas localidades e trabalha em outra paga na ida e na volta todas as vezes que pega a estrada. Nesse caso, os valores muitas vezes eram altos por um trecho curto de deslocamento.  

O texto original do projeto chegava a isentar essas pessoas da cobrança, mas, com a inclusão do sistema que utiliza sensores para identificar e onerar os condutores por quilômetro rodado, o artigo acabou removido da redação final. A Câmara dos Deputados aprovou em maio a normativa e o presidente Jair Bolsonaro sancionou a lei no dia 1º de junho.  

COMO FUNCIONA?

Em São Paulo, a rodovia Governador Adhemar Pereira de Barros e a Professor Zeferino Vaz já adotam o Free Flow em regime de testes. Em vez de praças, antenas e sensores são instalados em pontos estratégicos da pista, normalmente em entroncamentos, rotatórias e viadutos.  

A cobrança pode ser feita de duas formas. A primeira por meio da instalação de uma tag no automóvel, como acontece atualmente no sistema Sem Parar. Os motoristas seriam obrigados, neste caso, a instalá-las para que os pórticos fizessem a leitura ao passar por eles. 

A segunda forma seria por meio da captura da imagem das placas dos veículos, como fazem atualmente os radares que multam por excesso de velocidade. Em ambos os casos a conta chegaria após a viagem na casa do motorista. Para combater a sonegação, o não pagamento poderá implicar na infração de trânsito caracterizada por “fugir” de um pedágio.  

Últimas Notícias

SOB NOVA DIREÇÃO

A CCR MSVia, que detém a concessão da BR-163 em Mato Grosso do Sul, declarou ao Correio do Estado que desistiu da rodovia. Valendo-se de um decreto que permite a devolução amigável de ativos privatizados, ela fica impossibilitada de participar do edital para o mesmo objeto.  

Dessa forma, o governo federal terá de abrir um novo leilão. Ainda não há estimativa de prazos. Conforme publicação em Diário Oficial, a companhia tem até este mês para se manifestar pela continuidade ou não do serviço. 

Somente depois disso a União tomará as providências necessárias que levarão à assinatura de um novo contrato com uma nova empresa.

À equipe de reportagem, a CCR disse que “não participará de um novo leilão da rodovia, mas poderá participar normalmente de qualquer outro projeto de concessão que o governo federal lançar nos próximos anos”.

O grupo completa dizendo que tem avaliado uma série de projetos e está preparado para ser competitivo em novos certames.

PAGAMENTO

Uma das vantagens do sistema seria a redução no tempo de viagem, uma vez que não seria necessário parar nas praças para recolher o valor do pagamento. Também implicaria em economia para quem não trafega em toda a rodovia, já que o valor seria proporcional. 

Além disso, dispensaria a necessidade de andar com uma reserva em dinheiro, como fazem alguns condutores, especialmente para o pedágio.

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MATO GROSSO DO SUL

Riedel quer privatizar mais 220 km de rodovias ainda em 2026

Projeto contempla trechos das rodovias MS-377 e MS-240, entre Água Clara, Inocência e Paranaíba, considerados estratégicos para o avanço do Vale da Celulose

16/06/2026 12h34

Governador Eduardo Riedel afirmou que projeto de concessão das rodovias MS-377 e MS-240 deve ser levado à B3 até o fim deste ano.

Governador Eduardo Riedel afirmou que projeto de concessão das rodovias MS-377 e MS-240 deve ser levado à B3 até o fim deste ano. Reprodução

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Durante agenda realizada nesta terça-feira (16), no Bioparque Pantanal, o governador Eduardo Riedel anunciou que o governo estadual pretende avançar ainda neste ano com a concessão de mais 220 quilômetros de rodovias estaduais à iniciativa privada. O projeto envolve os trechos da MS-377 e da MS-240, que ligam os municípios de Água Clara, Inocência e Paranaíba, na região leste de Mato Grosso do Sul.

Segundo Riedel, a meta da equipe técnica é concluir a modelagem e levar o projeto à Bolsa de Valores de São Paulo (B3) até o fim de 2026, dando sequência à política de concessões adotada pelo Estado nos últimos anos.

“Temos o desafio de colocar na B3, até o final do ano, esse projeto da rodovia que sai de Água Clara, liga Inocência e vai até Paranaíba. São duas rodovias estaduais, a MS-377 e a MS-240, o total delas são 220 quilômetros”, afirmou o governador.

A proposta abrange aproximadamente 130 quilômetros da MS-377, entre Água Clara e Inocência, e outros 90 quilômetros da MS-240, no trecho entre Inocência e Paranaíba. As duas rodovias integram a principal rota logística da região conhecida como Vale da Celulose, onde estão concentrados alguns dos maiores investimentos industriais do Estado.

De acordo com Riedel, a concessão é considerada estratégica por complementar o pacote de rodovias já concedido ao consórcio Caminhos da Celulose, responsável pela administração de trechos das BRs-262, 267 e 040. O novo projeto também deve fortalecer a logística de escoamento da futura fábrica da Arauco, em construção em Inocência.

“A concessão dessa rodovia é muito estratégica para o desenvolvimento de toda essa região, extremamente relevante para complementar a concessão que foi feita no Vale da Celulose”, declarou.

Além da concessão, o governo estadual também executa obras de infraestrutura na região. Entre elas está a pavimentação da MS-320, que conecta Três Lagoas à MS-377, nas proximidades do empreendimento da empresa chilena.

Expansão das concessões

O plano de conceder à iniciativa privada os trechos das rodovias MS-377 e MS-240 não é novo. A intenção foi anunciada pelo governo estadual em fevereiro deste ano, logo após a assinatura do contrato de concessão de 870 quilômetros de rodovias ao consórcio Caminhos da Celulose. Desde então, a administração estadual vem desenvolvendo estudos técnicos e modelagens para viabilizar o leilão dos novos trechos.

As duas rodovias estão localizadas em uma das regiões que mais recebem investimentos privados em Mato Grosso do Sul. A MS-377 liga Água Clara a Inocência e passa em frente à fábrica de celulose que a Arauco constrói no município, empreendimento estimado em mais de R$ 25 bilhões. Já a MS-240 conecta Inocência a Paranaíba e integra uma importante rota de transporte para o setor florestal e industrial da região.

Embora a produção da futura fábrica da Arauco deva ser escoada por ferrovia, a MS-377 já exerce papel estratégico para o complexo da celulose. A rodovia é utilizada para o transporte de equipamentos, insumos e trabalhadores e também serve de ligação com outras vias estaduais que conectam os municípios do Vale da Celulose.

A MS-240, por sua vez, já é utilizada no transporte da produção da Suzano, em Ribas do Rio Pardo. Diariamente, dezenas de caminhões carregados de celulose percorrem a região em direção aos terminais ferroviários instalados próximos a Inocência, consolidando o corredor logístico que atende a cadeia produtiva do setor.

Além da relevância econômica, os trechos também vêm recebendo investimentos públicos. Parte da MS-377 passou recentemente por obras de recapeamento executadas pelo governo estadual para melhorar as condições de tráfego em uma área que registra aumento constante no fluxo de veículos pesados.

Com a inclusão das duas rodovias no programa estadual de concessões, praticamente toda a malha estratégica do chamado Vale da Celulose passará a contar com administração privada.

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serviços previdenciários

Após escândalo Master, IMPCG prevê R$2,4 milhões em suporte contábil/jurídico

Instituto alega que não dispõe de solução tecnológica previdenciária própria e integrada capaz de atender todas as necessidades

16/06/2026 12h15

Para o presidente do IMPCG (Marcos Tabosa) os técnicos seriam necessários para a modernização da gestão previdenciária

Para o presidente do IMPCG (Marcos Tabosa) os técnicos seriam necessários para a modernização da gestão previdenciária Marcelo Victor/Correio do Estado

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Instituto Municipal de Previdência de Campo Grande, o IMPCG, que teve aplicações de dinheiro de servidores públicos ligadas ao escândalo do Banco Master, prevê agora o uso de quase dois milhões e meio de reais em busca de suporte contábil/jurídico, segundo publicação hoje em Diário Oficial (Diogrande), após passado o "vendaval" em que esteve envolto graças a liquidação extrajudicial da instituição ligada à Daniel Vorcaro. 

Conforme o extrato de adesão à ata de registro de preços do Consórcio Público Intermunicipal de Gestão dos Regimes Próprios de Previdência Social dos Municípios Matogrossenses (Consprev), a contratação em questão possui um valor total de R$2,4 milhões. 

Esse acordo assinado entre o atual responsável pelo IMPCG, o ex-vereador Marcos Cesar Malaquias Tabosa, com o Consórcio Público Intermunicipal de Gestão dos Regimes Próprios de Previdência dos Municípios Matogrossenses, prevê a eventual contratação de consórcio de empresas composto por: 

  1. Empresa de serviços previdenciários;
  2. Escritório de advocacia; e 
  3. Empresa de contabilidade,

"para execução de serviços técnicos destinados à operacionalização do passivo previdenciário dos Regimes Próprios de Previdência Social dos municípios consorciados (ou que venham a
se consorciar durante a vigência da Ata)", 
cita o trecho do Diogrande. 

Mais especificamente, a adesão por parte do IMPCG seria motivada pela busca pelos serviços previdenciários presentes no primeiro items, de técnicos de operacionalização de passivo previdenciário. 

Entenda

Basicamente, esses técnicos tratam-se de profissionais, equipes especializadas para suporte técnico para serviços como os voltados à contabilidade, que aplicam diretrizes para, por exemplo, a contabilização correta de benefícios a pagar e provisões, esclarece o Conselho Federal de Contabilidade. 

Questionada a respeito da contratação desses técnicos e porquê eles seriam necessários, o IMPCG, na figura do presidente Marcos Tabosa, alegou que o Instituto não dispõe de solução tecnológica previdenciária própria e integrada que seja capaz de atender todas as necessidades operacionais, gerenciais e regulatórias.

Cabe destacar que, essas explicações repassadas poucos justificam e muito se assemelham à postura adotada comumente em parecer técnico, já que o IMPCG considera a contratação estratégica e, sob o aspecto tecnológico e operacional, imprescindível para viabilizar: 

  • Integração de bases previdenciárias,
  • Automação de rotinas críticas,
  • Redução de atividades manuais,
  • Fortalecimento da segurança e integridade dos dados,
  • Mitigação de riscos operacionais e financeiros,
  • Melhoria da rastreabilidade e auditabilidade dos processos,
  • Otimização do processamento da folha de pagamento,
  • Aprimoramento do atendimento aos segurados e
  • Ampliação da eficiência administrativa e da governança institucional, 

Para Tabosa, os técnicos seriam necessários para a modernização da gestão previdenciária. "Decorre da ausência de ferramentas adequadas que assegurem maior eficiência, segurança e organização dos processos internos", complementa. 

Além disso, o próprio IMPCG há algum tempo carrega o status de "deficitário" e apresenta um rombo milionário, o que passa tanto por déficit financeiro a curto prazo como para compromissos futuros, situação que exige constantes aportes por parte do Poder Público para que os aposentados e pensionistas continuem recebendo seus respectivos pagamentos. Sobre isso, o Instituto afirma: 

"O IMPCG dispõe de recursos próprios específicos (Taxa de Administração) para cobrir despesas administrativas e são separados dos recursos previdenciários", conclui a nota. 

IMPCG e o Master

Vale lembrar que, decretada a liquidação extrajudicial do Banco Master em novembro do ano passado, o que ficou para muitos municípios foi o rombo milionário regionalmente graças às aplicações de fundos de pensão na instituição que é ligada ao nome de Daniel Vorcaro.

Ainda em agosto de 2024 o Correio do Estado já abordava sobre o "risco" assumido pelo IMPCG ao arriscar R$3,7 milhões no Banco Master, questionando inclusive Camilla Nascimento, que deixava o posto de chefe do Instituto Municipal de Previdência de Campo Grande, durante seu evento de nomeação como candidata a vice-prefeita na chapa de Adriane Lopes (PP).

Sob o comando da atual vice-prefeita de Campo Grande, o IMPCG investiu cerca de R$ 3,7 milhões no Master, apesar de sindicalistas terem sido contrários à época, com argumentos apontando que as aplicações financeiras eram arriscadas uma vez que o banco em questão (Master) era novo e não havia garantia de que haveria condições de devolução do dinheiro caso entrasse em crise.  

Ainda assim, o comando do IMPCG alegou que a decisão sobre aplicações financeiras não cabia ao conselho deliberativo e optou por aplicar o dinheiro dos servidores públicos municipais no Master.

Depois dessas aplicações, a prefeitura de Campo Grande habilitou o banco de Daniel Vorcaro a conceder empréstimos consignados aos servidores por meio de cartão de crédito. A taxa mensal de juros foi da ordem de 4,5%, enquanto que em bancos tradicionais, a taxa máxima dos consignados é de 1,7%.  

Após a aplicação, servidores públicos municipais passaram a ser "bombardeados" com ofertas de empréstimos consignados e cartões de crédito do chamado CredCesta, oferecido pelo Master.

Em outras palavras, o Banco Master primeiro teria feito caixa com o dinheiro dos servidores e logo em seguida começou a ofertá-lo.

Formada em odontologia, Camilla já foi membro do Conselho Nacional de Entidades de Saúde dos Servidores Públicos (Conessp), certificada pela Secretaria de Previdência do Ministério da Previdência Social para atuar como Dirigente de Regime Próprio (RPPS), alcançando a Certificação Nível ll do Programa Pró-Gestão, contribuindo com a modernização e profissionalização do RPPS.

Camilla exerceu cargo como diretora do IMPCG de agosto de 2017 até março de 2024, deixando a cadeira apenas para disputar as eleições de 2024 como vereadora pelo Avante. Durante seu lançamento como vice de Adriane, Camilla foi questionada pela equipe do Correio do Estado sobre o "risco" das aplicações, dizendo que todo seu trabalho em vida pública foi "legal". 

"Meu lema é legalidade, responsabilidade e transparência e não será diferente nessa posição que me encontro agora. Quem falou isso desconhece todo processo que foi realizado ali dentro. Antes de falar, precisa conhecer. O IMPCG sempre esteve de portas abertas. As atas estão todas à disposição, a contabilidade está toda à disposição. Não tenho receio algum e estou à disposição para responder suas dúvidas", disse Camila na ocasião.

Logo após essas afirmações, porém, a coletiva foi encerrada sob a alegação de que ele tinha outros compromissos. 

Nessa mesma esteira também foram levantadas suspeitas sobre os fundos de pensão de São Gabriel do Oeste, que teriam aplicado R$3 milhões no Master. 

Vale lembrar que, após estourarem os escândalos envolvendo o nome de Daniel Vorcaro e o Banco Master, representantes do IMPCG e vereadores chamaram uma reunião na Casa de Leis, onde foi apontada a estratégia para se recuperar do "calote" registrado após liquidação extrajudicial. 

Entre as poucas justificativas apresentadas, uma vez que não houve o devido aprofundamento técnico da escolha das aplicações, o atual presidente do Instituto, Marcos Tabosa - nomeado para comandar o IMPCG em fevereiro de 2025-, limitou-se a dizer que o Banco Master estaria no rol de entidades do Ministério da Previdência e referenciado como "médio para cima" por uma por uma das três maiores empresas do mundo (pela Fitch Ratings) voltadas para a classificação de risco de instituições. 

 

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