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Com 'chupa-cabras', homem é preso após ter estelionato gravado em MS

Somente em 2024 mais de 14 mil pessoas foram vítimas de estelionato em Mato Grosso do Sul; investigações continuam com o intuito de desarticular quadrilha

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Acusado de práticas de estelionatos longe aproximadamente 427 quilômetros da Capital, um homem foi preso pela Polícia Civil na manhã de domingo (14) e com ele localizados vários indícios dos atos criminosos, como uma série de cartões eletrônicos e "chupa-cabras" que usava para aplicar os golpes que foram inclusive gravados no município.

Conforme divulgado pela PCMS em nota, a prisão aconteceu ontem (14) na Cidade Branca de Corumbá, contando com apoio da Delegacia de Polícia Civil de Ladário, horas após o homem ser flagrado por gravações de circuito interno de segurança. 

Na agência da Caixa Econômica Federal localizada no número 1.388 da rua Cuiabá, região central de Corumbá, o homem foi flagrado nas imagens de videomonitoramento por agentes da Delegacia Especializada de Repressão a Roubo, Banco, Assaltos e Sequestro (Garras). 

Em tempo real, os policiais repassaram as imagens do circuito interno da agência da Caixa Econômica Federal em que o homem aparecia abordando clientes. 

Diante das informações, os agentes da Polícia Civil foram imediatamente ao local, onde o até então suspeito foi abordado e conduzido, sendo que já durante a primeira revista os policiais encontraram um grande indicativo de práticas criminosas. 

Isso porque, ainda segundo a PCMS em nota, junto do homem os policiais acharam o dispositivo usado para "prender" os cartões das vítimas nos caixas eletrônicos. 

Popularmente chamado de "chupa-cabra", além desse item os policiais localizaram ainda uma quantia de dinheiro além de um cartão bancário no nome de uma das vítimas. 

Entenda

Com as investigações ainda em curso, a Polícia Civil ainda espera identificar e responsabilizar os demais integrantes da quadrilha, averiguando inclusive as dimensões dos prejuízos causados e o possível reflexo dos crimes também fora de Mato Grosso do Sul. 

Dos detalhes repassados sobre a ação criminosa, as apurações revelaram o "modus operandi" que indicam uma "teia" complexa e sofisticada para obtenção dos lucros em cima das vítimas. 

Isso porque, inicialmente os indivíduos prendiam o cartão da vítima no caixa eletrônico por meio do "chupa-cabra". Ao perceber o problema, era posteriormente abordada pelo suspeito que chegava para oferecer ajuda. 

Com isso, ele fornecia para a vítima um número de suporte falso até que a pessoa se afastasse da máquina, momento em que aproveitava para tirar o cartão que, posteriormente, era usado em saques e diversas transações financeiras. 

Após abordarem o suspeito na agência bancária no centro de Corumbá, os agentes levaram o homem até o hotel em que o suspeito estaria hospedado, onde foi possível localizar: 

  • R$ 2.000,00 em espécie 
  • Adesivos falsos com contatos de “suporte técnico”,
  • Três dispositivos “chupa-cabra"
  • Duas máquinas de cartão. 

Ainda conforme detalhado pela Polícia Civil, era através dessa "central de suporte" que, em contato com a vítima, os criminosos se valiam das informações mais sensíveis e pessoais que permitiam a consumação dos golpes. 

Com as imagens de videomonitoramento identificando o autor e uma das vítimas, essa pessoa foi conduzida até a delegacia e no mesmo dia do golpe reconheceu o autor. 

Golpes em MS

Por definição do Código Penal, estelionato trata-se de "obter, para si ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artifício, ardil ou qualquer outro meio fraudulento". 

Somente no ano passado mais de 14 mil pessoas foram vítimas de estelionato, prática essa que aparece com as mais variadas vertentes, como, por exemplo, com criminosos se passando inclusive por médicos e enfermeiros da Santa Casa - como bem abordou o Correio do Estado - para enganar familiares de pessoas que estão internadas em Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

Em janeiro deste ano, esse caso chamou atenção após a unidade da Santa Casa de Campo Grande vir à público alertar sobre a  "nova" modalidade de golpe. 

Pelos dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), referentes aos 12 meses de 2024, no ano passado houve um total de 14.342 pessoas vítimas de estelionato em Mato Grosso do Sul.

Além disso, há pelo menos três anos Mato Grosso do Sul mantém um volume anual de mais de 14 mil casos de estelionato, conforme os dados compilados pela Sejusp 

Entre as modalidades de golpe denunciadas, aparecem, por exemplo: 

Por isso, é preciso estar atento pois, como bem abordou o Correio do Estado, estelionatários têm se passado até por "pecuarista galanteador que promete caminhonetes", usando até mesmo o celular do professor esfaqueado em 13 de dezembro, Roberto Figueiredo, para pedir dinheiro

Em junho deste ano, por exemplo, uma sul-mato-grossense perdeu aproximadamente R$ 14 mil após cair no golpe do "falso advogado", já que aguardava o desfecho de uma ação judicial mas obteve um desfecho diferente do imaginado, após uma vídeo chamada feita através do Whatsapp, de um número que a vítima sequer conhecia.

Na ligação, o falso advogado disse para a vítima que a causa havia finalmente sido ganha, momento em que aproveitou para despejar uma série de "poréns" e requisitos para que a mulher recebesse a indenização. 

Segundo o golpista, a mulher devia transferir valores referentes ao limite do cartão de crédito para uma conta do Banco Bradesco, sob a justificativa de que isso evitaria que ela pagasse imposto de renda. 

A mulher então seguiu as orientações, inclusive criando uma conta em banco digital sob orientação dos golpistas, colocando links no aplicativo do banco antes de desconfiar e perceber que tudo não passava de um golpe. 

Após transferências para a instituição de pagamento digital e outras duas contas de pessoas físicas, os valores enviados para o golpista somaram R$ 14.281,87.

O MPMS aponta justamente que, diferente dos crimes onde advogados passam a perna em ações ganhas e ficam com o dinheiro, abordados pelo Correio do Estado, os criminosos nesse caso sequer são profissionais habilitados. 

 

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CAMPO GRANDE

Polícia prende mulher que decepou orelha de companheiro

A suspeita esteve foragida desde o crime e tinha histórico de tentativa de homicídio de 2023

26/03/2026 12h30

Divulgação PCMS

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Na última quarta-feira (25) a Polícia Civil, por meio da Delegacia Especializada de Policiamento Interestadual e Capturas (Polinter), prendeu uma mulher, de 46 anos, em Campo Grande. Foragida desde o início deste mês, a mulher teria histórico de crimes violentos.

A motivação da prisão foi por tentativa de homicídio e lesão grave. O primeiro crime ocorreu em janeiro de 2023, quando a mulher tentou assassinar um homem com uma faca. A vítima foi atingida com facadas no ombro, costas e abdômen.

O segundo crime foi mais recente, em outubro de 2024, suspeita de agredir o companheiro. De acordo com as informações, na ocasião, ela atacou o homem e decepou a orelha dele. Posteriormente, ela descartou o membro no lixo comum.

A mulher estava foragida desde a investigação do segundo crime, e foi capturada ontem.

Devido a violência dos crimes e fuga da envolvida, foi decretada prisão preventiva pela Justiça. A equipe da Polinter a encaminhou para realizar os procedimentos legais e agora permanece à disposição do Judiciário.

Não foi divulgada a motivação dos crimes.

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polêmico

Servidores protestam contra terceirização da saúde e Câmara marca audiência pública

Plano para privatizar duas Unidades de Saúde 24 horas da Capital tem gerado divergências, especialmente após posicionamento contrário do Conselho Munic

26/03/2026 12h01

Em reunião na Câmara, foi definida a realização de audiência pública

Em reunião na Câmara, foi definida a realização de audiência pública Foto: Câmara Municipal

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O plano da Prefeitura de Campo Grande para privatizar duas unidades de saúde com atendimento 24 horas gerou protesto de servidores da área da saúde na Câmara Municipal, nesta quinta-feira (26). Para ampliar o debate sobre o tema e ouvir todos os envolvidos, será realizada uma audiência pública no dia 9 de abril, às 14h, na Casa de Leis.

A audiência foi definida durante reunião entre a Comissão Permanente de Saúde da Câmara Municipal de Campo Grande com o Conselho Municipal de Saúde, com objetivo de dar continuidade às discussões sobre o projeto que prevê a transferência da gestão de duas unidades de saúde da Capital para Organizações Sociais (OSs). 

O tema tem gerado divergências, especialmente após posicionamento contrário do Conselho Municipal de Saúde e manifestação dos servidores na sessão ordinária desta quinta-feira.

Para intermediar o debate, a Câmara irá realizar a audiência "buscando garantir diálogo, transparência e participação popular antes de qualquer deliberação sobre o tema".

“Com o conselho participando do debate, a população também está representada. Existe uma posição contrária inicial, mas esse é um tema que precisa ser discutido com profundidade. O que fizemos hoje foi uma conversa preliminar, reforçando que não há motivo para pânico. O método da Câmara é claro: dialogar passo a passo, realizar audiência pública e garantir que a população entenda o que está sendo proposto. Só depois disso é que qualquer projeto será analisado. Nada será feito de forma apressada”, afirmou o presidente da Casa de Leis, vereador Epaminondas Neto, o Papy.

A audiência pública deve reunir representantes do Executivo, trabalhadores da saúde, entidades de classe e a população, consolidando o compromisso da Câmara Municipal com um debate amplo antes de qualquer encaminhamento legislativo.

Terceirização

Conforme reportagem do Correio do Estado, a proposta é de terceirização dos Centros Regionais de Saúde (CRSs) do Aero Rancho e do Tiradentes. O plano é alterar o modelo de gestão dessas unidades para a OSSs, sem mudanças estruturais previstas inicialmente.

A ideia seria entregar a parte administrativa das unidades para a iniciativa privada, o que, segundo a Secretaria Municipal de Saúde (Sesau), daria celeridade a processos de compra de insumos, assim como ampliaria os investimentos nessas unidades.

Em nota enviada à reportagem, o CMS se posicionou contrário à intenção da Sesau de privatizar ambos os Centros de Saúde, por entender que a alteração no modelo de gestão não vai resolver os principais problemas das unidades, podendo, inclusive, piorar a situação dos gargalos que hoje elas enfrentam.

“Transferir a gestão administrativa dessas unidades não cria leitos hospitalares, não reorganiza de forma automática a retaguarda assistencial e não elimina, por si só, os fatores que produzem superlotação e desassistência”, diz o CMS.

Em conversa com o Correio do Estado, o presidente do CMS, Jader Vasconcelos, disse que as duas Unidades de Saúde não recebem financiamento do Ministério da Saúde e, por isso, viraram alvo de privatização por parte da Sesau.

O vereador Lívio Viana de Oliveira Leite, o Dr. Lívio (União Brasil), que integra a Comissão Permanente de Saúde da Câmara, receceu o plano na tarde de ontem e esclareceu que é contrário ao plano.

“Fomos pegos de surpresa. Não sabíamos nada disso e fomos alertados pelo Conselho Municipal de Saúde. Hoje [quarta-feira] a reunião é um pedido da Comissão de Saúde para estes esclarecimentos. Eu, pessoalmente, sou contrário a essa terceirização”, afirma o vereador.

As OSSs são entidades privadas sem fins lucrativos que atuam em conjunto com o poder público no gerenciamento de Unidades de Saúde via contratos de gestão. Focadas em eficiência e agilidade, buscam maior produtividade no SUS, mas enfrentam desafios de transparência.

A conversão de administração pública para OSS já foi feita no âmbito estadual. A ideia começou em 2016, quando o secretário de Estado de Saúde era Nelson Tavares. Algumas das empresas que ingressaram naquela época, no entanto, foram retiradas posteriormente por problemas na gestão dos hospitais.

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