O Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) agora é obrigatório para o exercício da profissão em todo o Brasil, depois de 99 cursos de Medicina tirarem nota 1 ou 2 nos resultados divulgados em janeiro, incluindo duas faculdades de Mato Grosso do Sul, o que acendeu alerta no Ministério da Educação (MEC).
Na última quinta-feira (15), o Senado Federal aprovou a Medida Provisória que institui o Enamed como obrigatório para os futuros médicos exercerem a profissão. Agora, serão três avaliações ao longo da graduação: no final do segundo, do quarto e do sexto ano do curso. Antes, conforme texto do Poder Executivo, estavam previstas apenas duas avaliações.
O resultado final será calculado pela média acumulada das três provas, com maior peso para a última avaliação. O desempenho mínimo exigido, os pesos de cada etapa e os critérios de cálculo serão definidos pela Comissão Nacional de Avaliação da Formação Médica e deverão ser previamente publicados.
Quem não alcançar o nível mínimo de proficiência poderá refazer a terceira etapa do exame nas edições seguintes, com novo cálculo da média final. A primeira média acumulada das três avaliações constará do histórico escolar do estudante concluinte, e as faculdades poderão utilizar as notas em seus processos de avaliação acadêmica.
Porém, a exigência de aprovação no Enamed para obtenção do registro será aplicada apenas aos estudantes que ingressaram nos cursos de medicina a partir de 19 de junho de 2026. Quem já estava matriculado antes dessa data continuará submetido às regras anteriores, assim como médicos que já tinham diploma reconhecido nacionalmente.
PREOCUPAÇÃO
Em janeiro deste ano, os resultados do último Enamed, divulgados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), acenderam um alerta em toda a comunidade acadêmica e profissional de medicina depois de 99 dos 351 cursos avaliados ficarem abaixo do suficientes, ou seja, ficaram abaixo dos 60% de proficiência (nota 1 ou 2).
Em Mato Grosso do Sul, duas faculdades ficaram dentro deste universo de notas insuficientes: a Anhanguera Uniderp, em Campo Grande; e a UniCesumar, em Corumbá. Na época, o Conselho Regional de Medicina (CRM-MS) informou ter recebido com preocupação o resultado do Enamed, tendo em vista a classificação atribuída aos cursos das universidades privadas.
Recentemente, em agosto, estudantes do curso de Medicina da Uniderp realizaram uma manifestação em Campo Grande para cobrar melhorias nas condições oferecidas pela universidade. Com cartazes, os acadêmicos protestaram contra problemas de infraestrutura, questões relacionadas à qualidade do ensino e ao internato médico, além de mudanças acadêmicas ocorridas ao longo do curso.
Ainda, o Correio do Estado também reportou que dois estudantes da UniCesumar conseguiram ser aprovados no Exame Nacional de Residência (Enare), que tinha 11,3 mil vagas abertas e concorrência de 138.974 candidatos. Porém, eles não conseguiram iniciar a residência, pois a faculdade não emitiu a documentação necessária para serem realizadas as inscrições.
LADO BOM
Nos mesmos resultados divulgados pelo Inep em janeiro, os melhores resultados foram registrados no Estado por universidades públicas, que concentraram os conceitos mais altos, como o campus de Três Lagoas da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e a Fundação Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), em Dourados.
A Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), em Campo Grande, e o campus campo-grandense da UFMS tiraram nota 4 no exame nacional e ficaram dentro dos resultados satisfatórios.
Confira os horários de início e término da interdição da ponte sobre o Rio Paraguai, na BR-262, em Mato Grosso do Sul.


