Cidades

Vidas em Risco

Em 13 anos, acidentes com antas provocaram 48 mortes em rodovias de MS

Minissérie documental reúne relatos de sul-mato-grossenses impactados por acidentes com mamífero nas estradas do Mato Grosso do Sul

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Desde 2013, 48 pessoas morreram nas rodovias estaduais e federais de Mato Grosso do Sul, em decorrência de colisões veiculares com antas. Além disso, 100 animais desta espécie morrem anualmente nas rodovias do estado, de acordo com a Iniciativa Nacional para a Conservação da Anta Brasileira (INCAB) e o Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPÊ). 

Para retratar esse problema que agrava MS, a minissérie documental Vidas em Risco traz as histórias de pessoas que vivem ao longo dessas rodovias e foram impactadas pelos acidentes, seja por perdas de entes queridos, consequências físicas ou danos materiais. 

O projeto do Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPÊ) estreia nesta segunda-feira (18), e pode ser acessada no canal do YouTube da INCAB-IPÊ.

Rodovias perigosas

De acordo com a INCAB-IPÊ, as rodovias de MS com mais casos de colisões com antas são a MS-040, que liga Campo Grande à cidade de Santa Rita do Pardo, e o trecho da BR-267 entre Nova Alvorada do Sul e a divisa de estado com São Paulo.

Dividida em três episódios, de cerca de 10 minutos de duração, "Vidas em Risco" percorreu as rodovias BR-267, MS-040, MS-134, MS-145, MS-338 e MS-395 e ouviu os relatos de 17 pessoas afetadas por acidentes com estes animais. 

Um dos episódios traz os relatos de familiares das vítimas de um dos acidentes mais emblemáticos do Estado, ocorrido em setembro de 2015, na BR-267, quando oito pessoas que estavam em uma van morreram após colidir com uma anta.

"Pela primeira vez na história de nossa busca por soluções para as colisões veiculares com fauna no Mato Grosso do Sul, quem está falando sobre esse grave problema não somos nós, pesquisadores, mas sim quem sofreu e ainda sofre, na pele, a falta de ações efetivas dos gestores desses empreendimentos. Esperamos que a voz dessas pessoas possa chegar aos lugares aonde não fomos capazes de chegar, de forma que os órgãos competentes assumam urgentemente sua responsabilidade na implementação de rodovias seguras", declara Patrícia Medici, coordenadora da INCAB-IPÊ.

Uma década de luta

A INCAB-IPÊ atua há mais de 10 anos na temática de colisões veiculares com fauna no Mato Grosso do Sul e realizou, por sete anos, entre 2013 e 2020, um monitoramento sistemático de mais de 30 rodovias do Estado. 

Com base nos dados coletados durante o monitoramento, relatórios técnicos e Planos de Mitigação para as rodovias MS-040 e BR-267 foram elaborados e entregues aos órgãos competentes. Entretanto, nenhuma das medidas propostas foi implementada.

Em 2016, um inquérito civil foi aberto para a MS-040 e, posteriormente, em 2018, uma ação civil pública relacionada à mesma rodovia foi protocolada junto ao Ministério Público do Mato Grosso do Sul (MPMS) contra a AGESUL (órgão gestor), IMASUL (licenciador) e empreiteiras, pela falta de medidas mitigatórias. 

Desde sua inauguração em 2015, oito pessoas morreram nesta rodovia em colisões com antas. Já na BR-267, desde 2013, 15 pessoas vieram à óbito em decorrência destes acidentes com os animais. 

Em 2018, um inquérito civil foi instaurado junto ao Ministério Público Federal (MPF) chamando a DNIT, responsável pela rodovia, e o IBAMA, órgão licenciador, para discutir estratégias mitigadoras. De acordo com o INCAB-IPÊ, ambos os processos legais seguem sem resolução, até hoje.

INCAB-IPÊ

O IPÊ é uma organização brasileira sem fins lucrativos que trabalha pela conservação da biodiversidade do país por meio da ciência, da educação e de negócios sustentáveis. Fundado em 1992, tem sede em Nazaré Paulista (São Paulo), onde também fica o seu centro de educação, a ESCAS – Escola Superior de Conservação Ambiental e Sustentabilidade. 

A INCAB-IPÊ é uma iniciativa nacional de longo prazo focada na pesquisa e conservação da anta brasileira em cinco biomas brasileiros onde a espécie é encontrada – Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica e Pantanal. 

Liderada pela conservacionista brasileira Dra. Patrícia Medici, a INCAB-IPÊ foi criada em 1996, na Mata Atlântica, e, nos anos seguintes, expandiu suas ações para o Pantanal (2008), Cerrado (2015), Amazônia (2021) e Caatinga (2023). 

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ABASTECIMENTO DE ÁGUA

Governo do Estado lança licitações de quase R$ 9 milhões para perfurar poços em aldeias

A epidemia de chikungunya nas aldeias de Dourados é um fator determinante que acelera a implantação do sistema de abastecimento de água

18/05/2026 10h00

A região de Dourados sofre com a crise sanitária da Chikungunya, que tem como fator determinante a falta de água potável nas aldeias

A região de Dourados sofre com a crise sanitária da Chikungunya, que tem como fator determinante a falta de água potável nas aldeias Divulgação: Governo do Estado

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O Governo do Estado de Mato Grosso do Sul, através da Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos (Agesul) informou, por meio do Diário Oficial desta segunda-feira (18), que realizará a abertura de duas licitações para obras de implantação do sistema de abastecimento de água nas aldeias Bororó e Jaguapiru, localizadas no município de Dourados. 

Esta será a primeira etapa da perfuração dos poços. Somadas, as duas licitações atingem o valor total de R$ 8.993.645,86. A abertura da licitação será no dia 3 de junho, às 08h30, horário local. O Governo do Estado escolherá a proposta que apresentar o menor preço.

As aldeias de Dourados sofrem com a epidemia da Chikungunya. De acordo com o último boletim epidemiológio, divulgado pelo Governo do Estado, o município possui o maior número de casos prováveis (4801) e 2365 confirmados. São 11 óbitos na região, sendo nove na reserva indígena.

A última vítima entre a população indígena é um menino, que morava na aldeia Bororó e era recém nascido, tinha apenas 48 dias de vida. Ele estava internado no Hospital Universitário da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD) desde o dia 3 de maio.

As outras vítimas indígenas por chikungunya são:

  • mulher de 69 anos, que faleceu no dia 25 de fevereiro;
  • homem de 73 anos, que morreu no dia 9 de março;
  • bebê indígena de apenas 3 meses de vida que faleceu no dia 10 de março;
  • mulher de 60 anos que faleceu no 12 de março;
  • homem de 77 anos, que foi a óbito no dia 14 de março;
  • bebê indígena de apenas 1 mês de vida que foi a óbito no dia 24 de março;
  • homem de 55 anos que faleceu no dia 3 de abril;
  • homem de 29 anos de idade, faleceu dia 25 de abril

A epidemia de chikungunya nas aldeias de Dourados é um fator determinante que acelera a implantação deste sistema de abastecimento de água. Moradores e lideranças denunciaram interrupções frequentes no abastecimento e a necessidade de armazenar água em recipientes improvisados, o que contribuiu para a proliferação do mosquito Aedes aegypti.

A reserva indígena da região abriga cerca de 20 mil pessoas. Com mais de 100 anos de criação, a Reserva indígena de Dourados enfrenta problemas extremamente básicos, como falta d'água. Milhares de famílias são obrigadas a pegar água em riachos, enquanto outras dependem de caminhão-pipa para abastecer caixas d'águas. 

A falta de água nas aldeias resultou também na abertura de uma investigação por parte do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS).

Em abril do ano passado, a 10ª Promotoria de Justiça de Dourados iniciou uma investigação para apurar problemas no fornecimento de água e na entrega de cestas básicas nas aldeias indígenas Jaguapiru e Bororó, após denúncia feita à Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos.

Moradores das comunidades relataram a grave situação de falta de água limpa e de saneamento básico, um cenário que coloca em risco a saúde e a qualidade de vida da população.

Contratos assinados

No dia 16 de janeiro deste ano, O Governo do Estado e a Sanesul assinaram um contrato para implantação dos sistemas de abastecimento de água nas aldeias indígenas Jaguapiru e Bororó, em Dourados. Os investimentos somam R$ 48,7 milhões.

Segundo o Governo do Estado, até 2033, o sistema deve atender 14.179 habitantes na aldeia Bororó. A solução prevê a perfuração de um poço tubular profundo especial, com capacidade de 150 mil litros por hora, além de adutoras de água bruta e tratada, estação elevatória e sistema de cloração por cilindro gasoso.

A estrutura inclui dois reservatórios apoiados de 500 mil litros cada e um reservatório elevado de 50 mil litros, assegurando estabilidade no abastecimento. A rede de distribuição alcança 103,84 quilômetros, com 2.904 ligações domiciliares, levando água diretamente às residências.

Já na aldeia Jaguapiru, que concentrará 15.304 habitantes até 2033, o projeto também inclui um poço profundo especial, tratamento com cloração, estação elevatória e um conjunto de reservatórios com dois apoiados de 500 mil litros e um elevado de 50 mil litros. A rede de distribuição terá 80,9 quilômetros de extensão, com 3.087 ligações domiciliares.

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PPP

MS firma contrato de R$8 milhões para empresa preparar 'privatização' de hospital no interior

Caberá ao projeto esclarecer se serão incluídos na PPP, ou não, serviços assistenciais (médicos) para além de passar para iniciativa privada as atividades de limpeza, manutenção, etc.

18/05/2026 09h32

Possuindo 116 leitos e 20 Unidades de Terapias Intensivas (UTIs), o Hospital de Três Lagoas conta ainda com clínicas cirúrgicas e pediátricas e realiza uma série de exames

Possuindo 116 leitos e 20 Unidades de Terapias Intensivas (UTIs), o Hospital de Três Lagoas conta ainda com clínicas cirúrgicas e pediátricas e realiza uma série de exames Reprodução

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Nesta segunda-feira (18) o Governo de Mato Grosso do Sul tornou público, através de edição do seu Diário Oficial Eletrônico (DOE), o extrato do contrato de R$8,2 milhões firmado para uma empresa preparar o projeto em busca de privatizar hospital em Três Lagoas. 

Distante aproximadamente 332 quilômetros de Campo Grande, atualmente o Hospital da Costa Leste Magid Thomé é administrado pelo Instituto Acqua, Organização Não Governamental (ONG) da saúde que já foi demitida da gestão da unidade hospitalar regional de Ponta Porã. 

Recentemente o Governo do Estado assinou um contrato de Parceria Público Privada (PPP) do Hospital Regional em Campo Grande, com a empresa Inova Saúde por R$15,9 milhões, no qual as obras de reforma devem começar apenas em dezembro de 2028. 

Diferente, porém, da PPP na Capital, que pretende "tirar" das mãos do Estado apenas os serviços não assistenciais, os chamados "bata-cinza", a Parceria Público Privada do Hospital de Três Lagoas pode incluir nesta "privatização" também os serviços assistenciais. 

Ou seja, se na Capital o Estado seguiria pagando o corpo médico do Hospital Regional de Campo Grande, a PPP de Três Lagoas poderia colocar todos os serviços nas mãos da iniciativa privada. 

Entenda

Conforme exposto em Diário Oficial, esse contrato busca estruturar um projeto de participação da iniciativa privada na ampliação, equipagem e prestação de serviços do Hospital em Três Lagoas. 

Quanto à estrutura do espaço, o Hospital Regional da Costa Leste Magid Thomé oferece atendimento referenciado de média e alta complexidade, possuindo aproximadamente 711 funcionários em atendimentos que abrangem 11 cidades. 

Possuindo 116 leitos e 20 Unidades de Terapias Intensivas (UTIs), o Hospital de Três Lagoas conta ainda com clínicas cirúrgicas e pediátricas e realiza uma série de exames, como por exemplo: 

  • Raio-x
  • Tomografia
  • Ressonância
  • Ultrassonografia
  • Eletrocardiograma
  • Exames laboratoriais

Caberá ao projeto esclarecer se serão incluídos, ou não, na PPP, os serviços assistenciais (bata-branca), em um projeto estimado em R$8.251.159,09. 

Envolvendo a Secretaria de Estado de Governo e Gestão Estratégica (Segov), o Fundo de Desenvolvimento da Infraestrutura Regional Sustentável (Fdirs) e a administradora BRL Trust Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A, o Estado ficará encarregado de custear 10% do valor desta contratação. 

Em outras palavras, enquanto 90% ficará ao encargo do chamado Fdirs, o Estado participará em um total estimado em R$825.115,91, a serem depositados em até dois meses após a celebração do contrato, que data de 04 de maio deste ano. 

 

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