Cidades

terceirização

ONG da saúde obtém reajuste extra em contrato de R$ 540 milhões

Reequilíbrio financeiro eleva em R$ 229 mil mensais o valor que o Estado repassa ao Instituto Acqua pela gestão do hospital regional de Três Lagoas

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Em meio aos constantes pedidos de socorro financeiro e até suspensão de atendimentos na Santa Casa de Campo Grande, o Instituto Acqua, uma Organização Social supostamente sem fins lucrativos, conseguiu um acréscimo mensal de R$ 229.628,61 para administrar o Hospital Regional Magid Thomé, de Três Lagoas. 

Os repasses são feitos pela Secretaria de Estado de Saúde, que em abril de 2022 contratou a ONG para administrar o hospital por um período de cinco anos. E, conforme publicação do diário oficial desta segunda-feira, o reajuste extra, enquadrado como reequilíbrio financeiro, é retroativo a agosto.

Desta forma, segundo a publicação do diário oficial, a estimativa de valor do  contrato passa dos R$ 539,97 milhões previstos para R$ 544,79 milhões. Esses montantes, porém, não incluem os repasses extras, como ocorreu em maio deste ano, quando o Estado fez repasse extra de R$ 3,8 milhões para contratação extra de leitos de UTI pediátrica durante quatro meses. 

SOB SUSPEITA

Entre fevereiro de 2020 e o começo de agosto deste ano o mesmo instituto também administrou o Hospital Regional de Ponta Porã, o que lhe garantiu faturamento superior a meio bilhão de reais. 

O contrato inicial previa que ele poderia ser renovado pelo menos mais três vezes, o que elevaria o período para até 20 anos. Porém, depois de cinco anos o Estado rescindiu com o Acqua sob a alegação de que o Tribunal de Contas da Paraíba havia reprovado uma série de prestações de contas naquela unidade da federação. 

E, conforme a legislação local, o fato de ter tido as contas reprovadas em qualquer outro estado impede que a administração faça contratos com a instituição, justificou a Secretaria de Estado de Saúde. 

Sendo assim, se estas supostas irregularidade impediram a renovação em Ponta Porã, automaticamente vão impedir a renovação em Três Lagoas, cujo contrato acaba em abril de 2027. A não ser que até lá o Ácqua limpe sua ficha e assim poderia continuar administrando o hospital Magid Thomé, que começou a operar com 116 leitos, mas com as ampliações, vai chegar a 186. 

Antes do rompimento do contrato relativo a Ponta Porã, a direção do Acqua disse  “ver com estranheza” a insistência do Governo do Estado em não querer renovar. Em documentos entregues ao Ministério Público, disse ter recebido uma série de pedidos de explicações sobre os contratos com o Governo da Paraíba e assim que mandava os esclarecimentos sobre um contrato, de imediato recebia questionamentos sobre outras impugnações de contas naquele estado. 

Além disso, alegou o Instituto, as impugnações na Paraíba seriam impeditivos para assinatura de contrato novo, não para renovação. O Estado, porém, entende que elas impedem inclusive a renovação. 

As impugnações no estado nordestino são relativas a 2019 e mesmo assim o Governo assinou contrato com o Instituto Acqua em Três Lagoas em abril de 2022, quando o TCE da Paraíba já havia rejeitado suas prestações de contas.

O Instituto questiona, inclusive, a idoneidade do conselheiro paraibano que reprovou suas contas. Na investigação no MP estão anexadas reportagens mostrando que o conselheiro André Carlo Torres Pontes foi alvo de uma operação da Polícia Federal no final de 2019 por suposto envolvimento em um esquema de corrupção no TCE paraibano.

Ele chegou a ser afastado de suas funções e com base nisso o Instituto requisitou a anulação de todos os embargos de contas que ele havia feito. Até hoje, porém, esse pedido de suspeição não foi julgado. Se o pedido tivesse sido acatado, alega o Instituto, deixaria de ser ficha-suja e poderia renovar o contrato de Ponta Porã sem qualquer tipo de impedimento.

Outro argumento usado pelo Instituto e desconsiderado pela administração de Mato Grosso do Sul é o fato de que todas as supostas irregularidades encontradas na Paraíba terem sido decorrentes da falta de repasses financeiros do Governo do Estado e não por má gestão ou fraude do Acqua.

Depois de romper com o Acqua, a Secretaria de Saúde contratou, sem licitação, o Instituto Social Mais Saúde, que já administrava um hospital estadual em Dourados. 

Conforme compromisso assumido com o Ministério Público, o Governo do Estado precisa fazer, até meados de janeiro do próximo ano, um novo chamamento público (licitação) para administração do hospital de Ponta Porã. 

O Instituto Social Mais Saúde vai receber R$ 47,28 milhões para administrar por seis meses o Hospital Regional Dr. José de Simone Netto. Isso equivale a R$ 7,88 milhões por mês.

ABASTECIMENTO DE ÁGUA

Governo do Estado lança licitações de quase R$ 9 milhões para perfurar poços em aldeias

A epidemia de chikungunya nas aldeias de Dourados é um fator determinante que acelera a implantação do sistema de abastecimento de água

18/05/2026 10h00

A região de Dourados sofre com a crise sanitária da Chikungunya, que tem como fator determinante a falta de água potável nas aldeias

A região de Dourados sofre com a crise sanitária da Chikungunya, que tem como fator determinante a falta de água potável nas aldeias Divulgação: Governo do Estado

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O Governo do Estado de Mato Grosso do Sul, através da Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos (Agesul) informou, por meio do Diário Oficial desta segunda-feira (18), que realizará a abertura de duas licitações para obras de implantação do sistema de abastecimento de água nas aldeias Bororó e Jaguapiru, localizadas no município de Dourados. 

Esta será a primeira etapa da perfuração dos poços. Somadas, as duas licitações atingem o valor total de R$ 8.993.645,86. A abertura da licitação será no dia 3 de junho, às 08h30, horário local. O Governo do Estado escolherá a proposta que apresentar o menor preço.

As aldeias de Dourados sofrem com a epidemia da Chikungunya. De acordo com o último boletim epidemiológio, divulgado pelo Governo do Estado, o município possui o maior número de casos prováveis (4801) e 2365 confirmados. São 11 óbitos na região, sendo nove na reserva indígena.

A última vítima entre a população indígena é um menino, que morava na aldeia Bororó e era recém nascido, tinha apenas 48 dias de vida. Ele estava internado no Hospital Universitário da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD) desde o dia 3 de maio.

As outras vítimas indígenas por chikungunya são:

  • mulher de 69 anos, que faleceu no dia 25 de fevereiro;
  • homem de 73 anos, que morreu no dia 9 de março;
  • bebê indígena de apenas 3 meses de vida que faleceu no dia 10 de março;
  • mulher de 60 anos que faleceu no 12 de março;
  • homem de 77 anos, que foi a óbito no dia 14 de março;
  • bebê indígena de apenas 1 mês de vida que foi a óbito no dia 24 de março;
  • homem de 55 anos que faleceu no dia 3 de abril;
  • homem de 29 anos de idade, faleceu dia 25 de abril

A epidemia de chikungunya nas aldeias de Dourados é um fator determinante que acelera a implantação deste sistema de abastecimento de água. Moradores e lideranças denunciaram interrupções frequentes no abastecimento e a necessidade de armazenar água em recipientes improvisados, o que contribuiu para a proliferação do mosquito Aedes aegypti.

A reserva indígena da região abriga cerca de 20 mil pessoas. Com mais de 100 anos de criação, a Reserva indígena de Dourados enfrenta problemas extremamente básicos, como falta d'água. Milhares de famílias são obrigadas a pegar água em riachos, enquanto outras dependem de caminhão-pipa para abastecer caixas d'águas. 

A falta de água nas aldeias resultou também na abertura de uma investigação por parte do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS).

Em abril do ano passado, a 10ª Promotoria de Justiça de Dourados iniciou uma investigação para apurar problemas no fornecimento de água e na entrega de cestas básicas nas aldeias indígenas Jaguapiru e Bororó, após denúncia feita à Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos.

Moradores das comunidades relataram a grave situação de falta de água limpa e de saneamento básico, um cenário que coloca em risco a saúde e a qualidade de vida da população.

Contratos assinados

No dia 16 de janeiro deste ano, O Governo do Estado e a Sanesul assinaram um contrato para implantação dos sistemas de abastecimento de água nas aldeias indígenas Jaguapiru e Bororó, em Dourados. Os investimentos somam R$ 48,7 milhões.

Segundo o Governo do Estado, até 2033, o sistema deve atender 14.179 habitantes na aldeia Bororó. A solução prevê a perfuração de um poço tubular profundo especial, com capacidade de 150 mil litros por hora, além de adutoras de água bruta e tratada, estação elevatória e sistema de cloração por cilindro gasoso.

A estrutura inclui dois reservatórios apoiados de 500 mil litros cada e um reservatório elevado de 50 mil litros, assegurando estabilidade no abastecimento. A rede de distribuição alcança 103,84 quilômetros, com 2.904 ligações domiciliares, levando água diretamente às residências.

Já na aldeia Jaguapiru, que concentrará 15.304 habitantes até 2033, o projeto também inclui um poço profundo especial, tratamento com cloração, estação elevatória e um conjunto de reservatórios com dois apoiados de 500 mil litros e um elevado de 50 mil litros. A rede de distribuição terá 80,9 quilômetros de extensão, com 3.087 ligações domiciliares.

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PPP

MS firma contrato de R$8 milhões para empresa preparar 'privatização' de hospital no interior

Caberá ao projeto esclarecer se serão incluídos na PPP, ou não, serviços assistenciais (médicos) para além de passar para iniciativa privada as atividades de limpeza, manutenção, etc.

18/05/2026 09h32

Possuindo 116 leitos e 20 Unidades de Terapias Intensivas (UTIs), o Hospital de Três Lagoas conta ainda com clínicas cirúrgicas e pediátricas e realiza uma série de exames

Possuindo 116 leitos e 20 Unidades de Terapias Intensivas (UTIs), o Hospital de Três Lagoas conta ainda com clínicas cirúrgicas e pediátricas e realiza uma série de exames Reprodução

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Nesta segunda-feira (18) o Governo de Mato Grosso do Sul tornou público, através de edição do seu Diário Oficial Eletrônico (DOE), o extrato do contrato de R$8,2 milhões firmado para uma empresa preparar o projeto em busca de privatizar hospital em Três Lagoas. 

Distante aproximadamente 332 quilômetros de Campo Grande, atualmente o Hospital da Costa Leste Magid Thomé é administrado pelo Instituto Acqua, Organização Não Governamental (ONG) da saúde que já foi demitida da gestão da unidade hospitalar regional de Ponta Porã. 

Recentemente o Governo do Estado assinou um contrato de Parceria Público Privada (PPP) do Hospital Regional em Campo Grande, com a empresa Inova Saúde por R$15,9 milhões, no qual as obras de reforma devem começar apenas em dezembro de 2028. 

Diferente, porém, da PPP na Capital, que pretende "tirar" das mãos do Estado apenas os serviços não assistenciais, os chamados "bata-cinza", a Parceria Público Privada do Hospital de Três Lagoas pode incluir nesta "privatização" também os serviços assistenciais. 

Ou seja, se na Capital o Estado seguiria pagando o corpo médico do Hospital Regional de Campo Grande, a PPP de Três Lagoas poderia colocar todos os serviços nas mãos da iniciativa privada. 

Entenda

Conforme exposto em Diário Oficial, esse contrato busca estruturar um projeto de participação da iniciativa privada na ampliação, equipagem e prestação de serviços do Hospital em Três Lagoas. 

Quanto à estrutura do espaço, o Hospital Regional da Costa Leste Magid Thomé oferece atendimento referenciado de média e alta complexidade, possuindo aproximadamente 711 funcionários em atendimentos que abrangem 11 cidades. 

Possuindo 116 leitos e 20 Unidades de Terapias Intensivas (UTIs), o Hospital de Três Lagoas conta ainda com clínicas cirúrgicas e pediátricas e realiza uma série de exames, como por exemplo: 

  • Raio-x
  • Tomografia
  • Ressonância
  • Ultrassonografia
  • Eletrocardiograma
  • Exames laboratoriais

Caberá ao projeto esclarecer se serão incluídos, ou não, na PPP, os serviços assistenciais (bata-branca), em um projeto estimado em R$8.251.159,09. 

Envolvendo a Secretaria de Estado de Governo e Gestão Estratégica (Segov), o Fundo de Desenvolvimento da Infraestrutura Regional Sustentável (Fdirs) e a administradora BRL Trust Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A, o Estado ficará encarregado de custear 10% do valor desta contratação. 

Em outras palavras, enquanto 90% ficará ao encargo do chamado Fdirs, o Estado participará em um total estimado em R$825.115,91, a serem depositados em até dois meses após a celebração do contrato, que data de 04 de maio deste ano. 

 

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