Conforme divulgado através da edição desta terça-feira (23) do Diário Oficial Eletrônico (DOE), o Governo do Estado do Mato Grosso do Sul realiza amanhã (24) as sessões para divulgação das análises sobre as propostas que buscam tirar do papel a água que deve beneficiar Terras Indígenas (T.I) de Dourados.
Vale destacar que a sessão referente às obras de implantação do sistema de abastecimento de água da Aldeia Bororó, etapa 01 perfuração do poço, está marcada para às 14h30 desta quarta-feira (24).
O endereço para acompanhar o prosseguimento da sessão trata-se do próprio portal de licitações da Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos (Agesul) - que você acessa CLICANDO AQUI -. Já o andamento referente à obra de implantação do sistema de abastecimento de água para a Aldeia Jaguapiru está marcado para começar trinta minutos depois, às 15h.
Durante evento de apresentação de estudo do Instituto Trata Brasil ontem (22), na Governadoria de MS, o diretor-presidente da Sanesul, Renato Marcílio da Silva, adiantou que as ordens de serviço para executar obras de ampliação e melhorias do sistema de abastecimento de água em aldeias indígenas devem sair antes do início do prazo eleitoral.
Ainda segundo o diretor-presidente, serão dois processos, um abrangendo Dourados e Itaporã, cuja licitação já foi aberta e houve sucesso no processo licitatório, e um segundo contemplando os municípios de Japorã e Tacuru.
Indígenas sem água
Há tempos a falta de água potável é um problema recorrente para os povos originários sul-mato-grossenses. Em 16 de janeiro deste ano, a Sanesul informou o investimento de R$50.766.282,00 para a implantação de sistemas de abastecimento de água potável nas aldeias.
Sistemas de abastecimento que contam com captação de água por meio de poços tubulares, vazão de até 150 mil litros por hora, tratamento com cloração, reservatórios, além de tanques elevados e redes de distribuição com ligações domiciliares, foi divulgado os recursos seriam distribuídos da seguinte forma:
- R$24,3 milhões para a Jaguapiru;
- R$26,4 milhões para a Bororó.
Já em abril deste ano o ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena, e a presidente da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), Lucia Alberta Andrade de Oliveira, assinaram a permissão para que as obras em busca de água potável ocorram nessas localidades, após mais de 100 anos da criação dessas reservas.
Somente para a Aldeia Bororó, esse sistema em questão foi dimensionado para atender a uma população de 14.179 habitantes, com o serviço para a Jaguapiru tendo a capacidade prevista de atender ainda mais pessoas, 15.304 habitantes até 2033.
Também cabe frisar que todos esses investimentos só saíram do papel após protestos dos povos originários de ambas as aldeias pela falta de água na região, em novembro de 2024, ocasião em que Governo do Mato Grosso do Sul chegou a oferecer dois litros de água por indígena para que a rodovia MS-156 fosse liberada.
Como esse bloqueio foi removido por agentes do Batalhão de Choque da Polícia Militar, e com alegada truculência, várias medidas foram anunciadas e algumas chegaram a ser feitas. Ainda em 2025 o governo de MS realizou a entrega de dois caminhões-pipa para abastecimento emergencial das aldeias Jaguapiru e Bororó.
Veículos com capacidade para transportar 15 mil litros de água cada, os caminhões-pipa foram adquiridos com investimento de R$1,5 milhão, recurso viabilizado através do governo em parceria com a emenda parlamentar do deputado federal Geraldo Resende (PSDB). Houve também a perfuração de dois poços, com investimento de aproximadamente R$490 mil.
Além disso, o governo federal disponibilizou outros R$2 milhões para perfuração de outros poços. Pelo menos 18 foram perfurados no intervalo entre abril e junho de 2025, conforme balanço do Ministério dos Povos Indígenas.
Caixas d’água com capacidade para comportar 30 mil litros também foram instaladas em alguns pontos das aldeias. Em junho do ano passado, porém, uma delas desabou na aldeia Jaguapiru. Além dessa, 19 haviam sido instaladas na região.

