Cidades

CIDADE MORENA

'No apagar das luzes' empresa de radares recebe mais R$ 2,5 milhões

Mesmo tendo contrato encerrado em setembro de 2024, empresa segue aplicando multas e indenização por dívidas já ultrapassa R$ 5 milhões

Continue lendo...

Pela segunda vez no ano, a Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran) reconheceu dívida com o Consórcio Cidade Morena e oficializou nova indenização no valor de R$2.589.750,77. O termo foi publicado em edição extra do Diário Oficial de Campo Grande (Diogrande), na última terça-feira (22).

A primeira indenização, no valor de R$2.503.416,42, já havia sido paga no início deste ano, também por notas fiscais em aberto. O Consórcio é composto pelas empresas Perkons SA, Serget Mobilidade Viária LTDA e Fiscal Tecnologia e Automação LTDA, responsáveis pela instalação, gestão, coleta de dados e manutenção de 93 radares eletrônicos (fixos e mistos), além de lombadas espalhadas pelas sete regiões urbanas da cidade.

O contrato entre a Prefeitura e o Consórcio teve início em 31 de agosto de 2018 e somou, ao longo dos anos, sete termos aditivos que totalizaram R$54.820.284,75. O último aditivo previa vigência de 12 meses, com término em setembro de 2024, sob valor mensal de quase R$2,5 milhões, alcançando R$29.963.827,03 ao final. Mesmo sem renovação formal, os equipamentos continuam operando.

"Sem contrato, mas multando"

Apesar do fim do vínculo, os radares seguem ativos na cidade e infrações continuam sendo registradas. Isso porque, mesmo sem o sistema da Perkons – anteriormente usado pelos agentes – a Prefeitura passou a utilizar o aplicativo Autua, vinculado ao Serviço Federal de Processamento de Dados (SERPRO), como ferramenta alternativa para os agentes de trânsito aplicarem multas por meio de bloco eletrônico e celular.

A Agetran estima que, sem os radares e as lombadas eletrônicas, a arrecadação mensal da pasta pode cair cerca de R$3 milhões.

Já a busca por uma nova empresa responsável pelos radares virou uma novela. Em 12 de maio, a Prefeitura publicou o aviso de licitação para contratar serviços de instalação, manutenção e monitoramento dos novos equipamentos, com valor global de até R$50.255.742,97, válido por 24 meses — ou cerca de R$2 milhões por mês. Em relação ao contrato anterior, a economia estimada é de pouco mais de 16%.

A disputa seria realizada no dia 27 de maio, mas foi suspensa após questionamentos de empresas interessadas. No total, quatro companhias de fora do Estado pediram esclarecimentos: Mobilis Tecnologia (PR), Grupo Splice (SP), Bless Processamento de Dados (SP) e CLD Eletrônica (SP). Um homem identificado como Andrei Martins também protocolou solicitação, pedindo a inclusão de um equipamento de monitoramento de ruído, o que foi negado.

A licitação foi reaberta no início de julho, com novo prazo para envio de propostas até às 07h59 do dia 3. O leilão eletrônico estava previsto para iniciar às 8h do mesmo dia a fim de declarar o vencedor que apresentasse o menor valor.

A empresa escolhida deverá fornecer todos os sistemas tecnológicos para controle de tráfego: radares, sensores, central de monitoramento, plataforma de gestão de dados, inteligência artificial para análise de imagens e equipamentos de videomonitoramento.

Testes com novas empresas 

Enquanto isso, os testes com as empresas participantes já têm data e local definidos. A partir das 8h do dia 6 de agosto, a equipe técnica da Agetran dará início aos ensaios práticos em seis pontos estratégicos da cidade. São eles:

  • Av. Afonso Pena com a Rua Rui Barbosa (sentido centro/bairro);
  • Av. Júlio de Castilho, n° 810 (sentido bairro/centro);
  • Av. Duque de Caxias, próximo ao nº 2.400 (sentido centro/bairro);
  • Rotatória das avenidas Gury Marques, Costa e Silva, Senador Antônio Mendes Canale e Olavo Vilella de Andrade (sentido bairro/centro);
  • Av. Gury Marques próximo ao Anel Rodoviário (sentido bairro/centro);
  • Sede da Agetran (Av. Gury Marques, 2395).

O novo contrato também inclui 85 câmeras de videomonitoramento modelo PTZ (Pan-Tilt-Zoom), com custo unitário de R$646,31. No total, os equipamentos somarão R$4.349.346,75 — quase 9% do valor global da licitação.

Enquanto isso, o Consórcio Cidade Morena segue operando os equipamentos nas ruas, mesmo sem vínculo vigente. A última indenização foi fundamentada em notas fiscais específicas (nº 11495, 7598, 30801, 11496, 7599, 30802, 11497, 7600, 30803, 11498, 7601 e 30804), reconhecidas no Termo n. 02/2025/AGETRAN, assinado em 21 de julho.

A expectativa da administração municipal é que o novo contrato traga economia, ampliação da cobertura tecnológica e, principalmente, regularize uma situação que há quase um ano opera de forma excepcional e sem contrato em vigor.

**Colaborou Felipe Machado e Léo Ribeiro**

Assine o Correio do Estado

Cidades

Senado aprova criação de 794 cargos e funções no TSE e TREs com impacto anual de R$ 109 milhões

Estão previstos 85 postos no TSE, além de cargos e funções para 27 unidades federativas

25/03/2026 22h00

Crédito: Wilson Dias / Agência Brasil

Continue Lendo...

O Senado aprovou nesta quarta-feira, 25, o Projeto de Lei 4/2024, que cria 794 cargos e funções comissionadas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e em Tribunais Regionais Eleitorais (TREs). De autoria do próprio TSE, o texto segue para sanção e tem impacto estimado de R$ 109,3 milhões por ano.

Estão previstos 85 postos no TSE, além de cargos e funções para 27 unidades federativas. O TRE do Distrito Federal receberá o maior número de postos (117), seguido de Bahia (30).

Ao todo, considerando TSE e TREs, os postos serão distribuídos da seguinte forma:

  • 232 cargos de analista judiciário;
  • 242 cargos de técnico judiciário;
  • 75 cargos em comissão;
  • 245 funções comissionadas.

O projeto determina que os custos serão pagos pelo orçamento já destinado ao TSE e aos TREs e que o valor só pode entrar em vigor se houver autorização na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e na Lei Orçamentária Anual (LOA).

O TSE alegou que a ampliação do quadro de pessoal é necessária pelo crescimento contínuo do eleitorado, do número de candidaturas e de processos judiciais e extrajudiciais em cada eleição. O Tribunal também argumentou haver "crescentes demandas relacionadas à segurança das urnas, ao combate à desinformação, ao cumprimento de normas do Conselho Nacional de Justiça e à manutenção da qualidade dos serviços prestados à sociedade".

Durante a votação, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), defendeu a proposta: "[Reconhecer] O momento mais importante da democracia, que são as eleições [...] Estamos fazendo com coerência o que deveríamos ter feito", declarou o parlamentar.
 

Assine o Correio do Estado

Cidades

TCU aponta problemas na prestação de contas da Cultura e da Ancine, com passivo de R$ 22 bi

São 26.583 projetos que dependem de uma análise final no trâmite formal de prestação de costas

25/03/2026 21h00

Crédito: Valter Campanato / Agência Brasil

Continue Lendo...

O Tribunal de Contas da União (TCU) identificou falhas que classificou como graves na gestão de recursos transferidos a projetos culturais do Ministério da Cultura e da Agência Nacional do Cinema (Ancine) de 2019 a 2024. O montante alcança cerca de R$ 22,1 bilhões, segundo relatório da Corte. São 26.583 projetos que dependem de uma análise final no trâmite formal de prestação de costas. Além dos atrasos nas análises, há "elevado" risco de prescrição de processos.

O montante resulta da soma de R$ 17,73 bilhões em 19.191 projetos incentivados (renúncia fiscal) e R$ 4,36 bilhões em 7 392 projetos não incentivados (recurso direto do governo). De acordo com a fiscalização, o passivo de projetos nessa situação é crescente, o que fragiliza o controle sobre o uso de recursos públicos.

No caso do Ministério, o TCU apontou um cenário com acúmulo de processos pendentes e ausência de mecanismos eficazes de controle de prazos. A demora na análise, que pode ultrapassar anos, eleva o risco de perda do direito de cobrança de valores eventualmente devidos ao erário, segundo a Corte.

A Ancine também apresentou atrasos relevantes, embora o Tribunal tenha destacado iniciativas tecnológicas em curso para aprimorar a análise de prestações de contas, incluindo o uso de ferramentas automatizadas.

"O acompanhamento permite detectar omissões, atrasos e inconsistências na análise das prestações de contas", afirmou o relator do processo, ministro Augusto Nardes.

Diante dos achados, o tribunal determinou a adoção de medidas para priorizar processos com risco iminente de prescrição, implementar sistemas de monitoramento de prazos e revisar procedimentos internos, com o objetivo de reduzir o passivo e fortalecer a fiscalização.
 

Assine o Correio do Estado

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).