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Sefaz cancela inscrições estaduais e bloqueia operações de empresas em MS

Comércio, distribuidoras, empresas de logística, energia solar e agronegócio estão entre os contribuintes atingidos; medida impede emissão de notas fiscais e pode afetar clientes e fornecedores

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Empresas de diversos setores da economia de Mato Grosso do Sul tiveram as inscrições estaduais canceladas pela Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz-MS), em uma medida que impede a emissão de notas fiscais e restringe a realização de operações comerciais sujeitas ao ICMS até que as pendências sejam regularizadas.

O cancelamento foi oficializado por ato declaratório publicado no Diário Oficial do Estado e integra as ações de fiscalização e atualização do cadastro de contribuintes.

Entre as empresas atingidas estão a Comercial Itália Ltda., Conflux Representação Comercial Ltda., CRS Representações e Comércio Ltda., Dias Distribuidora Ltda., Izabelino Arce Comércio de Aço e Inox Ltda., PG Farias de Freitas Ltda., RC de Farias Comércio e Importação Ltda., Sana Representações Ltda., Starknet Comércio Ltda. e Tony Car Latas e Acessórios para Veículos Ltda., todas sediadas em Campo Grande.

No interior do Estado, também tiveram as inscrições estaduais canceladas a Pecuária BR S.A., de Aquidauana, a Electrosol Energia Solar Ltda., de Costa Rica, e a AN Logística e Serviços Ltda., de Três Lagoas. O ato ainda alcança outros contribuintes e empresas de menor porte distribuídos por diferentes municípios de Mato Grosso do Sul.

Na prática, o cancelamento da inscrição estadual impede que os contribuintes emitam notas fiscais eletrônicas, realizem operações na condição de inscritos no cadastro estadual e utilizem créditos tributários relacionados ao ICMS.

Além disso, a legislação estabelece que documentos fiscais emitidos após o cancelamento podem ser considerados inidôneos, produzindo reflexos nas relações comerciais com clientes e fornecedores.

Os efeitos da medida podem atingir toda a cadeia de negócios. Empresas que fornecem mercadorias ou serviços às organizações com inscrição cancelada precisam verificar a situação cadastral antes de concluir novas operações, enquanto clientes podem enfrentar atrasos na entrega de produtos ou na prestação de serviços caso as atividades dependam da emissão regular de documentos fiscais.

Especialistas também alertam que operações realizadas com contribuintes em situação irregular podem gerar transtornos administrativos e tributários para os envolvidos.

Segundo a Sefaz, o cancelamento ocorre nas hipóteses previstas pelo Regulamento do ICMS de Mato Grosso do Sul, especialmente quando o contribuinte deixa de regularizar pendências fiscais ou cadastrais após período de suspensão da inscrição estadual.

O objetivo é manter atualizado o cadastro de contribuintes, reforçar o controle das operações fiscais e reduzir riscos de irregularidades no ambiente de negócios.

Embora produza efeitos imediatos, a medida não significa, por si só, o encerramento definitivo das atividades das empresas nem configura condenação por fraude ou crime tributário.

A legislação permite que os contribuintes solicitem a reativação da inscrição estadual, desde que comprovem a regularização das pendências que motivaram o cancelamento e atendam às exigências estabelecidas pela administração tributária estadual.

Até lá, entretanto, permanecem impedidos de exercer diversas operações fiscais previstas na legislação.

 

violência contra a mulher

TJMS e CNJ elaboram carta de propostas para ampliar proteção às mulheres

Documento consolida deliberações e recomendações construídas durante dois dias de debates na 20ª Jornada Lei Maria da Penha

28/08/2026 18h56

Encerramento do evento contou com a presença do presidente do STF e CNJ, Edson Fachin

Encerramento do evento contou com a presença do presidente do STF e CNJ, Edson Fachin Foto: Paulo Ribas

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A 20ª Jornada Lei Maria da Penha, realizada nesta quinta (27) e sexta-feira (28) no Tribunal Pleno do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS), terminou com a elaboraçao de uma carta que consolida as propostas construídas durante as oficinas e debates realizados ao longo do evento. O encerramento contou com a participaçao do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Luiz Edson Fachin.

Entre as principais deliberações elencadas na carta está a proposta para que o CNJ fomente o fortalecimento e a expansão do Programa Brasil Lilás em todo o País, promovendo o compartilhamento de boas práticas entre os tribunais e ampliando ações educativas voltadas à prevenção da violência contra mulheres e meninas, com abordagem interseccional e atenção às questões de gênero, raça e etnia.

Também foram aprovadas sugestões para ampliar a inclusão de conteúdos relacionados aos direitos das mulheres e à igualdade de gênero nos currículos da educação básica, promover a integração eletrônica das medidas protetivas de urgência por meio da Plataforma Digital do Poder Judiciário Brasileiro (PDPJ-Br), aperfeiçoar ferramentas como o Fonar Eletrônico e fortalecer a capacitação de magistrados, servidores, oficiais de justiça e equipes multidisciplinares que atuam em casos envolvendo violência doméstica e familiar.

O documento também destaca a necessidade de aprofundar o enfrentamento à litigância abusiva, à violência processual e institucional praticadas contra mulheres e meninas.

São propostas ainda medidas para aprimorar a produção de dados estatísticos, fortalecer as Coordenadorias Estaduais da Mulher, aperfeiçoar o acompanhamento das medidas protetivas e ampliar o acesso à Justiça para mulheres em situação de vulnerabilidade.

A carta traz recomendações voltadas a populações indígenas, quilombolas, migrantes, mulheres com deficiência e moradoras de regiões de difícil acesso, além do fortalecimento dos Pontos de Inclusão Digital como instrumento permanente de acesso aos serviços do Judiciário.

O documento destaca o compromisso do Poder Judiciário com as diretrizes estabelecidas pela Lei Maria da Penha, pelas resoluções do CNJ e pelos compromissos internacionais assumidos pelo Brasil para a promoção dos direitos das mulheres e o enfrentamento das diversas formas de violência de gênero.

O objetivo com a aprovação da carta é garantir maior efetividade às políticas de prevenção e enfrentamento da violência contra mulheres e meninas.

Além de Fachin, a solenidade de encerramento da 20ª Jornada Lei Maria da Penha contou com a participação da conselheira do CNJ e presidente da Comissão Permanente de Políticas de Prevenção às Vítimas de Violência, Testemunhas e de Vulneráveis, Jaceguara Dantas, e do presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, Dorival Renato Pavan.

Em sua manifestação no encerramento, o ministro Luiz Edson Fachin ressaltou que, embora a Lei Maria da Penha tenha promovido profundas transformações jurídicas e culturais no Brasil ao longo dos últimos 20 anos, o enfrentamento à violência contra as mulheres ainda exige atenção permanente e atuação efetiva do Estado.

Confira a íntegra da Carta da 20ª Jornada Lei Maria da Penha:

Jornada lei maria da penha

Em MS, Fachin cobra ação do Estado para evitar violência e morte de mulheres

Presidente do STF particou da 20ª Jornada Lei Maria da Penha, em Campo Grande, e reforçou que enfrentamento à violência contra a mulher exige atenção permanente

28/08/2026 18h01

Presidente do STF, Edson Fachin, participou da  20ª Jornada Lei Maria da Penha em Campo Grande

Presidente do STF, Edson Fachin, participou da 20ª Jornada Lei Maria da Penha em Campo Grande Foto: Paulo Ribas

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O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ministro Edson Fachin, defendeu, na tarde desta sexta-feira (28), uma atuação preventiva do Estado no enfrentamento à violência contra mulheres. Durante a 20ª Jornada Lei Maria da Penha, realizada no Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS), ele destacou que é dever do Poder Público agir antes que a violência resulte em mortes.

"O Estado tem o dever de evitar que as mulheres morram, que as mulheres e meninas sofram violência, tem o dever de garantir que vivam com dignidade, autonomia e liberdade. O Estado precisa chegar antes que o luto se instale. Este é o dever número um e, portanto, esta é a nossa missão mais elevada", disse.

Fachin ressaltou que a Lei Maria da Penha, criada há 20 anos, promoveu profundas transformações jurídicas e culturais no Brasil, mas destacou que o enfrentamento à violência contra as mulheres ainda exige atenção permanente e atuação efetiva do Estado.

Ao final da jornada, foi elaborada uma carta com várias proposições, ao que o ministro afirma que podem se extrair, ao menos, três diretrizes, sendo a evidência, a interseccionalidade e a escuta e diálogo.

Segundo ele, a evidência é importante para medir o que está sendo enfrentado, através de dados, e para um dimensionamento interno do sistema de Justiça, indo além dos prazos processuais, com integração entre os dados e a inteligência institucional para acompanhar a vida real de cada mulher que busca auxílio.

No caso da interseccionalidade, Fachi cita que a violência atinge de formas diferentes mulheres negras e indígenas.

"É fundamental que também estejamos atentos, inclusive, para desagregar dados por etnias, raça e território. Na verdade, é dar rosto e voz à luz dessa interseccionalidade", explicou.

Já sobre a escuta e diálogo, o ministro destaca é fundamental ouvir com as diferentes formas a realidade d violênci contra a mulher.

Ele ressaltou a jornada foi realizada em Mato Grosso do Sul devido ao estado ser "um mosaico antropológico, sociológico e relevante", citando o fato de ser um estado fronteiriço, com uma das maiores populações indígenas do País.

Com relação aos debates e propostas levantadas para o enfrentamento da violência contra a mulher, o ministro concluiu que não há uma resposta fácil.

"Os problemas precisam ser olhados na sua complexidade para que as respostas sejam reais e concretas e não respostas simplistas, epidélicas a questões estruturais da sociedade brasileira", concluiu.

Realizada nos dias 27 e 28 de agosto, em Campo Grande, a 20ª Jornada Lei Maria da Penha celebrou os 20 anos da iniciativa e promoveu reflexões sobre os desafios contemporâneos para a efetivação da Política Judiciária Nacional de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres.

Ao longo dos dois dias, os participantes debateram temas relacionados à proteção das vítimas, ao aprimoramento da atuação judicial, à prevenção da violência e ao fortalecimento da rede de atendimento.

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