Cidades

LUTO

Amigos e familiares se despedem de Alcides Bernal: "combateu o bom combate"

Ex-prefeito foi velado e enterrado no Cemitério Jardim das Palmeiras, em Campo Grande

Continue lendo...

Velório e sepultamento do ex-prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal, foi marcado por emoção, sentimentalismo e comoção.

A despedida ocorreu das 11h às 16h, no Cemitério Jardim das Palmeiras, localizado na avenida Tamandaré, número 6934, vila Nasser, em Campo Grande.

Ex-prefeito de Campo Grande, Marquinhos Trad, era amigo de Bernal. Foto: Gerson Oliveira

Aproximadamente 120 pessoas compareceram ao velório, entre 13 horas e 16 horas, para se despedir do ex-prefeito. Amigos relembraram a trajetória pessoal, profissional e política de Bornal e lamentaram a sua passagem.

Ex-prefeito de Campo Grande, Marquinhos Trad, relembrou seus últimos momentos e conversas com Bernal, quando o visitou no Presídio Militar enquanto esteve preso.

“Vi e falei com ele questão de 40 dias atrás no presídio. Por três oportunidades eu estive com ele, visitando ele no presídio. Conversamos um longo tempo. Estava com dificuldade de respiração, estava com dor no peito. Ele combateu o bom combate, guardou a fé e hoje a gente se despede dele”, disse.

Advogada, Jacqueline Hildebrand Romero, amiga de Bernal. Foto: Gerson Oliveira

Advogada, Jacqueline Hildebrand Romero, amiga de Bernal, prestou sua última homenagem e relembrou a época em que trabalharam juntos.

"Eu fui assessora dele quando ele foi vereador, os dois mandatos dele na Câmara, depois também o auxiliei na Assembleia. Quando ele criou a Secretaria da Mulher, eu fui a primeira secretária da Mulher de Campo Grande e auxiliamos ele na nossa gestão com a criação da Casa da Mulher Brasileira. Além da política, a gente tinha uma relação familiar, [ele era] muito bem-vindo na família do meu pai. Uma vez ou outra ele ia também até meu escritório conversar, a gente sempre teve esse diálogo Ele era uma pessoa extremamente educada, uma pessoa que gostava demais de ajudar o próximo. A gente conheceu o lado humano, o lado pessoal do Bernal, que era extremamente delicado, respeitador, uma pessoa de uma conduta rigorosa com as coisas que ele ia fazer, tanto no trato com as pessoas quanto na profissão", comentou.

Publicitária, Márcia Scherer, colega de trabalho de Bernal, lamentou a morte do ex-prefeito, com quem conviveu profissionalmente por seis anos.

Publicitária, Márcia Scherer, colega de trabalho de Bernal. Foto: Gerson Oliveira

“Eu fui assessora do Bernal por muito tempo, fiz a campanha dele em 2012, ajudei na campanha dele para a prefeitura, ele ganhou, fui com ele para a prefeitura, houve a cassação, saí junto com ele na cassação, aí quando ele voltou, voltei com ele, aí eu assumi a superintendência de comunicação na segunda fase, fizemos a reeleição, perdemos, aí saímos com ele e fiquei com ele até 2018. No total, foram mais de seis anos, assessorando diretamente. E aí depois a gente manteve, sempre manteve o contato, sempre manteve uma certa proximidade”, comentou.

Márcia ainda citou que Bernal procurou por justiça ao longo de sua vida, mas que não conseguiu alcançá-la.

“É um sentimento que mistura tristeza, que mistura um sentimento de injustiça, porque a despeito do que aconteceu agora, o Bernal sempre procurou a justiça pelo que aconteceu com o Campo Grande. Então eu falo que ele não teve a justiça para ele, mas a justiça foi implacável contra ele. Pra mim, o Bernal era um ser humano com seus acertos, com seus defeitos, com suas qualidades, com seus erros. Para quem esteve muito próximo dele, é tudo tão injusto, tudo tão triste. No fim das contas, aparentemente a justiça sobressaiu. No geral, ele buscou a justiça e não conseguiu. Que os adversários os respeite, porque esse respeito é necessário que esteja com ele”, finalizou.

Bernal faleceu na madrugada desta segunda-feira (13), no Hospital Santa Casa, em Campo Grande, em virtude de complicações cardíacas. A causa exata da morte não foi compartilhada e deve ser divulgada nos próximos dias.

Ele passou mal no Presídio Militar no domingo (12) e foi encaminhado para o hospital, onde passou por cateterismo, mas não resistiu e morreu. Ele faleceu na véspera de seu aniversário e completaria 61 anos amanhã, 14 de julho.

HOMICÍDIO

Ex-prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal (2013-2014), matou a tiros o fiscal tributário do governo do Estado, Roberto Carlos Mazzini, em 24 de março de 2026, na avenida Antônio Maria Coelho, bairro Jardim dos Estados, em Campo Grande.

Bernal disparou duas vezes contra Mazzini, no abdômen e costela, após se recusar a entregar seu imóvel, que havia sido leiloado.

O ex-prefeito flagrou, por meio de imagens de câmeras de segurança, o momento em que Mazzini entrou na casa, com auxílio de um chaveiro. Em seguida, foi até o local e matou o homem com um revólver calibre 38.
Após o crime, se entregou na Delegacia de Polícia Civil e permaneceu preso no Presídio Militar. Em 25 de março, teve sua prisão em flagrante convertida em prisão preventiva.

A disputa pelo imóvel começou em 2023, o imóvel foi ofertado por R$ 3,7 milhões, mas ninguém se interessou. Depois, o valor caiu para R$ 2,4 milhões e o fiscal tributário acabou comprando a mansão.

Mesmo após ter sido arrematado por Roberto Mazzini, Bernal se recusava a entregar a casa, levando a imbróglios judiciais.

PRISÃO

Bernal foi preso em 24 de março e, um dia depois, em 25 de março, teve sua prisão em flagrante convertida em prisão preventiva. Com isso, se tornou réu pela morte do fiscal tributário Roberto Mazzini. Bernal é cardíaco e, há cerca de um mês, o ex-prefeito tem sofrido complicações cardíacas.

Com isso, a defesa de Bernal solicitou diversas vezes prisão domiciliar alegando risco de morte súbita, mas, o juíz Aluízio Pereira dos Santos, da 1 Vara do Tribunal do Júri, negou o pedido na sexta-feira (10).

No pedido, a defesa esclareceu que Bernal tinha várias comorbidades, como hipertensão arterial sistêmica, diabetes mellitus e três infartos agudos do miocárdio prévios.

O pedido ainda sustentava que Bernal foi submetido à intervenção com implante de quatro stents coronarianos, sendo novamente submetido a um cateterismo cardíaco no dia 1º de julho, quando foi diagnosticado uma doença coronariana multiarterial severa.

A defesa anexou laudos, onde o médico cardiologista atestava a necessidade de repouso relativo e acompanhamento médico por, no mínimo, 30 dias. Além disso, acrescentou que o Presídio Militar Estadual não tem estrutura médica para o monitoramento que o caso de Bernal exigia.

CARDÍACO

Bernal tinha várias comorbidades, como hipertensão arterial sistêmica, diabetes mellitus e três infartos agudos do miocárdio prévios. Já passou por vários cateterismos e implantou quatro stents coronarianos recentemente. Em 1 de julho de 2026, foi diagnosticado com doença coronariana multiarterial severa.

LUTO OFICIAL

Prefeitura Municipal de Campo Grande (PMCG) decretou luto oficial de três dias em virtude do falecimento do ex-prefeito da Capital, Alcides Jesus Peralta Bernal.

Com isso, a bandeira do município deve ser hasteada a meio mastro, que representa o símbolo de luto.

O decreto foi publicado na tarde desta segunda-feira (13) no Diário Oficial de Campo Grande (Diogrande).

Ícone local

Fim de filmagens retoma atendimento da Morada dos Baís em Campo Grande

Localizado na Avenida Afonso Pena, em pleno "coração" da capital do Mato Grosso do Sul, espaço mantém viva obra da campo-grandense pioneira Lídia Baís

15/07/2026 10h01

A Morada dos Baís, onde a artista viveu, transformou-se em personagem central da narrativa recente.

A Morada dos Baís, onde a artista viveu, transformou-se em personagem central da narrativa recente. Gerson Oliveira/Correio do Estado

Continue Lendo...

Após servir de palco para as filmagens do longa-metragem "Lydia", a Morada dos Baís, localizada na Avenida Afonso Pena, retomou seus atendimentos ao público nesta semana em pleno "coração" da capital do Mato Grosso do Sul, mantendo viva a obra da artista pioneira campo-grandense e dessa família icônica na história local. 

Conforme o Executivo da Cidade Morena, esse espaço cultural voltará a receber visitantes de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h, e aos sábados, das 8h às 12h, aberto para turistas e moradores locais conhecerem de perto o interior dessa arquitetura imponente na região central.

Vale lembrar que recentemente, desde a segunda semana de maio, o espaço da Morada serviu como locação para as filmagens de "Lydia", um longa-metragem de ficção produzido pela Pólofilme e inspirado na obra literária "História de T. Lídia Baís" (1960), escrita pela própria artista sob o pseudônimo de Maria Tereza Trindade.

"Para atender às necessidades da produção, o prédio recebeu adequações cenográficas que recriaram ambientes da época retratada no longa-metragem, despertando a curiosidade de quem passava pela Avenida Afonso Pena", cita o Executivo da Capital em nota sobre a retomada dos atendimentos. 

Dirigido por Ricardo Câmara, com codireção de Mariana Villas-Bôas, o filme mergulha nas memórias, contradições, espiritualidade e processos criativos de Lídia Baís, uma mulher que rompeu padrões sociais no início do século 20 e construiu uma obra artística singular em um território ainda distante dos grandes centros culturais brasileiros.

Esse longa, cabe frisar, conta com recursos da Lei Paulo Gustavo, através da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul, e apoio institucional da Fundação Municipal de Cultura de Campo Grande, que cedeu a Morada dos Baís e o Museu José Antônio Pereira como locações.

Ícone local

Nascida em Campo Grande em 1900, Lídia Baís cresceu em uma família tradicional sul-mato-grossense, mas escolheu um caminho distante daquele reservado às mulheres de sua época. Enquanto o destino esperado era o casamento e a vida doméstica, ela decidiu seguir pela arte.

Embora inspirado em fatos reais, "Lydia" não pretende seguir o caminho tradicional das cinebiografias lineares. A proposta narrativa abraça a subjetividade e a fragmentação das memórias.

Entre suas viagens ao Rio de Janeiro, Paris e Alemanha, Lídia circulou entre intelectuais e modernistas contemporâneos de seu tempo e importantes do século passado, convivendo Com: o pintor surrealista Ismael Nery, com o poeta modernista Murilo Mendes e com os irmãos pintores Henrique Bernardelli e Rodolfo Bernardelli, por exemplo. 

Apesar da proximidade com nomes hoje consagrados, Lídia permaneceu durante décadas à margem da história oficial da arte brasileira. Realizou apenas uma exposição em vida, em 1929, no Rio de Janeiro, e acabou transformando o espaço doméstico em território criativo.

Na casa da família, pintou murais, escreveu textos, compôs músicas e desenvolveu uma linguagem artística própria, atravessada pela espiritualidade, o surrealismo e o expressionismo. A Morada dos Baís, onde a artista viveu, transformou-se em personagem central da narrativa recente.

Segundo Mariana Villas-Bôas, o espaço foi apropriado de maneira simbólica e afetiva pela equipe. "As paredes descascadas, os afrescos antigos, os objetos, tudo isso traz uma camada de tempo muito importante para o filme", diz.

A codiretora destaca que muitos elementos aparentemente surrealistas presentes no cenário partem de relatos reais sobre o cotidiano da artista. "As gaiolas, os animais empalhados, os objetos espalhados, tudo isso existia. Parece ficção, mas vinha da forma como ela enxergava o mundo".

 

Assine o Correio do Estado

COMÉRCIO IRREGULAR

Clínica de bronzeamento artificial tem equipamentos irregulares apreendidos na Capital

Investigação do Ministério Público apontou que estabelecimento disfarçava-se de loja de roupas e costura para realizar procedimentos que podem causa câncer

15/07/2026 09h43

Álvaro Rezende/Arquivo Correio do Estado

Continue Lendo...

Uma loja de roupas que oferecia procedimentos de bronzeamento artificial foi alvo de mandado de busca e apreensão de equipamentos que estavam sendo usados irregularmente, colocando em risco à saúde das pessoas que buscavam o serviço estético.

A ação ocorreu no Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), por meio da 43ª Promotoria de Justiça de Campo Grande e da Unidade de Apoio à Investigação (CI).

O caso iniciou com as investigações do MPMS, que descobriu irregularidades na utilização das câmaras que são realizadas os procedimentos. O serviço era ainda realizado de forma escondida, em um local que simulava ser um comércio de roupas e costura.

Segundo o MPE, os responsáveis equiparam as cabines de bronzeamento artificial com lâmpadas fluorescentes de alta potência, prática essa proibida em território nacional pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), nos termos da RDC nº 56, de 2009, e reforçada no ano passado, com a Resolução 1.260/2025, que proíbe especificamente "o armazenamento, a comercialização, a distribuição, a fabricação, a importação, a propaganda e o uso de lâmpadas fluorescentes de alta potência utilizadas em equipamentos de bronzeamento artificial".

Além da utilização irregular das lâmpadas foram identificadas condições precárias na conservação e higiene dos equipamentos utilizados para prestar o serviço.

Com isso, a Vigilância Sanitária interditou o local após fiscalização em março deste ano, porém, a empresa continou a oferecer os serviços de bronzeamento artificial e os responsáveis ainda estão sendo investigados por enganar os clientes com propaganda enganosa.

De acordo com o órgão público, os procedimentos eram indicados e divulgados como legalizados dentro da legislação vigente e das condições sanitárias exigidas.

A Sociedade Brasileira de Demartologia apoiou a Anvisa na nova medida imposta no ano passado, e a partir disso, a investigação apontou os diversos riscos que procedimentos de bronzeamento artificial pode causar por si só, e o aumento de riscos quando de forma irregular,

Entre os danos à saúde são destacados:

  • câncer de pele, incluindo o tipo mais agressivo (melanoma);
  • envelhecimento da pele;
  • queimaduras;
  • ferimentos cutâneos;
  • cicatrizes;
  • rugas;
  • perda de elasticidade cutânea;
  • lesões oculares, como fotoqueratite;
  • inflamação da córnea e da íris;
  • fotoconjuntivite;
  • catarata precoce;
  • pterígio (excrescência opaca, branca ou leitosa, fixada na córnea); e
  • carcinoma epidérmico da conjuntiva.

A fiscalização do órgão no caso teve objetivo de conferir o cumprimento das normas sanitárias, pensando na defesa da vida, saúde e segurança da população, em especial, por se tratar de uma prática comercial que coloca os consumidores em situação de risco.

O MPMS ressalta que é necessário verificar a regularidade de estabelecimentos e condições de segurança em procedimentos, especialmente os que são para tratamentos estéticos.

 

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).