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TCE e MPMS divergem sobre "conto de fadas" que endivida prefeituras

O TCE condenou o ex-prefeito de Glória de Dourados e bloqueou bens de advogados. Em um caso parecido, a promotoria arquivou denúncia Bataguassu

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Decisões tomadas em julho e dezembro do ano passado sobre a série de contratos do escritório de advocacia Nunes Golgo & Alves com prefeituras de Mato Grosso do Sul mostram que integrantes do Ministério Público e do Tribunal de Contas do Estado literalmente estão batendo cabeça sobre o mesmo assunto, porém, envolvendo prefeituras diferentes. 

No dia 5 de julho do ano passado a promotora de Bataguassu, Patrícia Almirão Padovan, arquivou uma denúncia em que o ex-prefeito Akira Otsubo (21 a 24) havia feito contra seu antecessor, o delegado aposentado Pedro Arlei Caravina, que presidiu o município entre 2017 e 2020.

Atualmente, Pedro Caravina é deputado estadual e quem comanda a prefeitura de Bataguassu, cidade na divisa com São Paulo, é sua esposa, Wanderleia. 

A denúncia apontava que o município havia sido inscrito no CADIN (lista suja dos órgãos públicos que impede que recebam transferências ou façam empréstimos) porque estava devendo R$ 2.893.080,92 à Receita Federal. 

Esta dívida surgiu porque entre agosto de 2017 e agosto do ano seguinte a prefeitura de Bataguassu, sob orientação do escritório Nunes Golgo, deixou de recolher em torno de R$ 1,6 milhão em impostos trabalhistas à Receita.

E, além dos quase R$ 2,9 milhões que devia à Receita, a prefeitura ainda pagou pouco mais de R$ 332 mil aos advogados, que haviam firmado contrato de risco que lhes garantia o repasse de 20% daquilo que a administração municipal conseguiria recuperar da Receita Federal. 

O contrado com os advogados previa que receberiam somente depois que esta restituição estivesse garantida. Porém, a prefeitura fez o pagamento antecipadamente e depois acabou descobrindo que havia caído numa espécie de "conto de fadas". 

Em sua defesa à promotora de Bataguassu, o escritório Nunes Golgo alegou que a administração municipal perdeu os prazos e não soube se defender diante das cobranças da Receita Federal. 

"O município não cumpriu prazos, não comunicou as ocorrências (intimações e decisões) à parte contratada, e, pelo visto, também não adotou nenhuma providência judicial para a discussão do mérito e tampouco para garantir a manutenção de CND e impedir a inscrição no CADIN". 

Ou seja, depois de ter embolsado os  mais de R$ 330 mil, o escritório se esquivou e atribuiu a responsabilidade pela cobrança à administração municipal.

E, apesar de ter recebido seus pagamentos antes de o sucesso da recuperação de receitas ter sido comprovada, a promotora de Batagussu entendeu que não havia indício de ilegalidade ou crime e por isso engavetou a denúncia de Akira Otsubo, que teve de parcelar os R$ 2,9 milhões com a Receita para conseguir administrar a prefeitura. 

Akira Otsubo alegava que "A contratada (Nunes Golgo) deixou de atender às exigências realizadas pela Fazenda, no sentido de apresentar a origem dos créditos realizados nas compensações ocorridas em 2017, resultando na cobrança de R$ 2.893.080,92 a ser pago a título de valores exigidos e não recolhidos", o que não convenceu a promotoria, que preferiu acatar a argumentação dos advogados.

Deputado se posiciona

Já o atual deputado estadual e ex-prefeito de Bataguassu, Pedro Caravina (PSDB), disse ao Correio do Estado que, o contrato com o escritório Nunes & Colgo envolvendo o município que foi prefeito é diferente do de Glória de Dourados. 

“Em Bataguassu existe decisão judicial, em três instâncias contra a Receita Federal, pela compensação, o que não ocorre em outros municípios”, disse. 
Nas outras cidades, a suspensão dos pagamentos ocorreu apenas com decisões administrativas, o que gerou um grande passivo. 

O deputado ainda informou que uma ação contra o ex-prefeito de Bataguassu, Akira Otsubo (MDB). “Ele aceitou parcelar um débito que não era devido pelo município”, lembrou. 

“A Receita, no caso de Bataguassu, não deveria ter cobrado e o ex-prefeito Akira não deveria ter aceitado a cobrança, por isso pode ser responsabilizado”, disse. “Foi por essa razão que a promotora arquivou a denúncia que ele fez, e ela ainda pediu apuração contra a gestão anterior, pode desídia”, afirmou Caravina. 

Para o deputado, é injusto contra ele e a promotora de Justiça, insinuar que o tratamento foi benéfico a ele. “Foi uma decisão correta a da promotora, diante do amparo judicial que o município tem”, ressaltou. 

 

GLÓRIA DE DOURADOS

Situação exatamente igual, mas com números maiores, ocorreu em  Glória de Dourados praticamente no mesmo período. Nesta cidade, porém, o contrato passou pelo crivo do Tribunal de Contas do Estado (TCE) que não só viu ilegalidade, como determinou o bloqueio dos bens do ex-prefeito e de três sócios do escritório de advocacia.

De acordo com publicação do  TCE-MS feita em dezembro do ano passado, a prefeitura de Glória de Dourados sofreu um um prejuízo de R$ 2.169.494,71 por conta do suposto "conto de fadas" do escritório.

Parte do prejuízo, de R$ 1,003 milhão, é referente a pagamentos indevidos feitos aos advogados, e o restante, R$ 1,165 milhão, relativo a juros e multas aplicados pela Receita Federal.

Por conta do não pagamento de R$ 3.943.499,18 em tributos, da multa e dos juros, no fim do ano passado a prefeitura de Glória de Dourados tinha uma dívida de R$ 5.618.751,73 com a Receita Federal. A prefeitura foi obrigada a parcelar a conta em 20 anos para não ficar com o nome sujo. 

Em sua defesa, o escritório alegou exatamento o mesmo que havia dito anteriormente ao MP de Bataguassu: a culpa da cobrança é da prefeitura, que não soube se defender ao ser cobrada pela Receita Federal e que chegou a elaborar uma defesa, mas que os prazos haviam se expirado.

Neste caso, porém, o Tribunal de Contas não aceitou o argumento e exigiu cópia desta suposta defesa, que nunca chegou a ser enviada ao TCE. 

Ao perceber o rombo, o TCE-MS pediu explicações ao então prefeito de Glória de Dourados, Aristeu Pereira Nantes, que comandou a prefeitura de 2016 até o fim do ano passado. Ele informou ao órgão que instaurou procedimento interno na prefeitura, mas não conseguiu mais encontrar os advogados para exigir explicações. 

E por conta deste julgamento do TCE relativo a Glória de Dourados, o Ministério Público de Mundo Novo resolveu instaurar inquérito civil, conforme publicação do diário oficial do último dia 17,  para investigar uma situação idêntica naquele município. 

Em Mundo Novo, os advogados prometram a recuperação de R$ 2,16 milhões. Por conta disso, o escritório faturou pouco mais de R$ 430 mil nesta cidade.  

No caso de Mundo Novo, o promotor já deixou claro que não vai se contentar em ouvir só escritório de advocacia. Ao longo da última semana a investigação caminhou e ele pediu ajuda ao Tribunal de Contas e à Receita Federal para tentar entender se existe alguma ilegalidade nos pagamentos ao escritório. 

Além de Bataguassu, Glória de Dourados e Mundo Novo, o escritório também prestou serviços a mais nove prefeituras: Selvíria, Inocência, Tacuru, Eldorado, Iguatemi, Corguinho, Deodápolis, Figueirão, Chapadão do Sul.

E nesta relação divulgada pelo Tribunal de Contas não aparecem as cidades que firmaram contrato com a empresa Ibrama, que pertence aos mesmos adogados e que também firmou uma série de parcerias em Mato Grosso do Sul. 

A orientação do comando do TCE é para que seja aberta investigação em todas as cidades onde os advogados atuaram.  

TUDO NO INÍCIO

Em e-mail enviado ao Correio do Estado, o escritório de advocacia alega que tanto a decisão do Tribunal de Contas quanto a investigação da promotoria de Mundo Novo estão em fase inicial e que não comprovam nenhuma ilegalidade. 

Reafirma, também, que "a dívida cobrada pela Receita Federal, que gerou o suposto "rombo", decorreu de culpa exclusiva do município, que "quedou-se inerte" e não respondeu à intimação da Receita Federal.

Os advogados dizem ainda que "a narrativa criada pela Matéria (publicada dia 18)  está causando prejuízos materiais concretos à notificante, que foi informada da rescisão de contrato vigente em decorrência direta da reportagem, além do prejuízo moral, consubstanciado em diversos questionamentos que vem sendo feitos por parceiros e clientes, colocando em xeque um histórico de trabalho, dedicação e resultados". 


 

Justiça

PGR repete pedido por acesso integral a dados de Vorcaro

Procuradoria reafirma que ministros devem conhecer íntegra do material

12/09/2026 19h00

Supremo Tribunal Federal

Supremo Tribunal Federal Divulgação

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A Procuradoria-Geral da República (PGR) reiterou neste sábado (12) o pedido para que todos os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) tenham acesso integral aos dados extraídos pela Polícia Federal (PF) do celular do ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro. A manifestação foi encaminhada ao presidente da Corte, ministro Edson Fachin, em meio à disputa sobre quais documentos devem ser disponibilizados antes do julgamento marcado para terça-feira (15).

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, defendeu que os integrantes do STF tenham conhecimento prévio de todo o material necessário para formar entendimento sobre as questões em análise.

“Parece-nos relevante, sobretudo e especialmente dadas as peculiaridades da causa, que todos os ministros tenham conhecimento prévio da integralidade dos dados necessários para à formação de juízo sobre o tema posto em debate”, afirmou Gonet na manifestação deste sábado.

Dados do celular

Na sexta-feira (11), Fachin havia pedido a disponibilização integral das mensagens extraídas do aparelho de Vorcaro. O relator de parte do caso, ministro André Mendonça, afirmou, porém, que não estava com o celular e que os dados obtidos pela PF permaneciam em um envelope lacrado em seu gabinete.

Horas depois, Mendonça tornou públicas outras partes da investigação que ainda estavam sob sigilo, mas não liberou aos demais ministros o acesso às mensagens armazenadas no envelope.

Em nova manifestação, a PGR sustentou que a manutenção do conteúdo sob acesso restrito compromete a igualdade de condições entre os integrantes da Corte.

“Tal providência é necessária para que seja assegurado a todos os Ministros o conhecimento de todas as informações relevantes para o julgamento, já que a subsistência de acesso assimétrico ao acervo informativo compromete a paridade entre os integrantes da Corte e, em última análise, a própria colegialidade que deve presidir o julgamento”, escreveu Gonet.

Disputa no STF

O pedido ocorre em meio a uma série de manifestações de ministros sobre o acesso aos documentos que serão considerados pelo Plenário. Na sexta-feira, Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin também defenderam que os colegas tenham acesso integral ao material relacionado ao julgamento. Neste sábado, o ministro Gilmar Mendes reiterou a posição.

O pedido deste sábado é assinado, além de Gonet e do vice-procurador-geral da República, Hindemburgo Chateaubriand Filho, pelos subprocuradores-gerais André de Carvalho Ramos e Antônio Edílio Magalhães Teixeira.

Julgamento na terça

Está marcada para terça-feira (15) uma sessão plenária extraordinária para analisar a Petição 16.662 e decidir sobre a abertura de uma possível investigação sobre supostas relações de Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro.

Fachin também negou neste sábado o pedido de Moraes para que o processo relacionado a ele fosse julgado conjuntamente com outro procedimento que analisa a atuação de Mendonça como relator de parte do Caso Master.

Segundo o presidente do STF, o processo envolvendo Mendonça ainda está em fase preliminar de instrução e não reúne condições para ser levado ao plenário. A análise desse segundo caso foi marcada para 23 de setembro. 

Tempo

Campo Grande deve ter novo fim de semana de chuva e temporais

Instabilidade deve aumentar entre a noite deste sábado e o domingo, com possibilidade de chuva forte, ventos e trovoadas em quase todo o Estado

12/09/2026 18h30

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Campo Grande ainda contabiliza os estragos provocados pelo temporal de quinta-feira (10), mas o tempo instável deve continuar neste fim de semana. A previsão indica aumento das condições para chuva e tempestades entre a noite deste sábado (12) e o domingo (13), com possibilidade de trovoadas, rajadas de vento e chuva forte em pontos de Mato Grosso do Sul.

Para este sábado, o cenário permanece instável. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) aponta a atuação de um sistema associado a um ciclone extratropical que mantém condições favoráveis à ocorrência de chuva e tempestades em partes do Centro-Oeste. O instituto também chama atenção para a possibilidade de granizo em áreas de MS.

Na Capital, a previsão indica muitas nuvens, pancadas de chuva e trovoadas. O alerta da Defesa Civil reforça o risco justamente durante a noite, período em que podem ocorrer novas ocorrências relacionadas a vento, chuva intensa e descargas elétricas.

Domingo

Para domingo (13), o Inmet prevê em Campo Grande mínima de 18°C e máxima de 34°C, com muitas nuvens, pancadas de chuva e trovoadas isoladas. A combinação de calor e umidade mantém a possibilidade de instabilidade ao longo do dia.

No interior, a instabilidade também deve atingir diferentes regiões do Estado, mas com variação nas temperaturas. Dourados, Ponta Porã, Três Lagoas, Corumbá e Aquidauana estão entre as cidades que devem ter mudança nas condições ao longo do domingo, com possibilidade de chuva associada à atuação da frente fria e das áreas de instabilidade.

Em Dourados, a estação meteorológica da Embrapa Agropecuária Oeste registrou 25 milímetros de chuva entre sexta-feira (11) e sábado, elevando o acumulado de setembro para mais de 72 milímetros.

 

 

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