Correio B

"10 ANOS"

Festival Bonito Blues e Jazz leva som para cidade da natureza

De hoje a sábado, mais importante destino de ecoturismo de MS será palco de nove atrações que prometem celebrar diálogo cultural entre dois lados da fronteira na releitura dos mais consagrados entre estilos musicais

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Neste ano, completa uma década que o Bonito Blues & Jazz Festival transforma, uma vez por ano, o destacado santuário ecoturístico, a 270 km de Campo Grande, também na capital brasileira de dois dos estilos mais importantes da seminal música dos EUA.

“Não é qualquer coisa você realizar por dez anos um festival aqui que não é de música bastante conhecida ou popular, mas tem admiradores. A gente sabia disso”.

Quem fala é o produtor cultural Afonso Rodrigues, idealizador e nome à frente da organização de todas as edições do festival, que de hoje a sábado faz desfilar, no Selina Hotel, nove atrações de Mato Grosso Sul, São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro, Paraguai e Argentina. 

O line-up de amanhã será completamente dedicado aos paraguaios, com destaque para o baterista Totil Morel, de 70 anos, nome fundamental para o rock e a música instrumental do País.

Há cinco décadas na estrada, Morel vai se apresentar, em ritmo de celebração familiar, ao lado de suas duas filhas.

A presença do veterano, nascido fortuitamente em Buenos Aires, assim como de todos os outros hermanos no elenco do evento deste ano, parece consolidar um movimento de aproximação que vem sendo ensaiado já há algum tempo.

“A gente vem percebendo nos últimos três anos que está mais próximo da Argentina e do Paraguai do que de São Paulo e do Rio. E as influências que Mato Grosso do Sul culturalmente sofre desses países são muito grandes. Aqui, é muito comum a polca, o chamamé correntino, da Argentina, mas muito difundido no Paraguai também e aqui em Mato Grosso do Sul, e a guarânia”, afirma Rodrigues.

“Isso tem uma influência muito grande na música sul-mato-grossense. E aí, a gente tem trazido algumas bandas de lá”, diz o produtor, que, entre os nomes, cita o de Willy Succhar, “um grande incentivador da moderna música paraguaia, com o seu selo Kamikase Records. Já gravou, inclusive, músicos sul-mato-grossenses lá com ele. A gente deu uma incrementada grande nisso aí e, neste ano, resolvemos dar um up ainda maior”, completa.

Ainda do Paraguai, a Band’Elaschica, liderada pela baixista Paula Rodriguez, traz 10 mulheres instrumentistas em um trabalho que mistura “o jazz e o popular” desde 2017, e a banda VPL Blues.

Da Argentina, quem faz honras, de um blues bem tradicional, é o guitarrista Rula Cancino, com sua banda Y Los de la esquina.

Se a presença de quem vem do outro lado da fronteira provoca tanto orgulho, os instrumentistas nacionais e locais não deixam de, com perdão do trocadilho, fazer bonito. Por exemplo, quem encerra a maratona, no domingo, é o bluesman Big Gilson. 

Com 35 anos de uma carreira não menos que extraordinária, o guitarrista carioca ouviu o seguinte de B. B. King – sim, ele mesmo, você não está lendo errado –: “Quando eu vejo um jovem tocando blues tão bem assim e tão longe da América, sinto que minha missão nesta vida está cumprida”.

De São Paulo, o virtuose Walter Pinheiro traça de tudo, do ijexá ao funk, passando pelo samba jazz, no saxofone e na flauta. E do Paraná, José Antônio Boldrini, à frente de seu quarteto, apresenta, com o seu baixo acústico, a forte e inventiva ligação que mantém com o jazz – o “denominador comum” da música, em suas próprias palavras – desde que integrou o Sigma Jazz Group, nos anos 1980.

A prata da casa de MS está representada no show de abertura, com o El Trio, que nos últimos cinco anos marcou a cena de Campo Grande com temporadas de fôlego e uma assinatura criativa das mais vigorosas para standards e temas autorais, e o projeto Mato Grosso do Blues, capitaneado pelo guitarrista Luis Ávila. Leia detalhes abaixo e confira, no box, a programação completa. 

Realizado por Instituto Internacional Visão de Vida, La Paloma Eventos e Bolt Produções, o 10° Bonito Blues & Jazz Festival conta com recursos do Fundo de Investimentos Culturais (FIC-MS).

Serviço

10° Bonito Blues & Jazz Festival

Hoje
EL Trio (MS)
Walter Pinheiro Quarteto (SP)
Boldrini Quarteto (PR)

Amanhã
Band’Elaschica (Paraguai)
VPL Blues (Paraguai)
Toti Morel y Família (Paraguai)

Sábado
Rula y Los de La Esquina (Argentina)
Luis Ávila & Friends (MS)
Big Gilson (RJ)

Local: Selina Hotel. Rua Santana do Paraíso, nº 554, Bonito. A partir das 21h. Ingressos pelo Sympla, R$ 40 (uma noite) ou R$ 100 (três noites) por pessoa.

Mato Grosso do Blues

“Esse vai ser como um verdadeiro filho”

“Estou trabalhando no show desde o momento em que confirmei a minha participação. Vai ser, antes de mais nada, uma coisa muito especial. Estou tratando isso com muito carinho, como se fosse um verdadeiro filho. Muita pesquisa musical. É um show que pretende contar algumas páginas da história da música de Mato Grosso do Sul, não apenas do blues”.

É assim que o guitarrista Luis Ávila, radicado em Londres e de volta a Mato Grosso do Sul para apresentar o show tributo Mato Grosso do Blues, define a apresentação em que estará no palco ao lado de Simão Gandhy (guitarra), Luciano de Sá (baixo), Felipe de Castro (teclado) e Zé Fiuza (bateria) para reverenciar MS, quando o Estado faz a sua música aproximar o Rio Paraná do Mississippi.

“Esse nome foi inspirado no projeto Mato Grosso do Som, que aconteceu no [Teatro] Glauce Rocha, com a nata da música sul-mato-grossense da época. Acho que o Almir Sater fez parte, Guilherme Rondon, Celito Espíndola, Geraldo Espíndola, Paulo G, Carlos Colman, João Figa. Esse projeto maravilhoso acabou se tornando um álbum, de vinil ainda, chamado ‘MS do Som’”, divaga Luis Ávila.

“Tem também aquela hashtag Mato Grosso do Céu, quando o pessoal tira foto do nosso pôr do sol, que é o mais bonito do mundo. Então, é um show em que vou mostrar o Mato Grosso do Sul, do Céu, do Som, do Blues”, define o músico.

Ávila afirma que, “tecnicamente”, o show pretende contar a história do blues em MS, “usar principalmente os artistas de blues de MS que fizeram história”, mas também um pouquinho de quanto o blues também tem ingredientes na música de artistas que são sul-mato-grossense, mas não são necessariamente músicos de blues.

O repertório vai ser 70 ou 80% calcado nas obras “de três caras que eu considero os três grandes pioneiros do blues de MS, que são o Zé Pretim, o José Boaventura e o Renato Fernandes, com os Bêbados Habilidosos e a Blues Band”, detalha o guitarrista.

“Pretendo tocar os corações sul-mato-grossenses assim como eu já estou tocado pelo contexto do show”. É com conhecimento de causa que Ávila, uma lenda viva do blues local, apesar de estar longe da aposentadoria, fala sobre os homenageados. Ele é um dos raros músicos da Capital a ter integrado as bandas dos artistas que são objeto do tributo.

“O Zé Pretim foi o primeiro músico que chegou a tocar blues aqui em MS. Ele chegou aqui em 1972, e esses arranjos maravilhosos que a gente conhece, o Zé Pretim já fazia desde aquela época. Foi o primeiro cara que fez blues aqui, o primeiro cara a tocar. Já o primeiro blues gravado em MS é do Geraldo Espíndola, a música chama ‘Deixei Meu Matão’”, conta.

“O Renato é o grande nome, o mais popular entre as pessoas, juntamente com o Zé Pretim, porque teve, além da Blues Band, a Bêbados Habilidosos, a banda que manteve a chama do blues acessa no Estado durante mais de 20 anos. E a banda continua hoje ainda, mesmo após a morte do Renato. Eles decidiram, depois de alguns anos, continuar esse trabalho”, prossegue Ávila.

“E o José Boaventura, que talvez seja um pouco menos conhecido, mas quem é fã de blues no Estado conhece, foi o primeiro artista a lançar um álbum de blues, o primeiro disco inteiro de blues feito em MS.

O nome é ‘Blues e Sonhos no Rio dos Tuiuiús’, em 2002. Só depois, em 2003 ou 2004, o Bêbados lançou o ‘Envelhecido 12 Anos’. E também vai ter surpresas”, garante Luis Ávila.

De Londres para MS, Luis Ávila tem a missão de prestar tributo aos artistas locais que colocaram o Estado no mapa do bluesDe Londres para MS, Luis Ávila tem a missão de prestar tributo aos artistas locais que colocaram o Estado no mapa do blues (Foto: Divulgação)

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Astrologia Correio B+

A energia do Tarô da semana entre 10 e 16 de agosto. A verdadeira segurança nasce da confiança

Com o Quatro de Ouros como regente, aquilo que foi construído com esforço e disciplina encontra agora uma base segura para prosperar. Mas estabilidade não significa apego: tudo está em constante movimento. Desapegue!

09/08/2026 12h00

A energia do Tarô da semana entre 10 e 16 de agosto. A verdadeira segurança nasce da confiança

A energia do Tarô da semana entre 10 e 16 de agosto. A verdadeira segurança nasce da confiança Foto: Divulgação

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Quatro de Ouros: a verdadeira segurança nasce da confiança

O Quatro de Ouros assume a regência da semana e nos convida a refletir sobre um dos maiores desafios da experiência humana: encontrar segurança sem nos tornarmos prisioneiros dela.

Em um período marcado por importantes movimentações astrológicas e pelo Eclipse Solar Total em Leão, essa carta surge como um lembrete de que construir bases sólidas é essencial, mas permanecer agarrado a elas para sempre pode impedir o crescimento.

Pertencente ao naipe de Ouros, ligado ao elemento Terra, o Quatro de Ouros fala sobre tudo aquilo que podemos tocar e construir: dinheiro, trabalho, patrimônio, corpo, estabilidade, valores e recursos. Tradicionalmente, também é associado à energia do Sol em Capricórnio, combinação que reúne a força vital do Sol com a disciplina, a responsabilidade e a necessidade de estrutura características desse signo.

Não por acaso, o número quatro simboliza estabilidade, ordem, fundação e sustentação. Depois do impulso inicial do Ás, da dualidade do Dois e da expansão do Três, o Quatro representa o momento em que aquilo que foi criado encontra forma e consistência.

Entretanto, o Tarô sempre nos lembra que toda virtude, quando levada ao excesso, transforma-se em desequilíbrio. A estabilidade pode tornar-se estagnação. A prudência pode converter-se em medo. O cuidado pode dar lugar ao controle. É justamente nessa fronteira delicada que habita a sabedoria do Quatro de Ouros.

Sua imagem é uma das mais simbólicas dos Arcanos Menores. Nela, vemos uma figura sentada, segurando uma moeda firmemente contra o peito, enquanto outra repousa sobre sua cabeça e duas permanecem sob seus pés. À primeira vista, transmite segurança e prosperidade.

Porém, basta um olhar mais atento para perceber que existe algo de inquietante nessa cena. A moeda junto ao coração revela alguém que teme perder aquilo que conquistou. A moeda sobre a cabeça sugere pensamentos constantemente ocupados pela necessidade de controle.

Já as moedas sob os pés, embora simbolizem estabilidade, também impedem qualquer movimento. A figura permanece imóvel, como se caminhar significasse correr o risco de perder tudo o que possui.

Ao fundo, normalmente aparece uma cidade, lembrando que a vida continua pulsando além daquele pequeno espaço onde a personagem escolheu permanecer. Há oportunidades, pessoas, experiências e novos caminhos esperando para serem explorados. No entanto, o medo de perder o que já foi conquistado pode ser maior do que a curiosidade pelo desconhecido.

Essa talvez seja a grande reflexão proposta por esta carta: em que momento a busca por segurança deixa de nos proteger e passa a nos limitar?

Vivemos em uma cultura que valoriza o planejamento, o controle e a previsibilidade. Economizamos para o futuro, organizamos nossas agendas, protegemos nossos bens, buscamos estabilidade financeira e emocional. Tudo isso é saudável.

O próprio Quatro de Ouros reconhece a importância da responsabilidade e da construção de uma base sólida para a vida. O problema surge quando o medo da perda passa a conduzir todas as nossas decisões. Quando evitamos mudanças apenas porque elas envolvem algum grau de incerteza.

Quando preferimos permanecer em situações conhecidas, ainda que já não nos façam felizes, simplesmente porque representam uma falsa sensação de segurança.

O filósofo Heráclito dizia que "nada é permanente, exceto a mudança". Essa afirmação, feita há mais de dois mil anos, continua extraordinariamente atual. A vida é movimento.

Tudo muda o tempo inteiro: as pessoas, os relacionamentos, as oportunidades, os sonhos e até mesmo quem somos. Resistir a esse fluxo natural costuma gerar muito mais sofrimento do que acolhê-lo com maturidade.

E talvez não exista semana mais apropriada para refletir sobre isso do que esta.

Na segunda-feira (10), Vênus forma um trígono com Plutão, aprofundando vínculos e fortalecendo conexões verdadeiras. Relações construídas sobre confiança tendem a se tornar ainda mais sólidas, enquanto laços sustentados apenas pelo controle ou pela aparência podem revelar fragilidades. É um convite para substituir o medo pela autenticidade.

No dia seguinte, Mercúrio faz oposição a Plutão, intensificando conversas, negociações e revelações. As palavras ganham profundidade e poder de transformação, mas também exigem cuidado. O desejo de convencer o outro, de manter antigas posições ou de controlar o rumo das situações pode gerar conflitos desnecessários.

O Quatro de Ouros nos lembra que nem toda discussão precisa ser vencida. Às vezes, abrir espaço para ouvir é muito mais transformador do que insistir em ter razão.

Também na terça-feira (11), Marte ingressa em Câncer, tornando nossas atitudes mais conectadas às emoções, aos afetos e ao desejo de proteção. A coragem deixa de se manifestar apenas pela ação objetiva e passa a exigir inteligência emocional. Será importante agir com sensibilidade sem permitir que o medo dite nossas escolhas.

A quarta-feira (12) concentra aspectos extremamente favoráveis à criatividade e à inovação. Mercúrio estabelece um sextil com Urano e um trígono com Netuno, ampliando a capacidade de enxergar novas possibilidades, conectar ideias e confiar na própria intuição.

Vênus também forma um trígono com Urano, favorecendo encontros inesperados, oportunidades profissionais, novas parcerias e mudanças positivas nos relacionamentos.

Mas o grande acontecimento da semana é, sem dúvida, o Eclipse Solar Total em Leão.

Todo eclipse solar ocorre durante uma Lua Nova e marca o início de um novo ciclo. Em Leão, signo associado à criatividade, à identidade, ao brilho pessoal e à coragem de ocupar o próprio lugar no mundo, esse eclipse representa um poderoso chamado para vivermos de maneira mais autêntica.

Ele ilumina aquilo que precisa nascer e, ao mesmo tempo, evidencia tudo o que já não faz sentido carregar.

Um eclipse solar total em Leão coloca em evidência temas como autoestima, expressão pessoal, reconhecimento do próprio valor e coragem para assumir quem somos e nos posicionarmos no mundo com mais verdade.

É um convite para deixar de buscar validação externa e permitir que a nossa própria luz seja a referência para os caminhos que escolhemos seguir.

É justamente aqui que o Quatro de Ouros dialoga de maneira magistral com o céu da semana.

Enquanto o eclipse pergunta quem estamos nos tornando, o Quatro de Ouros pergunta o que ainda insistimos em segurar.

Talvez sejam antigas crenças sobre nós mesmos. Talvez um trabalho que deixou de nos realizar. Um relacionamento mantido apenas pelo medo da solidão.

Um projeto que já cumpriu sua função. Ou simplesmente a necessidade de controlar cada detalhe da vida para evitar qualquer possibilidade de sofrimento.

No entanto, nenhuma transformação acontece quando permanecemos agarrados ao passado.

Como escreveu Lao Tsé: "Quando deixo de ser o que sou, torno-me aquilo que posso ser." Essa frase sintetiza perfeitamente a mensagem desta semana. Crescer exige desapego. Evoluir exige confiança. Nenhum novo ciclo encontra espaço onde tudo permanece rigidamente ocupado pelo antigo.

Nos relacionamentos, o Quatro de Ouros costuma representar vínculos sólidos e comprometidos, nos quais existe desejo de construir uma história em comum. Contudo, também alerta para o risco da possessividade, do excesso de proteção e da dificuldade de expressar vulnerabilidade.

O amor floresce quando há confiança. Quando o medo da perda se torna maior do que a liberdade de amar, o relacionamento pode transformar-se em uma fortaleza segura, porém sem ar para respirar.

Antoine de Saint-Exupéry escreveu, em O Pequeno Príncipe, que "amar não é olhar um para o outro; é olhar juntos na mesma direção". Talvez seja exatamente essa a diferença entre proteger um relacionamento e tentar controlá-lo. O verdadeiro amor não aprisiona; ele fortalece.

Na vida profissional e financeira, o Quatro de Ouros favorece planejamento, disciplina e responsabilidade. É uma excelente semana para organizar contas, rever investimentos, fortalecer reservas financeiras e agir com prudência. Entretanto, a carta também alerta para o perigo do excesso de cautela.

Empresas que nunca inovam acabam ficando para trás. Profissionais que recusam todos os desafios deixam de crescer. Pessoas que vivem exclusivamente para acumular recursos podem descobrir, tarde demais, que deixaram escapar experiências valiosas por medo de arriscar.

Espiritualmente, talvez esta seja uma das cartas mais profundas do naipe de Ouros. Ela nos lembra que a verdadeira segurança nunca poderá ser encontrada apenas nas circunstâncias externas. Nenhum patrimônio, cargo ou relacionamento é capaz de eliminar completamente as incertezas da existência.

A paz nasce quando compreendemos que somos maiores do que aquilo que possuímos. O desapego não significa abrir mão de tudo, mas desenvolver a confiança de que continuaremos inteiros mesmo quando a vida nos convidar a mudar.

Existe uma antiga frase atribuída a Buda que resume esse ensinamento: "O apego é a origem do sofrimento." Independentemente da autoria exata, sua mensagem permanece atual.

Quanto mais tentamos controlar aquilo que, por natureza, é transitório, maior tende a ser nossa ansiedade. Em contrapartida, quando aprendemos a confiar no fluxo da vida, descobrimos uma forma muito mais profunda de estabilidade: aquela que nasce de dentro.

O Quatro de Ouros não nos convida a abandonar a prudência nem a desprezar tudo o que construímos. Pelo contrário. Ele nos ensina a valorizar nossas conquistas, honrar nossos recursos e reconhecer a importância de criar bases sólidas para o futuro. Mas também nos lembra que mãos fechadas não conseguem receber nada novo.

Talvez essa seja a maior mensagem desta semana. O Eclipse Solar em Leão abre um portal para um novo ciclo de autenticidade, criatividade e expansão.

O Quatro de Ouros pergunta se estamos realmente dispostos a criar espaço para esse novo capítulo ou se continuaremos protegendo, com todas as forças, uma versão de nós mesmos que já não corresponde à nossa verdade.

Que possamos preservar aquilo que realmente tem valor, sem transformar segurança em prisão. Que saibamos construir sem endurecer, proteger sem controlar e planejar sem impedir que a vida nos surpreenda.

Afinal, a verdadeira riqueza não está apenas naquilo que conseguimos guardar, mas também na coragem de confiar que sempre seremos capazes de reconstruir quando um novo caminho se abrir diante de nós.

Às vezes, tudo o que precisamos é parar de lutar contra o que nos prende e simplesmente deixar ir. Não há motivo para temer o caminho: confie na sua força, reúna a determinação necessária e siga em frente com disciplina e vontade.

Uma ótima semana e muita luz,

Ana Cristina Paixão

Cinema Correio B+ - Especial Dia dos pais

Ted Lasso mostra que ser pai também é saber voltar

Entre o trauma herdado e o amor por Henry, a paternidade sempre foi o coração da série

09/08/2026 10h00

Ted Lasso mostra que ser pai também é saber voltar

Ted Lasso mostra que ser pai também é saber voltar Foto: Divulgação

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À primeira vista, Ted Lasso é uma série sobre futebol. Depois de alguns episódios, entendemos que o esporte é apenas o campo escolhido para falar sobre saúde mental, amizade, liderança, masculinidade e tudo o que acontece quando pessoas feridas tentam ajudar umas às outras.

Mas, olhando para a trajetória de Ted desde o início, talvez exista uma história ainda mais central: a de um homem tentando aprender a ser pai sem repetir a dor que recebeu do próprio pai.

Até aqui, mais do que futebol, Ted Lasso apresentou diferentes maneiras de ser pai e de carregar aquilo que recebemos deles. Jamie Tartt cresceu sob a violência e a humilhação de um pai abusivo. Rebecca precisou elaborar a relação com um pai mulherengo e emocionalmente ausente.

Nate passou boa parte da vida tentando conquistar o reconhecimento de um pai exigente, silencioso e incapaz de demonstrar orgulho pelo filho, uma falta que alimentou sua insegurança e o levou pelo arco mais doloroso da série. Sam Obisanya encontrou em Ola um pai carinhoso, presente e capaz de orientá-lo sem controlar suas escolhas.

Higgins, muitas vezes relegado ao papel cômico, é também um dos pais mais afetuosos e estáveis da história. Roy Kent tornou-se uma espécie de tio-pai para Phoebe, criada pela irmã solteira, oferecendo à sobrinha a presença, a proteção e a escuta que ele próprio nem sempre sabe demonstrar aos adultos.

E, no centro de tudo, está Ted: filho de um homem que morreu cedo demais e pai de um menino de quem teme estar igualmente ausente.

Ted é apresentado como alguém incansavelmente disposto a acolher. Ele escuta, observa, perdoa e encontra uma palavra de incentivo até para quem o despreza. Sua positividade parecia, no início, quase uma característica natural, como se ele simplesmente tivesse nascido mais generoso, paciente e otimista do que o restante de nós. Mas, quando conhecemos sua história com o próprio pai, entendemos que aquela luz também escondia uma ferida.

A série revelaria depois que aquela luz também escondia uma ferida. Quando Ted tinha 16 anos, seu pai morreu por suicídio. O segredo aparece na segunda temporada, durante o processo terapêutico com a dra. Sharon, e muda nossa percepção sobre tudo o que havíamos visto antes.

Ted Lasso mostra que ser pai também é saber voltarTed Lasso mostra que ser pai também é saber voltar - Divulgação

Ted não tenta salvar as pessoas apenas porque é bondoso. Ele aprendeu muito cedo o que acontece quando alguém sofre em silêncio e ninguém consegue alcançá-lo a tempo.

Sua dedicação aos outros nasce, em parte, de uma promessa íntima: nunca permitir que alguém próximo se sinta tão sozinho quanto seu pai provavelmente se sentiu.

Há beleza nisso, mas também uma armadilha. Ted se torna tão competente em cuidar dos problemas alheios que demora a reconhecer os próprios.

Ajuda atletas, colegas e até adversários, enquanto atravessa ataques de pânico, o fim do casamento e a distância do filho com um sorriso que nem sempre corresponde ao que sente.

Por isso, não diria que Ted é um pai exemplar porque nunca falha. Durante boa parte da série, ele vive em outro continente e sabe o quanto sua ausência custa a Henry.

Sua grande qualidade como pai está justamente em não fingir que essa distância não importa. Ele tenta escutar o filho, percebe sua tristeza e, finalmente, aceita que o sucesso profissional já não compensa tudo o que está perdendo.

No fim da terceira temporada, Ted está no auge. Conquistou o respeito da torcida, transformou o AFC Richmond e construiu na Inglaterra uma família afetiva que o ama profundamente. Ainda assim, escolhe ir embora. Não porque tenha fracassado, mas porque compreende que nenhuma vitória devolveria os anos que deixasse de viver ao lado de Henry.

A última imagem daquela fase não mostra Ted levantando uma taça. Mostra-o à beira do campo, treinando o time do filho no Kansas. A escolha de voltar encerrou a temporada que parecia ser a última e reafirmou que, para ele, o maior sucesso nunca esteve realmente no futebol.

A quarta temporada, porém, apresenta um desafio ainda mais interessante. Ted está novamente perto de Henry, trabalhando longe do futebol e tentando ajudá-lo a se tornar a melhor versão de si mesmo.

Quando recebe o convite para voltar ao Richmond e treinar a nova equipe feminina, sua primeira reação é hesitar. Ele teme que aceitar signifique repetir a ausência que tentou corrigir.

É sua mãe, Dottie, quem oferece uma perspectiva diferente: também é importante para um menino ver o pai fazer algo que ama. A frase desloca toda a questão. Ser um bom pai não deveria exigir que Ted desaparecesse como indivíduo, abandonasse sua vocação ou transformasse a presença em sacrifício permanente.

O novo caminho será construído com Henry, e não longe dele. Ao final do primeiro episódio, Ted considera a mudança para Londres com o filho e Michelle, integrando família e trabalho de uma maneira que antes parecia impossível.

Ted Lasso mostra que ser pai também é saber voltarTed Lasso mostra que ser pai também é saber voltar - Divulgação

Talvez seja esse o passo mais difícil para alguém que cresceu marcado pela perda do pai. Ted passou a vida acreditando que amar significava permanecer disponível para salvar os outros.

Primeiro, precisou aprender que não conseguiria salvar todo mundo. Depois, que deveria estar presente para o filho. Agora, começa a descorir que estar presente não significa deixar de viver.

A paternidade de Ted não é construída pela autoridade. Ele não precisa ser o homem que possui todas as respostas, esconde a tristeza ou vence qualquer dificuldade sozinho. Ao contrário, sua maior força aparece quando admite medo, procura ajuda, pede desculpas e muda de direção.

Ele também oferece a Henry algo que o próprio pai não conseguiu lhe deixar: a possibilidade de falar sobre a dor antes que ela se transforme em silêncio.

Neste Dia dos Pais, talvez por isso Ted Lasso seja uma figura tão comovente. Não porque represente um modelo perfeito, mas porque mostra que a paternidade também pode ser uma reparação.

Ted não pode mudar o que aconteceu com seu pai, nem apagar o impacto daquela perda. Pode, porém, interromper a repetição. Pode voltar. Pode ficar. E, desta vez, pode levar o filho com ele.

Feliz Dia dos Pais!

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