Correio B

Nova oportunidade

Interessados em barracas da festa de Santo Antônio terão apenas duas horas para fazer inscrição

Inscrições devem ser feitas entre às 9h e 11h desta sexta-feira, no Fundo de Apoio à Comunidade

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Após baixa adesão, a Prefeitura Municipal de Campo Grande, republicou o edital de credenciamento das barracas para o 20º Arraial de Santo Antônio de Campo Grande. 

A publicação foi realizada em edição extra do diário oficial municipal de ontem (1º) e destina-se a entidades sem fins lucrativos. 

A festa acontece entre 10 e 13 de junho, na Praça do Rádio, com entrada franca. 

Após a atualização, a escolha dos inscritos será feita amanhã (3) de junho, e não mais hoje (2) às 14h, como previa o edital anterior, divulgado no último dia (27).

A sessão pública para a divulgação das organizações sociais habilitadas, bem como da ordem de classificação das mesmas, antecederá o sorteio, realizado dia 06 de maio de 2022, às 16h, no Auditório do Instituto Mirim de Campo Grande.

Com as mudanças, conforme o edital, os interessados deverão realizar as inscrições “exclusivamente no dia 03 de junho de 2022, das 9h às 11h" presencialmente, nas dependências do  Fundo de Apoio à Comunidade (FAC), localizado na Avenida Fábio Zahran, 6.000.

As exigências de regularização junto ao Conselho Municipal de Assistência Social (Cmas), não são mais obrigatórias. Ao todo 28 entidades poderão ser contempladas este ano, e não 20, como divulgado anteriormente, além de cinco suplentes, para as categorias - alimentos, bebidas ou artesanatos serão contemplados. 

A abertura das inscrições e análise dos documentos serão realizadas internamente pela Comissão Especial, no dia 03 de junho, às 14h, com  sorteio e o resultado dos selecionados divulgado no próximo dia 6 de junho, às 16h, além de publicação extra do Diário Oficial do Município.

Após o sorteio, a Comissão de Seleção do evento analisará a regularidade da inscrição e dos documentos que comprovem o cumprimento de todas as exigências contidas no edital de ontem (1º). 

A definição dos pontos fixos será feita em conformidade com o projeto arquitetônico da Praça do Rádio e também será decidida por sorteio.

 

Documentação

Deverão ser anexados no formulário de inscrição os seguintes documentos, por meio de cópia autenticada, sob pena de inabilitação. 

  • Cópia do CNPJ da entidade; 
  • Cópia do Estatuto Social devidamente registrado em cartório e alterações posteriores, caso existam, também registradas em cartório ou contrato social devidamente registrado, em conformidade com as exigências previstas no art. 33 da Lei Federal nº 13.019, de 2014;
  • Cópia da ata de eleição dos dirigentes e/ou instrumento comprobatório de representação legal, conforme o caso
  • Cópia do RG do representante legal da entidade 
  • Cópia do CPF do representante legal da entidade; 
  • Comprovante de residência do representante legal da entidade.

De acordo com o edital, “a não apresentação de um documento, ou a apresentação parcial do mesmo, ou ainda a utilização de documento ilegível, gerará a inabilitação da Organização Social”.  Não serão aceitas apresentações posteriores e/ou complementações de documentos, os quais devem vir integralmente no ato da inscrição.

As barracas serão cedidas por meio da assinatura do Termo de Compromisso com os credenciados para realização das atividades de comércio de alimentos, bebidas e artesanatos nos dias e horários do período junino, de 10 a 13 de junho de 2022, das 18h à 00h. 

A destinação da receita será exclusivamente da organizações participantes.

Havendo menos credenciados que o número de vagas disponíveis, poderão os habilitados, no momento do sorteio, registrarem interesse em acumular a comercialização de mais de um produto (artesanato e/ou alimento/bebida). 

Conforme o edital, após o registro, os interessados em comercializarem mais de um produto deverão se manifestarem. 

"A ausência do habilitado para participar do sorteio no horário previsto não interfere no prosseguimento deste Edital", pontua o documento.

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Gastronomia Correio B+

Entre o arroz com feijão: o que o prato do brasileiro revela sobre sua rotina?

No Mês Mundial da Alimentação, nutricionista analisa como rotina e tradição influenciam as refeições

01/11/2026 09h00

Entre o arroz com feijão: o que o prato do brasileiro revela sobre sua rotina?

Entre o arroz com feijão: o que o prato do brasileiro revela sobre sua rotina?

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Diante de um bufê, cada pessoa faz um caminho. Há quem procure primeiro o feijão, quem escolha a carne antes dos acompanhamentos, quem priorize a salada e quem repita a combinação de sempre sem olhar as outras opções.

Essas decisões começam muito antes da chegada ao restaurante, pois englobam fatores como o que se aprendeu a comer em casa, o orçamento, o tempo disponível para almoçar e as preferências construídas ao longo da vida.

Por isso, entender os hábitos alimentares exige olhar também para as circunstâncias em que a comida chega ao prato. Esse é o ponto de partida de Jéssica Benazzi, nutricionista do Divino Fogão, para a reflexão proposta pelo Mês Mundial da Alimentação, celebrado em outubro.

“Antes de orientar uma mudança, é importante entender como aquela pessoa se alimenta e o que ela consegue manter no cotidiano. Quem tem pouco tempo para almoçar enfrenta uma situação diferente de quem consegue cozinhar todos os dias. As orientações precisam considerar essas condições”, explica.

O próprio almoço oferece pistas. A ausência frequente de verduras e legumes pode indicar pouca variedade nas escolhas, mas também dificuldade de preparo ou pouca familiaridade com esses ingredientes.

Já repetir uma receita conhecida nem sempre representa um problema, já que preparações tradicionais podem fazer parte de uma alimentação equilibrada. O que conta é como elas se combinam e o espaço que outros alimentos encontram ao longo da semana.

É nesse contexto que o tradicional arroz com feijão merece ser valorizado. A dupla faz parte do repertório culinário brasileiro e pode dividir o prato com legumes, verduras, carnes, ovos e diferentes acompanhamentos. Para a nutricionista, melhorar a alimentação não exige trocar essa base por produtos caros ou ingredientes distantes dos costumes da família.

“Às vezes, a pessoa acredita que precisa mudar tudo e deixa de perceber ajustes possíveis no almoço de sempre. Incluir uma verdura que costuma deixar de lado ou experimentar um legume preparado de outra maneira já amplia as possibilidades”, comenta.

Escolher os alimentos conforme aparecem pode fazer com que os primeiros acompanhamentos ocupem quase todo o prato. Observar o conjunto ajuda a decidir o que se deseja comer e a abrir espaço para opções que, por costume, acabam esquecidas.

Há, ainda, uma parte do hábito alimentar que não aparece na comida, ou seja, a atenção dedicada à refeição. O almoço feito entre mensagens e demandas de trabalho pode terminar sem que a pessoa tenha percebido direito os sabores ou a própria saciedade.

O Guia Alimentar para a População Brasileira, do Ministério da Saúde, inclui o modo de comer entre os cuidados com a alimentação e recomenda refeições com regularidade, atenção e em ambientes apropriados. Reservar uma pausa possível, deixar o celular de lado por alguns minutos e evitar resolver pendências enquanto se come são ajustes que podem começar antes mesmo de qualquer mudança no cardápio.

Também vale observar a semana inteira, em vez de julgar a alimentação por um único almoço. Uma refeição diferente em uma comemoração não define a rotina, assim como uma escolha pontual não resolve hábitos mantidos por muito tempo.

“O melhor ponto de partida é reconhecer uma dificuldade e pensar em como resolvê-la. Se os legumes nunca entram no prato, o que ajudaria a incluí-los? Se o almoço é sempre apressado, existe alguma forma de proteger esse intervalo? São perguntas simples, mas que tornam o cuidado com a alimentação mais concreto”, finaliza a nutricionista.

Cinema Correio B+ - Especial

O Que é o Amor? Como anular um casamento sem apagar uma história?

Com Laure Calamy, premiada em Alpe d'Huez, comédia francesa transforma uma separação numa reflexão sobre memória, amadurecimento e os novos formatos de família.

01/11/2026 08h00

Com Laure Calamy, premiada em Alpe d'Huez, comédia francesa transforma uma separação numa reflexão sobre memória, amadurecimento e os novos formatos de família.

Com Laure Calamy, premiada em Alpe d'Huez, comédia francesa transforma uma separação numa reflexão sobre memória, amadurecimento e os novos formatos de família. Foto: Divulgação

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Não são muitos os casos de anulação de casamento na Igreja Católica que chegam ao conhecimento público, embora o procedimento exista e seja muito mais complexo do que geralmente imaginamos.

Conheço um caso de perto e posso garantir que o processo está longe de ser tão divertido quanto aquele que acompanhamos em O Que é o Amor? (C’est quoi l’amour?), deliciosa comédia de Fabien Gorgeart que integra a programação do Festival de Cinema Francês do Brasil.

Talvez justamente por conhecer um pouco dessa realidade tenha admirado ainda mais a proposta do diretor, que usa uma situação burocrática, delicada e potencialmente dolorosa para construir um filme sobre amor, separação, nostalgia, compromisso, amadurecimento e, sobretudo, sobre o significado de família nos dias atuais.

A premissa é irresistível. Fred (Vincent Macaigne) quer se casar na Igreja com sua nova companheira, Chloé (Mélanie Thierry), mas para isso precisa obter a declaração de nulidade de seu primeiro casamento, com Marguerite (Laure Calamy).

Separados há anos, os dois construíram novas relações e parecem ter encontrado uma convivência bastante civilizada. Marguerite, que também refez sua vida ao lado de Sofiane (Lyes Salem), não vê motivo para impedir que o ex-marido siga em frente. Afinal, o casamento terminou, ambos estão felizes com outras pessoas e as filhas já se acostumaram à realidade de uma família recomposta.

O problema é que a Igreja Católica não considera o divórcio suficiente para permitir um novo casamento religioso. Para obter a declaração de nulidade, é necessário demonstrar que aquela união, por razões específicas, não foi válida desde sua origem.

E é justamente aí que Gorgeart encontra a contradição que sustenta sua comédia: para que Fred possa começar uma nova etapa da vida, ele e Marguerite precisam revisitar o passado e questionar a validade de um casamento que, independentemente de seu fim, produziu uma família, construiu lembranças e marcou profundamente suas vidas.

O que deveria ser uma formalidade acaba levando todos a Roma, numa viagem em que ex-cônjuges, novos companheiros e filhos precisam conviver com situações que revelam muito mais do que pretendiam.

O roteiro poderia facilmente transformar essa reunião numa sucessão de confusões previsíveis, mas prefere observar as particularidades de uma família que já aprendeu a viver de outra maneira e que, inesperadamente, precisa confrontar sentimentos que julgava resolvidos.

Com Laure Calamy, premiada em Alpe dO Que é o Amor? Como anular um casamento sem apagar uma história? - Divulgação

Fabien Gorgeart pesquisou o funcionamento dos processos de nulidade matrimonial para escrever a história, conversando com religiosos e profissionais envolvidos nesses procedimentos.

A partir de uma realidade que está longe de ser simples, construiu uma comédia que encontra humor no contraste entre as definições institucionais do casamento e a complexidade das relações humanas. O diretor não precisa ridicularizar a Igreja para demonstrar o quanto pode ser difícil enquadrar sentimentos, escolhas e experiências nas exigências de um processo formal.

Mas o que faz O Que é o Amor? ultrapassar a condição de uma boa comédia de situações é a maneira como observa seus personagens, especialmente Marguerite.

Laure Calamy, que conquistou reconhecimento internacional com a série Dix pour cent (Dez por Cento), volta a demonstrar seu enorme talento para criar personagens que transitam entre o humor e a vulnerabilidade sem perder a naturalidade.

Sua Marguerite é uma mulher que lida com as filhas adolescentes, administra os desafios de uma família recomposta e mantém uma relação aparentemente tranquila com o ex-marido.

Ela não ama mais Fred como companheiro, não deseja reconstruir o casamento e tampouco parece alimentar ilusões românticas sobre o passado. Mas isso não significa que tudo o que viveram tenha deixado de existir.

E talvez esteja justamente aí a dimensão mais delicada do filme.

Ao revisitar o casamento para atender às exigências do processo, Marguerite reencontra lembranças que estavam guardadas, algumas delas tão distantes que ela própria parecia ter esquecido o quanto foram especiais.

Não se trata necessariamente de saudade do homem com quem se casou, mas da história que construíram, da mulher que ela era naquele momento e de experiências que, mesmo depois da separação, continuam fazendo parte de sua identidade.

Como anular a memória? Como declarar que um casamento nunca existiu validamente sem apagar, pelo menos simbolicamente, os sentimentos, as escolhas e os acontecimentos que nasceram daquela união? E, sobretudo, como ressignificar lembranças sem precisar negá-las?

Com Laure Calamy, premiada em Alpe dO Que é o Amor? Como anular um casamento sem apagar uma história? - Divulgação

São perguntas que ultrapassam a particularidade do processo religioso. Quando uma relação termina, é comum que o passado seja reorganizado a partir da dor, do desencanto ou das razões que levaram à separação.

O casamento que um dia pareceu feliz pode passar a ser lembrado apenas pelos conflitos que o encerraram, como se reconhecer os bons momentos significasse questionar a decisão de seguir em frente.

Mas amadurecer também pode significar aceitar que uma história tenha sido importante mesmo sem ter durado para sempre. Que um relacionamento possa ter produzido felicidade, cumplicidade e afeto, ainda que tenha terminado. E que lembrar com ternura não representa necessariamente o desejo de voltar.

Essa é uma das qualidades mais bonitas da personagem de Laure Calamy. Marguerite não precisa escolher entre amar sua vida atual e reconhecer o valor daquela que deixou para trás.

A experiência compartilhada com Fred não desaparece porque ambos escolheram novos parceiros, assim como a existência das filhas torna impossível tratar aquele casamento como um episódio sem consequências.

O relacionamento terminou, mas a família que nasceu dele continua existindo, ainda que em outra configuração.

E os novos companheiros também fazem parte dessa história. Gorgeart evita apresentar uma família recomposta como uma solução perfeita ou como um território permanentemente marcado por rivalidades.

O filme reconhece que existem ciúmes, inseguranças, expectativas e dificuldades de convivência, mas também mostra que os vínculos podem ser reorganizados sem que todos precisem ocupar posições de adversários.

Há algo bastante contemporâneo nessa maneira de olhar para a família. Durante muito tempo, fomos ensinados a pensar no casamento como uma promessa de permanência e na separação como o fracasso dessa promessa.

Hoje, embora as relações continuem cercadas de expectativas, existe uma compreensão maior de que o fim da vida conjugal não precisa representar a destruição de todos os vínculos construídos durante ela.

Isso não significa que seja fácil. Tampouco que todas as separações permitam uma convivência harmoniosa. Mas existe uma diferença entre reconhecer que o amor romântico acabou e concluir que tudo aquilo que foi vivido perdeu seu significado.

Vincent Macaigne, com sua habilidade particular para interpretar homens que parecem permanentemente desconcertados pelas próprias escolhas, oferece um excelente contraponto à energia de Calamy. Fred quer resolver uma questão prática para seguir adiante, mas acaba provocando uma revisão emocional que não havia previsto.

Com Laure Calamy, premiada em Alpe dO Que é o Amor? Como anular um casamento sem apagar uma história? - Divulgação

Laure, por sua vez, dá a Marguerite uma complexidade que explica por que sua atuação foi premiada no Festival Internacional de Cinema de Comédia de Alpe d’Huez, onde o longa também conquistou o Grande Prêmio.

A graça do filme está nas situações que surgem desse encontro improvável entre passado e presente, mas sua força está na recusa de transformar os personagens em caricaturas.

Não há necessidade de estabelecer culpados ou inocentes, nem de determinar quem amou mais ou quem errou primeiro. Existe, sobretudo, a percepção de que as relações humanas raramente cabem em definições absolutas.

E é curioso pensar que tudo começa com a necessidade de declarar nulo um casamento. Porque, embora a nulidade religiosa tenha um significado jurídico e canônico específico, o filme brinca com a ideia de que seria possível submeter uma história de amor a uma espécie de revisão definitiva, como se sentimentos, experiências e memórias pudessem ser reorganizados de acordo com uma decisão formal.

Não podem. E talvez nem devam.

O Que é o Amor? é uma comédia sobre recomeços, mas também sobre aquilo que permanece. Sobre aceitar que as pessoas mudam, que os relacionamentos se transformam e que crescer significa, muitas vezes, abandonar a necessidade de dividir o passado entre aquilo que deu certo e aquilo que fracassou.

Integrante do 17º Festival de Cinema Francês do Brasil, realizado de 29 de outubro a 11 de novembro de 2026 em mais de 50 cidades, o longa chega ao público brasileiro depois de conquistar o Grande Prêmio e o prêmio de Melhor Atriz para Laure Calamy no Festival de Alpe d’Huez.

É um daqueles filmes que nos fazem rir de situações improváveis enquanto nos convidam a reconhecer sentimentos bastante familiares.

Talvez a pergunta do título não tenha uma única resposta. O amor pode acabar, mudar de forma, sobreviver como amizade, compromisso ou memória. E talvez amadurecer seja compreender que não precisamos apagar uma história para começar outra.

Porque podemos anular um casamento. Mas não podemos, nem precisamos, anular tudo aquilo que vivemos.

O que mudou no texto: a experiência próxima com uma anulação real dá credibilidade à abertura, enquanto a descoberta de Marguerite sobre suas próprias lembranças se torna o centro emocional da crítica.

O filme deixa de ser apenas uma história sobre ex-cônjuges civilizados e passa a discutir algo mais profundo: a possibilidade de reconhecer a beleza de uma relação que terminou sem desejar retomá-la.

E acho especialmente importante preservar a pergunta “Como ressignificar lembranças sem precisar negá-las?”. Ela sintetiza muito bem a maturidade afetiva que você identificou no filme.

O que é o Amor? integra a programação do 17º Festival de Cinema Francês do Brasil, realizado de 29 de outubro a 11 de novembro, em mais de 50 cidades brasileiras. A programação e os horários variam de acordo com cada cinema.

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