Cidades

DECISÃO JUDICIAL

Acusados de matar Wesner
em lava a jato escapam de júri popular

Juiz declarou que eles não tiveram a intenção de matar o adolescente

MARESSA MENDONÇA

20/05/2018 - 18h44
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Thiago Giovanni Demarco Sena e Willian Enrique Larrea, acusados de terem matado o adolescente Wesner Moreira da Silva após uma agressão em um lava a jato em Campo Grande, não vão mais responder por homicídio doloso e também não vão a júri popular. A decisão, assinada no dia 17 de maio, é do juiz Carlos Alberto Garcete de Almeida, da 1ª Vara do Tribunal do Júri.

Segundo o magistrado, para que os acusados sejam levados a júri popular é preciso que fique comprovado o crime doloso. Em se tratando de homicídio, segundo ele, as principais características são a consciência e a vontade de matar.

Na denúncia inicial, o Ministério Público informou que os acusados agiram com dolo eventual. Isto é, eles sabiam dos riscos, ou seja, “do potencial ofensivo de uma mangueira de ar” e negligenciaram a probabilidade  de algo ruim acontecer.

Para o juiz, “a conduta dos acusados é incompatível como dolo eventual”. Segundo ele, com base nos interrogatórios e depoimentos dos familiares ficou comprovado que, a vítima e os acusados eram amigos. Além disso, “as brincadeiras com a mangueira de ar, no lava-jato, infelizmente eram comuns entre eles”.

Ainda segundo o magistrado, uma testemunha disse, em depoimento, que o próprio Wesner teria usado a mangueira de ar contra Willian naquele dia.

Outros depoimentos usados pelo juiz para justificar a decisão estão relacionados ao momento do socorro. Conforme os relatos,  pessoas que estavam no posto de saúde para onde Wesner foi levado disseram que os acusados chegaram ao local "desesperados" e preocupados com a situação dele e ainda disseram para o médico. "Pelo amor de Deus, socorre ele. Salva ele".

A própria teria dito em depoimento que os acusados disseram “Calma,calma...Não vai acontecer nada com você.Tudo vai ficar bem,calma”.

O juiz comenta também sobre as controvérsias em relação ao posicionamento da mangueira. Enquanto os acusados e algumas testemunhas dizem que foi colocada por cima da roupa, outras informam terem ouvido Wesner dizer que a mangueira foi introduzida nele. No hospital, Wesner também teria dito que foi por cima da roupa.

O laudo pericial aponta, com base nas lesões, que o contato foi íntimo, mas não é possível confirmar que a mangueira foi introduzida em Wesner.

O juiz finaliza a decisão pontuando sua experiência com o Tribunal do Júri e reafirma que, neste caso, as acusações não são suficientes para que os acusados sejam levados a júri popular. Ele sustenta que Thiago Giovanni Demarco Sena e Willian Enrique Larrea respondam por outro crime que não seja doloso.

PONTA PORÃ

Homem é preso após apresentar documentos falsos para cursar medicina no Paraguai

O material consistia em certificado de conclusão e histórico escolar, que seriam utilizados para ingresso no curso

23/05/2026 11h00

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Nesta sexta-feira (22), um homem foi preso após tentar falsificar documentos para realizar apostilamento em um cartório, em Ponta Porã. Funcionários do local acionaram a Polícia Civil após perceberem o delito.

O material consistia em certificado de conclusão e histórico escolar, que seriam utilizados para ingresso em curso de medicina no Paraguai. O documento foi apresentado em nome do suspeito, que não foi divulgado.

Durante a análise, foram identificadas divergências em nomes e inconsistências nos selos utilizados. Após consultas junto ao Tribunal de Justiça de Goiás e à instituição de ensino mencionada na documentação, foi constatado que o selo eletrônico estava vinculado a outra pessoa e que não havia qualquer registro em nome do investigado.

A instituição informou ainda que nunca ofertou ensino na modalidade Educação de Jovens e Adultos (EJA) e que funciona em regime integral desde 2017.

Também foram identificados indícios de falsificação nos selos atribuídos ao cartório e à Secretaria de Educação de Goiás.

O caso é investigado pela 1ª Delegacia de Polícia Civil de Ponta Porã.

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HABEAS CORPUS

Justiça concede liberdade a cardiologista suspeito de feminicídio

O médico João Jazbik Neto foi apontado como principal suspeito da morte de sua esposa, a fisioterapeuta Fabíola Marcotti, após divergência nas narrativas

23/05/2026 10h30

Imóvel na Chácara dos Poderes onde a fisioterapeuta foi encontrada morta a tiros

Imóvel na Chácara dos Poderes onde a fisioterapeuta foi encontrada morta a tiros Foto: Gerson Oliveira/Correio do Estado

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O médico cardiologista João Jazbik Neto, de 78 anos, teve sua liberdade concedida pela Justiça de Campo Grande após a defesa dar entrada no habeas corpus.

Na última segunda-feira (18), o médico teria encontrado o corpo de sua mulher, a fisioterapeuta Fabíola Marcotti, em uma propriedade rural na Chácara dos Poderes, na Capital sul-mato-grossense, acionando a Polícia Civil logo em seguida. Para que prestasse esclarecimento, o cardiologista foi detido e, desde então, estava preso.

Durante audiência de custódia realizada na manhã desta quarta-feira (20), o juiz converteu a prisão em flagrante do médico em prisão preventiva.

A decisão ocorreu enquanto a Polícia Civil aprofundava as investigações sobre as circunstâncias da morte de Fabíola. Embora o caso tenha sido inicialmente tratado como possível suicídio, divergências identificadas nos depoimentos e elementos encontrados pela perícia levaram à abertura de um inquérito complementar para apurar eventual feminicídio.

Segundo a investigação, foi o próprio médico quem acionou a Polícia Civil informando ter encontrado a esposa já sem vida dentro da propriedade onde o casal morava. No entanto, durante as oitivas, policiais identificaram inconsistências entre a versão apresentada por Jazbik Neto e os relatos de outras testemunhas que estavam no local.

Além disso, conforme já havia informado o delegado da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), Leandro Santiago, a lesão encontrada na cabeça da vítima não seria compatível, preliminarmente, com a dinâmica narrada pelo médico.

As investigações também apontaram que, após a morte da fisioterapeuta, o cardiologista teria determinado que um caseiro e um ex-funcionário removessem um armário contendo armas e munições para outro imóvel dentro da chácara. A conduta foi enquadrada como fraude processual, levando à prisão em flagrante dos envolvidos.

Agora, cerca de cinco depois do caso, nesta sexta-feira, o responsável pela defesa de Jazbik Neto, o advogado José Belga Assis Trad, confirmou que o médico será liberado em breve, após ter sido concedida sua liberdade. "Confirmo que foi concedido o Habeas Corpus. Ele está sendo colocado em liberdade", disse.

Um dia após o caso vir à tona, José Trad divulgou uma nota em sua rede social, a qual afirma que o cardiologista foi autuado em flagrante pelos crimes de posse irregular de arma de fogo e fraude processual. Mesmo que sua liberdade tenha sido concedida pela Justiça, o médico terá que usar tornozeleira eletrônica.

Vale lembrar que João Jozbik Neto é conhecido por ter feito parte da equipe médica do primeiro transplante de coração em Mato Grosso do Sul, em 23 de setembro de 1994. O paciente foi um jovem de 27 anos que apresentava miocardiopatia.

Os transplantes de coração na Santa Casa foram suspensos em 2005 e retomados em fevereiro de 2013. Jazbik Neto também estava na equipe médica na retomada de transplantes no hospital, em cirurgia realizada em um homem de 50 anos.

Detalhes do caso

A fisioterapeuta Fabíola Marcotti foi encontrada morta a tiro em uma chácara na região da Chácara dos Poderes, em Campo Grande.

Jazbik Neto acionou a Polícia Civil e informou que já a encontrou em óbito. No entanto, de acordo com o delegado da Deam, Leandro Santiago, em entrevistas prévias, o médico e outras testemunhas que se encontravam no local divergiram nas versões apresentadas.

Além disso, perícia preliminar constatou que a lesão que a vítima tinha na cabeça não condizia com a versão apresentada pelo médico.

"A equipe realizou diversas diligências na propriedade e constatou que o suspeito, companheiro da vítima, determinou que o caseiro e um ex-funcionário seu deslocassem um armário com diversas armas de fogo e munições para um casebre dentro da propriedade, o que consistiu em crime de fraude processual, motivo pelo qual os três foram autuados em flagrantes por esse crime", explicou o delegado.

"Agora iremos instaurar um inquérito complemenaar em autos apartados para apurar, sob uma perspectiva de gênero, as circunstâncias do óbito da vítima Fabíola, se se trata de um suicídio ou de uma feminicídio", concluiu Santiago.

O advogado José Belga, que representa Jazbik Neto, informou, por meio de nota, que a suspeita de feminicídio teria sido descartada pela pericía e pelos responsáveis pela investigação do caso.

"Apesar do luto e do sofrimento de que padece neste momento, o Dr. João Jasbik se colocou à inteira disposição da autoridade policial, prestando todos os esclarecimentos e concordando com a realização do exame residuográfico, afastando qualquer suspeita da hipótese de feminicídio, inicialmente considerada pela investigação", diz a nota.

No entanto, em declaração posterior, o delegado informou que não está descartada a hipótese de feminicídio e que o caso segue sob investigação.

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