Se utilizado da maneira, frequência e na época correta, o fogo é benéfico para o Pantanal sul-mato-grossense.
A fauna e flora estão adaptadas com a presença do fogo no Pantanal e Cerrado.
Porém, a frequência a qual ocorre se torna um problema quando utilizado de maneira e época errada.
O bioma pantaneiro é uma savana de planície alagada e savanas precisam do fogo para sua sobrevivência.
Gramíneas e plantas com cascas mais grossas presentes no Pantanal são dependentes do fogo para sua germinação, frutificação e floração.
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Para-tudo e lixeira são exemplos de espécies arbóreas resistentes ao fogo. A casca grossa da planta impede que as chamas do fogo afetem o sistema seu sistema vivo, como xilema, floema e tecidos condutores da seiva.
O fogo em si não é um problema, mas incêndios florestais sim, de acordo com o analista ambiental do Prevgofo do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Alexandre Pereira.
“Todas as savanas do mundo precisam de fogo porque o fogo é um agente perturbador natural nesses ambientes", afirmou.
“Se a gente excluir o fogo desse ambiente, a gente vai acabar a longo prazo prejudicando mais do que tendo fogo de uma forma regular na época correta e em uma frequência correta”, acrescentou.
De acordo com Alexandre, o calor do fogo não afeta o caule das árvores pois elas possuem cascas grossas como proteção.
"As cascas são queimadas por fora, mas todo o sistema, o sistema vivo da árvore fica intacto".
Uma das formas de evitar incêndios florestais no Pantanal sul-mato-grossense é justamente realizar queimadas em vegetações que serviriam de combustível para o fogo, chamadas de “queimadas controladas”.
De acordo com o Código Florestal, a queima controlada é permitida nas práticas de prevenção e combate aos incêndios.
“Uma das medidas preventivas para evitar os grandes incêndios é usar o próprio fogo, com a frequência correta e em locais corretos, na época correta”, afirmou Alexandre.
Alexandre ressalta que o uso do fogo é proibido em meses de estiagem, como agosto, setembro e outubro devido às condições climáticas desfavoráveis como baixo índice pluviométrico, seca, estiagem e baixa umidade relativa do ar.
“Quando se tenta usar o fogo nessas condições climáticas, não tem como controlar o fogo, e quando se tem o fogo nessa época a gente tem o incêndio florestal”.
A estação de inverno é propícia para ocorrência de queimadas em Mato Grosso do Sul, devido ao tempo seco, estiagem e escassez de chuvas.
Mato Grosso do Sul decretou situação de emergência ambiental por 180 dias em 13 de julho deste ano, de acordo com decreto publicado no Diário Oficial Eletrônico.
As queimadas controladas em propriedades localizadas na área de uso restrito do Pantanal estão suspensas até 30 de outubro deste ano, de acordo com Portaria do Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul) publicada no Diário Oficial Eletrônico.
O Pantanal sul-mato-grossense é capaz de se recuperar de incêndios florestais, de acordo com Alexandre. “O Pantanal tem o poder de resiliência, um poder de recuperação pós fogo muito grande”.
Alexandre ressalta que regiões de florestas, cordilheiras e capões demandam mais tempo para recuperação.
“Mas nas outras regiões a gente pode dizer que o Pantanal tem esse poder de resiliência muito grande”.
Por outro lado
A fauna e flora sul-mato-grossense são afetadas pelos incêndios florestais. O fogo destrói florestas, campos, pastos, matas e biodiversidade.
Animais são machucados e mortos pelas chamas do fogo. Bichos perdem seu habitat natural devido a vegetação queimada.
Animais correm o risco de serem atropelados ao atravessarem rodovias procurando por um novo abrigo.
De acordo com o Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso do Sul (CBMMS), a área queimada no Pantanal de 1º de janeiro à 21 de agosto deste ano é de 261.800 hectares e 4.029 incêndios em vegetação.
Efetivo de 232 militares do Corpo de Bombeiros, 29 viaturas e algumas aeronaves foram empenhados no combate às chamas no Pantanal no ano de 2021.


Bombeiros realizando queima prescrita. Foto: Ewerton Pereira/Secom

